BETA ZEN
Protestos no Cuzistão em 2011
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
Os protestos no Cuzistão em 2011 (em persa: اعتراضات ۱۳۹۰ خوزستان, em árabe: احتجاجات خوزستان 2011), conhecidos entre os manifestantes como o Dia da Fúria de Ahvaz , foram protestos violentos que eclodiram em 15 de abril de 2011 na província de Cuzistão para marcar o aniversário dos distúrbios de Ahvaz em 2005 e como resposta à Primavera Árabe regional. Os protestos duraram 4 dias e resultaram em 12 a 15 manifestantes mortos, muitos feridos e presos. Um oficial de segurança também foi morto, e outro ficou ferido. [1] [2]A repressão à oposição política árabe na região continuou desde então, com prisões e execuções.


Contexto
Consultar Artigo principal: Protestos em Avaz em 2005
O cerco à Embaixada do Irã em Londres em 1980 foi iniciado por um grupo separatista árabe como resposta à repressão regional e no Cuzistão , após Revolta no Cuzistão em 1979. Inicialmente, pareciam terroristas que queriam autonomia para Cuzistão; mais tarde, exigiram a libertação de 91 de seus companheiros mantidos em prisões iranianas. [3][4]
Os últimos desdobramentos desse conflito eclodiram na última década, quando uma grande agitação violenta ocorreu em abril de 2005 e, consequentemente, uma série de atentados foi realizada em Ahvaz e outras cidades do Irã, atribuídos aos grupos separatistas árabes sunitas de Ahvaz.
História
Acredita-se que os apelos iniciais para o protesto tenham sido motivados por "uma estratégia secreta do governo vinda a público para tentar mudar o mapa demográfico de Ahwaz e tornar os residentes árabes étnicos uma minoria", quando atualmente eles são o grupo étnico maioritário (74%) na província de Cuzistão. [5]
Protestos de árabes iranianos eclodiram em 15 de abril de 2011, no sexto aniversário dos Protestos em Avaz em 2005, na cidade de Avaz, capital da província iraniana de Cuzistão. Os manifestantes estavam "exigindo mais direitos e benefícios humanitários". A Al Arabiya relatou que, quando os protestos começaram, a cidade estava bloqueada pelas forças de segurança iranianas, que "dispersaram manifestações à força" e que 15 pessoas de Ahwaz foram mortas e dezenas ficaram feridas. [6]Relata-se que as forças de segurança estavam usando várias armas, como Kalashnikovs e cartuchos de gás lacrimogêneo. Durante a noite de 15 de abril, foi relatado que "operações noturnas" foram realizadas contra pessoas que se acreditava terem participado dos protestos. [7]
A jornalista libanesa Roula Hajjar escreveu no blog do Los Angeles Times que os protestos de 15 de abril também ocorreram nas cidades de Abadan, Khorramshahr, Mahshahr e Shadegan. Ela observou que os eventos "em grande parte escaparam à atenção internacional principalmente devido aos esforços de autoridades iranianas." Ela também afirmou que as agências de notícias estatais do Irã relataram a morte de pelo menos três pessoas, "incluindo um oficial", por "insurgentes armados"[8]. A propagação do protesto foi atribuída ao uso das redes sociais Facebook e Twitter.[9]
Consequências
Prisões no final de 2011
As forças de segurança iranianas prenderam mais de 65 residentes árabes durante buscas de segurança na província de Cuzistão, no Irã, de maioria árabe, desde o final de 2011, segundo ativistas locais, informou a Human Rights Watch. Relatórios de ativistas locais indicaram varreduras de segurança nas cidades de Hamidiyeh, Shush e Ahvaz. [10]Pelo menos algumas das prisões foram levadas a cabo em resposta a slogans antigoverno e grafitis pintados em propriedades públicas expressando simpatia pela Primavera Árabe e convocando o boicote eleitoral às eleições parlamentares no Irã em março de 2012. [11]
Vereditos de morte para 5 árabes
Cinco homens árabes iranianos de Ahvaz foram presos em 2011 durante as manifestações e acusados de matar um oficial de segurança e inteligência e ferir outro. Eles foram condenados à morte em 15 de março de 2012.[12]
Respostas
- A Human Rights Watch divulgou um comunicado, dizendo que o governo iraniano deveria permitir a entrada da mídia internacional na área. Joe Stork, diretor da HRW para o Oriente Médio, afirmou: "O Irã tornou impossível confirmar a dimensão da violência mortal contra manifestantes na província de Khuzestan, tornando absolutamente essenciais investigações transparentes e independentes sobre supostos assassinatos e prisões.[13]
- A Amnistia Internacional exigiu numa reportagem que o governo iraniano "investigue confrontos entre forças de segurança e manifestantes" e "pediu que todos os detidos sejam protegidos contra tortura ou outros maus-tratos e que tenham acesso a suas famílias, advogados e tratamento médico adequado".[14]
- Segundo a Radio Free Europe/Radio Liberty e The Guardian, a laureada com o Prémio Nobel da Paz Shirin Ebadi enviou "uma carta à chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, na qual descreve uma repressão mortal das forças de segurança iranianas na semana passada contra um protesto pacífico na capital do Cuzistão, Ahvaz." Ativistas de direitos humanos disseram à RFE/RL que receberam relatos de que "houve mais de 150 prisões, incluindo vários intelectuais, artistas e ativistas dos direitos das mulheres." e que "o restante dos ativistas foi orientado a não falar com nenhuma organização de mídia."[15]
- Em junho de 2012, a União Europeia condenou as autoridades iranianas, após a execução iminente de cinco membros da minoria árabe de Ahvaz, no Irã, por "atual desrespeito aos direitos das minorias" e instou as autoridades em Teerã(o) permitiram que minorias "exercessem todos os direitos concedidos pela Constituição da República Islâmica do Irã e pelo direito internacional.[16]
Consequências humanas
Segundo o Al-Arabiya, 15 manifestantes árabes foram mortos em Cuzistão entre 15 e 18 de abril de 2011. [17] A laureada com o Prémio Nobel da Paz em 2003 Shirin Ebadi afirmou que "pelo menos 12 pessoas foram mortas" nos protestos, "20 feridas" e "dezenas foram presas". [18]
Segundo Joe Stork, vice-diretor para o Oriente Médio da Human Rights Watch, as operações de segurança na província de Cuzistão desde os protestos em abril de 2011 resultaram no maior número de mortes e feridos desde a repressão que se seguiu à contestada eleição presidencial de 2009.
Referências
- ↑ AL-YACOUB, Ikram (15 de junho de 2012). «European Parliament condemns Iran's violation of minorities' rights» [Parlamento Europeu condena a violação dos direitos das minorias pelo Irã]. Al Arabiya (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2026. Cópia arquivada em 11 de maio de 2023
- ↑ DEHGHAN, Saeed Kamali (13 de junho de 2012). «Iran Arab prisoners at risk of execution, Amnesty warns» [Prisioneiros árabes no Irã(o) em risco de execução, alerta Amnistia internacional]. The Guardian (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2026
- ↑ «In Depth | Iranian embassy siege | Six days of fear» [Em Profundidade: Cerco à embaixada iraniana: Seis dias de medo]. BBC News (em inglês). 26 de abril de 2000. Consultado em 14 de junho de 2026. Cópia arquivada em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ O'TOOLE, Pam (26 de abril de 2000). «In Depth | Iranian embassy siege | Iran and the hostage-takers".» [Em Profundidade: Cerco à embaixada iraniana: Irã e os sequestradores]. BBC News (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2026. Cópia arquivada em 30 de abril de 2026
- ↑ AJBAILI, Mustapha (16 de abril de 2011). «One dead in Ahwaz clash». Al Arabiya (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2026
- ↑ BENAZIZ, Ammar; TAYEL, Abeer (18 de abril de 2011). «Fifteen dead in Iran's Ahwaz» [Quinze mortos em Ahwaz, no Irã]. Al Arabiya (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2026. Cópia arquivada em 7 de maio de 2026
- ↑ «Iran: Calls To Investigate Reported Killings Of Demonstrators» [Irã: Apelos para Investigar Relatos de Assassinatos de Manifestantes]. Eurasia Review (em inglês). 29 de abril de 2011. ISSN 2330-717X. Consultado em 14 de junho de 2026. Cópia arquivada em 4 de julho de 2025
- ↑ HAIJAR, Roula (30 de abril de 2011). «IRAN: Outside the spotlight, Arab uprising smolders in country's southwest» [IRÃ: Fora dos holofotes, revolta árabe arde no sudoeste do país]. Los Angeles Times (em inglês). Consultado em 15 de junho de 2026. Cópia arquivada em 12 de junho de 2026
- ↑ «Iran: Calls To Investigate Reported Killings Of Demonstrators» [Irã: Apelos para Investigar Relatos de Assassinatos de Manifestantes]. Eurasia Review (em inglês). 29 de abril de 2011. ISSN 2330-717X. Consultado em 15 de junho de 2026. Cópia arquivada em 4 de julho de 2025
- ↑ «Iran: Arrest Sweeps Target Arab Minority» [Irã(o): Prisões Atacam Minoria Árabe]. United Nations High Commissioner for Refugees (em inglês). Baseado no relatório de Human Rights Watch. 7 de fevereiro de 2012. Consultado em 15 de junho de 2026
- ↑ «Iran: Arrest Sweeps Target Arab Minority» [Irã(o): Prisões Atacam Minoria Árabe]. United Nations High Commissioner for Refugees (em inglês). Baseado no relatório de Human Rights Watch. 7 de fevereiro de 2012. Consultado em 15 de junho de 2026
- ↑ AL-YACOUB, Ikram (15 de junho de 2012). «European Parliament condemns Iran's violation of minorities' rights» [Parlamento Europeu condena a violação dos direitos das minorias pelo Irã]. Al Arabiya (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2026. Cópia arquivada em 11 de maio de 2023
- ↑ «Iran: Investigate Reported Killings of Demonstrators» [Irã: Investiga Relatos de Assassinatos de Manifestantes]. Human Rights Watch (em inglês). 29 de abril de 2011. Consultado em 15 de junho de 2026. Cópia arquivada em 14 de junho de 2026
- ↑ «Iran Arab minority protest deaths must be investigated» [Mortes em protestos de minorias árabes no Irã(o) devem ser investigadas]. Amnistia Internacional (em inglês). 19 de abril de 2011. Consultado em 15 de junho de 2026. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ ESFANDIARI, Golnaz (19 de abril de 2011). «Iran's Nobel Laureate Ebadi Warns Of Unrest Among Ethnic Arabs In Iran» [A laureado com o Nobel do Irã(o), Ebadi, alerta sobre distúrbios entre árabes étnicos no Irã]. Radio Free Europe (em inglês). Consultado em 15 de junho de 2026. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2025
- ↑ AL-YACOUB, Ikram (15 de junho de 2012). «European Parliament condemns Iran's violation of minorities' rights» [Parlamento Europeu condena a violação dos direitos das minorias pelo Irã]. Al Arabiya (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2026. Cópia arquivada em 11 de maio de 2023
- ↑ BENAZIZ, Ammar; TAYEL, Abeer (18 de abril de 2011). «Fifteen dead in Iran's Ahwaz». Al Arabiya (em inglês). Consultado em 15 de junho de 2026. Cópia arquivada em 7 de maio de 2026
- ↑ DEHGHAN, Saeed Kamali (18 de abril de 2011). «Iranian Sunni protesters killed in clashes with security forces» [Manifestantes sunitas iranianos mortos em confrontos com forças de segurança]. The Guardian (em inglês). Consultado em 15 de junho de 2026
