Saúde
Abade Suger de Saint-Denis
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| Abade Suger de Saint-Denis | |||||
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| Nascimento | 1080 Chennevières-lès-Louvres | ||||
| Morte | 13 de janeiro de 1151 (70–71 anos) Saint-Denis | ||||
| Sepultamento | Basílica de Saint-Denis | ||||
| Cidadania | Reino da França | ||||
| Ocupação | arquiteto, historiador, escritor, monge, político, Príncipe da Igreja | ||||
| Cargo(s) | regent of France (1147–1149) Q132059923
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| Obras destacadas | Basílica de Saint-Denis, Vita Ludovici Grossi regis, De ordinatione, Libellus alter de consecratione ecclesiae sancti Dionysii, Liber de rebus in administratione sua gestis, Letters | ||||
| Religião | Igreja Católica | ||||
| Causa da morte | malária | ||||
Abade Suger (Chennevières-lès-Louvres, 1080 – Saint-Denis, 13 de janeiro de 1151) foi abade de Saint-Denis (França), desde 1122 até sua morte. Hábil diplomata, foi conselheiro de Luís VI e de Luís VII e Regente durante a Segunda Cruzada. Foi chamado, segundo Erwin Panofsky, de "o pai da monarquia francesa".
Em sua monografia sobre Suger, Panofsky defende a tese de que este tenha sido muito influenciado pela leitura das obras de Pseudo-Dionísio, o Areopagita. Suger teria encontrado naquelas obras “uma justificação filosófica para toda a sua atitude com respeito à vida e à arte” e consequentemente, para as intervenções arquitetônicas que realizou, ao conceber o monumento como obra teológica.
O Abade Suger, informa-nos Panofsky, ainda, "professava como téologo, proclamava como poeta, e praticava como patrono das artes e organizador de espetáculos litúrgicos", a abordagem anagógica, (o método que leva para cima) no sentido empregado pelo Pseudo-Areopagita, posteriormente revigorado por Duns Scot.
É considerado o primeiro mestre-de-obras da arquitetura gótica, pelas inovações promovidas na Basílica de Saint-Denis, entre as inovações pode-se destacar: fachada com nova extensão com três portas e duas torres, coro e corredores laterais (em 1144).[1] Suger se inspirou no livro Apocalipse, e quis recriar a ideia de paraíso terrestre na Basílica, para isso utilizou de alegorias, simbolismo, transparência e luz, refletindo a ordem universal e a imagem da Nova Jerusalém.[1]
Historiografia
Obras
Suger escreveu várias obras, que são conceituadas pela sua precisão e detalhe. Destas, duas registam as suas atividades como abade de St-Denis. O Libellus Alter de Consecratione Ecclesiae Sancti Dionysii (Outro Pequeno Livro sobre a Consagração de Saint-Denis) é um curto tratado sobre a construção e consagração da igreja abacial.[2] O Liber De Rebus in Administratione sua Gestis (Livro sobre os Atos sob a sua Administração) é um relato inacabado da sua administração da abadia, que começou a pedido dos seus monges em 1145.[3] Nestes textos, ele aborda as melhorias que fez em St Denis, descreve o tesouro da igreja e faz um relato da reconstrução. Ao contrário de outros textos medievais que registam os feitos de figuras religiosas, os de Suger são escritos por ele próprio.[4]
Das suas histórias, Vie de Louis le Gros (Vida de Luís, o Gordo) é a sua obra mais substancial e amplamente divulgada. É uma narrativa cronológica panegírica do Rei Luís VI, focada principalmente na guerra, mas também na sua dependência da abadia de Saint-Denis.[5] Historia gloriosi regis Ludovici (O Ilustre Rei Luís) é a outra obra demonstradamente inacabada de Suger, relatando o primeiro ano do reinado de Luís VII.[6] Escrita nos anos finais de Suger, ela (como a sua outra história) cobre em grande detalhe eventos onde Suger esteve presente ou envolvido.
O secretário de Suger, Guilherme, produziu duas obras sobre Suger: a primeira, uma carta pouco depois da sua morte anunciando o falecimento; a outra, uma curta biografia (Sugerii Vita; A Vida de Suger) de autoria entre 1152 e 1154.[7][nota 1] Uma coleção de cartas de Suger existe em Saint Denis, a maioria de perto do fim da sua vida, embora a sua proveniência seja desconhecida.[8] As obras de Suger serviram para incutir nos monges de St Denis o gosto pela história e deram origem a uma longa série de crónicas quase oficiais.[9]
Tradição Gótica
Suger é considerado o precursor da arquitetura gótica (francesa), onde na sua história se insere no período do Gótico Inicial (Gothique primitif) concentrado na região da Île-de-France, em França. Este género é visto como a progressão da arquitetura românica, embora poucos dos elementos-chave que definem la tradição gótica fossem particularmente novos, uma vez que foram inspirados por estes mesmos elementos românicos, especialmente os da Normandia e da Borgonha.[10] O elemento-chave que distingue a arquitetura gótica da sua predecessora é "a novidade da mensagem espiritual que deveria ser transmitida" através dos seus elementos "novos e antiromânicos".[11]
Os estudiosos tendem a atribuir as influências de Suger nas suas ideias de simbolismo e modo de pensamento simbólico a interpretações de Pseudo-Dionísio, o Areopagita e aos derivados de João Escoto Erígena, bem como aos da escola de Chartres.[nota 2] Onde o historiador de arte do século XIX Erwin Panofsky afirma que a teologia de Pseudo-Dionísio influenciou o estilo arquitetónico da abadia de St. Denis, estudiosos posteriores argumentam contra uma ligação tão simplista entre a filosofia e a forma arquitetónica.[nota 3] Embora Suger não tenha deixado nenhuns escritos explicitamente teológicos, o seu trabalho em Saint Denis foi inspirado pelo seu próprio conjunto de ideias religiosas influenciadas por uma gama de novos ou renovados temas teológicos no contexto mais amplo da França do século XII. A influência da cosmologia da escola de Chartres, que resultou de interpretações de Platão e da Bíblia, criou um sistema especulativo que enfatizava a matemática, particularmente a geometria, e os resultados estéticos que surgem da convergência das duas.[12][nota 4]
Os historiadores de arte pintam a arquitetura gótica como a própria criação de Suger, embora alguns questionem isso. A suposição de autores franceses do século XIX de que Suger foi o "projetista" de St Denis (e, portanto, o "inventor" da arquitetura gótica) foi descartada por estudiosos recentes. Em vez disso, ele é geralmente visto como tendo sido um patrono audacioso e imaginativo que encorajou o trabalho de um mestre pedreiro inovador (mas agora desconhecido).[13][14] É difícil contextualizar St-Denis face a outros edifícios da época e do lugar, porque muitas igrejas na França Capetiana entre 1080 e 1160 foram destruídas e/ou reconstruídas mais tarde,[15] combinado com o facto de nenhum outro edifício deste período usufruir do nível de precisão e detalhe dos relatos de Suger sobre St-Denis. Assim, o estilo gótico pode ser visto como uma multiplicidade de tendências na arquitetura deste período, cruzando-se algumas ocasionalmente com outras: Jean Bony descreve-o como "um feliz acidente da história; teria sido infinitamente mais normal se o Gótico nunca tivesse aparecido."[16][17]
Ver também
Notas
- ↑ Após a morte de Suger, a liderança de Guilherme numa fação contra o novo abade de Saint Denis, Odo de Deuil, fez com que fosse exilado. Foi durante o exílio que ele escreveu a vida de Suger; pretendia-se, assim, retratar Suger a uma boa luz, criticando implicitamente Odo. Grant, Church and State, 44.
- ↑ Existem três Dionísios que foram confundidos e intermutados ao longo da história: Dionísio, o Areopagita, um juiz e santo ateniense do primeiro século; Pseudo-Dionísio, o Areopagita, um autor grego do século V/VI que se identificou pseudepigraficamente (falsamente) como o primeiro e escreveu obras teológicas e de misticismo cristão; e o santo Dionísio de Paris, ou Dinis de Paris, que dá nome à abadia.
- ↑ Para um resumo dos 'argumentos contra' a visão de Panofsky, ver Panofsky, Suger and St Denis, Peter Kidson, Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, Vol. 50, (1987), pp. 1–17.
- ↑ Leitura complementar: Neoplatonism and Christianity#Middle_Ages, e von Simson, The Gothic Cathedral, pp. 25–39.
Referências
- 1 2 JONNES,2014
- ↑ Suger, Consc.
- ↑ Suger, Admin., 155.
- ↑ H. E. J. Cowdrey, The Age of Abbot Desiderius (Oxford: Oxford University Press, 1983) 13–6.
- ↑ Suger, VLG.
- ↑ Suger, Hist. VII.
- ↑ Willelmus, Vita.
- ↑ Grant, Church and State, 43–5.
- ↑ Anne D. Hedeman, The Royal Image: Illustrations of the Grandes Chroniques de France, 1274-1422 (Berkeley: University of California Press, 1991) 3–6, 10.

- ↑ Otto von Simson, The Gothic Cathedral: Origins of Gothic Architecture and the Medieval Concept of Order, 3rd ed. (Princeton: Princeton University Press, 1988) 62.
- ↑ von Simson, The Gothic Cathedral, 62.
- ↑ von Simson, The Gothic Cathedral, pp. 26–7.
- ↑ Conrad Rudolph, Artistic Change at St Denis: Abbot Suger's Program and the Early Twelfth Century Controversy Over Art, Princeton University Press, 1990
- ↑ Kibler et al (eds) Medieval France: An Encyclopedia, Routledge, 1995
- ↑ Como St-Meglorie, Ste-Genevie e St-Victor na zona local de Paris.
- ↑ "[U]n hasard heureux de l'histoire. Il aurait été infiniment mais normal que le Gothique n'eût jamais paru," p. 11. Jean Bony, "Architecture gothique. Accident ou nécessité?" em Revuew de l'Art, LVIII-LVIX (1983) pp. 9–20.
- ↑ Stephen Gardner, "L'église Saint-Julien de Marolles-en-Brie et ses rapports avec l'architecture Parisienne de la génération de Saint-Denis," em Bull Mon 153 (1995) pp. 23–46.
Bibliografia
Obras contemporâneas
- Suger. "Liber de Rebus in Administratione sua Gestis". In: Abbot Suger, on the Abbey Church of St.-Denis and Its Art Treasures. Editado, traduzido e anotado por Erwin Panofsky (e Gerda Panofsky-Soergel). Princeton: Princeton University Press, 1946, pp. 40–81.
- ———. "Libellus Alter de Consecratione Ecclesiae Sancti Dionysii". In: Abbot Suger, on the Abbey Church of St.-Denis and Its Art Treasures. Editado, traduzido e anotado por Erwin Panofsky (e Gerda Panofsky-Soergel). Princeton: Princeton University Press, 1946, pp. 82–121.
- ———. "Ordinatio AD. MCXL vel MCXLI confirmata". In: Abbot Suger, on the Abbey Church of St.-Denis and its Art Treasures. Editado, traduzido e anotado por Erwin Panofsky (e Gerda Panofsky-Soergel). Princeton: Princeton University Press, 1946, pp. 122–137.
- —–—. The Deeds of Louis the Fat (Vie de Louis le Gros). Traduzido por Richard C. Cusimano e John Moorhead. Washington, D.C.: The Catholic University of America Press, 1992.
- ———. Selected Works of Abbot Suger of Saint-Denis. Traduzido por Richard Cusimano e Eric Whitmore. Washington, D.C.: The Catholic University of America Press, 2018.
- ———. Selected Works of Abbot Sugar of Saint-Denis: Letters and Charters. Traduzido por Richard Cusimano, Eric Whitmore e Michael Bardot. Washington, D.C.: The Catholic University of America Press, 2026.
- Guilherme (Willelmus). "The Life of Suger" (Sugerii Vita). In: Selected Works of Abbot Suger of Saint Denis. Traduzido por Richard C. Cusimano e Eric Whitmore. Washington, D.C.: The Catholic University of America Press, 2018, pp. 184–216.
- Lecoy de La Marche, Albert (ed.). Oeuvres complètes de Suger; recueillies, annotées et publiées d'après les manuscrits. Paris, 1867. [Coleção de manuscritos completos em latim].
Livros
- Aubert, Marcel. Suger. Paris: Fontenelle Collection (Figures monastiques), 1950. (em francês)
- Cartellieri, Otto. Abt Suger von Saint-Denis. Berlim: Matthiesen Verlag, Lübeck/Kraus Reprint Ltd, 1898. (em alemão)
- Crosby, Sumner McKnight. The Royal Abbey of Saint-Denis, from its beginnings to the death of Suger, 475–1151. New Haven: Yale University Press, 1987.
- ———. The Royal Abbey of Saint-Denis, in the Time of Abbot Suger (1122–1151). Nova Iorque: The Metropolitan Museum of Art, 1981. [Acesso livre].
- Grant, Lindy. Abbot Suger of St-Denis: Church and State in Early Twelfth-Century France. Essex: Addison Wesley Longman, 1998.
- Gerson, Paula Lieber (ed.). Abbot Suger and Saint-Denis: a Symposium. Nova Iorque: The Metropolitan Museum of Art, 1986. [Acesso livre].
- Große, Rolf (ed.). Suger en question. Munique: Oldenbourg Wissenschaftsverlag, 2004. (em francês) [Acesso livre].
- Rudolph, Conrad. Artistic Change at St-Denis: Abbot Suger's Program and the Early Twelfth-Century Controversy over Art. Princeton: Princeton University Press, 1990.
- Von Simson, Otto. The Gothic Cathedral: Origins of Gothic Architecture and the Medieval Concept of Order. 3.ª ed. Princeton: Princeton University Press, 1988.
Artigos de periódicos
- Hugenholtz, Frits; Teunis, Henk. "Suger's advice". Journal of Medieval History, v. 12, n.º 3, pp. 191–206, 1986. DOI: 10.1016/0304-4181(86)90031-X.
- Inglis, Erik. "Remembering and Forgetting Suger at Saint-Denis, 1151–1534: An Abbot’s Reputation between Memory and History". Gesta, v. 54, n.º 2, pp. 219–43, setembro de 2015. JSTOR.
- Kidson, Peter. "Panofsky, Suger and St Denis". Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, v. 50, pp. 1–17, 1987. JSTOR.
- Rudolph, Conrad. "Inventing the Exegetical Stained-Glass Window: Suger, Hugh, and a New Elite Art". The Art Bulletin, v. 93, n.º 4, pp. 399–422, dezembro de 2011. JSTOR.

