Saúde
Alcaria Ruiva
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Alcaria Ruiva | |
|---|---|
| Localização de Alcaria Ruiva em Portugal | |
| Coordenadas: 37° 42′ 27″ N, 7° 46′ 59″ O | |
| Região | Alentejo |
| Sub-região | Baixo Alentejo |
| Município | |
| Código | 020901 |
| Governo | |
| • Tipo | Junta de freguesia |
| Área | |
| • Total | 215,24 km² |
| População | |
| • Total (2021) | 630 hab. |
| Densidade | 2,9 hab./km² |
| Orago | Nossa Sra. da Conceição |
| Sítio | https://www.jf-alcariaruiva.pt/ |
Alcaria Ruiva é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Alcaria Ruiva do Município de Mértola, freguesia com 215,24 km² de área[1] e 630 habitantes (censo de 2021),[2] tendo, por isso, uma densidade populacional de 2,9 hab./km².
A freguesia é fracamente povoada e tem visto a sua população descer desde a década de 1950, devido ao êxodo rural de muitos dos seus habitantes para a capital do distrito, Beja, para o Algarve e Lisboa ou para outros países europeus. O elevado envelhecimento da sua população e a baixíssima natalidade são também uma das causas da perda de população nesta freguesia. A economia mantém-se basicamente dependente da agricultura mas a envelhecida força laboral, a fraca alfabetização da população (muitos deles apenas com o 4º ano da primária) e a fraca mecanização deste setor fazem com que esta não tenha o crescimento necessário para um desenvolvimento real da freguesia.
Demografia
A população registada nos censos foi:[2]
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Distribuição da População por Grupos Etários[4] | |||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Ano | 0-14 Anos | 15-24 Anos | 25-64 Anos | > 65 Anos | |||||
| 2001 | 134 | 96 | 449 | 334 | |||||
| 2011 | 98 | 83 | 392 | 276 | |||||
| 2021 | 43 | 57 | 325 | 205 | |||||
Descrição
Economia e cultura
A economia é baseada na agricultura, principalmente frutos secos, pecuária, comércio e produção têxtil e de pão.[5] O orago da freguesia é Nossa Senhora da Conceição.[5]
Na freguesia destaca-se a sobremesa conhecida como nogado, cuja versão usa principalmente o mel de rosmaninho como ingrediente.[5]
Património
- Anta de Venda dos Salgueiros
- Azinheira Secular do Monte Barbeiro
- Casa da Muda
- Igreja Paroquial de Alcaria Ruiva, igualmente conhecida como Igreja ou Capela de Nossa Senhora da Conceição
- Ermida de São Lourenço, igualmente conhecida como Ermida de Nossa Senhora da Cabeça
- Necrópole romana de Amendoeira de Cima
Geografia
É na freguesia de Alcaria Ruiva que se encontra o ponto mais elevado do concelho de Mértola, na Serra da Alcaria, que atinge uma altitude de 370 m.[5]
Povoações e lugares
Povoações da Freguesia de Alcaria Ruiva e respetiva população em 2006:
- Aipo – 18 habitantes
- Alcaria Ruiva – 91 habitantes
- Algodôr – 145 habitantes
- Amendoeira do Campo – 47 habitantes
- Azinhal – 15 habitantes
- Corte Cobres - 25 habitantes
- Corte Pequena – 33 habitantes
- João Serra – 58 habitantes
- Monte das Figueiras – 26 habitantes
- Monte da Légua - 11 habitantes
- Vale de Açor de Cima – 67 habitantes
- Vale de Camelos – 19 habitantes
- Monte Viegas – 60 habitantes
- Vale de Açor de Baixo – 97 habitantes
- Monte da Grade – 5 habitantes
- Venda dos Salgueiros – 6 habitantes
- Benviúda – 21 habitantes
- Navarro – 17 habitantes
- Corte João Cinza – 5 habitantes
- Outros/Residual – 83 habitantes


História
Pré-história ao período romano
O território da freguesia de Alcaria Ruiva foi ocupado pelo menos desde o Neolítico, uma vez que no Cerro do Cabeço, nas imediações da povoação de Algodor, foram descobertos machados de pedra polida daquele período.[6] Na Venda dos Salgueiros foi identificada uma anta do Neo-Calcolítico.[7] Em vários pontos da freguesia foram encontrados vários locais com vestígios da Idade do Ferro e do período romano, incluindo uma possível fortificação no Cerro do Outeiro,[8] uma necrópole romana na Amendoeira de Cima,[9] e um antigo povoado na Carrapateira, que de acordo com a tradição local terá sido a localização original de Corte Pequena.[10] Foram igualmente identificadas povoações romanas perto de Corte Cobres[11] e do Monte do Malhão[12]
Idades Média e moderna
A povoação em si de Alcaria Ruiva é provavelmente de origem islâmica, com ocupação desde os séculos X ou XI d.C., que continuou após a reconquista cristã.[13] Com efeito, a própria designação da freguesia aponta para uma origem remota, uma vez que Alcaria é um termo islâmico que designa uma propriedade agrícola, enquanto que a palavra Ruiva é provavelmente de raiz latina, significando uma área de vegetação abundante.[5] Nas imediações de Alcaria Ruiva, na área do Cerro do Poço, foram descobertos os vestígios de um assentamento mais antigo, ocupado durante a antiguidade tardia e a Idade Média islâmica, que poderá ser o antecessor da presente aldeia.[14] A paróquia de Alcaria Ruiva foi criada no século XIII, na sequência do processo da reconquista cristã, podendo ser considerada como um exemplo da forma de como as aldeias formaram o cerne da nova organização territorial.[15] Ainda durante a Idade Média foi edificada a Ermida de São Lourenço, enquanto que a Igreja Paroquial foi construída no século XVII.[15] Originalmente a freguesia era dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, tendo passado para Nossa Senhora da Conceição no século XVIII.[16]
Séculos XIX e XX
Nos séculos XIX e XX, o correio entre Beja e Mértola passava pela freguesia de Alcaria Ruiva, realidade que é testemunhada pela chamada Casa da Muda, onde eram guardados os animais utilizados neste serviço.[17] Junto à estrada existiu igualmente uma estalagem, que terá funcionado até aos princípios do século XX.[18]
No Diccionario da chorographia de Portugal, publicado em 1884, Alcaria Ruiva está descrito como fazendo parte do «c. de Mertola, com. de Almodovar, dist. e bisp. de Beja. 1469 alm. A 13 k. de Mertola..[19]
Na obra Portugal: Diccionario Historico, Chorographico, Heraldico, Biographico, Bibliographico, Numismatico e Artistico, publicado em 1904, Alcaria Ruiva é descrita desta forma: «1:666 alm. 416 fog. A pov. dista 8 K da séde do conc. Orago N. S.ª da Conceição. Está situada n'um alto na serra do mesmo nome. Teve uma albergaria que se vendeu. [...] Ha a capella de N. S.ª da Cabeça, sobre o rio Terjes, que passa n'esta freguesia. Tem uma fonte medicinal, que nasce n'um penhasco perto da capela de N. S.ª da Conceição. Vêem-se ainda no alto d'um rochedo os restos de um grande edificio, que dizem ter sido um castello arabe. Tambem sobre o rio Terjes se vêem ruinas de edificações, que se suppõe, serem d'alguma povoação romana ou arabe. Passa n'esta freg. o rio Alvacarejo e Alvacar e o ribeiro do Seixo.» Sobre a Serra de Alcaria Ruiva, refere que «É saudavel e possue bastante agua. É em parte cultivada. Tem gado grosso e miudo, e caça.»[20]
Em 1930 foi planeada uma linha férrea entre Castro Verde e a vila de Mértola, conhecida como Linha de Mértola, que deveria passar por Alcaria Ruiva.[21] Em 1979 a revista 25 de Abril: Comunidades Portuguesas noticiou que várias freguesias do concelho de Mértola, incluindo a Alcaria Ruiva, passaram a estar ligadas à rede eléctrica da EDP.[22]
Século XXI
Em 2001 tinha uma população residente de 1013 indivíduos, o que fazia uma densidade populacional de 4,7 habitantes por quilómetro quadrado.[5] Nesse ano tinha 1013 edifícios, e 309 núcleos familiares residentes.[5] Em 2016, a Anacom, entidade responsável pela regularização das comunicações, determinou que as operadoras nacionais de banda larga deveriam prolongar os seus serviços a várias freguesias que então não tinham cobertura, incluindo Alcaria Ruiva.[23] Em Agosto de 2017, o depósito de água de Alcaria Ruiva teve de ser abastecido com recurso a camiões-tanque dos bombeiros, devido às condições de seca severa em que se encontravam os concelhos de Mértola e Serpa.[24] Em 2018, a empresa Águas Públicas do Alentejo anunciou que tinha adjudicado uma empreitada para melhorar o abastecimento de água a várias povoações no concelho de Mértola, incluindo Alcaria Ruiva.[25] Também nesse ano, a Azinheira Secular do Monte Barbeiro foi eleita como a Árvore Portuguesa do ano de 2019.[26]
Em 2020, foi libertada uma cria de águia-imperial-ibérica na Serra de Alcaria Ruiva, como parte dos esforços de preservação daquela espécie, por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.[27] Em 2022, a operadora Portugal Wildscapes criou a Rota de Observação de Aves, destinada aos turistas e outros interessados na observação da vida selvagem nos concelhos de Mértola e Castro Verde, tendo Alcaria Ruiva sido uma das primeiras freguesias abrangidas por esta iniciativa.[28] Em 2024, o ICNF voltou a soltar uma águia-imperial-ibérica na Serra de Alcaria Ruiva.[29] Em Maio de 2025, ocorreu um grande incêndio florestal na freguesia, que atingiu apenas áreas de mato.[30] Em Março de 2026, a Associação MeteoAlentejo inaugurou uma estação metereológica em Alcaria Ruiva, equipamento que permitiu um melhor acesso às informações metereológicas por parte da população.[31]
Referências
- ↑ «Carta Administrativa Oficial de Portugal CAOP 2013». descarrega ficheiro zip/Excel. IGP Instituto Geográfico Português. Consultado em 10 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 9 de dezembro de 2013
- 1 2 Instituto Nacional de Estatística (23 de novembro de 2022). «Censos 2021 - resultados definitivos»
- ↑ Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
- ↑ INE. «Censos 2011». Consultado em 11 de dezembro de 2022
- 1 2 3 4 5 6 7 FERREIRA et al, 2004:98
- ↑ «Cerro do Cabeço - Algodor / Cabeço Algodor». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 12 de Março de 2026
- ↑ «Anta de Fernanmarques / Venda dos Salgueiros». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 12 de Março de 2026
- ↑ «Cerro do Outeiro - Outeiro». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 12 de Março de 2026
- ↑ «Amendoeira do Campo / Amendoeira de Cima». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 12 de Março de 2026
- ↑ «Carrapateira - Corte Pequena». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 12 de Março de 2026
- ↑ «Corte Cobres». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ «Curral do Engenheiro - Cerro do Malhão». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ «Alcaria Ruiva». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 12 de Março de 2026
- ↑ «Cerro do Poço - Alcaria Ruiva». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 12 de Março de 2026
- 1 2 BOIÇA, 2022:4
- ↑ BOIÇA, 2022:6
- ↑ «Casa da Muda». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 12 de Março de 2026
- ↑ «Estalagem perto da Ribeira de Terges e Cobres». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ Diccionario da chorographia de Portugal, 1884:7
- ↑ PEREIRA e RODRIGUES, 1904:160
- ↑ SOUSA, José Fernando de. «Direcção Geral de Caminhos de Ferro: Relatorio de 1931-1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1109). Lisboa. p. 130. Consultado em 9 de Março de 2026 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa
- ↑ «Mértola: Obras de electrificação» (PDF). 25 de Abril: Comunidades Portuguesas (42). Lisboa: Secretaria de Estado da Imigração. Novembro de 1979. p. 20. Consultado em 9 de Março de 2026 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa
- ↑ «Regulador impõe cobertura de banda larga móvel a mais 588 freguesias». Público. 14 de Março de 2016. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ «Seca: Alentejo "resiste" à espera de tempos ainda mais críticos». Diário de Notícias. 9 de Agosto de 2017. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ «Adjudicadas obras de 4ME para melhorar abastecimento de água em Mértola». Diário de Notícias. 6 de Junho de 2018. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ SERAFIM, Teresa (21 de Novembro de 2018). «Árvore Portuguesa de 2019 é uma azinheira de Mértola com uma sombra majestosa». Público. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ Agência Lusa (21 de Setembro de 2020). «Número de casais reprodutores de águia-imperial-ibérica aumentou no Alentejo». Observador. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ «Nova rota para observar as aves de Mértola e Castro Verde vai ter passeios gratuitos». Público. 17 de Outubro de 2022. Consultado em 13 de Março de 2026
- ↑ ROCHA, Ana (27 de Março de 2024). «De Mértola para o seu habitat natural: Águia-imperial-ibérica já voa! Veja as imagens!». Rádio Campanário. Consultado em 18 de Abril de 2026
- ↑ ROCHA, Ana (29 de Maio de 2025). «Chamas consomem mato em Mértola. Mais 70 Bombeiros no combate». Rádio Campanário. Consultado em 18 de Abril de 2026
- ↑ «MeteoAlentejo reforça cobertura no concelho de Mértola». Rádio Pax. 11 de Março de 2026. Consultado em 11 de Março de 2026
Bibliografia
- FERREIRA, Ana; MARQUES, Liliana; SANTOS, Margarida; et al. (2004). BASTOS, Helder; FREITAS, Marta, eds. História das Freguesias e Concelhos de Portugal. Volume 10. Matosinhos: Quidnovi. ISBN 989-554-158-9
- BOIÇA, Joaquim (2022). Caminhos da Religiosidade em Alcaria Ruiva e São João dos Caldeireiros. Mértola: Campo Arqueológico de Mértola e Câmara Municipal de Mértola. ISBN 978-972-9375-58-3
- PEREIRA, Esteves; RODRIGUES, Guilherme (1904). Portugal: Diccionario Historico, Chorographico, Heraldico, Biographico, Bibliographico, Numismatico e Artistico. Volume I. Lisboa: João Romano Torres. Consultado em 9 de Março de 2026 – via Internet Archive
- VASCONCELLOS, J. Leite de, ed. (1884). Diccionario da chorographia de Portugal (PDF). Porto: Livraria Portuense de Clavel e C.ª. Consultado em 9 de Março de 2026 – via Biblioteca Nacional de Portugal
Leitura recomendada
- BARROS, Maria de Fátima; BOIÇA, Joaquim; GABRIEL, Celeste (1996). As Comendas de Mértola e Alcaria Ruiva. As visitações e os Tombos da Ordem de Santiago 1482-1607. Mértola: Campo Arqueológico de Mértola

