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Pancurônio
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Pancurônio | |
Nome IUPAC (sistemática) | |
Identificadores | |
| 16974-53-1 | |
| M03AC01 | |
| 441289 | |
| DB01337 | |
Informação química | |
| C35H60N2O4 | |
| 572,86 g/mol | |
Farmacocinética | |
| aproximadamente 87% | |
| parcial, com formação de metabólitos hidroxilados | |
| 89–161 minutos | |
| renal e biliar | |
Considerações terapêuticas | |
| intravenosa | |
O pancurônio, administrado clinicamente na forma de brometo de pancurônio, é um bloqueador neuromuscular não despolarizante de longa duração pertencente ao grupo dos aminosteroides. Atua na junção neuromuscular, produzindo relaxamento e paralisia da musculatura esquelética.[1]
Na medicina, é utilizado como adjuvante da anestesia geral, para facilitar a intubação traqueal e proporcionar relaxamento muscular durante cirurgias ou ventilação mecânica. O pancurônio não produz perda de consciência nem analgesia, motivo pelo qual sua administração deve ser acompanhada de anestesia ou sedação adequadas.[2]
O uso clínico do pancurônio diminuiu após a introdução de bloqueadores neuromusculares de duração intermediária, como vecurônio, rocurônio, atracúrio e cisatracúrio. Entre os fatores associados a essa substituição estão sua longa duração de ação e sua eliminação predominantemente renal.[1]
Propriedades químicas
O pancurônio é um composto de amônio bisquaternário derivado de uma estrutura esteroidal. Sua fórmula molecular é C35H60N2O4 e sua massa molecular é de aproximadamente 572,86 g/mol. O brometo de pancurônio, utilizado nas formulações farmacêuticas, apresenta dois íons brometo associados ao cátion de pancurônio.[3][4]
Mecanismo de ação
O pancurônio atua como antagonista competitivo da acetilcolina nos receptores nicotínicos de acetilcolina localizados na placa motora. Sua ligação aos receptores impede a abertura dos canais iónicos e a despolarização da membrana muscular, interrompendo a transmissão neuromuscular e produzindo paralisia flácida.[1]
Como não atravessa de forma significativa a barreira hematoencefálica, não possui efeito conhecido sobre a consciência, a percepção da dor ou outras funções cerebrais. A recuperação do bloqueio pode ocorrer espontaneamente ou ser favorecida por inibidores da acetilcolinesterase, como neostigmina, piridostigmina e edrofônio, geralmente administrados com um agente antimuscarínico.[2]
Usos médicos
O brometo de pancurônio é administrado por via intravenosa como adjuvante da anestesia geral. Suas indicações incluem facilitar a intubação traqueal e manter o relaxamento da musculatura esquelética durante procedimentos cirúrgicos ou ventilação mecânica.[2]
Por causar paralisia dos músculos respiratórios, deve ser administrado por profissionais com experiência no uso de bloqueadores neuromusculares. Equipamentos para intubação, ventilação artificial e oxigenoterapia devem permanecer disponíveis durante sua utilização. O grau do bloqueio e a recuperação podem ser avaliados por meio da estimulação de nervos periféricos.[2]
Farmacocinética
A meia-vida de eliminação do pancurônio situa-se entre 89 e 161 minutos. Aproximadamente 40% da dose administrada é recuperada na urina na forma inalterada ou como metabólitos, enquanto cerca de 11% é eliminada pela bile. O principal metabólito ativo é o 3-hidroxipancurônio, que apresenta aproximadamente metade da atividade bloqueadora do composto original.[2]
Em pessoas com insuficiência renal, a meia-vida de eliminação pode duplicar e a depuração plasmática pode ser reduzida em cerca de 60%, prolongando a recuperação do bloqueio neuromuscular. Alterações hepáticas ou obstruções das vias biliares também podem aumentar a duração do efeito.[2]
Efeitos adversos e precauções
O principal risco associado ao pancurônio é o prolongamento do bloqueio neuromuscular além do período necessário. Esse efeito pode variar de fraqueza muscular residual até paralisia profunda, insuficiência respiratória e apneia. O uso prolongado em unidades de terapia intensiva também foi associado a casos de paralisia e fraqueza muscular persistentes.[2]
Entre seus efeitos cardiovasculares estão elevações moderadas da frequência cardíaca, da pressão arterial média e do débito cardíaco. Também foram relatadas, com menor frequência, erupções cutâneas, broncoespasmo, hipotensão e reações de hipersensibilidade. Reações anafiláticas graves e potencialmente fatais foram registradas após o uso de bloqueadores neuromusculares, incluindo o pancurônio.[2]
Pessoas com miastenia gravis, síndrome miastênica de Lambert–Eaton, doenças renais, hepáticas ou biliares podem apresentar respostas mais intensas ou prolongadas ao medicamento.[2]
Uso em protocolos de execução
O brometo de pancurônio foi utilizado historicamente em protocolos de injeção letal nos Estados Unidos. Entre 2001 e 2003, as execuções realizadas pelo governo federal utilizaram uma sequência composta por tiopental sódico, brometo de pancurônio e cloreto de potássio. O protocolo federal foi posteriormente substituído por um método baseado em um único medicamento.[5]
Nessa sequência, o pancurônio funcionava como agente paralisante, suprimindo os movimentos da musculatura esquelética e interrompendo a respiração pela paralisia do diafragma.[6]
Referências
Referências
- 1 2 3 Das, Gyan N.; Sharma, Piyush; Maani, Christopher V. (8 de agosto de 2023). «Pancuronium». StatPearls (em inglês). Treasure Island: StatPearls Publishing. Consultado em 29 de julho de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «PAVULON (pancuronium bromide) injection» (PDF) (em inglês). U.S. Food and Drug Administration. Novembro de 2010. Consultado em 29 de julho de 2026
- ↑ «Pancuronium» (em inglês). PubChem, National Center for Biotechnology Information. Consultado em 29 de julho de 2026
- ↑ «Pancuronium Bromide» (em inglês). PubChem, National Center for Biotechnology Information. Consultado em 29 de julho de 2026
- ↑ «Review of the Federal Execution Protocol Addendum and Manner of Execution» (em inglês). United States Department of Justice. 8 de janeiro de 2025. Consultado em 29 de julho de 2026
- ↑ «Arthur v. Dunn» (em inglês). Legal Information Institute, Cornell Law School. 21 de fevereiro de 2017. Consultado em 29 de julho de 2026
