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Canal de cálcio
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Os canais de cálcio são complexos proteicos transmembranares que formam poros seletivos nas membranas biológicas, controlando com precisão o influxo de iões de cálcio (Ca²⁺) a favor de um acentuado gradiente eletroquímico em direção ao citoplasma. Como a concentração extracelular deste ião é cerca de dez mil vezes superior à intracelular, a abertura destes canais funciona como um transdutor de sinal ultrarrápido que converte estímulos ambientais em respostas celulares imediatas. Estes sistemas moleculares dividem-se em duas superfamílias principais: os canais dependentes de voltagem (VGCCs), ativados pela despolarização elétrica da membrana e subclassificados pelas suas propriedades biofísicas e farmacológicas em canais de alto limiar (subtipos L, N, P/Q e R) e de baixo limiar (subtipo T), e os canais independentes de voltagem, cuja abertura é regulada pela ligação de neurotransmissores (canais operados por ligandos), por forças físicas (mecanossensíveis) ou pelo esvaziamento do retículo endoplasmático (canais operados por armazenamento ou SOCs). No interior da célula, o Ca²⁺ atua como um segundo mensageiro universal e versátil, desencadeando e coordenando processos fisiológicos vitais como a contração dos músculos cardíaco, liso e esquelético, a exocitose de neurotransmissores nas fendas sinápticas, a secreção de hormonas como a insulina e a modulação de vias de sobrevivência ou apoptose celular. Devido à sua centralidade homeostática, mutações genéticas nestas proteínas causam doenças raras designadas por canalopatias — incluindo formas específicas de epilepsia, ataxia e enxaqueca — enquanto a sua sobreativação está implicada na morte neuronal por excitotoxicidade em acidentes vasculares cerebrais. Na medicina contemporânea, os canais de cálcio representam alvos farmacológicos de primeira linha; os fármacos bloqueadores dos canais de cálcio, divididos quimicamente em di-hidropiridinas (como a amlodipina, com seletividade vascular) e não-di-hidropiridinas (como o verapamil e o diltiazem, com ação ao nível do miocárdio e do nó sinusal), são pilares terapêuticos globais no controlo da hipertensão arterial, da angina de peito e de arritmias cardíacas através da vasodilatação e do efeito cronotrópico e inotrópico negativos.[1][2][3][4][5]
Referências
- ↑ Catterall, W. A. (1 de agosto de 2011). «Voltage-Gated Calcium Channels». Cold Spring Harbor Perspectives in Biology (em inglês). 3 (8): a003947–a003947. ISSN 1943-0264. PMC 3140680
. PMID 21746798. doi:10.1101/cshperspect.a003947 - ↑ Dolphin, Annette C. (outubro de 2016). «Voltage‐gated calcium channels and their auxiliary subunits: physiology and pathophysiology and pharmacology». The Journal of Physiology (em inglês). 594 (19): 5369–5390. ISSN 0022-3751. PMC 5043047
. PMID 27273705. doi:10.1113/JP272262 - ↑ Berridge, Michael J.; Lipp, Peter; Bootman, Martin D. (outubro de 2000). «The versatility and universality of calcium signalling». Nature Reviews Molecular Cell Biology (em inglês). 1 (1): 11–21. ISSN 1471-0072. doi:10.1038/35036035
- ↑ McDonough, Stefan I. (2004). Calcium Channel Pharmacology 1st ed ed. Boston: Springer. ISBN 978-1-4613-4860-3
- ↑ Weiss, Norbert (2014). Koschak, Alexandra, ed. Pathologies of Calcium Channels. Col: SpringerLink Bücher. Berlin, Heidelberg s.l: Springer Berlin Heidelberg Imprint: Springer. ISBN 978-3-642-40281-4
