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Andorinha-de-coleira
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Ilustração de Richard Bowdler Sharpe para A monograph of the Hirundinidae, de 1894 | |||||||||||||||
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Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||
Distribuição da andorinha-de-coleira | |||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||
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Andorinha-de-coleira (nome científico: Pygochelidon melanoleuca)[2] é uma espécie de ave passeriforme da família dos hirundinídeos (Hirundinidae) ou das andorinhas. É encontrada na Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Suriname, Venezuela e possivelmente no Paraguai.
Etimologia
O nome genérico Pygochelidon deriva do grego pugḗ (πυγή, "garupa", "parte traseira", ou "uropígio", e khelidṓn (χελιδών), "andorinha". O epíteto específico melanoleuca, por sua vez, é a forma latinizada do grego melanóleukos (μελανόλευκος), que é formado por mélas (μέλας), "negro" ou "preto", e leukós (λευκός, "branco".[3] O nome popular andorinha deriva do latim vulgar harundo,ĭnis por hirundo,ĭnis por metátese e expansão da nasal, o que gerou andorine. Depois, houve uma mudança de vogal temática, que gerou andorina, e então andorinha. É possível que essa evolução tenha sido influenciada pelo verbo "andar". Seu primeiro registro ocorreu no século XIII.[4]
Taxonomia e sistemática
A andorinha-de-coleira foi originalmente descrita como Hirundo melanoleuca por Maximilian zu Wied-Neuwied em 1820.[5] Posteriormente, foi transferida ao gênero monotípico Diplochelidon, e então para Atticora. Um estudo genético publicado em 2005 indicou que as espécies dos gêneros Haplochelidon, Pygochelidon, Notiochelidon, Atticora, Neochelidon e Alopochelidon formam conjuntamente um grupo monofilético, mas que as atribuições atuais de espécies dentro desses gêneros fazem com que todos sejam parafiléticos ou polifiléticos. A pesquisa revelou, por exemplo, que A. melanoleuca é espécie-irmã da andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca), enquanto o peitoril (Atticora fasciata) é provavelmente irmão da andorinha-de-cabeça-preta (Notiochelidon pileata) e da calcinha-branca (Neochelidon tibialis) e a andorinha-de-barriga-escura (Notiochelidon murina) é irmã da andorinha-andina (Haplochelidon andecola).[6][7] Na atual reclassificação, o Comitê de Classificação da América do Sul (SACC) decidiu transferior a andorinha-de-coleira para o gênero Pygochelidon, que havia sido erigido em 1865, que compartilha com a andorinha-pequena-de-casa.[8] A andorinha-de-coleira é monotípica.[9][10]
Descrição
A andorinha-de-coleira mede cerca de 14 centímetros (5,5 polegadas) de comprimento e pesa entre 10 a 12 gramas (0,35 a 0,42 onças). Os sexos possuem a mesma plumagem. Os adultos têm cabeça e pescoço predominantemente azul-enegrecidos brilhantes, com garganta branca. As partes superiores são azul-enegrecidas brilhantes. A cauda é profundamente bifurcada e enegrecida. As asas são enegrecidas. As partes inferiores são predominantemente brancas, com uma faixa azul-enegrecida atravessando o peito. Os juvenis possuem cabeça e partes superiores mais opacas e amarronzadas que as dos adultos, partes inferiores branco-sujas e cauda mais curta.[11]
Distribuição e habitat
A andorinha-de-coleira possui uma distribuição altamente disjunta. Uma população ocorre do leste da Colômbia (Vichada, Guainía e Vaupés) ao sudoeste, centro e sudeste da Venezuela (Amazonas e Bolívar), Guianas, nordeste da Bolívia (rio Madre de Dios), fronteira Argentina–Brasil (Cataratas do Iguaçu) e nordeste da Argentina (Missões);[11] a população argentino-brasileira pode se estender ao Paraguai adjacente, onde o Comitê Sul-Americano de Classificação possui registros não confirmados.[1] Especificamente no Brasil, está presente nos biomas do Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, nos estados da Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará, Amapá, Mato Grosso, Tocantins, Bahia (registros isolados), centro e norte de Minas Gerais e sul de Goiás, nas sub-bacias do litoral do Amapá e dos rios Araguaia, Jequitinhonha, Madeira, Negro, Paranaíba, Purus, Alto São Francisco, Tapajós, Alto e Baixo Tocantins, Trombetas e Xingu.[12] Habita faixas ribeirinhas, especialmente rios de águas pretas, onde favorece áreas próximas a cachoeiras e corredeiras.[13] Sua distribuição altitudinal alcança apenas cerca de 300 metros (mil pés) acima do nível do mar.[11][14][15]
Comportamento
A andorinha-de-coleira é majoritariamente residente durante todo o ano,[11] contudo, realiza alguns movimentos sazonais irregulares na Venezuela, onde em certas localidades é comum em dezembro-março, quando os níveis de água estão baixos, mas escassa ou ausente em junho, quando os níveis estão altos.[15] Alimenta-se de insetos capturados em voo; sua dieta inclui moscas (dípteros), besouros (coleópteros), formigas e vespas parasitas (himenópteros) e percevejos (homópteros). Forrageia sozinha, em pares, grupos com centenas de indivíduos ou bandos menores (10 indivíduos),[12] que podem incluir outras espécies de andorinhas, como o peitoril. Geralmente voa baixo sobre a água, mas também circula lentamente acima dela e plana alto sobre a floresta próxima; também desliza alto sobre o rio ou a floresta.[13][11] Sua estação reprodutiva não foi completamente definida. Foi registrada em fevereiro-março na Venezuela (região do Orinoco) e em fevereiro no Suriname.[11][15] Um casal foi observado coletando material para o ninho em Goiás, no Brasil, em julho.[16] Em Rondônia, onde forma grandes bandos, reproduz-se entre junho e outubro, utilizando áreas pedregosas expostas nos canais dos rios, das quais desaparece com o início das chuvas em meados de novembro. Na região amazônica, os registros em Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins concentram-se entre abril e novembro; contudo, há também registros em Goiás e Minas Gerais durante quase todos os meses do ano. Existem registros reprodutivos da espécie no Brasil, onde ela é considerada migratória.[12] A espécie nidifica em buracos ou fendas em afloramentos rochosos ou barrancos de terra de cerca de dois metros de altura, onde constrói um ninho de capim seco revestido com penas. Posturas de três ovos foram documentadas. O período de incubação, o tempo até o emplumamento e os detalhes do cuidado parental são desconhecidos.[15] Sua vocalização foi descrita como uma “série desestruturada de notas zr,[17] um "jtt zumbido"[15] e um "jit zumbido".[11]
Estado de conservação
Em 2024, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) avaliou a andorinha-de-coleira como pouco preocupante (LC), pois ocorre numa distribuição extremamente grande e não se aproxima dos limiares para Vulnerável sob o critério de tamanho de distribuição (segundo a IUCN, extensão de ocorrência < 20 mil quilômetros quadrados combinada com um tamanho de distribuição decrescente ou flutuante, extensão/qualidade do habitat ou tamanho populacional e um pequeno número de locais ou fragmentação severa). Sabe-se que suas populações estão em tendência decrescente, mas o declínio não é suficientemente rápido para se aproximar dos limiares para vulnerável (> 30% de declínio ao longo de dez anos ou três gerações) e sua população é muito grande, o que igualmente descaracteriza a classificação como vulnerável (< 10 mil indivíduos maduros com um declínio contínuo estimado em > 10% em dez anos ou três gerações, ou com uma estrutura populacional especificada). O tamanho da população global da andorinha-de-coleira não foi quantificado, mas é assumido que esteja estável. Nenhuma ameaça imediata foi identificada,[1] contudo, usinas hidrelétricas planejadas e em estudo ao longo dos rios que compõem seu habitat representam uma ameaça, ao inundarem as áreas de águas correntes ao longo das quais a espécie nidifica e se alimenta.[13] É considerada comum em sua área relativamente pequena na Colômbia[14] e "incomum a localmente razoavelmente comum" na Venezuela.[15] No Brasil, é descrita em geral como "frequente a incomum".[17][16] No entanto, em 2010, foi classificada como criticamente em perigo (CR) na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais;[18] e em 2018, como quase ameaçada (NT) na Lista Vermelha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[19][20]
Pouco se sabe sobre as populações desta espécie nos rios da Amazônia, do Cerrado e de outros biomas brasileiros. No rio Tocantins, no trecho entre Porto Nacional, Palmas e Lajeado, na região central do Tocantins, a espécie parecia possuir uma população expressiva, evidenciada principalmente pela coleta de numerosos espécimes realizada por José Hidasi. Contudo, após a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães, a espécie deixou de ser registrada na área, com exceção de um único indivíduo observado em 2010 pousado em uma embarcação a jusante da barragem. Inventários realizados ao longo do rio Paranã, no sudeste do Tocantins, apontaram a andorinha-de-coleira como a espécie de andorinha mais abundante em meados de outubro, estimando-se mais de 2 300 indivíduos em 100 horas de observação. Na região de Santa Isabel do Morro, em pedrais e cachoeiras do Araguaia, na divisa entre Pará e Tocantins, a espécie também se mostrou bastante numerosa, formando bandos com centenas de indivíduos. Entretanto, as ilhas e pedrais dessa localidade situam-se exatamente na área prevista para a construção da barragem da Usina Hidrelétrica da Santa Isabel.[12]
Em Minas Gerais, a implantação das Usinas Hidrelétricas Amador Aguiar I e II, no Araguari, reduziu drasticamente a população da espécie, anteriormente distribuída ao longo de dezenas de quilômetros de ambientes lóticos do rio, onde eram registrados centenas de indivíduos — estimados em até 200 —, inclusive com um ponto de nidificação identificado em um pontilhão ferroviário. Atualmente, a espécie persiste apenas no trecho de vazão reduzida da UHE Amador Aguiar, com menos de 10 quilômetros de extensão, apresentando significativa redução populacional em relação ao contingente original. Na região do Parque Nacional do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, embora não existam dados quantitativos disponíveis, a espécie é sazonalmente a mais comum entre as andorinhas registradas na área. Suspeita-se que a perda de habitat esteja causando um declínio populacional ao menos proporcional à redução da área disponível ao longo de três gerações, considerando tanto impactos passados quanto futuros.[12]
Áreas de conservação
No Brasil, a andorinha-de-coleira está presente em várias áreas de conservação e terras indígenas.[12]
- Estação Ecológica (ESEC)
- Floresta Nacional (FLONA)
- Parque Nacional (PARNA)
- Reserva Extrativista (Resex)
- Área de Proteção Ambiental (APA)
- Floresta Estadual
- Parque Estadual (PE)
- Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)
- Fazenda Pioneira
- Lote Cristalino
- Mata da Cruz, Macuquinhos
- Retiro Boa Esperança
- Seringal Assunção
- Seringal Triunfo
- Terra Indígena (TI)
Referências
- 1 2 3 BirdLife International (2024). «Black-collared Swallow, Pygochelidon melanoleuca». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2024: e.T22712140A263881462. doi:10.2305/IUCN.UK.2024-2.RLTS.T22712140A263881462.en
. Consultado em 11 de maio de 2026 - ↑ Paixão, Paulo (Verão de 2021). «Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo» (PDF) 2.ª ed. A Folha - Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. p. 252. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 23 de abril de 2022
- ↑ Jobling, J. A. (2010). Helm Dictionary of Scientific Bird Names. Londres: Bloomsbury Publishing. p. Pygochelidon, 326; melanoleuca, 247. ISBN 9781408133262. Cópia arquivada em 27 de novembro de 2024
- ↑ Grande Dicionário Houaiss, verbete andorinha
- ↑ Wied, Maximilian (1820). Reise nach Brasilien in den Jahren 1815 bis 1817 (em alemão). [S.l.]: Gedruckt und verlegt bey H.L. Brönner. p. 342. Consultado em 16 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2025
- ↑ Sheldon, F.H.; Whittingham, L.A.; Moyle, R.G.; Slikas, B.; Winkler, D.W. (2005). «Phylogeny of swallows (Aves: Hirundinidae) estimated from nuclear and mitochondrial DNA sequencing». Molecular Phylogenetics and Evolution. 35 (1): 254–270. PMID 15737595. doi:10.1016/j.ympev.2004.11.008
- ↑ Stiles, F. Gary (setembro de 2007). «Proposal 314: Revise the generic limits of Neotropical swallows». South American Classification Committee. Consultado em 16 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2024
- ↑ Remsen, J. V., Jr.; Areta, J. I.; Bonaccorso, E.; Claramunt, S.; Jaramillo, A.; Lane, D. F.; Pacheco, J. F.; Robbins, M. B.; Stiles, F. G.; Zimmer, K. J. «A classification of the bird species of South America». American Ornithological Society. Cópia arquivada em 4 de abril de 2022
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- 1 2 Alteff, Eduardo França (7 de junho de 2023). «Results of ornithological inventories in north-west Minas Gerais state, Brazil, with notes on distribution and conservation». Bulletin of the British Ornithologists' Club. 143 (2). ISSN 0007-1595. doi:10.25226/bboc.v143i2.2023.a4
- 1 2 van Perlo, Ber (2009). A Field Guide to the Birds of Brazil. Nova Iorque: Oxford University Press. pp. 340–341. ISBN 978-0-19-530155-7
- ↑ «Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais» (PDF). Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM. 30 de abril de 2010. Consultado em 2 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 21 de janeiro de 2022
- ↑ «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- ↑ «Pygochelidon melanoleuca (Wied, 1820)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 11 de maio de 2026. Cópia arquivada em 11 de maio de 2026


