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Mauricio Rocha e Silva
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| Mauricio Rocha e Silva | |
|---|---|
| Conhecido(a) por | descobridor da bradicinina |
| Nascimento | |
| Morte | 19 de dezembro de 1983 (73 anos) |
| Residência | Brasil |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Alma mater |
|
| Prêmios | Grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2000) |
| Carreira científica | |
| Orientador(es)(as) | Alberto Carvalho da Silva |
| Instituições | Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto |
| Campo(s) | Medicina e farmácia |
| Tese | Liberação do princípio antidiurético da hipófise posterior pela bradicinina (1963) |
Maurício Oscar da Rocha e Silva (Rio de Janeiro, 19 de setembro de 1910 — São Paulo, 19 de dezembro de 1983) foi um médico, pesquisador e professor universitário brasileiro, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
Grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico, foi o descobridor da bradicinina, usada em medicamentos de controle da hipertensão, foi professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Seu acervo integra o Projeto Memória da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.[1]
Biografia
Mauricio nasceu na capital fluminense, em 1910 e era filho de um psiquiatra, João Olavo da Rocha e Silva. Estudou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil (mais tarde Universidade Federal do Rio de Janeiro), lecionando em escolas secundárias enquanto era estudante para se sustentar. Logo após a formatura, mudou-se em 1937 para São Paulo, sendo contratado pelo Instituto Biológico, instituição estadual de pesquisa.[2]
De 1940 a 1941, Mauricio ganhou uma bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation para ir para Londres, onde estudou e trabalhou com Heinz Schild na University College London. Em 1942, retornou ao Instituto Biológico e continuou sua linha de pesquisa sobre o papel da histamina nos efeitos dos venenos de animais. No instituto, logo foi nomeado presidente da Seção de Bioquímica e Farmacodinâmica, cargo que ocupou até 1957. Naquele ano, Mauricio foi convidado para ser o presidente do Departamento de Farmacologia da recém-criada Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, na cidade de Ribeirão Preto, cargo que ocupou até sua aposentadoria compulsória em 1980.[2]
Seu estado de saúde piorou pouco depois, e ele morreu em 19 de dezembro de 1983, aos 73 anos.[2]
Mauricio foi um dos maiores líderes científicos e acadêmicos da história recente do Brasil. Em 1948, com um grupo de colegas cientistas, como José Reis, Paulo Sawaya e Gastão Rosenfeld, fundou a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), semelhante em escopo e filosofia às suas congêneres britânicas e americanas (AAAS). Ele se tornaria três vezes presidente da SBPC e seu presidente honorário vitalício. Mauricio também foi membro fundador da Sociedade Brasileira de Fisiologia, em 1957; e da Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental, em 1966 (da qual foi presidente de 1966 a 1981). Em 1967 ganhou o Prêmio Moinho Santista (a mais alta condecoração científica da época no Brasil) e o Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele também foi vice-presidente da União Internacional de Farmacologia.[2]
Trabalho
Junto com os colegas Wilson Teixeira Beraldo e Gastão Rosenfeld, Mauricio descobriram em 1948 os poderosos efeitos hipotensores da bradicinina em preparações animais. A bradicinina foi detectada no plasma de animais após a adição do veneno de Bothropos jararaca, trazido por Rosenfeld do Instituto Butantan, em São Paulo, Brasil. Essa descoberta fez parte de um estudo contínuo sobre choque circulatório e enzimas proteolíticas relacionadas à toxicologia de picadas de cobras, iniciado por ele já em 1939. A bradicinina deveria ser provada como um novo princípio autofarmacológico, ou seja, uma substância que é liberada no corpo por uma modificação metabólica de precursores, que são farmacologicamente ativos. De acordo com B.J. Hagwood, biógrafo de Mauricio, "A descoberta da bradicinina levou a uma nova compreensão de muitos fenômenos fisiológicos e patológicos, incluindo o choque circulatório induzido por venenos e toxinas".[2]
A importância prática da descoberta da bradicinina tornou-se evidente quando um de seus colaboradores em Ribeirão Preto, Sérgio Henrique Ferreira, descobriu um fator potencializador da bradicinina (FBP) no veneno botrópico que aumenta poderosamente tanto a duração quanto a magnitude de seus efeitos sobre a vasodilatação e a conseqüente queda da pressão arterial. Com base nessa descoberta, os cientistas da Squibb desenvolveram o primeiro de uma nova geração de medicamentos anti-hipertensivos altamente eficazes, os chamados inibidores da ECA, como o captopril (marca registrada Capoten), que têm salvado muitas vidas desde então.[2]
Mauricio tinha muitos interesses além da pesquisa científica e da farmacologia. Ele era um pintor amador talentoso e um escritor de ficção e não-ficção. Ele estava interessado na compreensão pública da ciência e escreveu artigos e livros para o público em geral. Foi também um dos fundadores da "Ciência e Cultura", revista científica da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).[2]
Referências
- ↑ «SBPC cuidará do acervo de Maurício Rocha e Silva». Agência FAPESP. Consultado em 14 de abril de 2011. Arquivado do original em 14 de junho de 2020
- 1 2 3 4 5 6 7 Hawgood, B. J. (novembro de 1997). «Maurício Rocha e Silva MD: snake venom, bradykinin and the rise of autopharmacology». Toxicon: Official Journal of the International Society on Toxinology (11): 1569–1580. ISSN 0041-0101. PMID 9428104. doi:10.1016/s0041-0101(97)00008-1. Consultado em 20 de junho de 2025
