Saúde
Companhia Industrial de Conservas Alimentícias
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| Companhia Industrial de Conservas Alimentícias | |
|---|---|
| Razão social | Companhia Industrial de Conservas Alimentícias S/A |
| Nome comercial | CICA |
| Empresa de capital fechado | |
| Atividade | Alimentícia |
| Fundação | 1941 |
| Fundador(es) | Alberto Bonfiglioli |
| Destino | Vendida para Gessy Lever (1993); marcas adquiridas pela Cargill (2010) |
| Encerramento | 1998 |
| Sede | Jundiaí, São Paulo, |
| Área(s) servida(s) | Brasil e Argentina |
| Proprietário(s) | Família Bonfiglioli (1941–1987) Grupo Ferruzzi (1987–1991) Cragnotti & Partners (1991–1993) Unilever (1993–1998) |
| Pessoas-chave | Alberto Bonfiglioli (fundador) Rodolfo Marco Bonfiglioli (diretor-presidente) |
| Produtos | Alimentos enlatados |
| Marcas | Elefante, Pomarola, Pomodoro |
| Subsidiárias | Cicasul, Cicanorte, Cicatrade, Cica Argentina |
| Significado da sigla | Companhia Industrial de Conservas Alimentícias |

A Companhia Industrial de Conservas Alimentícias, popularmente denominada como CICA, foi uma multiprodutora agrícola brasileira fundada em 1941 na cidade de Jundiaí, em São Paulo, por uma associação de imigrantes italianos liderada por Alberto Bonfiglioli. A empresa tornou-se reconhecida principalmente pela marca de atomatados Elefante, pelo slogan Se a marca é CICA, bons produtos indica e pela publicidade com personagens de Mauricio de Sousa. assumindo a liderança do mercado nacional de conservas na segunda metade da década de 1950. Em seu auge, era a maior produtora de conservas alimentícias da América Latina, com 167 mil metros quadrados de área construída em 1991 e ramificações em vários estados brasileiros e na Argentina.[1] A fábrica original de Jundiaí foi encerrada em 1998, mas a presença da CICA permanece viva na cidade por meio do bairro, da rua e da cooperativa que levam seu nome, além da torre histórica que marca a paisagem urbana do antigo complexo industrial.
Fundação e história
A CICA foi fundada em 1941 como resultado da associação de vários imigrantes italianos: Alberto Bonfiglioli, os irmãos Salvatore e Antonino Messina, e as famílias Guerrazzi e Guzzo. Os sócios já trabalhavam com importação de alimentos europeus, entre eles o molho de tomate Cirio, o que os inspirou a criar uma empresa para produzir o extrato localmente.[2]
A escolha de Jundiaí foi estratégica: além de ser um entroncamento ferroviário, a cidade estava próxima da recém-inaugurada Via Anhanguera. O contato com a colônia italiana local foi decisivo, em especial a influência de Sperandio Rappa, comerciante estabelecido em Jundiaí desde o século XIX, que facilitou a integração dos fundadores à cidade.[2] O terreno foi adquirido em 1938, as obras iniciadas em 1939 sob responsabilidade do arquiteto Giacomo Venchiarutti, e a fábrica inaugurada em agosto de 1941 na Rua Cica, número 5, no Jardim Cica — sem cerimônia formal, pois começou a funcionar antes de estar totalmente concluída.[3] Em 1951, o filho de Giacomo, Vasco Venchiarutti — que viria a ser eleito prefeito de Jundiaí em 1948 —, projetou a torre da fábrica, que se tornaria a característica arquitetônica mais marcante do conjunto.[3]
As primeiras referências públicas à fábrica e ao Extrato Elefante apareceram em dezembro de 1942, em anúncios simultâneos em jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A empresa enfrentou concorrência intensa da Fábrica Peixe (Indústrias Carlos de Britto & Cia.), de Pesqueira (PE), líder do mercado nacional de derivados de tomate, que contava com sete unidades industriais. Apesar das adversidades, a CICA assumiu a liderança do mercado nacional na segunda metade da década de 1950.[3]
Em 1947 foi instalada uma segunda unidade em Monte Alto (SP), dedicada à produção de extrato de tomate, marcando o início da expansão geográfica da empresa. Nas décadas seguintes, a CICA criou ramificações como Cicasul, Cicanorte e Cicatrade, além de uma filial na Argentina.[2]
Alberto Bonfiglioli faleceu em 4 de julho de 1967, e seu filho Rodolfo Marco Bonfiglioli assumiu o controle do grupo empresarial.[4]
Produtos
A produção inicial da CICA era exclusivamente de extrato de tomate sob a marca Elefante. No início dos anos 1940, as propagandas mencionavam o «duplo concentrado de tomate»; em agosto de 1943, o produto foi reformulado como «triplo concentrado», com o lema publicitário «É melhor e rende mais», e no final da década de 1950 surgiu o jingle da tarantela napolitana para reforçar a característica do processo.[4] Já em 1942 a empresa diversificou o portfólio, incluindo frutas em conserva, geleias e azeitonas.[5] Ao longo das décadas seguintes, a linha expandiu-se para molhos de pimenta, maionese, vinagre, ketchup, mostarda, milho e ervilha enlatados, marmeladas e goiabadas, a última comercializada como marron glacé. Na década de 1970, a empresa mantinha uma filial em Delfim Moreira, no sul de Minas Gerais, voltada para a produção de doces em massa.[4]
Publicidade
A publicidade da CICA foi notável por incluir os personagens de Mauricio de Sousa. Após uma tirinha de 1968 em que Mônica arrastava um elefante e Cebolinha afirmava que sua mãe não queria o animal, mas a massa de tomate, os publicitários da agência Proeme — que detinha a conta da CICA — contataram Mauricio para desenvolver propagandas. A primeira foi um comercial animado de 1969, inspirado na tirinha, com o elefante Jotalhão, que em 1979 se tornou o mascote oficial da marca Elefante, substituindo um paquiderme realista.[6]
Quanto à escolha da marca Elefante, vale notar que o nome já era amplamente utilizado no Brasil antes da CICA — esteve associado a produtos tão diversos quanto cerveja, cimento, sal de cozinha, arroz, cachaça e tinta, por simbolizar força e resistência.[2] Uma das teorias sobre a adoção do símbolo pela CICA é que tenha sido uma homenagem à terra natal da família Messina: na praça principal de Catânia, cidade portuária da Sicília, fica a famosa Fontana dell'Elefante.[4]
Declínio e venda
Apesar de muito lucrativa, quando o Banco Auxiliar — também de propriedade da família Bonfiglioli — faliu em 1985, a CICA entrou em concordata preventiva, sendo vendida dois anos depois para o Grupo Ferruzzi.[3] Em 1991, a Ferruzzi vendeu seus ativos para a Cragnotti & Partners, que por sua vez revendeu a CICA para a Gessy Lever em 1993.[7]
A fábrica original de Jundiaí foi encerrada em 1998, com as operações industriais transferidas para Rio Verde, em Goiás.[5] Em 2002, a Unilever retirou a marca CICA da maior parte de seus produtos, mantendo-a nos atomatados Elefante, Pomarola e Pomodoro.[8] Por um tempo, a marca aparecia em conjunção à Knorr. Em 2010, a Cargill adquiriu a divisão de atomatados da Unilever no Brasil, incluindo as marcas Elefante, Pomarola e Pomodoro.[4]
Legado
Após o encerramento das atividades, a presença da CICA deixou marcas duradouras em Jundiaí. O bairro Jardim Cica e a Rua Cica conservam o nome da empresa, e a Coopercica — cooperativa de consumo fundada por funcionários durante os anos de operação — segue ativa na região.[5]
Parte das instalações da fábrica foi ocupada por estabelecimentos comerciais, mas a torre projetada por Vasco Venchiarutti permanece de pé e voltou a ser iluminada no Natal de 2019, em homenagem à memória da empresa.[5] A casa da família Messina, construída por Giacomo Venchiarutti em 1942 como residência anexa à fábrica, consta no Inventário de Proteção do Patrimônio Artístico e Cultural de Jundiaí com grau 1 de proteção, destinado a bens de reconhecida importância histórica ou elevada qualidade arquitetônica.[1]
Ver também
Referências
- 1 2 «Casa da família Bonfiglioli – Cica» (PDF). Prefeitura de Jundiaí. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 10 de agosto de 2024
- 1 2 3 4 «Inesquecível Cica: 11 fotos da empresa que foi sinônimo de Jundiaí». Jundiaí Agora. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 15 de abril de 2026
- 1 2 3 4 «Cica marcou época e vive na memória de todos os jundiaienses». Tribuna de Jundiaí. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2025
- 1 2 3 4 5 «CICA, marca do Elefante, foi fundada por italianos nos anos 40». Italianismo. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 9 de maio de 2026
- 1 2 3 4 «Cica nasceu 80 anos atrás em Jundiaí». Jundiaí Aqui. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 27 de abril de 2026
- ↑ «Cica ajudou a imortalizar o elefante Jotalhão». Jundiaí Aqui. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 26 de fevereiro de 2022
- ↑ «Gessy Lever unifica divisões do setor de alimentação». Folha de S. Paulo. 13 de junho de 1994. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 23 de agosto de 2025
- ↑ «Unilever tira a tradicional marca Cica de metade de seus produtos». O Estado de S. Paulo. 17 de junho de 2002. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 15 de agosto de 2022

