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Manoel dos Passos Barros
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| Manoel dos Passos Barros | |
|---|---|
| Nome completo | Manoel dos Passos Barros |
| Conhecido(a) por | Pastor Barros |
| Nascimento | 17 de abril de 1898 |
| Morte | |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Progenitores | Mãe: Clotilde de Salles de Barros Pai: José Alexandre de Barros |
| Parentesco | Gedelti Victalino Teixeira Gueiros (genro). |
| Cônjuge | Juracy de Mello Barros (1927-1986 (m)). |
| Filho(a)(s) | César José de Mello Barros e Jurama Barros Gueiros |
| Alma mater | Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia[1] |
| Ocupação | Presidente da Igreja Cristã Maranata e engenheiro civil. |
| Religião | Protestante Pentecostal (Igreja Cristã Maranata) |
| Website | https://www.igrejacristamaranata.org.br/ |
Manoel dos Passos Barros (Maracaju, 17 de abril de 1898 – Vila Velha, 20 de maio de 1986) foi um engenheiro civil brasileiro e pastor, cofundador da Igreja Cristã Maranata.
Foi o primeiro presidente da instituição (1970-1986), período que correspondeu à consolidação inicial de sua estrutura organizacional.
Biografia
Nascido aos 17 de abril de 1898, na Comunidade Maracaju, na Reserva Extrativista Arapixi no estado do Amazonas. Era filho de José Alexandre de Barros e de Clotilde de Salles de Barros.
Ainda jovem deixou a região amazônica, iniciando sua formação escolar no Nordeste brasileiro, cursando o ensino primário no Colégio Instituto das Humanidades Joaquim Costa Nogueira, em 1908, na cidade de Fortaleza, capital do Ceará, e, e, posteriormente, o ensino secundário no Colégio Carneiro Ribeiro, em 1914, em Salvador, capital da Bahia.
Em março de 1925 concluiu o curso de engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia.
Poucos meses após sua graduação, transferiu-se para o Estado do Espírito Santo, onde passaria a desenvolver a maior parte de sua trajetória profissional, sendo nomeado encarregado de medições de terras nos municípios Benevente, hoje Anchieta, Iconha, Alfredo Chaves e Guarapari.[2]
Casou-se em 1927 com Juracy de Mello Barros, com quem teve dois filhos: César José Ignácio de Mello Barros e Jurama Barros Gueiros, que se casou com Gedelti Victalino Teixeira Gueiros.
Por meio desse vínculo familiar, a família Barros viria posteriormente a se entrelaçar com a família Gueiros, núcleo que desempenharia papel relevante na formação e condução da Igreja Cristã Maranata nas décadas seguintes.
Como engenheiro civil projetou importantes obras de infraestrutura rodoviária no Espírito Santo. É tradicionalmente atribuído a ele o planejamento de diversas ligações rodoviárias estratégicas do estado, incluindo trechos da BR-101 — rodovia que liga Touros, no Rio Grande do Norte, a São José do Norte, no Rio Grande do Sul — particularmente no segmento entre Guarapari e o Rio Mucuri, no sul do Estado da Bahia, projetou e construiu a Rodovia Carlos Lindemberg. Projetou, também, a BR-262, no trecho entre Vitória e Pequiá, na divisa do Estado de Minas Gerais.
Sua atuação como engenheiro público fez com que fosse conhecido regionalmente como um dos responsáveis pela modernização da malha viária capixaba, sendo frequentemente lembrado como “o homem que abriu estradas” no estado. Atuou também como presidente da primeira comissão criada pelo Governo Federal para implantar no Espírito Santo o Código de Trânsito Brasileiro.[2]
Ademais, foi um dos fundadores e diretores da Escola Politécnica do Espírito Santo, instituição que posteriormente daria origem ao atual Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES),[3] onde também lecionou Geometria Analítica.
Paralelamente à carreira acadêmica e administrativa, integrou o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, buindo para o desenvolvimento técnico da profissão no país.
Igreja Cristã Maranata

Foi membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, denominação na qual exerceu funções eclesiásticas como presbítero e integrou o Presbitério de Vitória (PVTR).[4]
Durante esse período participou da vida religiosa da Primeira Igreja Presbiteriana de Vila Velha, comunidade que, na década de 1960, experimentaria intensos debates internos relacionados à liderança pastoral e à introdução de práticas espirituais associadas ao movimento de renovação carismática então difundido em diferentes setores do protestantismo brasileiro.
Naquela ocasião, Gedelti Victalino Teixeira Gueiros, genro de Passos Barros, manifestou inconformidade com o resultado da eleição para pastor titular da referida igreja — na qual seu irmão, o reverendo Jedaías Victalino Teixeira Gueiros, fora derrotado —, segundo relato do historiador presbiteriano Joel Ribeiro Brinco[5] e encabeça a cisão da referida denominação.
Desenvolveu-se ali um processo de tensão e progressiva separação entre parte dos membros da comunidade e a estrutura institucional da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Nesse contexto, formou-se um grupo que passou a reunir-se em ambientes alternativos de culto e oração, enfatizando práticas carismáticas como busca por dons espirituais, revelações e experiências consideradas proféticas. A movimentação culminaria, entre 1967 e 1968, na saída de oito dezenas de membros da igreja presbiteriana local.
Manoel dos Passos Barros acompanhou esse grupo dissidente, participando da organização da então denominada Igreja Cristã Presbiteriana, sob a influência espiritual do pastor congregacional Jonas José Marques. Este último viria a ser posteriormente reconhecido, no interior da nova denominação, como figura profética ligada aos seus primórdios.
Foi o próprio Passos Barros quem elaborou a Ata de Organização da nova igreja — ainda quando figurava formalmente como membro da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) — documento que foi registrado em cartório em janeiro de 1968.
A Igreja Presbiteriana do Brasil, ao tomar conhecimento da constituição da nova comunidade religiosa, alguns meses depois, compreendeu que aqueles membros se haviam desligado de sua comunhão e, por conseguinte, procedeu apenas à regularização administrativa de sua situação eclesiástica, retirando-os de seu rol de membros — medida distinta de expulsão disciplinar.
Durante os primeiros anos da comunidade, sua atuação concentrou-se principalmente na organização administrativa e institucional da nova denominação, cuja liderança espiritual gravitava em torno das figuras de Jonas Marques e Gedelti Gueiros.
A partir de 1980, por orientação atribuída à liderança espiritual do movimento (Jonas Marques e Gedelti Gueiros), a Igreja Cristã Presbiteriana passou a chamar-se Igreja Cristã Maranata, denominação pela qual se tornaria conhecida internacionalmente.[6]
No interior da nova igreja, Passos Barros foi ordenado pastor e exerceu a presidência do "Presbitério Espírito-Santense" da denominação de 1970 até a data de seu falecimento, em 25 de maio de 1986.
Durante esse período, a igreja expandiu suas atividades missionárias e estruturou os elementos doutrinários e organizacionais que marcariam sua identidade institucional nas décadas seguintes.
Falecimento
Faleceu aos 25 de maio de 1986, aos 88 anos, após dezesseis anos como Presidente da Igreja Cristã Maranata, tendo deixado dois filhos: César José Ignácio de Mello Barros e Jurama Barros Gueiros.
Após sua morte, sua memória passou a ser frequentemente evocada pela denominação como uma das figuras de referência de seus primeiros anos, especialmente por sua atuação administrativa e por sua contribuição à organização institucional do movimento.
Fundação Manoel dos Passos Barros
Em 1999 surgiu o que viria a ser a Fundação Manoel dos Passos Barros, entidade vinculada à Igreja Cristã Maranata dedicada a projetos nas áreas social, educacional e assistencial, sendo posteriormente consolidada em 8 de junho de 2007. Tem por objetivo prestar assistência social, contando com mais de quatrocentos (400) voluntários.[7][8]
Nos anos posteriores, a fundação também esteve envolvida em controvérsias administrativas e investigações conduzidas por órgãos de controle e pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo. Em ações judiciais relacionadas a convênios celebrados com o poder público, foram apontados indícios de irregularidades na aplicação de recursos destinados a projetos sociais e de saúde.[9]
No mesmo contexto de investigações mais amplas que atingiram a estrutura administrativa da Igreja Cristã Maranata, integrantes de sua cúpula — entre eles o então presidente da denominação, Pr. Gedelti Victalino Teixeira Gueiros — chegaram a ser alvo de operações policiais e medidas judiciais no ano de 2013.[10] As investigações envolveram acusações como estelionato, formação de organização criminosa e irregularidades financeiras, embora os acusados tenham posteriormente obtido liberdade por decisão judicial, permanecendo parte dos processos em tramitação ao longo dos anos seguintes.[11]
Esses episódios passaram a integrar o conjunto de acontecimentos que marcaram a história institucional da denominação nas décadas posteriores à morte de seu primeiro presidente, sendo frequentemente mencionados em análises jornalísticas e estudos sobre o movimento religioso.[11]
Honrarias
- Cidadão Vilavelhense - Câmara Municipal de Vila Velha;
- Ordem Estadual do Mérito Jerônimo Monteiro;[12]
- Projeto de Lei nº 315 de 2018, do Senado Federal, para denominar "Engenheiro Manoel dos Passos Barros o viaduto localizado no entroncamento da BR 101 com a BR 262", proposta pelo então senador Ricardo Ferraço (PSDB).[13]
Em 2022, a homenagem foi oficialmente sancionada pelo então Presidente da República, Jair Bolsonaro, consolidando a denominação do viaduto “Engenheiro Manoel dos Passos Barros”, localizado no município de Viana (ES), em reconhecimento às contribuições do engenheiro para a infraestrutura rodoviária do Espírito Santo.[14]
Ver também
| Precedido por Título criado |
Presidente da Igreja Cristã Maranata 1970-1986 |
Sucedido por Pr. Edward Hemming Dodd |
Referências
- ↑ Retrospectiva 2018: Igreja Cristã Maranata, 50 anos. Governador Valadares: Revista Vem!. 2018. p. 55
- 1 2 Retrospectiva 2018: Igreja Cristã Maranata, 50 anos. Governador Valadares: Revista Vem!. 2018
- ↑ «A Escola Politécnica do Espírito Santo | Centro Tecnológico». www.ct.ufes.br. Consultado em 17 de outubro de 2020
- ↑ BRINCO, Joel Ribeiro (2003). Igreja Presbiteriana de Vila Velha: 50 anos de história. Vila Velha: Edição do Autor. 84 páginas
- ↑ BRINCO, Joel Ribeiro (2003). Igreja Presbiteriana de Vila Velha: 50 anos de história. Vila Velha: Edição do Autor
- ↑ «Como surgiu a Igreja Cristã Maranata». Igreja Cristã Maranata. 25 de agosto de 2020. Consultado em 1 de setembro de 2020
- ↑ «A fundação – Fundação Passos Barros». Consultado em 17 de outubro de 2020
- ↑ Lei nº 9.608, de 22 de setembro de 2008. Belo Horizonte: Diário Oficial do Município de Belo Horizonte. 2008
- ↑ ES, Murilo CuzzuolDo G1 (9 de setembro de 2013). «Ex-secretário do ES é denunciado por desvio de fundação da Maranata». Espírito Santo. Consultado em 9 de março de 2026
- ↑ Rover, Tadeu (21 de setembro de 2013). «Liminares do STF revogam prisão de quatro membros da Igreja Maranata». Consultor Jurídico. Consultado em 9 de março de 2026
- 1 2 ES, Leandro Nossa e Amanda MonteiroDo G1 (24 de junho de 2013). «Fundador e pastores da Igreja Maranata são presos no ES». Espírito Santo. Consultado em 9 de março de 2026
- ↑ Ordem Estadual do Mérito Jerônimo Monteiro. Estado do Espírito Santo: Decreto Estadual nº 230 de 19 de abril de 1972
- ↑ Projeto de Lei nº 315 de 2018. [S.l.]: Senado Federal do Brasil. 2018
- ↑ «Câmara aprova nome do engenheiro Manoel Barros para viaduto no Espírito Santo - Notícias». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 9 de março de 2026
