Saúde
Cenósteo
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O cenósteo constitui a matriz esquelética fundamental que unifica as colónias de muitos organismos marinhos pertencentes à classe Anthozoa, funcionando como uma infraestrutura rígida e contínua que sustenta os pólipos individuais e permite a expansão modular da colónia no ecossistema de recife. Esta estrutura é composta predominantemente por carbonato de cálcio, geralmente sob a forma de aragonite, e é secretada pelo cenênquima, o tecido vivo que se estende entre os cálices dos pólipos e que assegura a ligação fisiológica e nutricional entre todos os membros do grupo. Diferente do coralito, que é a taça esquelética específica onde cada pólipo reside individualmente, o cenósteo preenche os espaços intersticiais, podendo apresentar-se com morfologias variadas, desde superfícies lisas e densas até texturas altamente ornamentadas com espículas, grânulos ou estrias, dependendo estritamente da linhagem taxonómica e das condições hidrodinâmicas do ambiente em que o organismo se desenvolve.[1][2]
A porosidade e a densidade do cenósteo desempenham papéis ecológicos vitais, pois não só conferem a resistência mecânica necessária para suportar a ação abrasiva das correntes e das ondas, mas também servem como um registo biológico do crescimento e da saúde da colónia ao longo do tempo. Em ordens como Scleractinia, a deposição contínua de novas camadas de material calcário sobre o cenósteo permite que a colónia cresça verticalmente e se sobreponha à concorrência por luz e espaço, enquanto o sistema de canais internos (solénios) que atravessa esta matriz facilita a partilha de recursos energéticos provenientes da fotossíntese das zooxantelas simbiontes. Além da sua função estrutural, o cenósteo é um elemento diagnóstico essencial na taxonomia de corais fósseis e contemporâneos, uma vez que os padrões de microarquitetura da superfície e a organização interna das trabéculas calcárias permitem identificar espécies e reconstruir paleoclimas através da análise geoquímica dos isótopos retidos na sua composição mineral.[3][4][5][6]
Referências
- ↑ Ruppert, Edward E.; Barnes, Robert D.; Fox, Richard S. (2019). Invertebrate zoology: a functional evolutionary approach Seventh edition, Seventh Indian Reprint ed. Delhi, India: Cengage Learning. ISBN 978-81-315-0104-7
- ↑ Zhao, Meixia; Zhang, Haiyang; Zhong, Yu; Xu, Xiaofeng; Yan, Hongqiang; Li, Gang; Yan, Wen (abril de 2021). «Microstructural characteristics of the stony coral genus Acropora useful to coral reef paleoecology and modern conservation». Ecology and Evolution (em inglês). 11 (7): 3093–3109. ISSN 2045-7758. PMC 8019043
. PMID 33841770. doi:10.1002/ece3.7247 - ↑ https://royalsocietypublishing.org/rspb/article/284/1853/20161667/78470/Key-functional-role-of-the-optical-properties-of
- ↑ https://www.paleoitalia.it/wp-content/uploads/2020/12/09_Bosellini-et-al_2020_BSPI_593.pdf
- ↑ Tambutté, E.; Venn, A. A.; Holcomb, M.; Segonds, N.; Techer, N.; Zoccola, D.; Allemand, D.; Tambutté, S. (12 de junho de 2015). «Morphological plasticity of the coral skeleton under CO2-driven seawater acidification». Nature Communications. 6. 7368 páginas. ISSN 2041-1723. PMC 4490415
. PMID 26067341. doi:10.1038/ncomms8368 - ↑ Li, Yixin; Liao, Xin; Wang, Xin; Li, Yuanchao; Zhao, Hongwei; Zhao, Yunpeng; Chen, Junyuan; He, Chunpeng; Lu, Zuhong (2023). «Polyp-Canal Reconstruction Reveals Evolution Toward Complexity in Corals». Research (Washington, D.C.). 6. 0166 páginas. ISSN 2639-5274. PMC 10243894
. PMID 37287887. doi:10.34133/research.0166
