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Alamut (romance de Bartol)
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Alamut | |
|---|---|
Capa da tradução em português do romance. | |
| Autor(es) | Vladimir Bartol |
| Idioma | Esloveno |
| País | Reino da Iugoslávia |
| Gênero | Ficção histórica |
| Formato | Impresso |
| Lançamento | 1938 |
| ISBN | 0-9720287-3-0 |
| Edição brasileira | |
| Tradução | Alexandre Boide |
| Arte de capa | Vanessa S. Marine |
| Editora | Morro Branco |
| Lançamento | 21 de março de 2022 |
| Páginas | 576 |
| ISBN | 978-6586015386 |
Alamut é um romance de Vladimir Bartol, publicado pela primeira vez em 1938 em esloveno, que aborda a história de Hassan-i Sabbah e dos assassinos, recebendo o nome da fortaleza de Alamut. O ditado popular do raomance é "Nada é verdadeiro, tudo é permitido". Este livro foi uma das inspirações para a franquia de jogos eletrônicos Assassin's Creed.
Bartol começou a conceber o romance no início da década de 1930, quando vivia em Paris. Na capital francesa, encontrou-se com o crítico literário esloveno Josip Vidmar, que lhe apresentou a história de Hassan-i Sabbah. Outra motivação para o romance veio do assassinato de Alexandre I da Iugoslávia, perpetrado por nacionalistas radicais croatas e búlgaros, supostamente sob encomenda do governo fascista italiano. Quando foi publicado originalmente, o romance foi dedicado de forma sarcástica a Benito Mussolini.
Enredo
O romance se passa no século XI na Castelo de Alamute, que foi tomada pelo líder dos ismaelitas, Hassan-i Sabbah ou Sayyiduna (سیدنا, "Nosso Mestre"). No início da história, ele reúne um exército com o objetivo de atacar o Império Seljúcida, que assumiu o controle do Irã. A narrativa começa do ponto de vista de Halima, que foi comprada por Hassan para se tornar uma huri. A história se inicia com a jornada do jovem Ibne Tair, que, conforme o desejo de sua família, pretende ingressar na guarnição de Alamute. Lá, ele é designado para o grupo dos soldados mais valentes, chamados de fedai (فدائی). Espera-se que os fedai obedeçam às ordens sem questionar e sacrifiquem suas vidas se necessário. Durante o rigoroso treinamento, passam a acreditar que irão para o céu imediatamente após a morte caso morram em serviço. Enquanto isso, Halima se junta às outras huris no jardim que Hassan vem construindo; as jovens são instruídas em diversas artes pela líder das huris e confidente de Hassan, Miriam. Hassan consegue alcançar tal nível de obediência enganando seus soldados: ele lhes administra drogas (haxixe) para entorpecê-los e, em seguida, ordena que sejam levados aos jardins atrás da fortaleza — transformados em um simulacro do paraíso, incluindo huris. Assim, os fedai acreditam que Alá concedeu a Hassan o poder de enviar qualquer pessoa ao paraíso por um determinado período. Além disso, alguns dos fedai se apaixonam pelas huris, e Hassan utiliza isso de forma inescrupulosa em seu benefício.
Enquanto isso, o exército seljúcida cerca Alamute. Alguns soldados são capturados, e Hassan decide demonstrar seu poder a eles. Ele ordena que dois fedai (Iúçufe e Solimão) se matem; Solimão apunhalando-se e Iúçufe saltando de uma torre. Eles cumprem prontamente a ordem de seu mestre, pois acreditam que em breve se reunirão com suas amadas no paraíso. Após o cerco, Hassan ordena a Ibne Tair que vá assassinar o grão-vizir do sultão seljúcida Nizã Almulque. Hassan deseja vingar-se da traição de Almulque contra ele no passado. Ibne Tair apunhala o vizir, mas, antes de morrer, o vizir revela a verdade sobre os enganos de Hassan ao seu assassino. Ao saber de seu sucesso, Hassan informa Miriam de que Ibne Tair provavelmente está morto devido à descoberta; desiludida, Miriam comete suicídio. Halima também tira a própria vida ao perceber que jamais poderá ficar com Solimão, por quem se apaixonou. Ibne Tair decide retornar a Alamute e matar Hassan. Quando retorna, Hassan o recebe e também lhe revela seu verdadeiro lema: "Nada é verdadeiro, tudo é permitido". Em seguida, permite que Ibne Tair parta para iniciar uma longa jornada pelo mundo. Outro fedai assassina o sultão seljúcida, e o Império Seljúcida se dissolve. Inicia-se então a disputa pelo trono seljúcida. Hassan se encerra em uma torre, determinado a trabalhar até o fim de seus dias. Ele transfere o poder sobre os ismaelitas para as mãos de seu fiel dai, além de líderes militares e religiosos.
Interpretações
Alguns críticos literários contemporâneos, como Lino Legiša, interpretaram a obra como uma alegoria do TIGR, uma organização formada para combater a italianização fascista no antigo Litoral austríaco.[1][2] Alegadamente, Vladimir Bartol simpatizava com essa organização.
Impacto cultural
O romance e seu enredo serviram de inspiração para a popular série de jogos eletrônicos Assassin's Creed.[3] Muitos elementos da trama do livro podem ser encontrados no primeiro jogo, e a frase do romance em uma tradução alternativa — "nada é verdade; tudo é permitido" — tornou-se o princípio orientador da Irmandade dos Assassinos do jogo, descendentes dos Hashashin ismaelitas.
O romance ajudou a inspirar o clã Assamita do jogo de mesa Vampiro: A Máscara.
O autor William S. Burroughs demonstrou fascínio pela história de Hassan-i Sabbah e incluiu o lema "Nada é verdadeiro, tudo é permitido", além de várias referências à obra, em seu romance pós-moderno de 1959, Naked Lunch, bem como em seus romances The Nova Express e Cities of the Red Night.
O grupo musical esloveno de vanguarda Laibach criou uma obra sinfônica baseada neste romance. A música foi composta por Luka Jamnik, do Laibach, e também por compositores iranianos; Nima A. Rowshan e Idin Samimi Mofakham.[4] A peça também apresenta alguns poemas de Omar Caiame e Mahasti Ganjavi.[5]
Traduções
O romance foi publicado em inglês em 2004, em tradução de Michael Biggins.[6] Anteriormente, foi traduzido para cerca de 18 outros idiomas, incluindo tcheco (1946),[7] servo-croata (1954), francês (1988), espanhol (1989), italiano (1989), alemão (1992), persa (1995), árabe, grego (2001), coreano e eslovaco. Mais recentemente, foi traduzido para húngaro (2005), finlandês (2008), turco (2010), macedônio (2014), lituano (2014), búlgaro (2017), português (2019), português brasileiro[8] (2022) e polonês (2022).
Escritas em persa, à mão na capa da tradução de Michael Biggins, encontram-se as palavras: "Sinto pena do jardim. Ninguém está pensando nas flores. Ninguém está pensando nos peixes. Ninguém quer acreditar que o jardim está morrendo, que o coração do jardim inchou sob o sol, que o jardim está lentamente esquecendo seus momentos verdes..."
Referências
- ↑ Razmerje med Bartolovo kratko in dolgo prozo (Al Araf in Alamut), zbornik Obdobja, št. 23, (Slovenska kratka pripovedna proza, ur. Irena Novak-Popov, Ljubljana: FF, 2006, str. 137–44).
- ↑ O Bigginsovi interpretaciji Alamuta, 24. November 2004, namenjeno objavi v Slovene Studies).
- ↑ "Interview: Assassin's Creed". CVG. Retrieved August 7, 2013.
- ↑ «The Quietus | News | Laibach Announce Collaboration With Iranian Composers». The Quietus (em inglês). Consultado em 22 de março de 2024
- ↑ «Laibach: Alamut | Cankarjev dom». www.cd-cc.si (em inglês). Consultado em 22 de março de 2024. Cópia arquivada em 27 de abril de 2026
- ↑ Vladimir Bartol: Alamut, tradução para o inglês por Michael Biggins, publicado por: Scala House Press, Seattle, Estados Unidos, 2004, ISBN 0-9720287-3-0
- ↑ Bartol, Vladimír; Závada, Jaroslav (1946). Alamut (em inglês) 1 ed. Praha: B. Stýblo. Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2024
- ↑ Vladimir Bartol: Alamut, tradução para o português brasileiro por Alexandre Boide, publicado por: Morro Branco, 21 de março de 2022, ISBN 978-6586015386
