Saúde
DShK
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| DShK | |
|---|---|
| Tipo | Metralhadora pesada |
| Local de origem | |
| História operacional | |
| Guerras | Segunda Guerra Mundial Primeira Guerra da Indochina Guerra do Vietnã Guerra Civil Libanesa[1] Conflito entre Chade e Líbia[2] Conflitos na Irlanda do Norte Guerra Civil da Somália[3] Primeira e Segunda Guerras da Chechênia[3] Guerra do Iraque[4] Guerra Civil Líbia (2011)[5] Guerra Civil Síria[6] Guerra Russo-Ucraniana Guerra Civil Iemenita (2014–presente)[7] |
| Histórico de produção | |
| Criador | Vasily Degtyaryov, Georgy Shpagin |
| Data de criação | 1938 |
| Especificações | |
| Peso | 34 kg |
| Comprimento | 1 625 mm |
| Comprimento | 1 060 mm |
A DShK 1938 (em russo: ДШК, Дегтярёва-Шпагина Крупнокалиберный, Degtyaryova-Shpagina Krupnokaliberny, 'Degtyaryov-Shpagin Large-Calibre') é uma metralhadora pesada soviética de calibre 12,7x108mm. A DShK também foi usada pela infantaria, sendo montada em duas rodas dado o seu peso de 34kg. A sua designação tem origem nos criadores de armas Vasily Degtyaryov, que desenhou a arma original, e Georgi Shpagin, que desenvolveu e melhorou o mecanismo das munições.[8]
Especificações
A DShK é uma metralhadora alimentada por fita que dispara o cartucho 12,7×108mm.[9] Disparando 600 tiros por minuto, tem um alcance efetivo de 2,4 km e pode penetrar até 20 mm de blindagem em um alcance de 500 m.[10] É usada pela infantaria em tripés ou implantada com uma montagem de duas rodas e um escudo de placa de blindagem de folha única. Também é montada em tanques e veículos blindados para uso contra infantaria e aeronaves; quase todos os tanques projetados na Rússia antes do T-64 usam a DShK.[11]
História
Visando a criação de uma metralhadora pesada semelhante à M2 Browning, o desenvolvimento da DShK teve início na União Soviética em 1929, e o projeto inicial foi concluído por Vasili Degtiariov em 1931.[10][12] O projeto original empregava o mesmo sistema de operação a gás da metralhadora Degtiariov e utilizava um carregador de tambor para 30 cartuchos, mas apresentava uma cadência de tiro insatisfatória. Georgy Shpagin reformulou o projeto, adaptando a arma para alimentação por fita com um mecanismo de alimentação rotativo; a nova metralhadora entrou em produção em 1938 sob a designação DShK 1938.[10][13] A DShK e a americana M2 Browning são as únicas metralhadoras de calibre .50 projetadas antes da Segunda Guerra Mundial que permanecem em serviço até os dias de hoje.[14]
Durante a Segunda Guerra Mundial, a DShK foi utilizada pelo Exército Vermelho, com um total de 9.000 unidades produzidas ao longo do conflito.[10] Ela foi empregada principalmente em funções antiaéreas em veículos como o caminhão GAZ-AA, o carro de combate IS-2, a artilharia autopropulsada ISU-152 e o tanque anfíbio T-40.[10] Assim como a PM M1910 Maxim, quando utilizada contra a infantaria, a DShK era montada em um reparo de duas rodas, configuração na qual a metralhadora atingia um peso total de 157 kg.[15] Em 1944, um freio de boca muito mais econômico — baseado no do fuzil antitanque polonês wz. 35 — foi introduzido para substituir o projeto inicial, que era complexo.[16] Após 1945, a DShK foi amplamente exportada para outros países do Bloco do Leste.[9]
Em 1946, foi produzida uma variante aprimorada, com o freio de boca e o sistema de alimentação reformulados. Designada DShK 38/46 ou DShK-M, teve mais de um milhão de unidades produzidas entre 1946 e 1980.[10] A arma também passou por modificações para se tornar mais confiável e de fabricação mais simples.[17] A nova DShK foi produzida sob licença no Paquistão, Irã, Iugoslávia, Romênia, Polônia[18] e Tchecoslováquia.[10] A variante tchecoslovaca, frequentemente encontrada em montagens quádruplas, distingue-se visualmente pelo freio de boca retangular.[19] A China produziu sua própria variante do projeto, denominada Tipo 54.[20]
Após a Segunda Guerra Mundial, as metralhadoras DShK foram amplamente utilizadas pelas forças comunistas no Vietnã, a começar pela Batalha de Dien Bien Phu, em 1954. Embora não fossem tão potentes quanto os canhões antiaéreos, as DShK eram mais fáceis de transportar clandestinamente pelo Vietnã, Camboja e Laos.[10] As DShK representavam uma grande ameaça às aeronaves americanas na Guerra do Vietnã;[9] dos 7.500 helicópteros e aeronaves de asa fixa perdidos durante o conflito, a maioria foi abatida e destruída por armamento antiaéreo, incluindo a DShK.[10]
Em junho de 1988, durante os conflitos na Irlanda do Norte, um helicóptero Westland Lynx do Exército Britânico foi atingido 15 vezes por disparos de duas metralhadoras DShK do IRA Provisório — contrabandeadas da Líbia — e forçado a realizar um pouso de emergência perto de Cashel Lough Upper, no sul do Condado de Armagh.[21]
Forças rebeldes utilizaram metralhadoras DShK na Guerra Civil Síria, frequentemente montando a arma em automóveis. Em 2012, o governo sírio alegou ter destruído 40 desses veículos improvisados de combate em uma rodovia em Alepo e seis em Dael.[22]
A DShK começou a ser parcialmente substituída na União Soviética pela metralhadora NSV em 1971 e pela metralhadora Kord em 1998.[14] A DShK permanece em serviço, embora não seja mais produzida.[11]
A arma foi utilizada pelas forças ucranianas durante a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 para abater drones Shahed-136 de fabricação iraniana. As metralhadoras DShK são equipadas com um holofote quando empregadas na defesa contra esses drones, os quais os sistema de defesa antiaérea portáteis não conseguiram destruir. Como muitas dessas DShK são remanescentes da era soviética, elas se mostraram uma opção de excelente custo-benefício e um dos métodos mais confiáveis para a destruição de drones.[23][24][25]
Referências
- ↑ Neville, Leigh (19 de abril de 2018). Technicals: Non-Standard Tactical Vehicles from the Great Toyota War to modern Special Forces. Col: New Vanguard 257. [S.l.]: Osprey Publishing. p. 15. ISBN 9781472822512. Cópia arquivada em 26 de outubro de 2018
- ↑ Neville 2018, p. 16.
- 1 2 Neville 2018, p. 24.
- ↑ Neville 2018, p. 30.
- ↑ Neville 2018, p. 35.
- ↑ Neville 2018, p. 37.
- ↑ Neville 2018, p. 38.
- ↑ Leszek Erenfeicht (29 August 2012). "Dushka: The Soviet Fifty Caliber". Small Arms Defense Journal. Vol. 4, No. 3.
- 1 2 3 Larson, Caleb (3 de fevereiro de 2021). «The Soviet DShK Heavy Machine Gun Won't Go Away». The National Interest. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2022
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Roblin, Sebastien (10 de novembro de 2018). «How a Deadly Russian World War II .50 Caliber Machine Gun Blasted its Mark into History». The National Interest. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2026
- 1 2 Willbanks 2004, p. 134.
- ↑ Willbanks, James (2004). Machine Guns: An Illustrated History of Their Impact. [S.l.]: ABC-CLIO. p. 200
- ↑ Willbanks 2004, p. 109.
- 1 2 Rottman, Gordon (2010). Browning .50-caliber Machine Guns. [S.l.]: Osprey Publishing. p. 72
- ↑ «Finnish Army 1918–1945: Antiaircraft Machineguns». Cópia arquivada em 29 de novembro de 2014
- ↑ «Dushka: The Soviet Fifty Caliber – Page 2 – Small Arms Defense Journal». Cópia arquivada em 25 de fevereiro de 2026
- ↑ Willbanks 2004, p. 121.
- ↑ «65 Years of Armament Production in Tarnow». 4 de setembro de 2020
- ↑ «Dushka: The Soviet Fifty Caliber – Page 4 – Small Arms Defense Journal». Cópia arquivada em 21 de fevereiro de 2026
- ↑ Small Arms Survey (2008). «Light Weapons: Products, Producers, and Proliferation» (PDF). Small Arms Survey 2008: Risk and Resilience. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 21. ISBN 978-0-521-88040-4. Cópia arquivada em 30 de agosto de 2018
- ↑ [Harnden, Toby (2000).Bandit Country: The IRA and South Armagh. Coronet Books, pp. 360–361 ISBN 0-340-71737-8
- ↑ «الوكالة العربية السورية للأنباء». Cópia arquivada em 12 de novembro de 2013
- ↑ Parth Satam (5 de janeiro de 2023). «Ukraine Uses Powerful Searchlights & Anti-Aircraft Guns To Neutralize Russian Geran-2 UAVs Used During Night Strikes». www. eurasiantimes.com. Cópia arquivada em 5 de março de 2026
- ↑ THOMAS NEWDICK (13 de dezembro de 2022). «Inside Ukraine's Desperate Fight Against Drones With MiG-29 Pilot "Juice"». www.thedrive.com. Cópia arquivada em 24 de novembro de 2023
- ↑ Sebastien Roblin (11 de dezembro de 2022). «To Stop Killer Drones, Ukraine Upgrades Ancient Flak Guns With Consumer Cameras And Tablets». www.forbes.com. Cópia arquivada em 1 de outubro de 2025
Ligações externas

