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Rogério Duprat
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| Rogério Duprat | |
|---|---|
| Nascimento | 7 de fevereiro de 1932 Rio de Janeiro, DF |
| Morte | 26 de outubro de 2006 (74 anos) São Paulo, SP |
| Cidadania | Brasil |
| Irmão(ã)(s) | Régis Duprat |
| Ocupação | compositor, maestro |
| Empregador(a) | Universidade de Brasília |
| Causa da morte | insuficiência renal |
Rogério Duprat (Rio de Janeiro, 7 de fevereiro de 1932[1] — São Paulo, 26 de outubro de 2006) foi um compositor, arranjador e maestro brasileiro de ascendência francesa e italiana.[2][3] É conhecido por ter criado os arranjos usados pelo movimento tropicalista, misturando tradições brasileiras com as tendências internacionais da época, usando efeitos sonoros inovadores e peculiares, com bastante experimentalismo.[2]
Antes de suas contribuições na Música Popular Brasileira, em 1963, Rogério e seu irmão, Régis Duprat, assinaram o manifesto Música Nova, ao lado de nomes como Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira e Júlio Medaglia.[4][5] Com influência da música erudita contemporânea, o manifesto defendia a união de tendências vanguardistas, como o serialismo e o dodecafonismo de Arnold Schönberg, à poesia concreta.[6][7]
Biografia
Rogério Ronchi Duprat nasceu no dia 7 de fevereiro de 1932, na cidade do Rio de Janeiro. Seus pais eram Délio Duprat, sobrinho do Barão de Duprat, e Olga Ronchi.[3] Apesar da posição social da família, parte da elite paulistana, a prosperidade dos Duprat já se encontrava em declínio no período do nascimento de Rogério, atravessando uma crise financeira, agravada pela destruição das instalações da Tipografia Duprat, empresa da família, durante os confrontos da Revolta Paulista de 1924, quando tropas federais bombardearam o local.[8][9]
Nascido no Rio, se mudou para São Paulo aos cinco anos de idade. Desde cedo, os pais investiram bastante na educação dos filhos, que aprenderam a falar francês e italiano ainda na infância. Aos dez anos de idade, Rogério ganhou uma gaita de boca, seu primeiro instrumento musical. Interessado em música, pegou emprestado o violão do pai, passando a aprender a tocar canções interpretadas por artistas que ouvia pelo rádio, como Orlando Silva, Araci de Almeida e Dorival Caymmi. Também passou a ser influenciado por artistas estrangeiros, como Glenn Miller, Frank Sinatra e Bing Crosby.[3][9]
Em 1950, iniciou os estudos cursando Filosofia na Universidade de São Paulo, enquanto já trabalhava para ajudar com as despesas de casa, tendo tido empregos como balconista, jornalista e bancário.[3] Nessa época, Duprat era interessado pelo pensamento marxista, tendo se filiado ao Partido Comunista Brasileiro, por influência do irmão, Régis. Desmotivado com o andamento do curso, deixou a faculdade de Filosofia em 1952, antes de se formar.[9]
Durante o período em que cursava faculdade, Duprat começou a estudar no Conservatório Heitor Villa-Lobos de São Paulo, onde assistia aulas de teoria musical, harmonia, canto, análise harmônica e construção musical. Se formou em 1958, como violoncelista. Entre 1950 e 1952, recebeu uma bolsa de estudos para tocar na Orquestra Sinfônica Juvenil do Museu de Arte de São Paulo. Em 1953, criou, junto ao irmão Régis, a Orquestra Angelicum do Brasil, especializada em composições do período barroco.[3]
De 1955 a 1960, passou a trabalhar como violoncelista nas orquestras da TV Tupi, da TV Paulista e na Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional de São Paulo. Em 1959, Duprat tocou como extranumerário na Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, onde tocou até 1964 como violoncelista.[3][8]
Em 1956, fundou, junto com Olivier Toni, a Orquestra de Câmara de São Paulo, pioneira na restauração e execução do repertório musical colonial brasileiro. Além de violoncelista, atuava como tesoureiro da orquestra, cuidando dos recursos que eram obtidos através de mecenato de membros da elite paulistana.[9] Toni e Duprat também criaram o Grupo de Música Experimental, para jovens com até vinte anos, onde montavam peças de música antiga e compositores de vanguarda como Arnold Schönberg, que manteve suas atividades entre 1956 e 1961. Entre 1962 e 1964, passou a ser também regente e diretor musical de gravadoras de São Paulo e assistente do maestro Sílvio Mazzuca na TV Excelsior.[9]
Em 1963, mudou-se com a família para Brasília, recém inaugurada. A convite de Cláudio Santoro, então diretor do Departamento de Música da Universidade de Brasília, tornou-se professor da instituição. Lá, promoveu uma reforma curricular que incluia cursos de experimentos da música contemporânea e passou a dar aulas de violoncelo, teoria musical, harmonia e rítmica.[3] Com o Golpe Militar de 1964, a universidade passou a sofrer intervenções do governo militar e em resposta, Duprat, junto com a maioria dos docentes, pediu o desligamento da universidade em 1965.[9]
Durante a década de 1960, Duprat passou a participar da criação de trilhas sonoras para filmes e peças de teatro, como a trilha do filme A Ilha e Noite Vazia, de Walter Hugo Khouri, e as montagens teatrais de Sem Entrada e Sem Mais Nada e Quarto de Empregada, de Roberto Freire.[6] Em São Paulo, fundou em 1966 a empresa Audimus, em parceria com Damiano Cozzela e Décio Pignatari, focada na produção de jingles e trilhas sonoras de cinema.[8][9]
Em 1967, Duprat foi convidado por Gilberto Gil a participar como arranjador de Domingo no Parque, canção inscrita no Festival de Música Popular Brasileira de 1967, na TV Record. Aceitando o desafio proposto por Gil de combinar orquestra e guitarra e baixo elétricos, Duprat simpatizou com o movimento e passou a ser arranjador em grande parte das produções musicais dos tropicalistas, como Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Os Mutantes, entre outros. Em 1968, participou do álbum-manifesto do movimento, Tropicália ou Panis et Circensis, como arranjador. Ainda no ano de 1968, lançou pela Philips o álbum A Banda Tropicalista do Duprat, com participação da banda Os Mutantes.[8][9]
Durante a década de 1970, Duprat produziu arranjos para diversos artistas, como o disco de estreia de Rita Lee, Build Up, o álbum Carlos, Erasmo, de Erasmo Carlos, Araçá Azul, de Caetano Veloso, Criaturas da Noite, da banda O Terço, e Pirão de Peixe com Pimenta, de Sá e Guarabira. Também escreveu os arranjos das músicas Construção e Deus Lhe Pague, de Chico Buarque. Também continuou fazendo trilhas sonoras para o cinema, com destaque para O Anjo da Noite, de Walter Hugo Khouri, e A Marvada Carne, de André Klotzel.[10]
Com a progressiva perda da audição, Duprat se afastou do meio musical e passou a viver de maneira reclusa em seu sítio, na cidade paulista de Itapecerica da Serra, onde passou a se dedicar à carpintaria.[10]
Morte
Duprat sofria de mal de Alzheimer e câncer de bexiga e foi internado no dia 10 de outubro de 2006. O quadro evoluiu para insuficiência renal e Duprat não resistiu, falecendo no dia 26 de outubro de 2006. Seu velório ocorreu no dia 27, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo e seu corpo foi cremado no Crematório da Vila Alpina.[2]
Vida pessoal
Duprat foi membro do Partido Comunista Brasileiro durante a década de 1950, se desencantando com o partido ao longo dos anos. Passou a assumir uma postura independente, principalmente após o manifesto Música Nova, onde defendia a inclusão de elementos de vanguarda, ao contrário do realismo promovido pelo Partido Comunista.[3][10]
Foi casado com Eulalina Portella Duprat, com quem se casou em 1953. O casal teve três filhos, Raí, Rudá e Roatã.[3]
Referências
- ↑ «Cliquemusic : Artista : Rogério Duprat». cliquemusic.uol.com.br. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 10 de fevereiro de 2021
- 1 2 3 «Maestro da tropicália, Rogério Duprat morre aos 74 anos - 26/10/2006 - UOL Música». musica.uol.com.br. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 21 de novembro de 2007
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Figueira Fernandes, Luana. «Rogério Duprat em Movimento» (PDF). docplayer.com. Consultado em 19 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 9 de junho de 2025
- ↑ Online, J. C. (11 de março de 2017). «O legado vanguardista de Gilberto Mendes no CD 'Festival Música Nova'». JC. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2021
- ↑ Cultural, Divulgação (15 de junho de 2023). «A intromissão das mídias eletroacústicas em solo brasileiro, uma análise do grupo Música Nova». Blog da Editora da Unicamp. Consultado em 18 de maio de 2026
- 1 2 «Partitura perdida de Rogério Duprat é apresentada pela 1ª vez». VEJA. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025
- ↑ Nyffeler, Max. «Manifesto Nova Música Brasileira III». www.latinoamerica-musica.net. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2021
- 1 2 3 4 Barro, Máximo (2009). Rogerio Duprat: ecletismo musical. São Paulo: Imprensa Oficial. ISBN 9788570607539
- 1 2 3 4 5 6 7 8 Gaúna, Regiane (2002). Rogério Duprat: Sonoridades múltiplas. São Paulo: Editora Unesp. ISBN 978-8571394377
- 1 2 3 Cultural, Instituto Itaú. «Rogério Duprat». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 18 de maio de 2026
