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Castelo de Arnoia
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| Castelo de Arnóia | |
|---|---|
Vista do Castelo de Arnóia. | |
| Informações gerais | |
| Construção | Final do século X ou início do século XI |
| Aberto ao público | |
| Património de Portugal | |
| Classificação | |
| DGPC | 70274 |
| SIPA | 1899 |
| Geografia | |
| País | Portugal |
| Localização | Arnoia |
| Coordenadas | 41° 21′ 49″ N, 8° 03′ 07″ O |
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| [♦] ^ 15 de março de 1946 | |
O Castelo de Arnóia, também conhecido como Castelo de Arnoia, Castelo dos Mouros ou Castelo de Moreira, é um castelo situado na freguesia de Arnoia, no município de Celorico de Basto, no distrito de Braga, em Portugal.[1]
Erguido sobre um esporão rochoso dominante sobre a antiga Vila de Basto, foi um dos principais centros defensivos e administrativos das Terras de Basto.[1] A sua construção é geralmente situada entre o final do século X e o início do século XI, na época do Condado Portucalense, antes da formação do Reino de Portugal, num contexto de expansão das fortificações castrais na Europa ocidental.[1][2]
O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 15 de março de 1946.[1]
História
Antecedentes
O território de Celorico de Basto apresenta vestígios de ocupação antiga, nomeadamente vestígios pré-históricos, povoados fortificados da Idade do Ferro e elementos de época romana. No entanto, nenhuma estrutura antiga está comprovadamente atestada no local exato do Castelo de Arnóia.[1] A implantação da fortaleza medieval explica-se sobretudo pela posição defensiva do esporão rochoso dominante sobre a antiga Vila de Basto.
Origens medievais e função territorial
A origem do Castelo de Arnóia é tradicionalmente situada na segunda metade do século X, enquanto a estrutura românica conservada é associada aos séculos XII e XIII.[1] A sua construção é geralmente relacionada com a defesa do vizinho Mosteiro de São Bento de Arnoia.[1] Insere-se no desenvolvimento das fortificações castrais que marcou a Europa ocidental entre os séculos X e XII.[2]
Múnio Muniz é por vezes apresentado como o primeiro comandante do castelo.[1] A fortaleza tornou-se um dos principais centros defensivos e territoriais das Terras de Basto.[1]
O castelo é mencionado nas Inquirições de 1258, no reinado de Afonso III de Portugal.[2] Estas inquirições régias testemunham a sua integração na organização militar, fiscal e senhorial do território.
À morte de Afonso III, em 1279, o comandante do castelo, Martim Vasques da Cunha, entrou em conflito com o novo soberano, Dinis I de Portugal, no contexto das tensões políticas ligadas à sucessão régia.[1] Este episódio está na origem de uma tradição lendária relativa à sua fuga do castelo.[3]
Em 1282, D. Dinis arrendou os domínios de Celorico de Basto a Martim Joanes, pela soma de 210 morabitinos, com a obrigação de recrutar um cavaleiro encarregado do comando do castelo. Em 1284, os domínios e o castelo foram arrendados aos moradores de Celorico de Basto.[1]
Em 1402, após a subida ao trono de João I de Portugal, o senhorio das Terras de Basto foi doado a Gil Vasques da Cunha.[1]
No reinado de Manuel I de Portugal, foi concedido novo foral a Celorico de Basto, em 29 de março de 1520. Este documento estabeleceu a sede do concelho em Arnoia, no lugar do Castelo.[1][4]
O primeiro centro administrativo e judicial local desenvolveu-se assim junto ao castelo. Na atual localidade do Castelo, em Arnóia, subsistem ainda vestígios desta antiga organização, nomeadamente os edifícios ligados às audiências e à cadeia, a forca, a antiga farmácia e o pelourinho da antiga Vila de Basto.[4]
Vila de Basto e declínio moderno
O declínio do sítio iniciou-se no começo do século XVIII. Em 1717, o centro administrativo local foi transferido da antiga Vila de Basto para a freguesia de Britelo.[5]
Esta deslocação foi confirmada por uma provisão de João V de Portugal, datada de 1719, que transferiu a sede do concelho e da jurisdição local de Celorico para Freixieiro, na freguesia de Britelo, sob a designação de Vila Nova de Freixieiro.[4] Esta transferência contribuiu para o declínio da antiga Vila de Basto, enquanto o centro administrativo se fixou progressivamente em torno da atual vila de Celorico de Basto.[4]
Proteção e restauros contemporâneos
O castelo foi classificado como Monumento Nacional por decreto publicado em 15 de março de 1946.[1]
O monumento foi objeto de trabalhos de consolidação e restauro ao longo do século XX, sobretudo a partir da década de 1960. Na década de 1970, as intervenções incidiram nomeadamente sobre os merlões e o acesso exterior à torre.[1]
O castelo reabriu ao público em 2004, após trabalhos de restauro e valorização.[5] Em 2015, uma nova campanha de obras incidiu sobre as muralhas, a torre, os acessos, os percursos de visita, a iluminação e as redes técnicas.[5]
Lendas locais e memória contemporânea
Tradições de origem mourisca
O castelo é também conhecido como « Castelo dos Mouros » e « Castelo de Moreira ».[1][2] Esta designação alimentou uma tradição local que associa o sítio aos Mouros. Numa versão publicada da lenda, os Mouros ter-se-iam instalado na fortaleza de Arnóia, considerada mais fácil de defender do que as alturas vizinhas do Ladário e do Viso.[6]
A mesma versão evoca igualmente a existência de túneis que ligariam a fortaleza ao Tâmega, a cerca de uma dezena de quilómetros.[6] Esta menção pertence, contudo, ao registo lendário e não constitui prova arqueológica da existência de uma passagem subterrânea. As tradições orais locais evocam por vezes uma ligação a Amarante, situada no Tâmega, mas esta variante não parece documentada nas fontes publicadas atualmente disponíveis.
A astúcia das cabras com archotes
A lenda mais conhecida diz respeito à tomada do castelo pelos cristãos. Segundo este relato, as tropas cristãs, demasiado pouco numerosas para atacar frontalmente a fortaleza, teriam imaginado uma astúcia noturna: cabras teriam sido munidas de luzes ou archotes presos aos chifres, para fazer crer na aproximação de um exército numeroso. Os Mouros, enganados por esta aparição na noite, teriam então abandonado o castelo.[6]
Esta tradição é também mencionada pela Rota do Românico, que indica que a lenda da tomada do Castelo de Arnóia conserva ainda vigor local.[7] Ela explica o outro nome por vezes dado ao relato, o do « exército que o não era ».[6]
A fuga do alcaide Martim Vasques da Cunha
Outra lenda refere-se a Martim Vasques da Cunha, alcaide do castelo durante o reinado de Dinis I de Portugal. Segundo a tradição, após a morte de Afonso III de Portugal, o alcaide ter-se-ia encontrado numa situação de fidelidade contraditória, por ter tomado partido pelo infante Afonso contra o rei Dinis. Para abandonar o cargo sem faltar à sua honra, teria feito sair a guarnição e os habitantes do castelo, fechado-se sozinho na fortaleza, posto fogo a uma habitação e fugido pelas muralhas num cesto suspenso por uma corda presa a uma ameia.[8]
A Rota do Românico também menciona este « facto lendário » de Martim Vasques da Cunha e precisa que este tipo de relato serviu por vezes para explicar o abandono posterior da estrutura militar.[7]
Encenação contemporânea das lendas
Estas tradições são atualmente retomadas em eventos culturais locais. Em julho de 2023, o programa da Feira Medieval de Celorico de Basto, organizada no Castelo de Arnóia e na antiga Vila de Basto, incluiu um espetáculo de fogo intitulado « A Lenda do Castelo de Arnoia ».[9]
Desde 2025, a lenda da tomada do castelo é também encenada durante a Noite das Labaredas, organizada na freguesia de Arnóia. A primeira edição, realizada em 2025, teve como objetivo recriar a conquista do castelo pelos cristãos. Segundo a imprensa local, cerca de uma centena de participantes trajados participaram no evento, que incluiu também uma « queimada de Basto », um espetáculo de lasers e fogo de artifício.[10]
Uma segunda edição foi anunciada em 2026, em torno do equinócio da primavera, com a recriação da tomada do castelo « como diz a lenda », o « assalto ao castelo » e a « queimada de Basto » no programa.[11] Estas manifestações testemunham o lugar das lendas de Arnóia na memória local contemporânea.
Características
O Castelo de Arnóia apresenta planta poligonal irregular, adaptada ao relevo do esporão rochoso onde se implanta. A cerca, construída em granito, delimita uma pequena praça de armas e acompanha os desníveis do terreno.[1][5]
As muralhas são percorridas por um adarve e reforçadas a norte por um cubelo, isto é, uma pequena torre de flanqueamento integrada na cerca. O acesso ao castelo faz-se por uma única porta, aberta a sul, o que corresponde a uma organização defensiva relativamente concentrada.[1]
A torre de menagem, de planta quadrangular, está adossada ao setor sul da cerca. A sua porta, voltada para a praça de armas, situa-se a cerca de três metros do solo; é atualmente acessível por uma escada exterior construída durante os restauros modernos. O interior da torre distribui-se por três níveis, incluindo um nível inferior usado como cave, e o topo é coroado por merlões.[1]
No centro da praça de armas encontra-se uma cisterna, elemento essencial para o abastecimento de água em caso de cerco.[5] No exterior da cerca, na vertente norte, subsistem igualmente elementos ligados às antigas funções judiciais da Vila de Basto, nomeadamente o pelourinho e a antiga forca, restaurados no século XX.[1]
As investigações arqueológicas realizadas no início do século XXI identificaram várias fases de ocupação do sítio. Indicam nomeadamente uma ocupação medieval entre os séculos XII e XIII, seguida de uma ocupação mais tardia entre os séculos XIV e XVI, período durante o qual o castelo conservou uma função residencial, administrativa e simbólica mais do que um papel estritamente militar.[5]
Ver também
Ligações externas
Referências
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 «Castelo de Arnóia». Património Cultural. Consultado em 25 de abril de 2026
- 1 2 3 4 «Castelo de Arnóia». Cultura Portugal. Consultado em 27 de abril de 2026
- ↑ «Castelo de Arnóia / Castelo dos Mouros / Castelo de Moreira». SIPA — Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Consultado em 25 de abril de 2026
- 1 2 3 4 «História». Câmara Municipal de Celorico de Basto. Consultado em 25 de abril de 2026
- 1 2 3 4 5 6 «Castelo de Arnoia». Rota do Românico. Consultado em 25 de abril de 2026
- 1 2 3 4 Jorge Montez (28 de agosto de 2020). «A lenda do castelo de Arnóia ou do exército que o não era». Portugal de Lés a Lés. Consultado em 27 de abril de 2026
- 1 2 «Arquitetura e Artes Românicas» (PDF). Rota do Românico. Consultado em 27 de abril de 2026
- ↑ «Castelo de Arnóia; características e antecedentes». Castelos de Portugal. Consultado em 27 de abril de 2026
- ↑ «Feira Medieval». Câmara Municipal de Celorico de Basto. 5 de julho de 2023. Consultado em 27 de abril de 2026
- ↑ «Arnoia reviveu lenda do assalto ao castelo na reconquista cristã». Novum Canal. 14 de abril de 2025. Consultado em 27 de abril de 2026
- ↑ Bárbara Rola (18 de março de 2026). «Arnoia – Noite de Labaredas celebra o equinócio da Primavera». Rádio Região de Basto. Consultado em 27 de abril de 2026


