Saúde
Batracotoxina
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A batracotoxina é um alcaloide esteroide neurotóxico e cardiotóxico de extrema potência, classificado entre as substâncias biológicas mais letais do mundo. Encontrada na secreção cutânea de rãs da família Dendrobatidae (como a Phyllobates terribilis da Colômbia) e na pele de certas aves da Papua-Nova Guiné, esta toxina não é sintetizada pelos animais. Em vez disso, é assimilada de forma exógena através da ingestão de insetos, especificamente besouros da família Melyridae. O veneno atua ligando-se irreversivelmente aos canais de sódio dependentes de voltagem nas membranas celulares, impedindo permanentemente o seu fecho e mantendo um fluxo contínuo de iões. Este processo anula a transmissão de impulsos elétricos, resultando em despolarização celular crónica, arritmias cardíacas, convulsões e paralisia respiratória fatal. A substância é extremamente tóxica mesmo em quantidades vestigiais, apresentando um risco letal elevado para o ser humano. Historicamente utilizada por comunidades indígenas na América do Sul para envenenar dardos de caça, a batracotoxina não possui antídoto conhecido. Devido à sua ação celular altamente específica, tornou-se uma ferramenta farmacológica e neurobiológica indispensável em laboratórios para mapear o funcionamento estrutural dos canais iónicos e auxiliar no desenvolvimento de novos anestésicos.[1][2][3][4][5][6][7][8][9]
Referências
- ↑ Tokuyama, Takashi; Daly, John; Witkop, B.; Karle, Isabella L.; Karle, J. (março de 1968). «The structure of batrachotoxinin A, a novel steroidal alkaloid from the Columbian arrow poison frog, Phyllobates aurotaenia». Journal of the American Chemical Society (em inglês). 90 (7): 1917–1918. ISSN 0002-7863. doi:10.1021/ja01009a052
- ↑ Daly, John W.; Myers, Charles W.; Warnick, Jordan E.; Albuquerque, Edson X. (20 de junho de 1980). «Levels of Batrachotoxin and Lack of Sensitivity to Its Action in Poison-Dart Frogs ( Phyllobates )». Science (em inglês). 208 (4450): 1383–1385. ISSN 0036-8075. doi:10.1126/science.6246586
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