BRZEN
Ouvido interno
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Ouvido interno | |
|---|---|
| Detalhes | |
| Vascularização | artéria labiríntica |
| Identificadores | |
| Latim | auris interna |
| Gray | pág.1047 |
| MeSH | Inner+ear |
A orelha interna (também denominada ouvido interno) [1]é a parte mais profunda da orelha que fica localizada na porção petrosa do osso temporal. É composta por uma série de cavidades que constituem o labirinto ósseo, preenchido por perilinfa, e pelo labirinto membranoso, preenchido por endolinfa. O labirinto ósseo na sua porção anterior localiza-se a cóclea; medialmente, o vestíbulo; e posteriormente, os canais semicirculares.[2][3][4][5][6]
Anatomia
Labirinto Ósseo
Na parte interna do labirinto ósseo está contido o labirinto membranoso. O espaço entre os labirintos é preenchido por um líquido rico em sódio e pobre em potássio, a perilinfa. Enquanto isso, no labirinto membranoso está a endolinfa, rica em potássio e pobre em sódio.[7]
Cóclea
A cóclea [8]é responsável pela audição, realizando a conversão das vibrações mecânicas em impulsos nervosos por meio das células ciliadas do órgão de Corti. Ela é uma estrutura com formato semelhante ao de uma concha de caracol, formada por, aproximadamente, duas voltas e dois terços de volta. Em sua região central há o modíolo, um eixo ósseo, com canais para a passagem de ramos nervosos e vasculares.[5]

A cóclea apresenta três compartimentos longitudinais: a rampa vestibular, rampa timpânica e a rampa média (ducto coclear). A rampa média ( ou ducto coclear) é delimitada por duas membranas, a membrana vestibular (ou de Reissner) e a membrana basilar. É ao longo desse ducto, apoiado sobre a membrana basilar, que se localiza o órgão de Corti[5]. O órgão de Corti contém células ciliadas internas e externas responsáveis pela transdução mecanoelétrica dos estímulos sonoros.
Vestíbulo
O vestíbulo firma contato com a orelha média por meio da janela vestibular. No interior do vestíbulo estão o sáculo e o utrículo do labirinto membranoso. Essas estruturas participam da percepção da aceleração linear e da posição da cabeça em relação à gravidade. Além disso, nessas estruturas é possível encontrar um espessamento em uma das paredes que é a mácula. A mácula é formada por células sensoriais e de sustentação. Sobre elas está a membrana otolítica que contém os otólitos, com função de estimular as células ciliadas destas estruturas.[7]
Canais Semicirculares
Os canais semicirculares são um componente do labirinto ósseo e são responsáveis pela detecção das acelerações angulares da cabeça, contribuindo para a manutenção do equilíbrio corporal. Eles possuem comunicação com o vestíbulo, sendo dispostos de maneira perpendicular. No interior dos canais semicirculares encontram-se os ductos semicirculares membranosos. Em uma de suas extremidades, cada ducto apresenta uma dilatação que recebe o nome de ampola [9]. Cada ampola possui uma crista ampular, estrutura neuroepitelial formada por células ciliadas sensoriais e de sustentação. Os estereocílios das células ciliadas estão imersos na cúpula, uma estrutura gelatinosa cuja deformação; provocada pelo movimento da endolinfa, promove estimulação desses estereocílios.[10]
Fisiologia
O último osso da cadeia ossicular, o estribo, está acoplado a uma fina membrana chamada de janela oval. A janela oval é na realidade uma entrada para a orelha interna, que contém o órgão da audição, a cóclea.[11][12] Quando o osso estribo move, a janela oval move com ele. No outro lado da janela oval está a cóclea, um canal em forma de caracol preenchido por líquidos e, quando as ondas sonoras chegam à cóclea provenientes da orelha média, através da janela oval, são transformadas em impulsos elétricos. Esses impulsos, por sua vez, ativam o órgão de Corti [13], responsável pela transformação das ondas de compressão em impulsos nervosos que são enviados ao cérebro para serem interpretados. A cóclea é preenchida por um líquido chamado perilinfa, agitado pelos movimentos da janela oval e, dentro da cóclea, o órgão de Corti é formado por milhares de células ciliadas, colocadas em movimento toda vez que o líquido é movimentado. As células ciliadas na cóclea, estabelecem conexão funcional com fibras do nervo auditivo e dependendo da natureza dos movimentos, no fluído coclear, diferentes fibras dos cílios são colocadas em movimento. O nervo auditivo, desse modo, consiste em um feixe de fibras nervosas responsável por conduzir informações da cóclea ao cérebro.
A estimulação destas células, por sua vez, causa impulsos elétricos enviados para o cérebro. Os impulsos elétricos representam a quarta mudança na mensagem sonora de uma energia para a outra: da energia acústica das ondas sonoras entrando na orelha, para a energia elétrica dos impulsos que viajam para o cérebro.
A orelha interna também contém um órgão muito importante que está na verdade conectado com a cóclea, mas que não contribui para o nosso sentido da audição, o sistema vestibular.[14] Formado por três pequenos canais semicirculares, que nos ajudam a manter o equilíbrio e auxiliar na visão, já que as suas rotações precisam ser compensadas para podermos ter uma visão clara, sem ser borrada. É através dele que se pode saber, por exemplo, quando se está com o corpo inclinado mesmo estando de olhos vendados. Problemas com os canais semicirculares podem resultar em sintomas como a vertigem.
Ver também
Referências
- ↑ Khan, Sarah; Chang, Richard (21 de maio de 2013). Greenwald, Brian D.; Gurley, James M., eds. «Anatomy of the vestibular system: A review». NeuroRehabilitation. 32 (3): 437–443. doi:10.3233/NRE-130866
- ↑ Rask-Andersen, Helge; Liu, Wei; Erixon, Elsa; Kinnefors, Anders; Pfaller, Kristian; Schrott-Fischer, Annelies; Glueckert, Rudolf (novembro de 2012). «Human Cochlea: Anatomical Characteristics and their Relevance for Cochlear Implantation». The Anatomical Record: Advances in Integrative Anatomy and Evolutionary Biology. 295 (11): 1791–1811. PMID 23044521. doi:10.1002/ar.22599
- ↑ Torres, M., Giráldez, F. (1998) The development of the vertebrate inner ear. Mechanisms of Development, 71(1-2), páginas 5-21
- ↑ J.M. Wolfe et al. (2009). Sensation & Perception. 2.ª ed. Sunderland: Sinauer Associated Inc
- 1 2 3 BOÉCHAT, o Edilene Marchini (2015). Tratado de Audiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. pp. 32–40. ISBN 978-85-277-2744-0 Verifique
|isbn=(ajuda) soft hyphen character character in|isbn=at position 4 (ajuda) - ↑ RUSSO; SANTOS, I.C.AP.; T.M.M. (2011). A prática da audiologia clínica. São Paulo: Cortez
- 1 2 Pickles, James O. (2015). «Auditory pathways». Elsevier (em inglês): 3–25. ISBN 978-0-444-62630-1. doi:10.1016/b978-0-444-62630-1.00001-9. Consultado em 14 de março de 2025
- ↑ Hrncirik, Filip; Roberts, Iwan; Sevgili, Ilkem; Swords, Chloe; Bance, Manohar (julho de 2023). «Models of Cochlea Used in Cochlear Implant Research: A Review». Annals of Biomedical Engineering (em inglês). 51 (7): 1390–1407. ISSN 0090-6964. PMC 10264527
. PMID 37087541. doi:10.1007/s10439-023-03192-3 - ↑ Zhou, Mi; Mao, Jiesheng; Yang, Xiaokai (4 de julho de 2024). «The spatial orientation of crista ampullaris: implications for BPPV diagnosis and treatment». Frontiers in Neurology. 15. ISSN 1664-2295. PMC 11256863
. PMID 39026586. doi:10.3389/fneur.2024.1401041 - ↑ Spoor, Fred; Garland, Theodore; Krovitz, Gail; Ryan, Timothy M.; Silcox, Mary T.; Walker, Alan (26 de junho de 2007). «The primate semicircular canal system and locomotion». Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (26): 10808–10812. ISSN 1091-6490. PMC 1892787
. PMID 17576932. doi:10.1073/pnas.0704250104. Consultado em 14 de março de 2025 - ↑ Pickles, James O. (2015). «Auditory pathways». Elsevier (em inglês): 3–25. ISBN 978-0-444-62630-1. doi:10.1016/b978-0-444-62630-1.00001-9. Consultado em 14 de março de 2025
- ↑ Hudspeth, A.J (novembro de 1997). «How Hearing Happens». Neuron (em inglês) (5): 947–950. doi:10.1016/S0896-6273(00)80385-2. Consultado em 14 de março de 2025
- ↑ Giese, Dina; Li, Hao; Liu, Wei; Staxäng, Karin; Hodik, Monika; Ladak, Hanif M.; Agrawal, Sumit; Schrott‐Fischer, Anneliese; Glueckert, Rudolf; Rask‐Andersen, Helge (agosto de 2024). «Microanatomy of the human tunnel of Corti structures and cochlear partition‐tonotopic variations and transcellular signaling». Journal of Anatomy (em inglês). 245 (2): 271–288. ISSN 0021-8782. PMC 11259753
. PMID 38613211. doi:10.1111/joa.14045 - ↑ Sauvage, Jean-Pierre (5 de março de 2018). Reabilitação vestibular: guia prático. Hélène Grenier. [S.l.]: Thieme Revinter

