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Colégio de São Paulo (Goa)
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O Colégio de São Paulo foi uma escola jesuíta e, posteriormente, um colégio, fundado por volta de 1542 por São Francisco Xavier, em Velha Goa, no Estado Português da Índia. Foi outrora a principal instituição jesuíta em toda a Ásia. Acolheu a primeira prensa tipográfica da Índia, tendo publicado os primeiros livros em 1556.[1] O edifício original foi, contudo, progressivamente abandonado após um surto epidémico em 1578, caindo em desuso à medida que o colégio se transferiu para um novo edifício conhecido como o Colégio de São Paulo-o-Novo.[2][3] É atualmente um Monumento de Importância Nacional em Goa, protegido pelo Archaeological Survey of India (ASI).
As ruínas foram demolidas em 1832. O único vestígio do colégio original e da igreja colegial consagrada a 25 de janeiro de 1543 é o Portão do Colégio de São Paulo, que pode ser visto a sul da igreja de São Caetano. O arco, com um nicho no topo e encimado por uma cruz, é construído em laterite e ladeado por colunas de basalto. O legado do Colégio de São Paulo perdura até hoje no Seminário de Rachol, uma grande instituição de formação religiosa em Salcete.[4]
História

Em 1542, os primeiros jesuítas chegaram à Índia liderados por Francisco Xavier, cofundador da recém-criada Companhia de Jesus. Foram enviados pelo rei D. João III de Portugal para apoiar questões religiosas no Império Português, no âmbito do Padroado português. Em Goa, então capital da Índia Portuguesa, estabeleceram-se inicialmente, de forma provisóriam, no Seminário da Santa Fé, fundado por Miguel Vaz e pelo frade franciscano Diogo de Borba, sob o patrocínio do governador Estêvão da Gama em 1541.[5] Pouco depois, a instituição foi renomeada «Colégio de São Paulo», tornando-se a sede dos jesuítas na Ásia. O colégio oferecia aulas de gramática e retórica, bem como lições sobre autores clássicos. Dispunha também de uma escola para 450 estudantes locais, onde se ensinava leitura e escrita, e de um hospital. A 10 de março de 1554, o colégio recebeu uma concessão do rei João III de Portugal que lhe atribuía as rendas dos templos de Goa e das ilhas vizinhas (como as ilhas de Chorão, Capão ou Vanxim, Santo Estêvão, Cumbarjua e Divar). Tinha ainda direito às ofertas feitas por chefes locais ao rei.
O viajante francês François Pyrard de Laval, que visitou Goa por volta de 1608, descreveu o Colégio de São Paulo, elogiando a variedade das disciplinas ali lecionadas gratuitamente. Tal como muitos outros viajantes europeus que visitaram o colégio, registou que, nessa época, contava com cerca de 3000 estudantes provenientes de todas as missões da Ásia. A sua biblioteca era uma das maiores do continente, e ali foi instalada a primeira prensa tipográfica
A primeira prensa tipográfica

A arte da impressão entrou pela primeira vez na Índia através do Colégio de São Paulo, em Goa. Numa carta a Santo Inácio de Loyola, datada de 30 de abril de 1556, o padre Gasper Caleza menciona um navio que transportava uma prensa tipográfica, partindo de Portugal com destino à Abissínia (atual Etiópia) via Goa, com o objetivo de apoiar a atividade missionária. Circunstâncias impediram que essa prensa deixasse a Índia e, consequentemente, as operações tipográficas tiveram início em Goa em 1556, com a instalação da imprensa no Colégio de São Paulo, em Velha Goa.[6]
Nesse mesmo ano, D. João Nunes Barreto, nomeado Patriarca da Abissínia, e seu coadjutor Belchior Leitão[7] residiam em Goa, onde prestaram serviços episcopais até à nomeação do primeiro arcebispo de Goa, D. Gaspar de Leão Pereira, em 1560. Foi ele quem introduziu a imprensa em Goa. O responsável pela introdução da impressão na Índia foi João de Bustamante. Bustamante, impressor experiente que acompanhava a prensa tipográfica, juntamente com o seu assistente indiano, instalou a nova imprensa e começou a operá-la. Entre outras, sabe-se que quatro obras foram impressas por Bustamante: o primeiro livro publicado nesse ano foi intitulado Conclusiones Philosophicas. Um ano depois, a imprensa publicou o seu segundo livro, Catecismo da Doutrina Christã, cinco anos após a morte do seu autor, São Francisco Xavier. Seguiu-se a impressão dos Colóquios dos simples e drogas he cousas medicinais da Índia, de Garcia da Orta, a 10 de Abril de 1563, por João de Endem. Em 1568 foi impressa em Goa a primeira página de rosto ilustrada (a ilustração realizada pela técnica em relevo da xilogravura), para o livro Constituciones do Arcebispado de Goa. O mais antigo livro impresso na Índia que chegou até nós é o Compendio Espiritual da Vida Christaa de Gaspar Jorge de Leão Pereira, o Arcebispo Português de Goa.
Antigos alunos notáveis
- Beato Miguel de Carvalho (1579–1624), sacerdote jesuíta e mártir do Japão.
- São José Vaz (1651–1711), sacerdote oratoriano e 'Apóstolo do Ceilão'.
Ver também
Referências
- ↑ p.115, O'Malley, J W 1993, 'The First Jesuits', Harvard University Press, Cambridge, Massachusetts
- ↑ José Nicolau da Fonseca, An historical and archaeological sketch of the city of Goa: preceded by a short statistical account of the territory of Goa
- ↑ «St. Paul Church Goa | The Church and College of St. Paul | Indian Religious Temples». St. Paul Church Goa | The Church and College of St. Paul | Indian Religious Temples. 12 de janeiro de 2013. Consultado em 26 de março de 2026
- ↑ Cosme Jose Costa sfx (2006). «St Paul's College & Rachol Seminary». Archdiocese of Goa and Daman. Consultado em 26 novembro 2010. Arquivado do original em 15 de setembro de 2013
- ↑ Borges, pp.20–21
- ↑ Manohararāya Saradesāya, A history of Konkani literature: from 1500 to 1992, Sahitya Akademi, 2000, ISBN 81-7201-664-6
- ↑ Este artigo incorpora texto da Catholic Encyclopedia, publicação de 1913 em domínio público.
Leitura complementar
- Charles J. Borges, The economics of the Goa Jesuits, 1542–1759: an explanation of their rise and fall, Concept Publishing Company, 1994.

