Saúde
Anre ibne Luai
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Anre ibne Luai (em árabe: عمرو بن لحي; romaniz.: ʿAmr ibn Luḥayy) foi um chefe dos cuzaaítas que, segundo a tradição islâmica, tomou dos jurumitas a custódia da Caaba e introduziu a idolatria em Meca. As fontes islâmicas o apresentam como responsável pela difusão do culto aos ídolos entre os árabes e pela instituição de diversas práticas religiosas da Jailia, razão pela qual é retratado negativamente na tradição muçulmana.
Vida
Não há informações seguras sobre a época em que viveu Anre ibne Luai. Segundo algumas tradições, seu pai chamava-se Amir e seu avô era Luai. Sua mãe, Fuaira, era neta de Harite, um dos administradores da Caaba. Quando atingiu a idade adulta, Anre entrou em conflito com Harite pela administração da Caaba. Aliando-se aos descendentes de Ismael, combateu os jurumitas, conseguindo expulsá-los de Meca e assumir a custódia do santuário.[1] Segundo a tradição, durante uma viagem a Moabe, na região de Balca, Anre observou que os amalequitas prestavam culto a ídolos em forma humana. Impressionado, pediu-lhes que lhe dessem uma dessas imagens para levá-la à Arábia. Os amalequitas entregaram-lhe então o ídolo Hubal, esculpido em ágata vermelha, embora outra tradição afirme que ele o trouxe da cidade de Hite, na Mesopotâmia. Anre instalou o ídolo nas proximidades da Caaba, acima do poço de Zenzem, e passou a conclamar os habitantes de Meca a adorá-lo. Segundo a tradição islâmica, foi a partir desse acontecimento que os árabes abandonaram a religião monoteísta de Abraão e adotaram a idolatria e o politeísmo, fazendo desse episódio um marco na história religiosa da Arábia anterior ao islão.[2] Após Hubal, Anre teria introduzido diversos outros ídolos, entre eles Içafe, Naila, Uade, Suá, Iagute, Iauque e Nasre, convocando os árabes a prestar-lhes culto. A tradição islâmica atribui-lhe ainda a introdução do costume de oferecer animais em sacrifício aos ídolos. Certos animais, conhecidos como sa'iba, bahira, uaçila e hami, eram consagrados às divindades e posteriormente soltos, tornando-se proibidos para qualquer outra utilização. O Alcorão rejeita expressamente essa prática em Alcorão 5:103, declarando que ela não foi instituída por Deus, mas atribuída falsamente a Ele pelos descrentes. Os relatos tradicionais descrevem Anre como um homem de baixa estatura, pele clara e olhos azuis. Entre os cuzaaítas, gozava de grande prestígio, sendo amplamente respeitado e tendo alcançado idade avançada.[3]
Na tradição islâmica
Diversos hádices atribuem a Anre ibne Luai a responsabilidade pela introdução da idolatria entre os árabes. Segundo um relato preservado por Maomé Albucari e Muslim ibne Alhajaje, o profeta Maomé declarou tê-lo visto no Inferno arrastando os próprios intestinos como castigo pelas práticas que introduziu entre seu povo.[3]
Referências
- ↑ Özaydın 1991, p. 87.
- ↑ Özaydın 1991, pp. 87–88.
- 1 2 Özaydın 1991, p. 88.
Bibliografia
- Özaydın, Abdülkerim (1991). «'Amr b. Lühay». TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 3. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi. pp. 87–88. Consultado em 20 de julho de 2026
