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Mina de Chico Rei
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Mina de Chico Rei é uma escavação subterrânea localizada sob parte da cidade de Ouro Preto, município de Minas Gerais, onde, por tradição oral, o personagem real conhecido como Chico Rei, trazido do Congo como escravo, trabalhou explorando-a até comprar sua carta de alforria e, depois, a própria mina, durante o ciclo do ouro no Brasil Colonial.[1] Está aberta à visitação turística nos 50 metros iniciais.

Conta a tradição oral que Chico Rei e outros escravos escondiam ouro entre os cabelos ao saírem da mina e mais tarde lavavam-os na pia batismal da igreja, sendo acobertados pelos religiosos. O Major Augusto, que fora o proprietário da mina vendeu-a ao alforriado Chico Rei no final de sua vida, e nas mãos deste ela passou a prosperar.[1]
A mina, que antes era chamada de Encardideira,[1] foi redescoberta em 1950 e renomeada como Mina de Chico Rei. É escavada artesanalmente, e distribuída em cinco níveis. Possui uma galeria de 11.500 metros, e está iluminada apenas no túnel inicial, até o chamado salão de cristais, que é um átrio a partir do qual sai um túnel mais elevado. A mina, que está sendo mapeada por estudantes de geologia estende suas galerias até a Casa dos Contos e a Escola de Minas, antigo palácio do Governador.
A mina foi redescoberta em meados do século XX e passou a ser conhecida como Mina de Chico Rei, tornando-se um importante ponto de interesse histórico, turístico e cultural da cidade de Ouro Preto.[2]
Patrimônio Cultural
A Mina de Chico Rei possui relevância para a preservação da memória da população afrodescendente em Minas Gerais. A associação do local à trajetória de Chico Rei transformou a mina em um símbolo da resistência cultural negra durante o período da escravidão no Brasil. Além de sua importância histórica, a mina integra o conjunto patrimonial de Ouro Preto, cidade reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980. O local é utilizado para atividades turísticas, educacionais e de pesquisa relacionadas à história da mineração e à cultura afro-brasileira.[3][4]
Geologia
A Mina de Chico Rei está inserida na porção sul do Quadrilátero Ferrífero, uma das mais importantes províncias minerais do mundo. A região é caracterizada pela ocorrência de depósitos de ouro, minério de ferro e outros recursos minerais associados a rochas arqueanas e paleoproterozoicas do Cráton do São Francisco. A Mina de Chico Rei constitui um exemplo das antigas explorações auríferas desenvolvidas no Quadrilátero Ferrífero durante o ciclo do ouro. Suas galerias subterrâneas representam evidências da adaptação das atividades minerárias às condições geológicas locais, aproveitando os veios mineralizados presentes nas encostas e elevações que circundam o núcleo histórico de Ouro Preto.[4]
Devido à sua inserção em uma das mais estudadas províncias minerais do planeta, a mina possui relevância não apenas histórica e cultural, mas também geológica, contribuindo para a compreensão dos processos responsáveis pela formação dos depósitos auríferos que impulsionaram a ocupação e o desenvolvimento da região durante o período colonial.[5]
Turismo
A Mina de Chico Rei é uma das atrações turísticas mais conhecidas do centro histórico de Ouro Preto, integrando o conjunto de bens culturais associados à mineração aurífera colonial e à memória da população afro-brasileira em Minas Gerais. O local recebe visitantes interessados na história do ciclo do ouro, nas técnicas de mineração empregadas durante o período colonial e nas tradições ligadas à figura de Chico Rei.
A visitação é realizada por meio de acompanhamento guiado, permitindo aos visitantes conhecer aspectos históricos, geológicos e culturais relacionados à mina. Durante o percurso, são apresentadas informações sobre os métodos de extração do ouro utilizados nos séculos XVIII e XIX, as condições de trabalho nas minas coloniais e a tradição oral associada à trajetória de Chico Rei, personagem de grande importância para a memória afro-brasileira. Os visitantes têm acesso a parte das galerias subterrâneas da antiga mina, percorrendo túneis escavados manualmente durante o período de exploração aurífera. O trajeto aberto ao público permite observar características da mineração colonial, incluindo frentes de lavra, marcas deixadas pelas ferramentas utilizadas na escavação e formações geológicas expostas nas paredes das galerias. A visita oferece uma oportunidade de compreender as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores que atuavam nas minas de ouro da região.
Além do interesse turístico, a Mina de Chico Rei possui importante função educativa. O espaço é frequentemente utilizado em atividades voltadas ao ensino da história colonial brasileira, da mineração no Quadrilátero Ferrífero e das contribuições culturais das populações africanas e afrodescendentes para a formação da sociedade brasileira. Escolas, universidades e grupos de pesquisa realizam visitas técnicas e estudos relacionados ao patrimônio histórico, à arqueologia da mineração e à preservação da memória cultural da região. A proximidade da mina com outros bens históricos de Ouro Preto contribui para sua inserção nos roteiros culturais da cidade, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial desde 1980. Nesse contexto, a Mina de Chico Rei constitui um importante ponto de interpretação da história da mineração e da presença africana na formação econômica, social e cultural de Minas Gerais.[4][6]
Referências
- 1 2 3 Serviço Geológico do Brasil, Excursão Virtual pela Estrada Real no Quadrilátero Ferrífero, Mina Chico Rei [em linha]
- ↑ «Mina de Chico Rei». Serviço Geológico do Brasil. Consultado em 10 de junho de 2026
- ↑ «Fundação Cultural Palmares». Fundação Cultural Palmares. Cópia arquivada em 30 de maio de 2026
- 1 2 3 Centre, UNESCO World Heritage. «Historic Town of Ouro Preto». UNESCO World Heritage Centre (em inglês). Consultado em 10 de junho de 2026
- ↑ «Quadrilátero Ferrífero». CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Consultado em 10 de junho de 2026
- ↑ «Secretaria Municipal de Cultura e Turismo». www.ouropreto.mg.gov.br. Consultado em 10 de junho de 2026
