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Quilombo Forte Príncipe da Beira
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Tipo | |
|---|---|
| Estatuto patrimonial |
quilombo tombado pela Constituição Federal do Brasil de 1988 (d) |
| Localização |
|---|
Forte Príncipe da Beira é uma comunidade remanescente de quilombo, população tradicional brasileira, localizada no município brasileiro de Costa Marques, em Rondônia.[1][2] A comunidade de Forte Príncipe da Beira é formada por uma população de 145 famílias, distribuídas em uma área de 19.986,4809 hectares. O território foi certificado como remanescente de quilombo (reminiscências históricas de antigos quilombos) em 2005, pela Fundação Cultural Palmares.[3][4]
Esta comunidade teve o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação publicado em 2023 (etapa da regularização fundiária), mas ainda está com a situação fundiária em análise (não titulada) no INCRA.[5]
História
O Forte Príncipe da Beira foi construído no século XVIII por escravizados negros e indígenas. O local foi abandonado no início do século XIX porque perdera sua importância estratégica. Permaneceram ali o contingente humano que havia construído a edificação. Formando assim o quilombo de mesmo nome. As atividades do Exército voltaram apenas na década de 1930.[6][7]
A comunidade quilombola de Forte Príncipe da Beira sofre embates com o Exército Brasileiro (EB), que gerencia o Forte Príncipe da Beira. Dentre as necessidades da comunidade estão a falta de água, de saneamento básico, e de atendimento à saúde; a restrição à frequência das crianças à escola da região; o impedimento do direito de ir e vir e restrições às práticas da agricultura e da pesca. O Exército também impedia a realização dos estudos para o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (Rtid) do território.[8]
Em 2012, o Exército propôs um Termo de Convivência entre as partes e um Acordo de Contratos de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) que seria endereçado a cada uma das famílias quilombolas. A comunidade quilombola rejeitou, pois pedia a titulação coletiva das terras.[8]
Em maio de 2018, a 2ª Vara Federal de Ji-Paraná/RO inspeciou a comunidade e, meses depois, ordenou que o Exército Brasileiro permitisse o acesso do Incra para a realização do estudo antropológico do Rtid. Em julho de 2023, a Comunidade teve o território delimitado e reconhecido pelo Incra.[8]
Elvis Cayaduro Pessoa
Em abril de 2023, durante a luta pela propriedade da terra, faleceu Elvis Cayaduro Pessoa, importante liderança da comunidade quilombola de Forte Príncipe da Beira e presidente da Associação que a representa. A causa de sua morte não foi divulgada.[8]
Tombamento
O tombamento de quilombos é previsto pela Constituição Brasileira de 1988, bastando a certificação pela Fundação Cultural Palmares:[9]
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira [...]
§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos.
Portanto, a comunidade quilombola de Forte Príncipe da Beira é um patrimônio cultural brasileiro, tendo em vista que recebeu a certificação de ser uma "reminiscência histórica de antigo quilombo" da Fundação Cultural Palmares no ano de 2005.[3][4]
Situação territorial
A falta do título da terra (regularização fundiária) cria para as comunidades quilombolas uma dificuldade de desenvolver a agricultura, além dos conflitos com os fazendeiros de suas regiões e a impossibilidade de solicitar políticas sociais e urbanas para melhorias de condições de vida, como infraestrutura urbana de redes de energia, água e esgoto.[10][11]
Povos Tradicionais ou Comunidades Tradicionais são grupos que possuem uma cultura diferenciada da cultura predominante local, que mantêm um modo de vida intimamente ligado ao meio ambiente natural em que vivem.[12] Através de formas próprias: de organização social, do uso do território e dos recursos naturais (com relação de subsistência), sua reprodução sócio-cultural-religiosa utiliza conhecimentos transmitidos oralmente e na prática cotidiana.[13][14]
Referências
- ↑ Levantamento de Comunidades Quilombolas (PDF). Col: Fundação Cultural Palmares. [S.l.]: Ministério do Desenvolvimento Social do Brasil. Consultado em 2 de junho de 2023
- ↑ Quilombos certificados (PDF). Col: Fundação Cultural Palmares. [S.l.]: Fundação iPatrimônio. 2020. Consultado em 2 de junho de 2023
- 1 2 Bellinger, Carolina (1 de agosto de 2019). «Terra Quilombola Forte Príncipe da Beira | Observatório». Comissão Pró-Índio de São Paulo. Consultado em 4 de novembro de 2024
- 1 2 «Comunidade quilombola Forte Príncipe da Beira, já reconhecida e registrada pela Fundação Cultural Palmares (FCP), ainda aguarda pela titulação de seu território». Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil. Consultado em 4 de novembro de 2024
- ↑ INCRA. Acompanhamento dos processos de regularização quilombola. 11.08.2023. Acesso em: 19/09/2023.
- ↑ Rebeca Campos Ferreira. Fortes quilombolas do Forte: judicialização e resolução de conflitos no Quilombo do Forte Príncipe da Beira, Rondônia. Amazônica, v. 12, n. 1 (2020).
- ↑ Júnior, Farias; Almeida, Emmanuel de (janeiro de 2013). «Territórios quilombolas em linhas de fronteira: quilombolas do Forte Príncipe da Beira». Ciência e Cultura (1): 36–39. ISSN 0009-6725. doi:10.21800/S0009-67252013000100015. Consultado em 4 de novembro de 2024
- 1 2 3 4 «Comunidade quilombola Forte Príncipe da Beira, já reconhecida e registrada pela Fundação Cultural Palmares (FCP), ainda aguarda pela titulação de seu território». Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil. Consultado em 4 de novembro de 2024
- ↑ Câmara dos Deputados. «Constituição da República Federativa do Brasil (1988)». www2.camara.leg.br. Consultado em 18 de junho de 2023
- ↑ «Terra Amarela - PA | ATLAS - Observatório Quilombola». kn.org.br. Consultado em 18 de junho de 2023
- ↑ Bellinger, Carolina (13 de abril de 2017). «Lagoa do Peixe». Comissão Pró-Índio de São Paulo. Consultado em 21 de setembro de 2023
- ↑ «Por que tradicionais?». Instituto Sociedade População e Natureza. Consultado em 18 de julho de 2018
- ↑ «Comunidades ou Populações Tradicionais». Organização Eco Brasil. Consultado em 18 de julho de 2018
- ↑ «Povos e Comunidades Tradicionais». Ministério do Meio Ambiente. Consultado em 18 de julho de 2018
