Saúde
Delonix regia
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| Delonix regia | |||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
Delonix regia (Hook.) Raf. | |||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||
Poinciana regia Hook. | |||||||||||||||||

A Delonix regia (Hook.) Raf.[1] comummente conhecida como acácia-rubra[2][3], é uma árvore da família das leguminosas (Fabáceas), nativa da ilha de Madagascar, tendo-se em seguida espalhado pela zona tropical da África continental, e, posteriormente, graças à sua beleza, foi levada a outros continentes, como a Europa e as Américas.[4]
Dada a sua beleza ornamental, é uma das plantas mais usadas com fins ornamentais em regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo.[5]
Nomes comuns
Além de «acácia-rubra», esta espécie dá ainda pelos seguintes nomes comuns: árvore-flamejante[6], flor-do-paraíso (não confundir com a espécie Aesalpinia pulcherrima, que consigo partilha este nome comum)[7], pau-rosa[8] (não confundir com as espécie Physocalymma scaberrimum e Aniba rosaeodora, que consigo partilham este nome comum).[9]
No Brasil[10], pode ser ainda conhecida, regionalmente, como flamboaiã[11] (grafias alternativas flamboyant[12], flamboiã[13] e flambuaiã[14]) ou ainda como liete ou lietinha.
Etimologia
Quanto ao nome científico desta espécie:
- O nome genérico, Delonix, consiste numa aglutinação dos étimos gregos clássicos δῆλος (dêlos), que significa «visível) e ὄνυξ (ónux), que significa «garra».[15][16]
- O epíteto específico, regia, provém do latim, rēgĭa, e significa «real, palaciano».[17]
Do que toca aos nomes comuns:
Os regionalismos brasileiros, flamboaiã[11], flamboyant[12], flamboiã[13] e flambuaiã[14] , consistem em decalques do étimo francês flamboyant,[13]o qual, por sua vez, é oriundo do latim flammare, incendiar.[18] Por seu turno, o substantivo português «árvore-flamejante» tem origem semelhante, consistindo numa tradução inspirada no mesmo nome original francês.[19] Em qualquer um dos casos, todos estes nomes se ficam a dever à coloração vermelha viva, alusiva à cor do fogo, característica das flores desta espécie.[11]
Distribuição
A planta foi descoberta na ilha de Madagascar[4] por um botânico francês em 1824.[5] Antes de receber a atual nomenclatura científica de Delonix regia, foi classificada como Poinciana regia.
A chamada “árvore-flamejante” encontra-se atualmente quase extinta na sua área de distribuição natural em Madagáscar.[20] As principais subpopulações nativas ocorrem em áreas ameaçadas pela produção de carvão vegetal.[20] A espécie está classificada como “Vulnerável” na Lista Vermelha da IUCN (2010).[20]
Com efeito, esta espécie é amplamente cultivada no Zimbabué e em Moçambique, servindo fins de ornamentação urbana.[21] Em Angola, particularmente na região de Benguela, a espécie apresenta notável expressividade, desempenhando também um relevante papel na alimentação.[22][23]
A sua introdução em Macau e Timor, ocorreu através dos portugueses, ainda em finais do séc. XIX.[24]
Mercê das suas qualidades decorativas, esta espécie tem alguma expressão em Portugal, principalmente em jardins botânicos e em contextos de ornamentação urbana.[25]
Adaptou-se muito bem em toda a América tropical, sendo muito popularizada nas ilhas do Caribe. No Brasil, é usada na arborização de ruas e praças.[26]
Ecologia
O habitat natural desta espécie são as florestas quentes e húmidas, medrando até 2.000 metros acima do nível do mar, embora privilegiando altitudes de até 1.000 metros.[20][27]
Descrição


A Delonix regia é uma árvore de crescimento rápido, com copa ampla em forma de guarda-chuva, apresentando ramos longos e quase horizontais que formam um diâmetro superior à altura da própria árvore.[20] Geralmente perenifólia, torna-se caducifólia em regiões onde a estação seca é longa e bem marcada.[20]
A árvore atinge entre 10 e 18 metros de altura, com um tronco robusto, podendo alcançar até 2 metros de grossura.[20]
Tem folhas caducifólias, que medem em média 30 a 60 cm de comprimento, são pecioladas (haste) e revestidas por pelos finos e curtos, recompostas com folíolos pequenos medindo de 1 a 1,5 cm de comprimento e caducos (decíduos).
Quanto às flores, são majestosas e de cor vermelha-alaranjada ou amarelas. Cada flor possui 5 pétalas, sendo uma delas maior, com face superior rajada de vermelho ou laranjando sobre um fundo branco com bordas avermelhadas, e 5 sépalas.
A época de floração é de outubro a dezembro. O seu fruto é uma vagem de coloração castanho-escura, com um tamanho avantajado e permanece na árvore mais de seis meses.[28] A semente é dura, alongada, com 1,70 cm de comprimento em média (nunca mais de 2 cm) e é de coloração castanho-clara.[26]
Galeria
- Flamboyant, localizado em Cascavel-PR, árvore imponente e de beleza certa em sua florada da primavera-verão.
Cultivo
Esta espécie desenvolve-se em regiões onde a temperatura média anual varia entre 14 – 26 °C e a precipitação média anual é superior a 700 m, podendo adaptar-se tanto a áreas com elevada pluviosidade como a zonas com precipitação reduzida.[20] Embora consiga crescer a altitudes superiores às recomendadas, a floração torna-se irregular.[20]
É uma espécie heliófila, pelo que exige elevada luminosidade, apresentando crescimento débil e esparso, bem como fraca floração, se se encontrar numa zona úmbria ou de abixeiro.[20] A árvore-flamejante tolera diversos tipos de solos, desde os mais argilosos aos mais arenosos, conferindo, porém, maior preferência aos solos arenosos.[20] O pH do solo ideal situa-se entre 5,5 e 6,5, tolerando valores de 4,5 a 7,5.[27] Uma vez estabelecidas, estas plantas demonstram elevada tolerância à seca.[20]
As árvores-flamejantes possuem um sistema radicular superficial e madeira relativamente fraca, sendo por isso suscetíveis ao desenraizamento durante tempestades intensas e à quebra por ventos fortes.[27] Por este motivo, recomenda-se, o plantio em locais abrigados.[27]
A floração inicia-se geralmente entre o 4.º e o 5.º ano de idade da árvore.[20] Em ambientes húmidos, a emissão de nova folhagem pode anteceder a floração, reduzindo a sua abundância.[20]
O plantio desta espécie em locais mais secos tende a favorecer florações abundantes.[20]
O sistema radicular superficial é bastante competitivo, senão mesmo hostil, em relação à vegetação circundante, podendo inclusive levar a que o raio sob a sua copa fique inteiramente desprovido de vegetação; por esse motivo, recomenda-se o afastamento de outras plantas em jardins.[20] [20]
Raiz
As raízes desta espécie são bastante agressivas, sendo que, como são raízes aéreas, parte delas fica acima da superfície, o que a torna imprópria para a ornamentação de calçadas, ruas ou próximo a canalização de água, esgoto, paredes e até mesmo instalações elétricas.[20]
Apesar de ser muito ornamental devido às suas belíssimas flores, quando usada na arborização urbana, relega-se apenas a parques e grandes espaços, devido à sua altura média de 7 a 10 m e a suas raízes muito superficiais e danosas, que destroem as calçadas ao seu redor. Uma boa alternativa é plantar a Caesalpinia pulcherrima, que é semelhante ao flamboaiã, porém com porte menor e sem o problema das raízes.[11]
Usos
Trata-se de uma espécie multifacetada, colhida no estado silvestre para diversos usos locais, incluindo aplicações medicinais, alimentares, madeireiras, combustível e produção de contas.[20] É cultivada como árvore de sombra em plantações e utilizada na estabilização e melhoria dos solos.[20]
Esta espécie é uma das plantas ornamentais mais amplamente cultivadas no mundo, sendo comum em jardins e ao longo de estradas nas regiões tropicais.[20]
Referências
- ↑ «Delonix regia (Hook.) Raf. — The Plant List». www.theplantlist.org. Consultado em 3 de maio de 2016
- ↑ S.A, Priberam Informática. «acácia-rubra». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ Freitas, Ana Amaro Nunes. «Acácia-rubra». www.cm-funchal.pt. Consultado em 22 de janeiro de 2016. Arquivado do original em 27 de janeiro de 2016
- 1 2 LTDA-EPP, Lexikon Editora Digital. «Significado de flamboaiã». auleteuol.w20.com.br. Consultado em 22 de janeiro de 2016. Arquivado do original em 26 de janeiro de 2016
- 1 2 «Acácia Rubra pinta de vermelho algumas ruas do Funchal | DNOTICIAS.PT». www.dnoticias.pt. Consultado em 22 de janeiro de 2016
- ↑ S.A, Priberam Informática. «ÁRVORE-FLAMEJANTE». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ S.A, Priberam Informática. «FLOR-DO-PARAÍSO». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ S.A, Priberam Informática. «PAU-ROSA». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 28 de abril de 2026. Cópia arquivada em 28 de janeiro de 2022
- ↑ Infopédia. «pau-rosa | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ Infopédia. «flamboaiã | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 28 de abril de 2026
- 1 2 3 4 Silva, Deonísio da (3 de janeiro de 2014). De onde vem as palavras: origens e curiosidades da língua portuguesa. [S.l.]: LEXIKON Editora. ISBN 9788583000082
- 1 2 «Flamboyant». Thesaurus Agrícola Nacional. Ministério da Agricultura e Pecuária: Biblioteca Nacional de Agricultura - BINAGRI. Cópia arquivada em 12 de junho de 2024
- 1 2 3 FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.785
- 1 2 Infopédia. «flambuaiã | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ «NParks | Delonix regia». www.nparks.gov.sg. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ «Delonix | Landscape Plants | Oregon State University». landscapeplants.oregonstate.edu. Consultado em 28 de abril de 2026. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2021
- ↑ «rēgĭa - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». www.online-latin-dictionary.com. Consultado em 26 de maio de 2022
- ↑ Larousse, Éditions. «Définitions : flamboyant - Dictionnaire de français Larousse». www.larousse.fr (em francês). Consultado em 28 de abril de 2026. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2025
- ↑ Infopédia. «árvore-flamejante | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 28 de abril de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 «Delonix regia - Useful Tropical Plants». tropical.theferns.info. Consultado em 28 de abril de 2026
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- ↑ Jansson, Camilla (2011). «The major food trees of the Angola black-and-white colobus (Colobus angolensis palliatus)» (PDF). Swedish University of Agricultural Sciences Department of Animal Environment and Health Ethology and Animal Welfare programme. 365: 4,12-19. ISSN 9124-9465
- ↑ «Filed as Delonix regia (Bojer ex Hook.) Raf. [family FABACEAE] on JSTOR». plants.jstor.org. doi:10.5555/al.ap.specimen.coi00001161. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ Estácio, António J. E. (Setembro 1998). «EVOLUÇÁO DAS ZONAS VERDES, SUA IMPORTANCIA E ORIGENS DA FLORA DE MACAU». www.icm.gov.mo. Consultado em 28 de abril de 2026. Cópia arquivada em 17 de agosto de 2022
- ↑ Gomes Quintal, José Raimundo (2007). ESTUDO FITOGEOGRÁFICO DOS JARDINS, PARQUES E QUINTAS DO CONCELHO DO FUNCHAL (PDF). Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 536 páginas
- 1 2 Mondin, Cláudio A.; Eggers, Lilian; Ferreira, Pedro Maria de Abreu (1 de janeiro de 2010). Catálogo ilustrado de plantas: espécies ornamentais da PUCRS. [S.l.]: EDIPUCRS. ISBN 9788574307213
- 1 2 3 4 Jensen, Michael (2003). Trees commonly cultivated in southeast Asia: an illustrated field guide. Col: RAP publication 2nd ed., 2nd pr ed. Bangkok, Thailand: FAO Regional Office for Asia and the Pacific (RAP). ISBN 978-974-89377-5-5
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