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Parábolas de Jesus
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As Parábolas de Jesus são narrativas breves, dotadas de um conteúdo alegórico, utilizadas nas pregações e sermões de Jesus com a finalidade de transmitirem ensinamento.
Quanto à sua definição exata, a parábola pode ser uma narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca outra realidade de ordem superior[1] ou uma espécie de alegoria apresentada sob forma de uma narração, relatando fatos naturais ou acontecimentos possíveis, sempre com o objetivo de declarar ou ilustrar uma ou várias verdades.[2]
Na Bíblia
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As parábolas são apresentadas no Antigo Testamento da Bíblia II Samuel 12: e Isaías 5:1–7, nas literaturas rabínicas e no Novo Testamento.[3][4]
Nos Evangelhos sinópticos, as parábolas e ditos parabólicos proferidos por Jesus somam em torno de 40, ou seja, representam a terça parte de todas as palavras dele que foram registradas nas quatro biografias, de acordo com alguns estudiosos, tornando as parábolas uma importante característica do discurso de Jesus.
Jesus utiliza-se das parábolas para transmitir ensinamentos profundos. A despeito disso, a maioria delas sempre é marcada pela simplicidade e brevidade. Poucas delas são longas, como acontece com a Parábola dos Talentos (Mateus 25:14–30) ou a Parábola do Filho Pródigo (Lucas 11:32).
Embora, em alguns casos, Jesus transmitia a palavra de outras formas. — a Parábola dos dez mil talentos, uma soma astronômica de dinheiro — ou implicações alegóricas – maus vinicultores, que necessita de interpretação — ou ainda símiles e metáforas. As parábolas de Jesus são sempre tiradas da realidade do mundo cultural e social em que ele vivia, contadas com o propósito de transmitir verdades espirituais. É importante observar que as parábolas de Jesus são compreendidas a partir do momento que existe disposição interior para compreender o próprio Mestre.[5]
Jesus ministrava sua mensagens com facilidade em todos os níveis sociais. Ele tinha conhecimento das mais diversas áreas da sociedade e sabia quais eram as suas necessidades. Conhecia os fariseus e os peritos na lei. Por meio de suas parábolas Jesus levou aos seus ouvintes a mensagem de salvação, conclamava a se arrependerem e a crerem. Aos crentes, desafiava-os a porem a fé em prática, exortando seus seguidores à vigilância. Quando seus discípulos tinham dificuldade para entender as parábolas, Jesus interpretava.[6]
Temas e classificação
As Parábolas são divididas em 3 classes:[7]
- Parábolas verídicas – a ilustração é tirada da vida diária, portanto seu ensino pode ser reconhecido de forma universal. Ex.: os meninos que brincam na praça (Mateus 11:16–19; Lucas 7:31–32); a ovelha separada do rebanho (Parábola da Ovelha Perdida)); uma moeda perdida numa casa (Parábola da Dracma Perdida).
- Parábolas em forma de histórias – refere-se a acontecimentos passados que são centralizados diretamente em uma pessoa. Ex.: o mordomo sagaz que endireitou a sua situação depois de ter esbanjado o patrimônio do seu senhor (Parábola do Mordomo Infiel); o juiz que acabou finalmente administrando justiça como respostas às repetidas súplicas de uma viúva (Parábola do Juiz Iníquo).
- Ilustrações – são histórias que focalizam exemplos a serem imitados. Ex.: a Parábola do Bom Samaritano.
O Reino de Deus é um tema recorrente nas parábolas de Jesus. Ele estava implantando um novo Reino espiritual e todo seu enfoque estava na manifestação desse Reino, por isso muitos não o compreendiam (Mateus 13:13) por estarem com seus corações endurecidos, cheios de incredulidade.
Jesus proferiu várias parábolas referindo-se diretamente ao Reino de Deus e que, freqüentemente, revelam uma perspectiva escatológica: as sete parábolas do "Discurso das Parábolas" em Mateus 13, a Parábola do Banquete de Casamento, a Parábola das Dez Virgens e a Parábola dos Talentos.
Ditos Parabólicos
Há também vários ditos parabólicos breves e sábios que podem ter sido circulado como provérbios nos dias de Jesus: "Médico, cura-te a ti mesmo" (Lucas 4:23); "Pode porventura um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?" (Lucas 6:39).
O Sermão da Montanha
- O Sal da terra (Mateus 5:13; Marcos 9:49–50; Lucas 14:34–35)
- A Luz do mundo (Mateus 5:14; Marcos 4:21; Lucas 8:16)
- Dos Tesouros (Mateus 6:19; Lucas 12:33–34)
- O Olho São (Mateus 6:22–23; Lucas 11:34)
- As Aves do Céu e os Lírios do Campo (Mateus 6:26; Lucas 12:24–48)
- Não podes servir a dois senhores (Mateus 6:24; Lucas 16:13)
- O Argueiro no olho (Mateus 7:3–5; Lucas 6:41–42)
- Da Profanação daquilo que é santo (Mateus 7:6)
- As Duas Estradas (Mateus 7:13–14; Lucas 13:23–24)
- Os Lobos disfarçados em ovelhas e “Pelos seus frutos...” (Mateus 7:15–20)
- A Casa edificada na rocha (Mateus 7:24–27; Lucas 6:47)
O Ministério na Galileia
Primeiro período
- Vinho Novo em Odres Velhos (Mateus 9:14–17; Marcos 2:18–22; Lucas 5:33–39)
- A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos (Mateus 9:35–38; Marcos 6:6–34; Lucas 8:1; João 4:35)
- Dois devedores (Lucas 7:36–50)
- O Sinal de Jonas (Mateus 12:38–42; Mateus 16:1–4; Marcos 8:11–12; Lucas 11:16; João 6:40)
- Os verdadeiros parentes de Jesus (Mateus 12:46–50; Marcos 3:20–21; Lucas 8:19)
Discurso das Parábolas
As parábolas a seguir são conhecidas como Discurso das Parábolas:
- A Parábola do Semeador (Mateus 13:1–9; Marcos 4:1–9; Lucas 8:4–8)
- A Razão do falar em parábolas (Mateus 13:10–17; Marcos 4:10; Lucas 8:9–10; João 9:39)
- Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (Mateus 11:15; Marcos 4:8–23; Lucas 8:8)
- A semente (Marcos 4:26–29)
- O Trigo e o joio (Mateus 13:24–30)
- Parábola do grão de mostarda (Mateus 13:31–32; Marcos 4:30; Lucas 13:18–19)
- Parábola O Fermento (Mateus 13:33; Lucas 13:20–21)
- Por que Jesus falou por parábolas (Mateus 13:34; Marcos 4:33–34)
- Parábola da Pérola (Mateus 13:45–46)
- O tesouro Escondido (Mateus 13:44)
- A Parábola da Rede (Mateus 13:47–50)
- Tesouros velhos e novos (Mateus 13:51–52)
No Caminho de Jerusalém
- O Bom Samaritano (Lucas 10:29–37)
- Amigo Importuno (Lucas 11:5–8)
- A Luz (Lucas 11:33; Mateus 5:15; Marcos 4:21)
- O Olho bom (Lucas 11:34; Mateus 6:22–23)
- Do Rico Insensato (Lucas 12:13–21)
- A Parábola da Figueira Estéril (Lucas 13:1–9)
- Contando o Custo (Lucas 14:28–33)
- A Ovelha perdida (Mateus 18:10–14; Lucas 15:1–7)
- O Credor Incompassivo (Mateus 18:23–35)
- A Dracma perdida (Lucas 15:8)
- O Filho Pródigo (Lucas 15:11–32)
- O Mordomo Infiel (Lucas 16:1–13)
- Parábola do Rico e Lázaro (Lucas 16:19–31)
- Servo Inútil (Lucas 17:7–10)
- O Juiz iníquo (Lucas 18:1–8)
- O Fariseu e o publicano (Lucas 18:9–14)
O Ministério na Judeia
O Ministério Final em Jerusalém
- Os Dois filhos (Mateus 21:28–32)
- Os Lavradores maus (Mateus 21:33–46; Marcos 12:1–12; Lucas 20:9–19)
- As Bodas (Mateus 22:1–14)
- Parábola da viúva pobre (Mateus 12:41–44; Lucas 21:1–4)
- A Figueira (Mateus 24:32–36; Marcos 13:28–32; Lucas 21:29–33)
- O Dilúvio, a vigilância e o ladrão de noite (Mateus 24:37–44; Lucas 17:26–36; Lucas 12:39–40)
- O Bom servo e o mau servo (Mateus 24:45–51; Lucas 12:41–46)
- As Dez virgens (Mateus 25:1–13)
- A Exortação à vigilância (Mateus 25:13; Marcos 13:33–37; Lucas 19:19–20)
- As Ovelhas e Bodes (Mateus 25:31–46)
Os Discursos no Evangelho de João
O ensino de Jesus no quarto Evangelho apresenta-se em discursos e diálogos que, mesmo assim, empregam a linguagem figurada parabólica.
- O Novo nascimento (João 3:1–36)
- A Água da Vida (João 4:1–42)
- O Filho (João 5:19–47)
- O Pão da Vida (João 6:22–66)
- O Espírito vivificante (João 7:1–52)
- A Luz do Mundo (João 8:12–59)
- O Bom Pastor (João 10:1–42)
- O Discurso de despedida (de João 14 até João 17), que inclui os ditos acerca da casa do Pai (João 14:2), do caminho (João 14:6), A Videira (João 15:1–16) e das dores de parto (João 16:2).
Referências
- ↑ Dicionário Aurélio - pág. 513
- ↑ (LUND/P, E.; NELSON, C. – Hermenêutica – Ed. Vida – pág. 81)
- ↑ Barbara Reid, 2001 Parables for Preachers ISBN 0814625509 page 3
- ↑ Arland J. Hultgren, 2002 The Parables of Jesus ISBN 080286077X page 2
- ↑ William Barclay, 1999 The Parables of Jesus ISBN 066425828X pages 12.
- ↑ Donald L. Griggs, 2003 The Bible from scratch ISBN 0664225772 page 52
- ↑
"Parables" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.: "There are no parables in St. John's Gospel" e o artigo da Encyclopædia Britannica sobre o Evangelho de São João Arquivado em 23 de janeiro de 2013, no Wayback Machine.: "Here Jesus' teaching contains no parables and but three allegories, the Synoptists present it as parabolic through and through."
Bibliografia
- Barclay, William, 1999. The Parables of Jesus ISBN 066425828X
- Lisco, Friedrich Gustav and Fairbairn, Patrick , 1850. The Parables of Jesus Daniels and Smith Publishers, Philadelphia
- Pentecost, J. Dwight , 1998. The parables of Jesus: lessons in life from the Master Teacher ISBN 0825434580
- Oxenden, Ashton, 1864. The parables of our Lord William Macintosh Publishers, London.
- Schottroff, Luise, 2006. The parables of Jesus ISBN 0800636996
- Snodgrass, Klyne, 2008. Stories with Intent: A Comprehensive Guide to the Parables of Jesus William B Eerdmans Publishing Co
- Sumner, John Bird, 1850. The parables of our lord and saviour Jesus Christ C. Cox Publishers, London.
- Theissen, Gerd and Merz, Annette, 1996. The Historical Jesus: A Comprehensive Guide Fortress Press, Minneapolis ISBN 0800631226
- Trinder, William Martin, 1816. Sermons on the parables of Jesus Christ" Baldwin, Cradock and Joy Publishers, London.
Ligações externas
"Parable" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.- Este artigo incorpora texto da Enciclopédia Judaica (Jewish Encyclopedia) (em inglês) de 1901–1906 (artigo "Parable"), uma publicação agora em domínio público.
- «Lista das parábolas bíblicas» (em inglês)
- «Lista das parábolas bíblicas» (em inglês)
- «From Jesus to Christ: The Parables» (em inglês). PBS: Frontline
- «Estudos das Parábolas de Jesus»



