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Moda na década de 1920
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A moda na década de 1920 passou por uma modernização. A moda feminina continuou a evoluir, afastando-se das restrições dos papéis de gênero e dos estilos tradicionais da era vitoriana. As mulheres usavam roupas mais folgadas, que revelavam mais os braços e as pernas, uma tendência que havia começado pelo menos uma década antes com o aumento do comprimento das saias até o tornozelo e a transição do espartilho em forma de S para a silhueta colunar da década de 1910. Os homens também começaram a usar trajes diários menos formais, e as roupas esportivas, ou "roupas esportivas", tornaram-se parte da moda convencional pela primeira vez.
Contexto histórico da década de 20
A moda dos anos 20 surge como reflexo de acontecimentos históricos que marcaram o século XX, como a Primeira Guerra Mundial, que ocorreu entre 1914 e 1918. Esse conflito acarretou em grandes transformações sociais e culturais que se estenderam até depois desse período, como as regras e tradições da Europa ocidental por todo o mundo.[1]
No cenário de reconstrução pós-guerra, os ideais de liberdade e inovação cresciam à medida que a industrialização e a modernização aumentavam nas cidades, as pessoas adquiriram um modo de vida mais urbano e acelerado. As mulheres tiveram seu papel na sociedade ocidental visto de forma diferente[1], com o aumento de sua presença em cargos que em momentos anteriores só seriam destinados a homens, conquistando mais independência financeira e social, se comparado à períodos anteriores, como o século XIX.
Para a disseminação dessas novas ideias da época, meios de comunicação como o rádio e o cinema foram essenciais para transmiti-las em larga escala. Quanto mais o mundo do entretenimento e da moda se aproximavam, mais a valorização das tendências do período se consolidaram. A moda se torna um espelho de tudo que essa nova sociedade pensa e age, desde os tecidos leves e práticos para as atividades do dia a dia agitado, até a fabricação de novos produtos para as novas necessidades dessas pessoas.
Moda feminina e masculina

A moda feminina dos anos 20 foi marcada por uma segunda revolução na aparência, liderada por estilistas como Coco Chanel e Jean Patou, que repudiaram o luxo vistoso em favor de uma estética de sobriedade e conforto. O espartilho foi definitivamente suprimido, permitindo uma flexibilidade inédita ao corpo feminino, que passou a adotar vestidos justos, curtos e simples, frequentemente em formato tubular.[2] Materiais anteriormente considerados "pobres", como o jérsei, foram introduzidos na alta moda, e o uso de chapéus cloche e cabelos curtos tornou-se o padrão da mulher moderna e emancipada.[2]
A prática de esportes como o tênis e o golfe influenciou diretamente o vestuário, popularizando peças funcionais como o cardigã e saias plissadas que terminavam abaixo do joelho.[3] Além disso, a silhueta reta e despojada da época estava em total consonância com as vanguardas artísticas, como o cubismo, que valorizava linhas geométricas e a negação da ornamentação excessiva.[2]
Em contrapartida, a moda masculina viveu uma transição estética significativa, abandonando a imponência e a rigidez formal da Era Eduardiana em favor de silhuetas mais leves e joviais.[3] O ideal de aparência deixou de ser a figura paterna austera para valorizar a imagem de um homem jovem e bem-apessoado, refletindo um desejo de maior descontração.[3] Essa nova postura era espelhada na literatura da época, que passou a apresentar heróis mais impulsivos, suscetíveis e com um lado emocional mais evidente, em sintonia com a leveza do vestuário.[3]
Um aspecto marcante dessa década foi a mudança nos cuidados pessoais, com o desaparecimento quase total dos pelos faciais, os quais, se presentes, deveriam exibir um corte impecável e preciso.[3]Diferente da moda feminina marcada por revoluções rápidas, a masculina era considerada lenta, moderada e "igualitária", mantendo uma estrutura estável sob a influência de Londres e consolidando a chamada "grande renúncia masculina".[2]
Nesse processo, os homens abdicaram das cores vibrantes e do luxo ostentatório em favor de um traje sóbrio, escuro e austero, como o terno e a gravata, que simbolizavam valores burgueses de economia, esforço e igualdade.[2] Assim, enquanto o universo feminino explorava a sedução e o artifício, o masculino definia sua identidade moderna através da sobriedade e da discrição, em um processo que excluía o princípio do jogo estético.[2]
Influência no cinema e nas celebridades
A década de 1920 marcou uma transformação profunda na relação entre moda e cultura de massa, impulsionada pelo desenvolvimento do cinema hollywoodiano. A profissionalização do departamento de figurino nos grandes estúdios — processo atribuído ao produtor Adolph Zukor e ao diretor D.W. Griffith entre as décadas de 1910 e 1920 — estabeleceu as condições para que as estrelas cinematográficas passassem a funcionar como vetores de tendências estéticas, deslocando a hegemonia das ''maisons'' parisienses na definição da moda ocidental. [4]
Na década de 1920, a sociedade frequentadora dos cinematógrafos copiava as roupas e as atitudes das atrizes: os vestidos curtos com braços e costas à mostra, os cabelos curtos acompanhados de chapéus clochê, a boca com carmim e os olhos marcados com sobrancelha delineada tornaram-se marcas estéticas do período, diretamente associadas às estrelas do cinema mudo.[5] Mais tarde, as duas adaptações cinematográficas de ''O Grande Gatsby'' (1974 e 2013), ambas vencedoras do Oscar de Melhor Figurino, tornaram-se referências consolidadas da estética da Era do Jazz. Na versão de Baz Luhrmann (2013), Catherine Martin e Miuccia Prada reinterpretaram elementos como vestidos tubulares, franjas e ornamentos Art Déco, demonstrando a permanência desse repertório visual na cultura contemporânea.[6] Louise Brooks foi um dos maiores ícones de moda dos anos 1920. Seu corte de cabelo em bob preto com franja tornou-se sua marca registrada e um dos penteados mais imitados da época. Essa e outras tendências eram difundidas por meio de revistas especializadas e da frequência ao cinema, onde o público reproduzia o vestuário e a maquiagem das estrelas,[7] estabelecendo um modelo de influência cultural entre celebridade e consumo de moda que permanece vigente.
Maquiagem, cabelo e padrões de beleza
A década de 1920 foi marcada por mudanças significativas nos padrões de beleza e moda feminina, influenciadas pelas transformações sociais ocorridas após a Primeira Guerra Mundial. O período ficou associado à modernização dos costumes, à maior participação das mulheres na vida pública e ao surgimento do movimento das flappers, conhecidas no Brasil como “melindrosas”.[1]
Maquiagem
Durante os anos 1920, a maquiagem tornou-se mais popular e acessível devido ao crescimento da indústria cosmética.[3] O uso cotidiano de produtos de beleza passou a ser associado à modernidade e à emancipação feminina.[1]
Entre as principais características da maquiagem da época estavam a pele clara, sobrancelhas finas e arqueadas, olhos destacados com sombras escuras e delineadores, além do uso de rímel para escurecer os cílios.[3] Os lábios eram geralmente pintados em tons de vermelho intenso, como vermelho-cereja e vinho, frequentemente com destaque para o arco do cupido.[2]
Cabelo
O corte de cabelo mais associado à década de 1920 foi o “bob”, caracterizado pelo comprimento curto, geralmente na altura do queixo.[1] O estilo passou a ser relacionado à independência feminina e à rejeição dos padrões tradicionais de feminilidade vigentes nas décadas anteriores.[1]
Outro penteado comum era o uso das “finger waves”, ondas moldadas próximas ao couro cabeludo que conferiam um aspecto sofisticado ao visual.[2] Acessórios como tiaras, presilhas e fitas decorativas também eram frequentemente utilizados.[3]
O estilo conhecido como “à la garçonne”, inspirado no romance La Garçonne de Victor Margueritte, contribuiu para a popularização de uma aparência andrógina entre as mulheres da época.[1]
Padrões de beleza
Os padrões de beleza dos anos 1920 passaram a valorizar uma silhueta mais reta e menos curvilínea do que a predominante no século XIX.[1]Vestidos de cintura baixa, tecidos leves e modelagens soltas tornaram-se comuns, favorecendo maior liberdade de movimento.[3]
A prática de esportes e atividades ao ar livre também influenciou os ideais de beleza da década, contribuindo para a valorização de um corpo mais esguio e associado a hábitos considerados modernos.[1]
As chamadas flappers ou melindrosas tornaram-se símbolos do comportamento feminino da época. Elas eram frequentemente associadas ao uso de cabelos curtos, maquiagem marcante, vestidos mais curtos e hábitos considerados modernos para o período, como dirigir automóveis, fumar em público e frequentar espaços urbanos sem acompanhamento masculino.[1]
Industrialização e produção em massa da moda
A década de 1920 marcou uma transformação decisiva na história da moda. Esse período marcou o início da era de ouro da moda moderna, tendo a alta-costura parisiense como principal centro de criação, atração e imitação. Paris consolidou-se como um polo mundial de inovação, influenciando a produção industrial quanto a artesanal.[2]
Durante a Primeira Guerra Mundial, muitas fábricas e oficinas que foram adaptadas para a produção de uniformes militares passaram a aplicar métodos industriais na fabricação de roupas civis. [8] Assim, livres das constantes mudanças sazonais da moda, diversas empresas ampliaram sua capacidade produtiva e intensificaram a divisão do trabalho para alcançar uma produção mais rápida e em larga escala. [8] As empresas passaram a adotar uma divisão de trabalho mais organizada, visando aumentar a velocidade e a quantidade da produção.[8] Além disso, as máquinas foram aperfeiçoadas, juntamente com o avanço da indústria química, que possibilitou a criação de tecidos e cores variadas. [2]Embora muitas oficinas ainda fossem pequenas, algumas indústrias começaram a incorporar avanços tecnológicos e métodos produtivos mais eficientes, consolidando um modelo baseado na fabricação em série. [8]
Mesmo com o avanço da produção em massa, Paris continuou sendo o principal centro da moda internacional. As casas de alta-costura mantinham grande prestígio e influenciavam diretamente as tendências consumidas em diversos países. [8]Em 1921, ocorreu o lançamento bem-sucedido da edição francesa da revista Vogue, que alcançou grande circulação tanto dentro quanto fora do país. Muitos estilistas ampliaram suas maisons, chegando a empregar até 1.500 artesãos altamente especializados em alfaiataria, costura, bordado e produção de acessórios.[8] Esse processo fortaleceu o papel econômico da moda na França, principalmente pela exportação das roupas de luxo.[2]
A indústria da moda cresceu ainda mais à medida que os estilistas passaram a diversificar suas produções, criando roupas esportivas e peças prontas para uso de alta qualidade, além de introduzirem linhas altamente lucrativas, como perfumes. Entretanto, a relação entre alta-costura e indústria tornou-se cada vez mais próxima: enquanto os estilistas criavam modelos exclusivos e luxuosos, a confecção industrial reproduzia versões simplificadas e acessíveis dessas peças para o grande público. [8]
Moda e Reprodução em Massa
Durante os anos 1920, a disseminação das tendências ocorreu de maneira cada vez mais rápida. Casas especializadas em copiar modelos da alta-costura reproduziam peças apresentadas nas passarelas, enquanto fabricantes e varejistas adaptavam os designs para a produção em larga escala. Entre elas, destacou-se o estabelecimento de Madame Doret, na rue du Faubourg Saint-Honoré, conhecido por vender versões mais acessíveis dos modelos apresentados nas passarelas. [8]
As casas de costura tentavam proteger seus modelos por meio de direitos autorais para evitar a pirataria, mas a reprodução das peças acontecia em grande escala.[8]Muitos fabricantes e varejistas fingiam ser compradores apenas para copiar os modelos. [8]Outros adquiriam moldes por meio da compra de toiles (cópias em chita vendidas pelos próprios estilistas para reprodução autorizada). [8] Esses moldes eram adaptados em tamanhos padronizados para a indústria, enquanto os setores mais populares copiavam modelos observados em lojas mais sofisticadas. [8]
Além disso, revistas especializadas divulgavam informações sobre tecidos, modelos e tendências das próximas estações. [8] Na Grã-Bretanha, por exemplo, a revista Weldon’s Ladies Journal publicava moldes gratuitos e disponibilizava os desenhos que podiam ser encomendados e entregues pelo correio. [8]
O estilo garçonne ou jeune fille desenvolveu-se nos anos imediatamente posteriores à guerra e atingiu seu auge em 1926, este estilo favoreceu ainda mais a expansão da produção em massa. [8] Com cortes retos, simples e soltos, as roupas exigiam menos tecido e eram mais fáceis de confeccionar em tamanhos padronizados.[8] Além disso, os materiais leves permitiam que muitas peças fossem produzidas tanto industrialmente quanto em máquinas de costura domésticas. Isso facilitou o acesso à moda e ampliou o consumo feminino. [8]
A simplificação do vestuário feminino também aproximou a moda de uma aparência mais democrática. Estilistas como Coco Chanel contribuíram para popularizar roupas mais práticas, discretas e funcionais, reduzindo a distância visual entre as classes sociais.[2] A elegância deixou de depender exclusivamente da ostentação e passou a valorizar a simplicidade e a modernidade.
A Consolidação da Moda Moderna
A moda moderna passou a se estruturar a partir de dois setores complementares: a alta-costura, voltada à criação de peças exclusivas, sob medida e de luxo, e a confecção industrial, responsável pela reprodução em série, acessível e de modelos inspirados nas grandes maisons parisienses.[2] Esse sistema consolidou a moda como uma indústria de grande alcance econômico e cultural.
Além da produção de roupas, muitas casas de moda começaram a diversificar suas atividades, investindo em artigos esportivos, acessórios e perfumes. [8] Essa ampliação do mercado demonstrava que a moda deixava de ser apenas um símbolo de distinção social para tornar-se também um produto de consumo em larga escala.
Revistas, publicidades e cultura popular
Publicidade:
Venda de Estilos de Vida: Deixou de focar apenas na utilidade da roupa para vender promessas de juventude, modernidade e aceitação social.
Apelo Psicológico: Passou a explorar as ansiedades sociais, sugerindo que o sucesso dependia de estar na moda e usar cosméticos.
Democratização: Anúncios em massa de roupas prontas para vestir (ready-to-wear) convenceram a classe média de que o estilo era acessível a todos.
Revistas de Moda:
Ditadoras de Tendências: Títulos como Vogue e Harper's Bazaar consolidaram a silhueta da época (vestidos tubulares, cintura baixa e chapéu cloche).
Figurinistas
- Jacques Doucet (1853-1929), um figurinista francês, em 1927, subiu as saias para mostrar as ligas rendadas.
- Coco Chanel criou a moda dos cortes retos, capas, blazers, cardigãs, colares compridos, boinas e cabelos curtos.
- Jean Patou, estilista francês teve o foco na criação de roupas esportivas. Inclusive para a tenista Suzanne Lenglen.
- Também revolucionou a moda da praia a com seus maiôs.
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 SANTOS, Neusa Maria dos. Como era a moda da década de 1920. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, 2025.
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Ramzi, Lilah (1 de abril de 2024). «A 1920s Fashion History Lesson: Flappers, the Bob, and More Trends That Made the Roaring Twenties Roar». Vogue (em inglês). Consultado em 28 de maio de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 VLK, Redação (27 de outubro de 2020). «1920: A DÉCADA DA MODA REVOLUCIONÁRIA». Revista VLK. Consultado em 28 de maio de 2026
- ↑ Mendes, Valerie D. A moda do século XX : 280 ilustragdes, 66 em cores / Valerie Mendes, Amy de la Haye ; tradução Lufs Carlos Borges ; revisio técnica José Luiz Andrade. — Sao Paulo : Martins Fontes, 2003. — (Colegio a)
- ↑ GUIMARÃES, Paula de Mello. A criação e evolução do departamento de figurino em Hollywood: dos primórdios à década de 20. RUA – Revista Universitária do Audiovisual, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), 28 ago. 2024. Disponível em: https://www.rua.ufscar.br/artigo-a-criacao-e-evolucao-do-departamento-de-figurino-em-hollywood-dos-primordios-a-decada-de-20/. Acesso em: 27 mar. 2026
- ↑ GULARTE, Ana Paula. A fotografia das estrelas de cinema como documento histórico da moda. ModaPalavra e-periódico, Florianópolis, n. 10, p. 22–23, jul./dez. 2012.
- ↑ SILVEIRA PONTES, Taynah. Da Literatura para o Cinema: uma análise de figurino em “O Grande Gatsby”. Revista Livre de Cinema, v. 7, n. 1. 2020
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 ]LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. Tradução de Maria Lucia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
