Saúde
Cunhambebe
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| Cunhambebe | |
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Cunhambebe ilustrado por André Thevet, um cosmógrafo francês que acompanhou a expedição de Nicolas Durand de Villegaignon | |
| Morte | |
| Filho(a)(s) | Cunhambebe |
| Ocupação | líder Tupinambá |
Cunhambebe (? – c. 1555),[1] foi um famoso chefe indígena tupinambá brasileiro, tendo sido a autoridade máxima entre todos os líderes tamoios da região compreendida entre o Cabo Frio (Rio de Janeiro) e Bertioga (São Paulo). Foi, também, aliado dos franceses que se estabeleceram na Baía de Guanabara em 1555, no projeto da França Antártica. É citado na obra do religioso francês André Thévet Les singularitez de la France Antarctique e na obra do aventureiro alemão Hans Staden Duas viagens ao Brasil. De acordo com relatos de viajantes europeus, noticia-se que o chefe tamoio, em rituais antropofágicos de seu povo, tenha devorado mais de sessenta portugueses. Porém, esses números podem ter sido exagerados para impacto da obra ou pelo próprio Cunhambebe como forma de enfatizar suas proezas como guerreiro e líder.

Cunhambebe foi o líder da Confederação dos Tamoios durante o momento de aliança com os franceses contra os portugueses e contra os Temiminós. Durante esta aliança, Cunhambebe foi representado nas escritas do frade franciscano André Thévet e do religioso e explorador Jean de Léry.[2] Segundo Thévet, Cunhambebe era um líder marcante, carismático, temido e sábio sobre a guerra, tendo sido responsável por aconselhar estrategicamente os franceses à construir fortes nas ilhas e rios das redondezas. Nos relatos de Hans Staden, Cunhabebe é retratado como um líder em seu auge, tendo poder militar e apoio entre seus pares.
Segundo Capistrano de Abreu, houve não apenas um, mas dois Cunhambebes: pai e filho. O pai teria sido o famoso guerreiro que Hans Staden encontrou na Serra de Ocaraçu (atual conjunto de morros do Cairuçu, ao Sul de Paraty, na região de Trindade). André Thevet também teria conhecido este Cunhambebe, que faleceu de "peste", provavelmente varíola, após a chegada dos colonos franceses de Nicolas Durand de Villegagnon à Baía de Guanabara. Após seu falecimento, a liderança da Confederação dos Tamoios foi assumida pelo chefe tupinambá Aimberê.

Alguns anos após a morte deste Cunhambebe, o padre José de Anchieta teria encontrado o Cunhambebe filho em Yperoig, atual cidade de Ubatuba, para as negociações que deram origem ao Armistício de Yperoig. Trata-se do primeiro tratado de paz conhecido no continente americano, colocando fim à Confederação dos Tamoios, que ameaçava São Vicente e a supremacia portuguesa no sul do Brasil.
Com os indígenas das proximidades de São Vicente "pacificados", os portugueses iniciaram um ataque aos franceses que estavam instalados na Baía de Guanabara, dizimando os tupinambás que ali residiam. O fato se repetiu posteriormente em Cabo Frio. Os Tupinambás de Ubatuba sobreviveram, fugindo para o sertão ou misturando-se aos colonos em Ubatuba, dando origem aos atuais caiçaras, na região do Litoral Norte de São Paulo.
Memória

Por conta dos conflitos territoriais, os tamoios se deslocaram de forma consideravél pelo terrítorio brasileiro. Cunhambebe e a confederação dos tamoios estiverem de Cabo Frio (Rio de Janeiro) até Bertioga (São Paulo). Nestas regiões, a figura de Cunhambebe se tornou uma parte importante da história local e recebeu diversas homenagens, consolidando-o como um herói local.
Além de matérias em homenagem a Cunhambebe, o canal cultura produziu um documentário de curta duração sobre o chefe tamóio "Cunhambebe Nhaembe". O curta relembra a memória de Cunhambebe, contando sua história e frisando ele como um grande herói da comunidade.[3]
Referências
- ↑ BUENO, E. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro. Objetiva. 1999. p. 125.
- ↑ HEMMING, John (1978). Red Gold: The Conquest of the Brazilian Indian. Cambridge: Harvard University Press. p. 122. ISBN 978-0674751071
- ↑ «Documentário que resgata a memória dos povos originários estreia no Canal Futura - TELA VIVA News». telaviva.com.br. 18 de novembro de 2025. Consultado em 7 de junho de 2026. Cópia arquivada em 8 de junho de 2026
Bibliografia
- ALMEIDA, Maria Regina Celestino de (2003). Metamorfoses indígenas: identidades e cultura nas aldeias coloniais do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: FGV. ISBN 978-8570090652
- HEMMING, John (1978). Red Gold: The Conquest of the Brazilian Indian. Cambridge: Harvard University Press. ISBN 978-0674751071
- MENDONÇA, Paulo Knauss de (1991). O Rio de Janeiro da Pacificação: franceses e portugueses na disputa colonial. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura. ISBN 8585096225
