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Terra Indígena Rio Pequeno
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Território Indígena no Brasil Tekoha D'Jey ou Tekoha Jevy | |
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A Terra Indígena Rio Pequeno ou Território Indígena Rio Pequeno, também conhecido como Aldeia Rio Pequeno e, em guarani, Tekoha D'Jey ou Tekoha Jevy, é um território tradicional dos povos Guarani Mbiá e Nhandeva localizado no município brasileiro de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, na região do Parque Nacional Serra da Bocaina.[1]
O território é liderado pelo cacique Demécio Martine e pela vice-cacica Neusa Kunhã Taquá e se organiza a partir da Associação Comunitária Indígena Guarani Da Aldeia Rio Pequeno (ACIGARP).[2]
Significado
Para os Guarani, tekoha ou tekoá significa "o lugar do modo de ser guarani". Portanto, não corresponde apenas ao território ou espaço de moradia, mas inclui a existência de áreas de cultivo, caça, pesca, coleta, de locais sagrados e circulação social.[3]A preservação das matas e dos locais sagrados é considerada fundamental para a continuidade do modo de vida guarani.[1][4] O nome Tekoha D'Jey (ou Jevy) significa "a terra que está de volta" em guarani.[1]
Delimitação
A Terra Indígena Rio Pequeno está localizada no município de Paraty, no sul do estado do Rio de Janeiro. Com aproximadamente 2.370 hectares e um perímetro de cerca de 27 quilômetros, o território situa-se na sub-bacia do Rio Pequeno, a cerca de 22 quilômetros da área urbana do município. Parte de sua extensão encontra-se sobreposta ao Parque Nacional da Serra da Bocaina, enquanto seu limite leste é marcado pela rodovia federal BR-101 (conhecida como Rio-Santos).[5]


História
A área de ocupação tradicional do povo Guarani ou o território ancestral (em guarani, Yvyrupa) é transnacional e interestadual. Compreende uma grande região entre os rios Paraná e Paraguai (na Argentina, Bolívia e Uruguai), além do centro-sul e litoral brasileiro.[6]Atualmente, este povo compõe a maior população indígena do Brasil, habitando vários estados da federação, entre eles o Rio de Janeiro. Sua trajetória é marcada por grande mobilidade territorial, chamada de "belo caminhar" (Ogata Porã).[7][8]
Relatório da FUNAI
O relatório de identificação e delimitação, por meio de portaria da Funai, produzido pela antropóloga Celeste Ciccarone reconstrói a história do Tekoha D'Jey a partir da história de ocupaçã.[1]
Em 1958, um grupo familiar Guarani mbiá chegou à bacia do Rio Pequeno, em Paraty, cujo território possui locais considerados sagrados e ancestrais pelos Guarani.[1] Esse grupo integrava um movimento de famílias provenientes das terras indígenas Rio das Cobras, no Paraná, e Rio Branco, em São Paulo. As famílias foram instaladas em uma área conhecida como Morro da Hortinha, próxima à antiga Fazenda Graúna. Posteriormente, famílias vindas de Paraty-Mirim também passaram a viver na área, formando uma comunidade de aproximadamente quarenta pessoas.[1]
Na década de 1960, o contato com os moradores não-indígenas da região aumentou em razão do trabalho nas plantações de banana. Nessa época, a comunidade sofreu um ataque violento que resultou na morte de uma mulher e de uma criança. Após o ataque, as famílias abandonaram a região e se dispersaram por outras aldeias do litoral.[1]
Nas décadas seguintes, alianças matrimoniais entre grupos Guarani mbiá do litoral sudeste e Guarani nhandeva do Mato Grosso do Sul mantiveram a circulação de famílias entre diferentes aldeias. Os conflitos fundiários no Mato Grosso do Sul contribuíram para novos deslocamentos de famílias Guarani em direção ao litoral sudeste. Parte dessas famílias retornou à Paraty e voltou a reinvindicar o Território Indígena Rio Pequeno.[1]

Demarcação territorial
Em 2017, a Funai reconheceu a Território Indígena Rio Pequeno por meio da aprovação de seu "Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação". A área aguarda a conclusão do processo demarcatório.[1]
Conflitos socioambientais
Desde a década de 1960, a abertura de estradas e o avanço da ocupação imobiliária na região de Paraty têm provocado impactos ambientais e conflitos que afetam os moradores do Território Indígena Rio Pequeno. Entre os principais problemas estão o crescimento de empreendimentos imobiliários, o turismo desordenado, a extração de palmito, a caça ilegal, a agricultura comercial e a retirada de areia na foz do Rio Pequeno.[5]
Ver também
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI (24 abr. 2017). Resumo do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Tekoha Jevy. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 77, p. 47-49.
- ↑ «ACIGARP - Direito, Reito e Luta». acigarp.org.br. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ Müller, Mônica Gomes, and Rafael Lazzarotto Simioni. "Terras indígenas e modos de ser: o sentido do tekoha guarani e o problema da demarcação das terras indígenas no brasil." Revista Direitos Culturais 11.25 (2016): 53-78.
- ↑ Cunha, Reinaldo de jesus (2022). MARICÁ/maraká/ ‘A terra está de Volta’ Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’ Aguy Ovy Porã) Nhandecy no Cuidado Ancestral & Acolhimento e Cooperação de Nhanderú Etê (PDF). Rio de Janeiro: Observatório da Presença Indígena no Estado do Rio de Janeiro - OPIERJ
- 1 2 «Povo Guarani Nhandeva reivindica o reconhecimento da TI Tekoha Jevy para encerrar a especulação imobiliária, os impactos socioambientais e o aumento da violência contra os indígenas». Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ «Mapa Guarani Digital». Mapa Guarani Digital. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ Pissolato, Elizabeth (8 de agosto de 2007). A Duração Da Pessoa: Mobilidade, Parentesco E Xamanismo Mbya (guarani). [S.l.]: Editora Unesp. ISBN 978-85-7139-777-4
- ↑ INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL - IPHAN. Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC): Yvyrupa – o território guarani (plataforma terrestre). Ficha de Identificação – Lugares (F50): Guata Porã. Brasília: IPHAN
