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Sjambok
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Sjambok | |
|---|---|
| Tipo | Chicote |
| Local de origem | Colónia do Cabo (atual África do Sul) |
| Especificações | |
| Comprimento | 90 a 150 centimetros (35 a 59 in) |
O sjambok ou jambock é um pesado chicote de couro. É tradicionalmente feito de pele de hipopótamo ou rinoceronte adulto, mas também é comumente feito de plástico.
Uma tira da pele do animal é cortada e trabalhada numa faixa de 90 a 150 centímetros de comprimento, afinando-se de cerca de 25 mm de espessura na alça até cerca de 10 mm na ponta. Essa tira é então enrolada até adquirir uma forma cilíndrica afunilada. O chicote resultante é ao mesmo tempo flexível e durável. Uma versão em plástico foi fabricada para a Polícia da África do Sul durante a era do apartheid e usada no controlo de distúrbios.
Peter Hathaway Capstick descreve o sjambok como um chicote curto, semelhante a uma espada, feito de couro de pénis de rinoceronte, capaz de abrir um homem como uma navalha.[1]
O sjambok foi muito usado pelos Voortrekkers para conduzir os seus bois durante a migração a partir do Cabo da Boa Esperança, e continua a ser usado por pastores para conduzir o gado. É amplamente disponível na África do Sul, sendo vendido tanto por comerciantes informais como em lojas comuns, numa variedade de materiais, comprimentos e espessuras.
Uso pela polícia
África do Sul
Na África do Sul, o uso do sjambok pela polícia é por vezes visto como sinónimo da era do apartheid, mas o seu uso sobre as pessoas começou muito antes. Às vezes é usado fora do judiciário oficial por aqueles que aplicam punições impostas por tribunais extralegais.[2] Os polícias sul-africanos preferiam o sjambok, e a Polícia da África do Sul afirmava que ele causava menos ferimentos em comparação com o cassetete de madeira. Apesar disso, a perceção pública do sjambok era negativa, tanto a nível nacional como internacional. As alegações de brutalidade policial relacionadas com o sjambok eram generalizadas, o que acabou por levar à sua proibição efetiva no controlo de distúrbios em setembro de 1989.[3]
Reino Unido
Em 1963, um inquérito à polícia municipal de Sheffield (Sheffield City Police) concluiu que chicotes de rinoceronte tinham sido usados em suspeitos.[4]
Outros tipos
O nome parece ter tido origem como cambuk na Indonésia, onde era o nome de uma vara de madeira usada para castigar escravos, possivelmente derivada do persa chabouk ou chabuk. Quando escravos maláios chegaram à África do Sul nos séculos XVII e XVIII, o instrumento e o seu nome foram importados com eles, o material foi mudado para couro, e o nome acabou por ser incorporado no afrikaans, grafado como sambok. É conhecido em bengali como chabuk.
No Estado Livre do Congo, onde era chamado de chicotte, o chicote foi notoriamente usado para aterrorizar trabalhadores nativos e inúmeros outros civis, incluindo crianças. Era usado principalmente como instrumento de tortura e mutilação pela Força Pública, a força militar predominantemente nativa usada para suprimir a dissidência e manter o domínio colonial.[5] Após 1908, quando o Estado Livre do Congo foi dissolvido na sequência do clamor internacional contra as generalizadas violações dos direitos humanos, a nova administração belga fez algum esforço para reformar a colónia, mas o chicotte continuou a ser amplamente usado. Só foi formalmente proibido em 1960, com a independência da República Democrática do Congo.
O instrumento é também conhecido como imvubu (hipopótamo em zulu), kiboko (hipopótamo em suaíli) e mnigolo (hipopótamo em malinké). Nas colónias portuguesas de África, era chamado de chicote, do termo português para o objeto, de onde deriva o francês chicotte, ou fimbo, e era usado para disciplinar trabalhadores indígenas, provocando mutilações permanentes e, muitas vezes, a morte. A tarifa oficial de punição foi, com o tempo, reduzida de vinte açoites para oito, depois (em 1949) seis, e progressivamente quatro e dois, até o açoitamento ser completamente proibido em 1955.
No norte de África, particularmente no Egito, o chicote era chamado de kurbash, palavra árabe para chicote. O termo shaabuug é usado na língua somali; também pode referir-se a um chicote de couro genérico.
Na cultura popular
No filme Would You Rather, os jogadores têm a opção de esfaquear outro concorrente com um furador de gelo ou açoitar outro concorrente com um sjambok.[6]
Em Elephant Adventure, de Willard Price, o cruel traficante de escravos árabe conhecido como Thunder Man gosta de açoitar cativos com um sjambok feito de pele de hipopótamo.
No romance V., de Thomas Pynchon, o sjambok é um elemento importante na narrativa das Guerras Héreros, onde serve de símbolo para a violência e a perversão sexual dos colonizadores alemães e europeus.
Curiosidades
A palavra sjambok originou a palavra em inglês jambock, que foi usada como código pelos pilotos brasileiros que lutaram na Itália na Segunda Guerra Mundial, no 1.º Grupo de Aviação de Caça.[7]
Referências
- ↑ Peter Capstick, Death in the Long Grass, p. 243
- ↑ Aitkenhead, Decca (28 de maio de 2000). «Rough justice». The Guardian. London. Consultado em 23 de maio de 2010
- ↑ Wren, Christopher (12 de setembro de 1989). «South African Police to End the Use of Whips». The New York Times. Consultado em 24 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 12 de novembro de 2023
- ↑ «MIDWEEK RETRO - Power, corruption and lies...». The Star. Sheffield. 6 de novembro de 2013. Consultado em 9 de agosto de 2015. Arquivado do original em 30 de abril de 2016
- ↑ «The Belgian Congo | World Civilizations II (HIS102) – Biel». courses.lumenlearning.com. Consultado em 3 de maio de 2026
- ↑ Catsoulis, Jeannette (8 de fevereiro de 2013). «Torture on the One Hand, Abuse on the Other». The New York Times. Consultado em 24 de maio de 2022
- ↑ «1.º Grupo de Aviação de Caça». Wikipédia. Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2025

