BETA ZEN
Respiração boca a boca
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.

Respiração boca a boca, uma forma de ventilação artificial, é o ato de auxiliar ou estimular a respiração, no qual um socorrista pressiona sua boca contra a da vítima e sopra ar para os pulmões da pessoa.[1][2] A respiração artificial assume muitas formas, mas geralmente consiste em fornecer ar para uma pessoa que não está respirando ou não está fazendo esforço respiratório suficiente por conta própria.[3] É usada em um paciente com batimentos cardíacos ou como parte da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) para alcançar a respiração interna.
A ventilação pulmonar (e, portanto, a respiração externa) é alcançada por meio da insuflação manual dos pulmões, seja pelo socorrista soprando nos pulmões do paciente, seja utilizando um dispositivo mecânico para fazê-lo. Este método de insuflação demonstrou ser mais eficaz do que métodos que envolvem manipulação mecânica do tórax ou dos braços do paciente, como o método de Silvester.[4] Foi introduzido como uma medida para salvar vidas em 1950.
A respiração boca a boca faz parte da maioria dos protocolos para a realização de ressuscitação cardiopulmonar (RCP)[5][6] tornando-se uma habilidade essencial para primeiros socorros. Em algumas situações, a respiração boca a boca também é realizada separadamente, por exemplo, em casos de quase afogamento e overdose de opiáceos . A realização da respiração boca a boca isoladamente é atualmente limitada, na maioria dos protocolos, a profissionais de saúde, enquanto que socorristas leigos são aconselhados a realizar a RCP completa em qualquer caso em que o paciente não esteja respirando adequadamente.
História
Em 1773, o médico inglês William Hawes (1736–1808) começou a divulgar o poder da respiração artificial para ressuscitar pessoas que aparentemente haviam se afogado. Durante um ano, ele pagou uma recompensa do próprio bolso a quem lhe trouxesse um corpo resgatado da água dentro de um tempo razoável após a imersão. Thomas Cogan, outro médico inglês, que se interessou pelo mesmo assunto durante uma estadia em Amsterdã, onde em 1767 foi instituída uma sociedade para a preservação da vida em acidentes aquáticos, juntou-se a Hawes em sua cruzada. No verão de 1774, Hawes e Cogan levaram quinze amigos cada um a uma reunião no Chapter Coffee-house, no pátio da Catedral de São Paulo, em Londres, onde fundaram a Royal Humane Society como um grupo de campanha por primeiros socorros e ressuscitação.[7]
Gradualmente, filiais da Royal Humane Society foram estabelecidas em outras partes do país, principalmente em portos e cidades costeiras onde o risco de afogamento era alto, e no final do século XIX a sociedade contava com mais de 280 depósitos em todo o Reino Unido, equipados com aparelhos de salvamento. O primeiro desses depósitos foi a Receiving House em Hyde Park, na margem norte do Serpentine, construída em 1794 em um terreno concedido por Jorge III. Hyde Park foi escolhido porque dezenas de milhares de pessoas nadavam no Serpentine no verão e patinavam no gelo no inverno. Barcos e barqueiros eram mantidos para prestar auxílio aos banhistas, e no inverno, especialistas em gelo eram enviados para as diferentes pistas de patinação em Londres e arredores.[7]
A sociedade distribuía recompensas em dinheiro, medalhas, distintivos e testemunhos àqueles que salvavam ou tentavam salvar pessoas que se afogavam. Reconhecia ainda "todos os casos de bravura excepcional no resgate ou na tentativa de resgate de pessoas asfixiadas em minas, poços, altos-fornos ou em esgotos onde gases fétidos podem pôr em risco a vida".[7]
Referências
- ↑ «Definition of mouth-to-mouth resuscitation». Merriam-Webster Dictionary. Consultado em 4 de fevereiro de 2021
- ↑ Tortora, Gerard J; Derrickson, Bryan (2006). Principles of Anatomy and Physiology. [S.l.]: John Wiley & Sons Inc.
- ↑ «Artificial Respiration». Encyclopædia Britannica. Consultado em 15 de junho de 2007. Arquivado do original em 14 de junho de 2007
- ↑ «Artificial Respiration». Microsoft Encarta Online Encyclopedia 2007. Consultado em 15 de junho de 2007. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2004
- ↑ «Decisions about cardiopulmonary resuscitation model information leaflet». British Medical Association. Julho de 2002. Consultado em 15 de junho de 2007. Cópia arquivada em 5 de julho de 2007
- ↑ «Overview of CPR». Circulation. 112. 2005. doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.105.166552

- 1 2 3 Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
