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Rio Doce (município)
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Rio Doce | |
|---|---|
| Hino | |
| Gentílico | rio-docense[1] |
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| Coordenadas: 20° 14′ 40″ S, 42° 53′ 48″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Minas Gerais |
| Municípios limítrofes | Sem-Peixe, Dom Silvério, Barra Longa, Ponte Nova e Santa Cruz do Escalvado |
| Distância até a capital | 222 km[2] |
| Fundação | 6 de setembro de 1886 (139 anos)[3] |
| Emancipação | 3 de março de 1963 (63 anos)[3] |
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Silvério Joaquim Aparecido da Luz[1][4] (PT, 2025–2028) |
| Área | |
| • Total [1] | 112,094 km² |
| • Urbana (IBGE/2019) [1] | 0,77 km² |
| População | |
| • Total (Censo IBGE/2022) [1] | 2 484 hab. |
| • Estimativa (IBGE/2025) | 2 545 hab. |
| Densidade | 22,2 hab./km² |
| Clima | tropical de altitude (Cwa)[5] |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| IDH (PNUD/2010) [6] | 0,664 — médio |
| PIB (IBGE/2023) [7] | R$ 107 640,77 mil |
| • Per capita (IBGE/2023) | R$ 43 333,64 |
| Sítio | www.riodoce.mg.gov.br (Prefeitura) www.riodoce.mg.leg.br (Câmara) |
Rio Doce é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira,[8] estando situado a cerca de 220 km a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 110 km², sendo que menos de 1 km² está em área urbana, e sua população foi estimada em 2 545 habitantes em 2025.
O núcleo urbano da cidade começou a se consolidar na segunda metade do século XIX, com a construção de um ramal da Estrada de Ferro Leopoldina. A estação ferroviária da localidade foi inaugurada em 1886, ocasião que também marca a fundação da cidade. O município herdou o nome da antiga estação, "Rio Doce", que por sua vez remete à proximidade do leito do rio Doce.
História
A área do atual município de Rio Doce já era povoada no século XVIII. Uma capela foi construída no povoado de Santana do Deserto em 1745, marcando a existência do povoamento. Posteriormente, foi estruturado um caminho que ligava essa localidade a Merengo (Santa Cruz do Escalvado). Entretanto, o núcleo urbano da cidade começou a se consolidar somente na segunda metade do século XIX, com a construção de um ramal da Estrada de Ferro Leopoldina. O local era conhecido como Perobas, árvore que era comum.[3]
Próximo à margem do rio Doce foi construída a estação ferroviária, que recebeu o nome do manancial e teria sido inaugurada em 6 de setembro de 1886. Assim, essa é considerada a data da fundação da cidade, que herdou o nome do terminal de trens.[3] Vale ressaltar que o dia exato da inauguração da estação varia conforme a fonte. A cidade comemora o aniversário em 6 de setembro,[3] enquanto que o inventário de bens patrimoniais da prefeitura aponta que a parada foi inaugurada com a visita de Dom Pedro II em 25 de junho de 1886, mas esclarece que a data de construção é desconhecida.[9]
O distrito com o nome de Rio Doce foi reconhecido pelo decreto estadual nº 122-A de 27 de junho de 1890, então pertencente a Mariana, sendo posteriormente integrado a Ponte Nova. Chegou a ser transferido para Dom Silvério em 1938, porém voltou a fazer parte de Ponte Nova em 1943.[10] A emancipação ocorreu em 3 de março de 1963.[3] O ramal da Estrada de Ferro Leopoldina que atendia à cidade, por sua vez, deixou de operar em 1969,[11] porém a antiga Estação de Rio Doce foi preservada. Serviu de moradia e bar[9] e chegou a ser abandonada antes de ser adquirida pela prefeitura em 2013. Por fim, a administração municipal restaurou a edificação, que passou a ser usada como sede da Secretaria da Cultura, auditório e espaço cultural.[9][12]
Em 2004, entrou em operação a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves no curso do rio Doce, na divisa com Santa Cruz do Escalvado. A construção do empreendimento provocou impactos ambientais e desapropriações de imóveis rurais, mas gerou movimento de capital e projetos de recuperação e manutenção da mata ciliar como parte do consórcio responsável.[3][13] Entretanto, as condições do rio e as operações da hidrelétrica foram severamente afetadas pelo rompimento de barragem em Mariana em 2015.[13]
Geografia
O município de Rio Doce limita-se com Sem-Peixe (a norte), Dom Silvério (noroeste), Barra Longa (oeste e sul), Ponte Nova (sul) e Santa Cruz do Escalvado (leste).[14] A sede dista por rodovia 222 km da capital mineira, Belo Horizonte, e o principal acesso é pela BR-120.[2]
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE,[15] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Juiz de Fora e Imediata de Ponte Nova.[16] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ponte Nova, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Zona da Mata.[17]
O bioma original predominante é a Mata Atlântica.[18] O relevo é predominantemente acidentado e a altitude máxima é de 899 metros, na cabeceira do córrego Jaracatia.[19] Na divisa do município com Ponte Nova e Santa Cruz do Escalvado está situada a confluência dos rios Piranga e do Carmo, onde é formado o rio Doce.[20]
A zona urbana se encontra próxima ao leito do rio Doce e à divisa municipal com Santa Cruz do Escalvado. O córrego das Lajes corta a cidade antes de desaguar no Doce e fornece água para parte do município.[14][21] O rio Doce não intercede o território municipal, restringindo-se à divisa com Santa Cruz do Escalvado a leste, depois de ser formado. Já o rio do Carmo é restrito à divisa sul do município com Barra Longa e Ponte Nova, antes do encontro com o rio Piranga.[14]
Demografia e política
| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1970 | 4 033 | — | |
| 1980 | 2 777 | −31,1% | |
| 1991 | 2 629 | −5,3% | |
| 2000 | 2 318 | −11,8% | |
| 2010 | 2 465 | 6,3% | |
| 2022 | 2 484 | 0,8% | |
| Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)[1][22] | |||
Em 2022, a população foi estimada em 2 484 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 1 213 habitantes eram homens (48,93%) e 1 271 habitantes mulheres (51,16%).[23] Ainda segundo o mesmo censo, 1 647 habitantes viviam na zona urbana (66,3%) e 837 na zona rural (33,7%).[24]
Da população total em 2022, 344 habitantes (13,85%) tinham menos de 15 anos de idade, 331 (13,33%) tinham de 15 a 24 anos, 545 (21,94%) tinham de 25 a 39 anos, 870 (35,03%) tinham de 40 a 64 anos e 394 (15,86%) possuíam 65 anos ou mais.[25]
Em 2022, a população era composta por 1 280 pardos (51,53%), 786 brancos (31,64%), 409 negros (16,47%), cinco amarelos (0,2%) e quatro indígenas (0,16%).[23] Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 1 828 católicos (80,85% do total), 356 evangélicos (15,75%), 51 pessoas sem religião (2,26%), 24 espíritas (1,06%) e dois da umbanda e candomblé (0,09%).[26]
A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários,[27] e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por nove vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos.[28] Rio Doce se rege por sua lei orgânica[29] e é termo da Comarca de Ponte Nova, comarca de segunda entrância do Poder Judiciário estadual.[30] O município possuía, em maio de 2026, 2 635 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).[31]
Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) de Rio Doce tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia,[32] mas com participação significativa da pecuária e do comércio.[33] Segundo dados do IBGE, relativos a 2023, o PIB do município era de R$ 107 640,77 mil, ao mesmo tempo que o PIB per capita era de R$ 43 333,64.[7] Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 381 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (23,9%), seguido pelo setor da alimentação (12,9%) e por atividades de organizações associativas (9,19%).[34] No mesmo ano, 531 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram a administração pública (63,8%), obras de infraestrutura (7,3%) e serviços especializados para construção (6,8%).[34]
A pecuária e a agricultura acrescentavam 4 416,98 mil reais na economia em 2021.[32] Dentro da agricultura, o milho representou a maior área ocupada pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 45 ha cultivados, seguido pelo feijão (35 ha) e pela mandioca (5 ha).[35] Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 9 300 galináceos, 5 599 bovinos, 145 suínos e 138 equinos. Rio Doce produziu 54 000 dúzias de ovos de galinha de 3 200 galinhas, 1 559 mil litros de leite de 694 vacas, 300 quilos de mel de abelha e 2 350 quilos de tilápia.[36]
Em 2024, de acordo com o IBGE, foram extraídos 1 500 m³ de eucalipto em toras.[37] A indústria, por sua vez, acrescentava 7 239,59 mil reais ao Produto Interno Bruto em 2021.[32] Dentro deste setor há de se destacar a presença da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, que está situada no leito do rio Doce, na divisa com Santa Cruz do Escalvado, e contribui para a arrecadação municipal.[3][13][33] Além disso, há um distrito industrial instalado na margem da BR-120.[38] Com relação ao setor terciário, 12 926,96 mil reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor de serviços e 21 955,82 mil reais do valor adicionado da administração pública no ano de 2021.[32]
Infraestrutura
Em 2022, foram registrados 26 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes, com 31% do total.[39] Já em 2023, foram registrados 34 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi zero.[40] Os serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto são feitos pela própria administração municipal.[19] Em 2022, segundo o IBGE, 79,15% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,89% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 80,46% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.[23]
Na área da educação, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) médio entre os alunos dos anos iniciais do ensino fundamental das escolas públicas de Rio Doce era de 6,6 em 2023, numa escala de avaliação que vai de nota 1 a 10, enquanto que a nota dos alunos dos anos finais do fundamental era 4,8.[1] Dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 50,04% não completaram o ensino fundamental, 12,85% tinham somente o fundamental completo, 25,22% tinham o ensino médio completo e 11,88% o ensino superior completo,[41] sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 8,1 anos de estudo.[42] O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 89,96%, resultando em 10,04% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade.[43]
Cultura
Da extinta Estrada de Ferro Leopoldina ainda restam a antiga Estação de Rio Doce, que foi aproveitada como espaço cultural pela prefeitura, na área central da cidade;[9] as ruínas do pontilhão sobre o rio Doce, uma antiga ponte por onde passava a via férrea;[11] e as ruínas da Estação do Engenho, que era outra parada da ferrovia a 2 km do pontilhão, na zona rural do município.[44] Em frente à Estação de Rio Doce e ao lado da sede da prefeitura está localizada a Praça Helder de Aquino, que se destaca pelos seus jardins e um coreto. A praça começou a ser construída na década de 1940 e passou por remodelações ao longo do tempo, figurando como a principal praça da cidade.[45][46]
Outros pontos de referência da cidade são a Igreja Matriz de Santo Antônio, que começou a ser construída no século XIX e passou por obras de ampliação com o passar do tempo;[47] o Estádio Caetano Cenachi Neto, que começou a ser construído na década de 70 e foi palco de eventos e de algumas das principais competições de futebol de Rio Doce; o Rio Doce Clube, clube de esportes e lazer fundado em 1972;[45] e o Cruzeiro, onde são realizadas novenas e orações, além de possibilitar a contemplação da paisagem.[48]
Na zona rural cabe ressaltar o Santuário de Santana, no povoado de Santana do Deserto, cuja origem remonta à antiga capela do século XVIII. A edificação atual se trata de um templo maior que se destaca pelos seus vitrais coloridos.[49] Também na zona rural se encontram a Fazenda do Engenho, cuja sede, em estilo colonial, foi construída no começo do século XX;[50] a Usina do Funil, uma usina hidrelétrica de pequeno porte construída no leito do rio Sem-Peixe em 1952;[51] e o encontro dos rios do Carmo e Piranga para formar o rio Doce.[52] Com relação às manifestações culturais, fazem-se presentes os blocos carnavalescos;[53] as festas religiosas de Santo Antônio (padroeiro),[54] São João[55] e Santa Ana (em Santana do Deserto);[56] o Congado Nossa Senhora do Rosário de Santana do Deserto;[57] a Corporação Musical Santo Antônio de Rio Doce;[58] e a Festa das Pastorinhas na ocasião do Natal.[59]
Imagens
- Portal da cidade
- Prefeitura de Rio Doce
- Praça de alimentação na cidade
- Letreiro de Rio Doce com a Praça Helder de Aquino ao fundo
Ver também
Referências
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- 1 2 3 4 5 6 7 8 Prefeitura (6 de setembro de 2013). «História». Consultado em 27 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2017
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- 1 2 3 4 Prefeitura 2021, p. 44–46
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- ↑ Prefeitura 2021, p. 32–34
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Bibliografia
- Prefeitura (2021). «Bens Patrimoniais do Município de Rio Doce - MG» (PDF). 1. Consultado em 21 de março de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 30 de julho de 2022
Ligações externas
Media relacionados com Rio Doce no Wikimedia Commons- «Prefeitura de Rio Doce»
- «Câmara Municipal»
- «Rio Doce no IBGE Cidades»
- «Circuito Turístico Montanhas e Fé»


