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Complexo de Israel
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Complexo de Israel | |
|---|---|
| Datas das operações | 2020 - presente |
| Líder(es) | Álvaro Malaquias Santa Rosa |
| Área de atividade | Zona Norte do Rio de Janeiro |
| Ideologia | Fundamentalismo Cristão Fundamentalismo Evangélico Anticatolicismo Racismo religioso Evangelho Judaizante |
| Principais ações |
|
| Status | Ativo |
| Financiamento | Extorsão e narcotráfico |
| Motivos | Estabelecer um regime fundamentalista |
Complexo de Israel é um território que abrange regiões favelizadas dos bairros de Parada de Lucas, Vigário Geral e Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro, bem como o nome de uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), liderada pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o "Peixão". Peixão foi justamente o responsável por delimitar e batizar a localidade, em 2020.[1]
Diferentemente do Complexo do Alemão ou da Maré, o Complexo de Israel não representa uma localidade oficialmente reconhecida no Rio de Janeiro, mas sim um projeto expansionista do grupo armado. Outra diferença é que o território não se limita a favelas, mas abrange também localidades estruturadas, como a Cidade Alta, apesar da precariedade da infraestrutura pública. [2]
Destaca-se a proximidade com as vias expressas da cidade, como a Linha Vermelha, a Rodovia Washington Luís e a Avenida Brasil. A posição estratégica é usada pelos criminosos para atacar o trânsito como reação às investidas policiais. Todo o território está delimitado por barricadas e vigiado por homens armados que controlam as entradas e saídas do Complexo de Israel. Mesmo aqueles que acessam o local acidentalmente podem ser alvos de tiros.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro planeja a retomada efetiva do território no âmbito da ADPF 635, e considera essa como uma operação de média complexidade. No entanto, os detalhes do plano, incluindo prazos, não foram ainda anunciados.[3]
As comunidades do Complexo de Israel tornaram-se célebres pela implementação de tipo um fundamentalismo evangélico denominado narcopentecostalismo,[4] erguendo, em sua zona de controle, bandeiras de Israel e estampadas estrelas de Davi nos muros, símbolo maior do judaísmo, em diversos pontos.[5][6] Álvaro Malaquias impôs uma perseguição a praticantes de religiões afro-brasileiras levada a cabo pelos integrantes da facção criminosa.[7] Há relatos, igualmente, de embaraço ao culto católico na comunidade, embora em grau menor que o executado contra o grupo religioso anterior.[8][9]
A utilização do nome "Complexo de Israel" para representar o território controlado pelo bando homônimo tem sido motivo de controvérsia na sociedade carioca. Com frequência, a cobertura policial da grande imprensa utiliza a denominação criada pela organização criminosa, em vez da denominação formal, para se referir às localidades do território dominado. Para alguns pesquisadores, há o entendimento de que a mídia contribuiu na difusão da ideologia criada pelo Peixão e no apagamento de toponímias locais.[10]
Em 12 de fevereiro de 2025, o então prefeito do município do Rio de Janeiro Eduardo Paes, sem mencionar "Complexo de Israel", criticou a Globo pela maneira como se refere às localidades deste território:
Toda vez eu vejo no Bom Dia Rio o pessoal com o helicóptero, lá, dizendo "ó, comunidade tal". Não é comunidade. Parada de Lucas é um bairro da cidade. Brás de Pina é uma bairro da cidade. Cidade Alta é um conjunto habitacional da cidade, tudo com infraestrutura, com equipamento públicos.
Esta fala ocorreu em uma declaração à imprensa durante uma operação policial que interditou a Avenida Brasil em Parada de Lucas, Vigário Geral e Cidade Alta.[11] Cabe destacar, porém, que, em diferentes ocasiões, autoridades públicas já utilizaram também a denominação "Complexo de Israel" diante da imprensa.
Ver também
Referências
- ↑ «Traficantes usam pandemia para criar 'Complexo de Israel' unindo cinco favelas na Zona Norte do Rio». G1. 24 de julho de 2020. Consultado em 21 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2026
- ↑ Hora, Jornal Meia (17 de setembro de 2020). «Cidade Alta, símbolo de um Rio de Janeiro que estigmatizou as favelas». MH - Alô Comunidade. Consultado em 21 de outubro de 2025
- ↑ «ADPF 635: Governo estuda iniciar reocupação de território por Zona Sudoeste». G1. 16 de outubro de 2025. Consultado em 21 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2026
- ↑ Gil Alessi (27 de março de 2021). «A ascensão do 'narcopentecostalismo' no Rio de Janeiro». El País. Consultado em 8 de junho de 2021. Cópia arquivada em 5 de agosto de 2026
- ↑ «Saiba quem é o traficante Peixão, chefe do Complexo de Israel que mistura assistencialismo com violência». G1. 31 de outubro de 2021. Consultado em 15 de março de 2023. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026
- ↑ «Operação no Complexo de Israel para demolir 'resort' e academia do traficante Peixão fecha a Av. Brasil». G1. 11 de março de 2025. Consultado em 14 de março de 2025. Cópia arquivada em 9 de junho de 2026
- ↑ Cunha 2024, p. online.
- ↑ Coelho, Henrique (14 de julho de 2024). «Traficante Peixão já foi condenado pela Justiça por suspeita de ordenar destruição de terreiros no RJ». G1. Consultado em 25 de julho de 2024
- ↑ «Depois de expulsar mães e pais de santo, 'bandidos de Deus' passam a perseguir católicos». CartaCapital. 18 de julho de 2024. Consultado em 24 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 31 de outubro de 2025
- ↑ Editora, Realize. «A CONSTRUÇÃO MIDIÁTICA DO "COMPLEXO DE ISRAEL": MÚLTIPLAS NARRATIVAS DA VIOLÊNCIA EM PERSPECTIVA». Realize Editora. Consultado em 27 de março de 2026. Cópia arquivada em 10 de abril de 2026
- ↑ Itatiaia (12 de fevereiro de 2025), EDUARDO PAES COMENTA OPERAÇÃO POLICIAL PARA PRENDER LÍDER DE FACÇÃO CRIMINOSA NO RIO, consultado em 27 de março de 2026
Bibliografia
- Cunha, C. V. (2024). «A criação do Complexo de Israel e sua relação com o crescimento do pentecostalismo em periferias – Rio de Janeiro, Brasil». Anuário Antropológico. 17 (1). doi:10.4000/11nfz. Cópia arquivada em 19 de setembro de 2025
