O facto da Ponte Luís I, inaugurada a 31 de Outubro de 1886, ter um tabuleiro a uma cota superior, abrigou à abertura, na margem sul, de uma nova via de acesso. No entanto, a existência no local do morro da Serra do Pilar impossibilitou que fosse imediatamente rasgada uma ampla avenida. Em vez disso, a via começou por contornar o morro, após o que seguia um trajecto rectilíneo até à actual Rua de Luís de Camões, na época estrada de ligação a Oliveira de Azeméis.
A instalação da linha do eléctrico, em 1905, a partir do Porto, obrigou ao rasgamento de uma trincheira em pleno morro da Serra do Pilar, alinhada com o traçado da via que seguia para sul, na época designada Avenida de Campos Henriques. No entanto, a metade oeste do morro só seria completamente arrasada em 1927, construindo-se no seu lugar o Jardim do Morro.
A Avenida de Campos Henriques foi sendo prolongada para sul e sofrendo melhoramentos sucessivos. A importância crescente do local levou a que, em 1914, a câmara municipal tenha decido transferir-se da antiga Rua Direita (hoje Rua de Cândido dos Reis), para o cruzamento entre a avenida e a Rua de Álvares Cabral, inaugurando-se uns novos paços do concelho em 1925. O valor imobiliário dos terrenos que circundavam a avenida foi crescendo continuamente, levando à construção de numerosas casas apalaçadas rodeadas de jardins, especialmente na zona norte da avenida, mais próxima da cidade do Porto.
Se o Porto é uma cidade típica, o seu habitante também o é, como nenhum outro em Portugal. Lisboa tem uma população mista que facilmente se dispersa e dissolve. A população do Porto é homogénea e o seu traço característico é a solidariedade.
O chamado Kinematógrafo Português – designação usada por Paz dos Reis para referir o cinematógrafo inventado pela família Lumière – foi apresentado em sessão pública no Porto, junto com outros onze «quadros», sete nacionais e onze estrangeiros, no Teatro do Príncipe Real, mais tarde chamado Teatro Sá da Bandeira, no dia 12 de Novembro de 1896. Eram filmes com a duração de cerca de um minuto.
...a Inquisição funcionou no Porto apenas durante dois anos e só realizou um auto-de-fé? Devido ao seu velho e consistente passado judaico e devido a essa herança estrutural 'marrana' do Porto, inconsciente mas pressentida e intuitiva, fez também da Igreja Católica do Porto uma voz de liberdade no tempo da ditadura corporativa de António de Oliveira Salazar (D. António Ferreira Gomes, na altura coadjuvado por D. Domingos de Pinho Brandão, teve de partir para o exílio), ditadura que foi gerada e suportada a partir de Lisboa, tal como a Inquisição. O território cripto-judaico/marrano/cristão-novo é o território do Norte de Portugal e da Galiza. Essa voz singular de liberdade económica e religiosa, ao longo dos séculos, é um indicador forte da idiossincrasia social do Porto, a cidade que mais se aproxima do temperamento da poupança e do trabalho da Cultura Judaica e do Judaísmo, e que a torna "a cidade mais europeia" de Portugal, de cidadãos burgueses, onde pode melhor se pode verificar o velho adágio centro-europeu de sabor protestante, que recupera o espírito de 'nação' judaico, que gerou o livre jogo do capitalismo e da economia de mercado: "Stadtluft macht frei" ("O ar da cidade liberta").
...a partir de 1964 o Vinho do Porto foi autorizado a viajar por estrada do Alto Douro até às caves localizadas em Vila Nova de Gaia?
...o Parque Paleozóico de Valongo mantém os registos fossilizados de organismos primitivos, como as trilobites, os graptólitos e os braquiópodes, que viveram há mais de 500 milhões de anos, quando a região se encontrava submersa por mares pouco profundos?
...que os estudos científicos mais recentes demonstram, cada vez mais, que as mais antigas e consistentes raízes judaicas dos portugueses, milenares, anteriores à nacionalidade, encontram-se na região do Entre-Douro-e-Minho, protagonizada pelo Porto, território actual do Grande Porto e da Grande Área Metropolitana do Porto, nas famílias brasonadas e senhoriais, famílias troncais dos morgadios, proprietárias de terra foreira, facto comprovado pelo tipo de sobrenomes familiares, sendo quase todos decalques e aglomerados de partículas fonéticas, morfológicas e sintácticas do hebraico antigo e do hebraico, sendo esta a região portuguesa que tem, muito de longe, a idiossincrasia social que mais se aproxima da Cultura Judaica e do Judaísmo, que é uma cultura autóctone? Que muitas das antigas sinagogas deram origem às congregações, irmandades e Igrejas da Misericórdia, no Noroeste Peninsular, igrejas cripto-judaicas, apesar de algumas sinagogas terem mantido, durante muito tempo, a sua identidade religiosa ortodoxa intacta, em Matosinhos, Barcelos ou Viana do Castelo, ligadas a essas famílias senhoriais?
...que, no espaço urbano da cidade do Porto, existiram pelo menos quatro judiarias (com sinagoga) estruturadas, antes da conversão forçada por ordem de D. Manuel I? A primeira conhecida ficava no Bairro da Sé, na actual Rua de Santana, que, na época, se chamava Rua das Aldas (também tinha sido chamada de Rua da Sinagoga), que, no tempo de D. Afonso V, iria até à Rua Chã, antiga Rua Chã das Eiras. A segunda, localizava-se no Postigo dos Banhos, na zona da Praça do Infante, do Largo de S. Domingos, da Rua de Belmonte e da então Rua da Munhata, que, por vezes, também aparece grafada Minhota, actual Rua do Comércio do Porto. Em termos temporais, os judeus do Porto estiveram nesta judiaria durante 6 anos, de 1380 a 1386, ano em que D. João I solicitou à Câmara do Porto que instalasse os judeus dentro dos muros da cidade. A terceira, a sinagoga de Monchique, existiu no bairro de Monchique, em Miragaia, fundada pelo rabino Don Yahuda Ibn Maner. Em 1386, quando o espaço da antiga judiaria de Monchique já se tornara escasso para conter todos os judeus da cidade, D. João I mandou a Câmara do Porto assinalar um lugar apartado, dentro dos muros da cidade, para construir uma nova judiaria. Foi escolhido o sítio do Olival: a Judiaria Nova do Olival, que é quarta. Em 1492, quando da expulsão dos judeus de Castela, o rei português negociou com o rabino Isaac Aboab, "gaon" de Castela, o estabelecimento de 30 famílias judaicas, na judiaria do Olival. O rabino Aboab tinha aí a sua sinagoga, situada no topo das escadas, que se chamavam então "Escadinhas da Esnoga" (designação de sinagoga em português e espanhol arcaicos, bem como em ladino). Recentemente, foi encontrada uma "arca sagrada" (onde se guardam os rolos da Torá), por detrás de uma parede dupla de uma casa na Rua de S. Miguel, 9, no Porto.