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Vigia da Queimada
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| Vigia da Queimada | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Inauguração | 1939 |
| Proprietário(a) | Espaço Talassa (desde 1991) |
| Geografia | |
| País | |
| Localização | Lajes do Pico |
A Vigia da Queimada é um antigo posto de vigia da baleação açoriana, localizado na Ponta da Queimada, na freguesia e concelho das Lajes do Pico, na ilha do Pico, Açores. Erguida em 1939 para apoiar a caça ao cachalote, é hoje um dos vestígios mais singulares do passado baleeiro do arquipélago, tendo sido reconvertida, em 1991, em posto de observação de cetáceos ao serviço do whale watching e da investigação científica.[1]
História
Período baleeiro
As vigias eram peças centrais da baleação costeira açoriana: postos de observação em terra, instalados em pontos altos do litoral, de onde homens experientes — os "vigias" — perscrutavam o horizonte em busca do sopro dos cachalotes, alertando depois as armações baleeiras e orientando os botes no mar.[2]
A Vigia da Queimada foi construída em 1939 e utilizada pelas armações baleeiras das Lajes do Pico, em conjunto com outras vigias instaladas nas redondezas, para localizar cachalotes com vista à sua captura.[1][3] Manteve-se em funções até 1984, tendo sido das últimas vigias em atividade no arquipélago.[1] A baleação açoriana cessou definitivamente pouco depois: o último cachalote foi capturado em 1987, precisamente nas Lajes do Pico, já após a moratória da Comissão Baleeira Internacional à caça comercial.[4]
Reconversão
Em 1991, a estrutura foi adquirida e recuperada pelo Espaço Talassa, empresa pioneira da observação de baleias em Portugal, fundada nas Lajes do Pico em 1989, que lhe devolveu a função original — vigiar o mar — agora com fins turísticos e científicos.[1] A reconversão das vigias é apontada como o único elemento da cultura baleeira que transitou diretamente da caça para a observação de cetáceos, com antigos baleeiros e vigias a colocarem o seu saber ao serviço da nova atividade.[5]
Características
A vigia situa-se num ponto elevado junto à arriba da Ponta da Queimada, a cerca de um quilómetro da vila das Lajes do Pico, com vista desimpedida sobre o Atlântico. O seu campo de observação cobre cerca de 50 milhas náuticas de este a oeste e mais de 20 milhas náuticas de norte a sul, num raio de aproximadamente 195 graus.[1]
É a única vigia dos Açores com dois pisos. Segundo a tradição local, esta particularidade resultou de uma disputa de vizinhança: o proprietário do terreno contíguo terá plantado árvores e milho que tapavam a vista de mar do piso original, obrigando à construção de um segundo nível.[1]
Atualidade
A Vigia da Queimada mantém-se em atividade contínua durante a época de observação de cetáceos. No piso superior instalam-se vigias profissionais que localizam baleias e golfinhos com binóculos e orientam, via rádio, as embarcações de whale watching no mar — gerindo a aproximação aos animais de forma a minimizar o impacto sobre eles.[1][6] O piso inferior encontra-se aberto a visitantes, estudantes e investigadores interessados na observação de vida selvagem, habitualmente entre a primavera e o outono.[1]
A vigia integra a Rota da Cultura Baleeira do município das Lajes do Pico, a par de outros elementos do património baleeiro local, como o Museu dos Baleeiros.[1]
Ver também
Referências
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «Vigia da Queimada – Rota da Cultura Baleeira». Município das Lajes do Pico. Consultado em 11 de junho de 2026
- ↑ «Património Baleeiro dos Açores – Memórias da Baleação». Direção Regional da Cultura, Governo dos Açores. Consultado em 11 de junho de 2026. Cópia arquivada em 11 de março de 2026
- ↑ «Vigia da Queimada». Lifecooler. Consultado em 11 de junho de 2026. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2023
- ↑ «Baleeiros açorianos: a história que não se repete». RTP Ensina. Consultado em 11 de junho de 2026. Cópia arquivada em 5 de março de 2026
- ↑ «Criação de rede pública de 'vigias da baleia' nos Açores proposta durante seminário no Faial». Rádio Ilhéu. 2 de novembro de 2022. Consultado em 11 de junho de 2026. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ «Espaço Talassa – Whale Watching Base». Espaço Talassa. Consultado em 11 de junho de 2026. Cópia arquivada em 16 de outubro de 2017
