Saúde
Auditoria social
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Auditoria social é um processo de avaliação independente que tem por objetivo mensurar o desempenho social de organizações, empresas e instituições, considerando seus impactos sobre a sociedade, o meio ambiente e os trabalhadores. Distingue-se da responsabilidade social corporativa por ser conduzida por agentes externos à entidade auditada, geralmente pela sociedade civil ou por órgãos governamentais.[1]
Auditoria Social Ambiental é o emprego das técnicas de auditoria para fins de controle, apuração e certificação acerca da fidelidade das informações relativas aos gastos, investimentos e aplicações de cunho ambiental e social. Um dos ramos de destaque da auditoria social é a auditoria ambiental, tendo em vista o aumento da demanda de questões ambientais por parte das companhias com o intuito de melhor preservar o meio ambiente e de divulgar as ações concretas para se alcançar esses objetivos[2].
História
Origens nos Estados Unidos (década de 1940)
A auditoria social tem sua origem nos Estados Unidos na década de 1940, associada ao trabalho do economista Theodore J. Kréps, consultor do Temporary National Economic Committee (TNEC). Este comitê foi instituído pelo Congresso dos Estados Unidos em 1938, por solicitação do presidente Franklin D. Roosevelt, com a finalidade de investigar concentrações econômicas e práticas monopolistas no setor privado (KRÉPS, 1940).[3]
Kréps desenvolveu uma metodologia própria para avaliação social das empresas, apresentada nos números 7 e 8 das monografias do TNEC. Nesses trabalhos, ele aplicou o que denominou "auditoria social" à economia norte-americana e a grandes corporações, analisando indicadores como emprego, produção, folha de pagamento, distribuição de dividendos e relação com consumidores (KRÉPS, 1940).[4]
Em sua definição seminal, Kréps afirmou:
"The acid test of business is not the Profit-and-Loss Statement but Social Audit." (O teste definitivo dos negócios não é a Demonstração de Lucros e Perdas, mas sim a Auditoria Social.) (KRÉPS, 1940, p. 2)
O autor defendia que os negócios não poderiam ser avaliados isoladamente da comunidade, pois compartilhavam com esta recursos naturais, infraestrutura e mão de obra (KRÉPS, 1940).[5]
Experiência na Suécia (1985–1988)
Entre 1985 e 1988, os pesquisadores John Fry e Ulla Ressner, vinculados ao Arbetslivscentrum (Centro Sueco para a Vida Profissional), conduziram um estudo de auditoria social sobre o Arbetsförmedlingen (Conselho Nacional do Mercado de Trabalho da Suécia). A pesquisa, publicada em 1988 sob o título Revisão Social av ett Ämbetsverk, baseou-se em entrevistas e questionários aplicados a mais de mil funcionários em todos os níveis da organização (FRY; RESSNER, 1988).[6]
O estudo avaliou a correspondência entre as experiências de trabalho dos colaboradores e os objetivos legislados para políticas de serviço, ambiente de trabalho e eficácia organizacional. Os resultados foram debatidos no Riksdag (Parlamento sueco) e geraram controvérsia sobre os limites da liberdade acadêmica no serviço público sueco (FRY; RESSNER, 1988).[7]
Conceito e características
De acordo com a literatura especializada, a auditoria social caracteriza-se por quatro elementos fundamentais (BOWEN, 1953):[8]
- Independência: o processo é conduzido por agentes externos à organização auditada;
- Transparência: os resultados são divulgados publicamente;
- Avaliação multidimensional: abrange aspectos sociais, trabalhistas, ambientais e econômicos;
- Foco no interesse público: busca verificar se as organizações cumprem sua função social.
Auditoria social e responsabilidade social
Embora frequentemente associadas, auditoria social e responsabilidade social corporativa constituem conceitos distintos. A responsabilidade social é geralmente uma iniciativa interna das organizações, com divulgação voluntária de informações. A auditoria social, por sua vez, caracteriza-se pela independência do agente avaliador e pela obrigatoriedade de prestação de contas à sociedade (BOWEN, 1953).[9]
| Auditoria social | Responsabilidade social |
|---|---|
| Avaliação externa independente | Autorregulação institucional |
| Resultados públicos e verificáveis | Divulgação voluntária |
| Foco na prestação de contas | Foco na imagem corporativa |
Contexto institucional
Experiências internacionais
A partir da década de 1970, agências reguladoras nos Estados Unidos passaram a incorporar mecanismos de supervisão social inspirados nos princípios da auditoria social, especialmente nas áreas ambiental e trabalhista.[10]
Na Suécia, embora a experiência inicial de Fry e Ressner tenha sido interrompida, o conceito de auditoria social foi posteriormente institucionalizado sob novas formas, como as pesquisas de clima organizacional (medarbetarundersökningar) (FRY; RESSNER, 1988).[11]
Desafios contemporâneos
Estudos sobre governança corporativa apontam que a assimetria entre estruturas locais (governos e sociedades) e estruturas globais (grandes corporações) dificulta a implementação de mecanismos efetivos de auditoria social (DOWBOR, 2011).[12]
A experiência sueca demonstrou que a aplicação da auditoria social no setor público pode gerar tensões entre a liberdade de pesquisa acadêmica e os interesses institucionais, resultando em desafios para a continuidade de tais práticas (FRY; RESSNER, 1988).[13]
Ver também
- Responsabilidade social corporativa
- Transparência pública
- Governança corporativa
- Prestação de contas (accountability)
- Avaliação de impacto social
Referências
BOWEN, Howard R. Social responsibilities of the businessman. New York: Harper & Brothers, 1953.
DOWBOR, Ladislau. A rede do poder corporativo mundial. São Paulo: Instituto Humanitas Unisinos, 2011.
FRY, John; RESSNER, Ulla. Revisão social av ett ämbetsverk. Estocolmo: Allmäna Förlaget, 1988.
KRÉPS, Theodore J. Monograph No. 7-8: Temporary National Economic Committee. Washington: U.S. Government Printing Office, 1940.
MICKLETHWAIT, John; WOOLDRIDGE, Adrian. A companhia: breve história de uma ideia revolucionária. Tradução: Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.
PINEL, Maria de Fátima de Lima. Modelo de auditoría social para las transnacionales que destruyen la naturaleza y colonizan los pueblos. 1. ed. [S. l.]: Maria de Fatima de Lima Pinel, 2020. E-book. ISBN 978-65-86125-52-8. ASIN: B0848VYK66.
Ligações externas
- ↑ «Cátedra de Auditoria Social | Cátedra de Auditoria Social». Consultado em 21 de março de 2026
- ↑ PESSOA, Francisco de P. G. A auditoria ambiental como fator educacional e motivacional. FRANCISCO, Denise Pinheiro. Auditoria Ambiental como Instrumento de Controle no Tribunal de Contas do Paraná. RIBEIRO, Maisa de Souza. Contabilidade Ambiental; Editora Saraiva. [S.l.: s.n.]
- ↑ KRÉPS, Theodore J. Monograph No. 7-8: Temporary National Economic Committee. Washington: U.S. Government Printing Office, 1940. [S.l.: s.n.]
- ↑ KRÉPS, Theodore J. Monograph No. 7-8: Temporary National Economic Committee. Washington: U.S. Government Printing Office, 1940. [S.l.: s.n.]
- ↑ KRÉPS, Theodore J. Monograph No. 7-8: Temporary National Economic Committee. Washington: U.S. Government Printing Office, 1940. [S.l.: s.n.]
- ↑ FRY, John; RESSNER, Ulla. Revisão social av ett ämbetsverk. Estocolmo: Allmäna Förlaget, 1988. [S.l.: s.n.]
- ↑ FRY, John; RESSNER, Ulla. Revisão social av ett ämbetsverk. Estocolmo: Allmäna Förlaget, 1988. [S.l.: s.n.]
- ↑ BOWEN, Howard R. Social responsibilities of the businessman. New York: Harper & Brothers, 1953. [S.l.: s.n.]
- ↑ BOWEN, Howard R. Social responsibilities of the businessman. New York: Harper & Brothers, 1953. [S.l.: s.n.]
- ↑ MICKLETHWAIT, John; WOOLDRIDGE, Adrian. A companhia: breve história de uma ideia revolucionária. Tradução: Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003. [S.l.: s.n.]
- ↑ FRY, John; RESSNER, Ulla. Revisão social av ett ämbetsverk. Estocolmo: Allmäna Förlaget, 1988. [S.l.: s.n.]
- ↑ DOWBOR, Ladislau. A rede do poder corporativo mundial. São Paulo: Instituto Humanitas Unisinos, 2011. [S.l.: s.n.]
- ↑ FRY, John; RESSNER, Ulla. Revisão social av ett ämbetsverk. Estocolmo: Allmäna Förlaget, 1988. [S.l.: s.n.]
