Saúde
Efeito lunar
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O efeito lunar é uma suposta correlação não comprovada entre estágios específicos do ciclo lunar de aproximadamente 29,5 dias e mudanças comportamentais e fisiológicas em seres vivos na Terra, incluindo humanos. Em alguns casos, o efeito pretendido pode depender de pistas externas, como a quantidade de luz da Lua. Em outros casos, como o ciclo menstrual aproximadamente mensal em humanos (mas não em outros mamíferos), a coincidência no tempo reflete nenhuma influência lunar conhecida. Formou-se também em torno disso um conjunto popular de teoria pseudocientífica que se sobrepõe em sociologia, psicologia e fisiologia, sugerindo que há correlação entre as fases específicas do ciclo lunar na Terra e o comportamento divergente em seres humanos (lunatismo).
A ideia por trás do efeito lunar tem fascinado muitos estudiosos do comportamento e justificam muitas experiências e estudos. A maioria dos experimentos até hoje, no entanto, não encontraram nenhuma correlação entre as variáveis e refutaram a hipótese. Um número considerável de estudos examinou o efeito em humanos, com resultados mistos, e atualmente ainda há pesquisadores que afirmam encontrar evidências de alguma correlação entre efeitos lunares (principalmente gravimétricos) e a sincronização de ciclos de sono e até mesmo quadros patológicos em humanos.
Contextos
Popularmente acredita-se que, durante a lua cheia, aumentem o número de crimes violentos, o índice de homicídios, acidentes de trânsito, de suicídios e das internações nos hospícios, licantropia, vampirismo, lobisomens, alcoolismo, sonambulismo, epilepsia, entre outros. A lua cheia também é relacionada à fertilidade por isso atribuem-se que mais mulheres dão à luz na lua cheia. Uma teoria afirma que a lua tem uma relação percebida com a fertilidade é devido ao ciclo menstrual humano que corresponde em média 28 dias.[1] No meio rural, muitos agricultores consultam a Lua antes de plantar ou podar, pois acreditam que as colheitas são mais abundantes se as sementes forem plantadas nas fases certas da Lua; também consultam a Lua antes de podar plantas, colher frutos, fertilizar o solo, cortar madeira, etc. Já nos salões de beleza e cabelereiros muitos fazem o mesmo na hora de cortar o cabelo. Talvez um dos mais famosos mitos decorrentes desta teoria seja a lenda do lobisomem.
Estudo científico
No final da década de 1980, havia pelo menos 40 estudos publicados sobre a suposta conexão lunatismo-lunar[2] (também conhecido como "efeito Transilvânia"[3]) e pelo menos 20 estudos publicados sobre a suposta conexão taxa de natalidade-lunar.[4] Isso permitiu que várias extensas revisões de literatura e meta-análises fossem produzidas, que não encontraram correlação entre o ciclo lunar e a biologia ou comportamento humano.[2][4][5][6] Houve, porém, na época quem continuasse apontando o potencial de pesquisa.[7]
Um estudo de 2005 aponta que os créditos de uma correlação de fases lunares para o comportamento humano não se sustentam sob escrutínio científico e que, ao longo dos últimos 30 anos, ainda mais evidências surgiram para sublinhar que isto é uma pseudociência.[3] No entanto, novas pesquisas que ajustam as medidas para outros ciclos lunares indicam evidências para a hipótese da a Lua fornecer sinais zeitgeber para seres humanos, principalmente a partir da influência gravitacional, segundo a posição da Lua em relação à Terra e ao Sol. Grande parte dessa evidência mais recente aponta para diversas apresentações de correlação entre fases do ciclo de humor no transtorno bipolar e o ciclo semi-sinódico (cerca de 14.7 dias, diretamente relacionados a efeito gravitacional), além de outros ciclos, principalmente em estudos encabeçados por Thomas Wehr: durante a fase de Lua Nova, ocorre alguma correlação que não depende da influência da luz.[8][9][10][11][12]
Em relação à medida do ciclo de iluminância lunar (cerca de 29.5 dias), um estudo indica que as correlações não aparecem.[13] Os novos estudos longitudinais, com refinamento de medidas para mais de um tipo de ciclo, levantam questionamento contra a afirmação de que seres humanos não seriam biologicamente influenciados pela Lua: os estudos dos últimos 50 anos, em sua maioria, falhavam em confirmar algum efeito lunar devido a medirem somente o ciclo sinódico.[14][15][16] Estudos atuais se mantêm com resultados mistos, com uma variedade de variáveis e métodos que podem ser questionáveis.[17] Evolutivamente, há argumentos para que seres humanos tenham um relógio biológico circalunar, que sofrem arrasto tanto pelos ciclos de iluminação, quanto pela gravidade.[18]
Estudos recentes apontam que a busca de efeitos lunares e seus mecanismos continua de interesse para áreas como a cronobiologia. Uma nova hipótese explicativa, para além das possíveis influências de gravidade lunar e do luar, é de o efeito ocorrer através de alterações na magnetosfera terrestre quando da passagem da cauda magnética por uma Lua cheia. Mecanismos biológicos propostos a isso poderiam incluir a sensibilidade a campos magnéticos e elétricos fracos, presente em plantas e animais, como pela magnetorrecepção, a partir de alterações do fluxo de cálcio, como em pinealócitos, influenciando o ritmo circadiano na produção da melatonina; e de outras moléculas como magnetita, criptocromo, DNA, além da atividade inflamatória e ferroeletricidade.[19]
Uma meta-análise de 2021 evidencia que marés gravimétricas dependentes do movimento da Lua se correlacionam com o crescimento de plântulas, atividade reprodutiva de corais e movimento de isópodes.[20] Uma pesquisa de 2021 aponta evidência global entre ataques de tubarão e iluminação lunar.[21]
Há evidências para correlação entre fases lunares e alteração do ritmo e qualidade de sono,[22][23][24][25][26] enquanto outros contestam resultados.[27][28]
Um estudo de 2021 apontou a existência de uma sincronização intermitente do ciclo menstrual em relação aos ciclos luminosos e gravimétricos da Lua.[29][30] Uma pesquisa de 2024, baseando-se em uma quantia analisada de 31.698 ciclos menstruais, apontou para uma relação pequena, porém significativa, de sincronização entre o início da menstruação e alguma fase da Lua, em que, dependendo do contexto geográfico dos grupos estudados, o alinhamento ocorre mais com uma fase do que com outra.[30] Um estudo de 2025 indicou que, antes da prevalência extensa de LEDs e smartphones em 2010, os registros de ciclos menstruais de longo prazo estavam significativamente sincronizados com os ciclos lunares, e que, após essa época, sincronias significativas passaram a ocorrer apenas parcialmente em alguns períodos: principalmente no mês de janeiro. Foi levantada a hipótese de que isto se devia a ser ele o mês com maior interação gravimétrica entre o Sol, a Lua e a Terra.[31]
Referências
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