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Batistas Gerais
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Batistas gerais são os primeiros cristãos batistas que surgiram no contexto do movimento batista e que articulam a doutrina da expiação geral (crença de que Jesus Cristo morreu por toda a humanidade e não apenas para um grupo seleto de predestinados).
Thomas Helwys, uma das figuras decisivas nas origens do movimento batista, escreveu A Short Declaration of the Mystery of Iniquity [1]em 1612, obra que se tornou célebre por ser amplamente considerada a primeira defesa, em língua inglesa, da liberdade religiosa plena para todos, inclusive para aqueles com quem o próprio autor discordava; A Declaration of Faith of English People Remaining at Amsterdam in Holland (1611)[2], também associada a Helwys e reconhecida por estudiosos como a mais antiga confissão de fé batista conhecida.[3]
História
Os batistas gerais surgiram no início do século XVII[4], no contexto do separatismo inglês, como o primeiro grande ramo do movimento batista. Sua origem costuma ser ligada ao grupo de John Smyth e Thomas Helwys[5], que, após refugiar-se em Amsterdã por causa da perseguição religiosa, passou a defender o batismo apenas de professantes da fé, rejeitando o batismo infantil; depois, Helwys retornou à Inglaterra e ajudou a estabelecer uma comunidade batista em Londres por volta de 1611–1612[6]. Receberam o nome de “gerais” porque sustentavam a ideia de expiação geral, isto é, que Cristo morreu por todos, em contraste com os batistas particulares, de orientação calvinista mais estrita. Além disso, enfatizavam a autonomia da igreja local, a membresia de crentes e a busca de uma vida eclesiástica moldada pelo Novo Testamento.[7][8]
Desenvolvimento
Os batistas gerais se desenvolveram a partir do núcleo separatista ligado a John Smyth e Thomas Helwys, no começo do século XVII, em diálogo com o exílio em Amsterdã e com o retorno de Helwys à Inglaterra. Desde cedo, esse ramo passou a se distinguir pela defesa do batismo de crentes, da autonomia da igreja local e da convicção de que a obra de Cristo tinha alcance geral, isto é, oferecida a todos, o que os diferenciou dos batistas particulares de orientação calvinista. Ao longo das primeiras décadas, essas comunidades se multiplicaram, organizaram redes de cooperação e, no século XVII, consolidaram sua identidade por meio de confissões e articulações mais amplas entre igrejas.[9]
Mais tarde, o desenvolvimento dos batistas gerais passou por tensões internas: parte de suas igrejas entrou em declínio e fragmentação doutrinária no século XVIII, enquanto outra parcela buscou renovação teológica e evangelística. Nesse contexto, Dan Taylor liderou, em 1770, a formação da New Connexion of General Baptists, movimento que recuperou vigor missionário, organização denominacional e maior coesão doutrinária. Essa renovação deu novo fôlego ao ramo arminiano batista na Inglaterra e, depois de um longo processo de aproximação com outros batistas, contribuiu para a união que, em 1891, ajudou a formar a configuração mais ampla do batistério britânico moderno.[10]
Referências
- ↑ Thomas Helwys (1998). A short declaration of the mystery of iniquity (1611/1612). Internet Archive. [S.l.]: Mercer. ISBN 978-0-86554-574-8. Consultado em 23 de abril de 2026
- ↑ Helwys, Thomas (1611). A declaration of faith of English people remaining at Amsterdam in Holland. 1611. Internet Archive. [S.l.: s.n.] Consultado em 23 de abril de 2026
- ↑ «Item Information | A shorte declaration of the mistery of iniquity | Early English Books Online 2 | University of Michigan Library Digital Collections». quod.lib.umich.edu (em inglês). Consultado em 23 de abril de 2026. Cópia arquivada em 20 de fevereiro de 2025
- ↑ Pruitt, Nicholas T. (2022). Vickers, Jason E.; Tait, Jennifer Woodruff, eds. «Baptists». Cambridge: Cambridge University Press. Cambridge Companions to Religion: 402–418. ISBN 978-1-108-48532-6
- ↑ Leonard, Bill J. (2005). Baptists in America. [S.l.]: Columbia University Press. doi:10.7312/leon12702. Consultado em 23 de abril de 2026
- ↑ Goodliff, Paul (2017). Doe, Norman, ed. «Natural Law in the Baptist Tradition». Cambridge: Cambridge University Press. Law and Christianity: 140–161. ISBN 978-1-107-18644-6. Cópia arquivada em 15 de junho de 2018
- ↑ «UM POUCO DA HISTÓRIA DOS BATISTAS». MEMÓRIA DOS BATISTAS - IGREJA BATISTA | MEMÓRIA E HISTÓRIA. Consultado em 23 de abril de 2026
- ↑ Smyth, John (outubro de 2012). «The character of the beast, or, The false constitution of the church discovered in certayne passages betwixt Mr. R. Clifton & Iohn Smyth, concerning true Christian baptisme of new creatures, or new borne babes in Christ, &nd false baptisme of infants borne after the flesh : referred to two propositions, 1. That infants are not to bee baptized, 2. That antichristians converted are to bee admitted into the true church by baptisme.»
- ↑ Wright, Stephen (2006). THE EARLY ENGLISH BAPTISTS. 1603-1649 (PDF). Londres: THE BOYDELL PRESS. p. https://api.pageplace.de/preview/DT0400.9781846154638_A42902091/preview-9781846154638_A42902091.pdf. ISBN 1 84383 195 3
- ↑ Rinaldi, Frank W. (1996). «The tribe of Dan: The new connexion of general Baptists 1770-1891» (em inglês)
Links externos
- Confissão de Fé Padrão (1660) - confissão de fé defendida pelos batistas gerais (revisada em 1663 e 1691).
- Credo Ortodoxo (1679) - confissão de fé defendida pelos batistas gerais
