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Caria (Moimenta da Beira)
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Caria | |
|---|---|
| Gentílico | cariense |
| Coordenadas: 40° 55′ 55″ N, 7° 35′ 55″ O | |
| Região | Norte |
| Sub-região | Douro |
| Distrito | Viseu |
| Município | |
| Código | 180707 |
| Governo | |
| • Tipo | Junta de freguesia |
| Área | |
| • Total | 15,82 km² |
| População | |
| • Total (2021) | 406 hab. |
| Densidade | 25,7 hab./km² |
Caria é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Caria do Município de Moimenta da Beira, freguesia com 15,82 km² de área[1] e 406 habitantes (censo de 2021),[2] tendo, por isso, uma densidade populacional de 25,7 hab./km².
Caria foi vila e sede concelho até 1855. Este era constituído, em 1801, pelas freguesias da sede, Arcozelos, Carregal, Lamosa, Aldeia de Nacomba, Penso e Segões. Tinha nessa altura 2888 habitantes em 80 km². De acordo com o censo de 1849 era constituído pelas freguesias da sede, Carregal, Faia, Lamosa, Penso, Quintela e Rua. Tinha então 3431 habitantes e 88 km². Aquando da extinção foi integrado no concelho (atual município) de Sernancelhe.
História
A paróquia de Caria foi historicamente importante, tendo sido uma das 6 matrizes que formavam o bispado de Lamego.
A destruição do castelo de Caria viria a dividir Caria em 2 paróquias: Caria de Susã (isto é, Caria de Cima, com orago de Santa Maria) e Caria de Jusã (ou seja, Caria de Baixo, com orago de São Pelágio).[3]
Demografia
Nota: Nos anos de 1864 a 1890 pertencia ao concelho de Sernancelhe, tendo passado a pertencer ao de Moimenta da Beira por decreto de 21/05/1896.
A população registada nos censos foi:[2]
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| Distribuição da População por Grupos Etários[5] | ||||
|---|---|---|---|---|
| Ano | 0-14 Anos | 15-24 Anos | 25-64 Anos | > 65 Anos |
| 2001 | 95 | 82 | 253 | 149 |
| 2011 | 60 | 57 | 240 | 150 |
| 2021 | 29 | 34 | 211 | 132 |
Património
- Igreja Matriz de Caria;
- Capela em Construção em Caria;
- Capela na Granja do Pavia;
- Capela em Vilã Chã;
- Capela de Santa Eufémia;
- Capela de São Pedro;
- Capela de Santo André, em Vila Cova;
- Capela de São Tiago, Vila Cova;
- Capela do Mártir São Sebastião, em Mileu;
- Capela da Senhora das Angústias, em Mileu;
- Capela de Santo António, em Vila Cova;
- Capela de Nossa Senhora da Guia;
- Capela de Nossa Senhora dos Aflitos;
- Igreja de Nossa Senhora da Corredoura - possui um painel pintado por Álvaro Nogueira que representa 3 beatas: Beata Teresa, Beata Sancha e Beata Mafalda.
O concelho de Caria e Rua[6]
Provavelmente com origem pré-histórica, Caria era já localidade de certa importância no tempo dos romanos, seguramente situada mais para a Nave, onde se situaria o seu castelo. Ao tempo das invasões dos visigodos já formava uma importante comunidade cristã, e quando se reconstitui a diocese de Lamego, no século XII, Caria é uma das poucas mas grandes freguesias que a compõem.[7]
Desde a Baixa Idade Média até às reformas liberais do século XIX, o concelho de Caria tinha no seu termo as seguintes localidades: (Caria - sede), Mileu, Villa Cova, Vila Chã, Granja do Paiva, Rua, Prado de Cima, Prado de Baixo, Granja de Oleiros, Vide, Aldeia de Nacomba, Arcozelo da Torre, Arcozelo do Cabo, Foutão, Segões, Faia, Penso, A-de-barros, Lamosa, Carregal, Tabosa, Aldeia do Santo Estevão (Forca). Posteriormente, ao que se supõe por influência da Casa de A-de-Barros, a sede do município (bem como os símbolos do poder municipal: câmara e pelourinho) transitam para a vila da Rua.
Foi constituída honra de Caria por D. Afonso Henriques a favor de Egas Moniz e Mem Moniz, em 1120, que incluía as vilas (quintas) rurais de Arcozelos, Caria de Susã (Caria de Cima), Caria de Jusã (Caria de Baixo, mais tarde vila da Rua), Carregal, Moimenta, Nacomba, Lamosa, Segões e Quintela. (Nesta data já não existiria a Caria antiga que fora destruída com seu castelo por Almançor.[8]
A honra de Caria transita para o filho de Mem Moniz, Ermígio Mendes. Da família dos Ribadouro foi passando, através de transmissões sucessivas, para a alçada de instituições religiosas.
Nas Inquirições de 1258 já aparece como concelho com juízes próprios mas, provavelmente, ainda dependente do julgado de Castro Rei (Tarouca). Ainda terá passado pela tutela do couto de Leomil, mas alguns estudiosos supõem que terá sido posse abusiva, à semelhança das terras de Pera e Lobozaim, porquanto nas inquirições nunca foram apresentadas provas documentais.[9]
Recebeu foral de D. Manuel I com data que poderá oscilar entre 15 de dezembro de 1512 e 10 de fevereiro de 1514.[10]
No Numeramento de 1527, contabilizava 656 vizinhos (chefes de família) no todo concelhio.[11] Mas aquando das Memórias Paroquiais em 1758, o concelho já tinha 930 fogos e cerca de 3160 habitantes; um concelho grande para a época. Considerando apenas a paróquia de Caria, esta tinha 14 fogos em 1527, 33 em 1758 e 55 em 1836.
Em 18 de julho de 1740, a freguesia de Quintela destacou-se do concelho de Caria, por portaria de D. João V que elevou a Lapa a vila, criando o concelho da Lapa, tendo como termo apenas a freguesia de Quintela.
Por Decreto de 18 de julho de 1835, o concelho de Caria passou a pertencer ao distrito de Lamego, então criado. A 15 de dezembro de 1835,[12] a sede do distrito foi transferida para Viseu.
Por Decreto de 6 de novembro de 1836, a freguesia de Segões foi transferida para o concelho de Moimenta da Beira. Por Lei de 4 de julho de 1837, extinto o concelho da Lapa, constituído apenas pela freguesia de Quintela, esta regressou ao concelho de Caria de onde se havia destacado. Por Lei de 28 de abril de 1837, as freguesias de Arcozelos e Aldeia de Nacomba passam do concelho de Caria para o de Moimenta da Beira.
O concelho de Caria foi extinto em 24 de outubro de 1855 passando (as freguesias que sobravam) para o concelho de Sernancelhe. Em 21 de maio de 1896, Caria e Rua foram incorporadas no concelho de Moimenta da Beira.[13]
Nota:
Caria do município de Belmonte reivindica para si o foral de D. Manuel I. Com efeito, o foral não identifica que Caria está em causa, mas não parece haver dúvidas de que se trata da Caria sede do concelho de Caria e Vila da Rua como muito bem demonstrou Jaime GOUVEIA (2014).[14]
Deixo aqui 4 simples razões a sustentar esta tese:[15]
1- À data do foral, Caria de Moimenta da Beira era, por comparação com os municípios da época, um grande concelho com nove freguesias e mais de duas dezenas de localidades no seu termo. Por sua vez, Caria de Belmonte era uma freguesia pertencente ao concelho da Covilhã e só mais tarde (1644?) virá a ser um pequeno concelho autónomo de uma única freguesia.
2- Caria de Moimenta é um município com longa história, que remonta aos tempos romanos, varrido pelos exércitos de Almançor, com honra de D. Afonso Henriques a favor dos irmãos Egas e Mem Moniz da poderosa família dos Ribadouro. Aqui foi erigido o primeiro convento em Portugal da Ordem Terceira: Convento de S. Francisco (1443).
3- A organização dos forais, coloca este foral de 15 de dezembro de 1512 na parte respeitante aos forais do planalto beirão (Forais Novos da Beira, ao lado de Pera, Sernancelhe, São Cosmado, Paredes da Beira, Vermoiz…) e não na região que mais tarde se viria a apelidar de Beira Baixa.
4- As Memórias Paroquiais de 1758 (de Caria e Vila da Rua) remetem para este foral. O redator da Memória de Caria é bem explícito: «Tem esta villa e todo seu termo chamado concelho de Caria, o privilegio de não pagarem os seus moradores dizima das sentenças em qualquer juizo que sejam alcançadas cujo previlegio lhe foi concedido pelo Senhor Rei Dom Manoel no foral que deu a este concelho».[16]
Referências
- ↑ «Carta Administrativa Oficial de Portugal CAOP 2013». descarrega ficheiro zip/Excel. IGP Instituto Geográfico Português. Consultado em 10 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 9 de dezembro de 2013
- 1 2 Instituto Nacional de Estatística (23 de novembro de 2022). «Censos 2021 - resultados definitivos»
- ↑ Gouveia, Jaime Ricardo (2016). Teresa, Sancha e Mafalda, netas de D. Afonso Henriques, num dos painéis da igreja de Caria.
- ↑ Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
- ↑ INE. «Censos 2011». Consultado em 11 de dezembro de 2022
- ↑ Costa, Pina da (2025). As Terras do Demo nas Memórias Paroquiais de 1758. Lisboa: Edição do Autor. pp. 114–118. ISBN 9789893586211
- ↑ Guia, Bento da (2001). Os oito concelhos de Moimenta da Beira. Viseu: Câmara Municipal de Moimenta da Beira. pp. 59–76
- ↑ Costa, Pina (2025). As Terras do Demo nas Memórias Paroquiais de 1758. Lisboa: Edição do Autor. p. 116. ISBN 9789893586211
- ↑ Guia, Bento da (2001). Os oito concelhos de Moimenta da Beira. Viseu: Câmara Municipal de Moimenta da Beira. pp. 59–76
- ↑ Gouveia, Jaime Ricardo (2014). Foral Manuelino de Caria. Viseu: Junta de Freguesia de Caria - Eden Gráfico SA
- ↑ Collaço, João Tello (1934). «Cadastro da população do reino (1527)». Faculdade de Direito de Lisboa. in Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Ano II)
- ↑ «Decreto de 18 de julho de 1835 e Decreto de 15 de dezembro de 1835». Decretos Reais. 18 de julho de 1835 – 15 de dezembro de 1835
- ↑ «Decreto de 24 de outubro de 1855». Decreto Régio. 24 de outubro de 1855
- ↑ Gouveia, Jaime Ricardo (2014). Foral Manuelino de Caria. Viseu: Junta de Freguesia de Caria / Eden Gráfico SA
- ↑ Costa, Pina da (2025). As Terras do Demo nas Memórias Paroquiais de 1758. Lisboa: Edição do Autor. p. 118. ISBN 9789893586211
- ↑ Memórias Paroquiais de 1758 - Caria, vol. 9 - 134. [S.l.]: IANTT - Arquivo Nacional da Torre do Tombo. pp. 873–878
Ligações externas
- [1056461 Paróquia de Caria], no Arquivo Distrital de Viseu


