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Largo do Pelourinho
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Praça José de Alencar | |
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| Salvador, Bahia, Brasil | |
| Vista aérea para a parte mais baixa do Largo do Pelourinho em 2011, quando a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos estava em obras. | |
| Nome popular |
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| Tipo | praça |
| Cruzamentos |
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| Lugares que atravessa |
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| Coordenadas | 12° 58′ 18″ S, 38° 30′ 30″ O |
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Largo do Pelourinho (apelidado como Pelô e oficialmente Praça José de Alencar) é um logradouro do bairro do Centro Histórico em Salvador, município capital do estado brasileiro da Bahia. Por extensão, seu entorno até o Terreiro de Jesus também é conhecido como Pelourinho e configura parte do Centro Histórico de Salvador (CHS), área protegida e reconhecida como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por seu conjunto arquitetônico colonial barroco brasileiro preservado.[1]
O termo pelourinho se refere a uma coluna de pedra, localizada normalmente ao centro de uma praça, onde criminosos eram expostos e castigados. No Brasil Colônia, porém, era principalmente usado para castigar pessoas escravizadas, mas também libertas.[2][3] Oficialmente, leva o nome de José de Alencar, escritor indianista (autor da trilogia formada pelos romances O Guarani, Iracema e Ubirajara), ministro da Justiça no Segundo Reinado e defensor da escravidão no Brasil.[3]
História
A história do entorno do largo tem sua origem na expansão inicial urbana de Salvador, logo, está ligada à história da própria cidade, fundada em 1549 por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, que escolheu a área da atual Praça Thomé de Souza por sua posição estratégica — no alto, próximo ao porto e com uma barreira natural constituída por uma elevação abrupta do terreno, verdadeira muralha de até noventa metros de altura por quinze quilômetros de extensão, facilitando a defesa da cidade.[4][5][6] A construção do Colégio dos Jesuítas, da Antiga Sé da Bahia e do templo jesuítico que originou a atual catedral da cidade fora da área murada, para além da Porta Norte, fomentaram a expansão urbana em direção ao Largo do Pelourinho.[3] No século XVII, a administração colonial então determinou a construção de nova proteção, a Fortaleza de Santa Catarina (segunda Porta Norte), na área do Pelourinho para defesa contra invasões neerlandesas e francesas naquele ponto da garganta do Taboão, em que havia estreita faixa de terra próximo ao mar.[3] Com a muralha derrubada em 1790 e o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, de 1808, os casarões do Pelourinho começaram a ter tamanhos maiores.[3]
Fazia parte da freguesia da Sé[2] e era eminentemente residencial, onde se concentravam as melhores moradias até o início do século XX e como centro comercial e administrativo. A partir dos anos 1950, o entorno do Largo do Pelourinho sofreu um forte processo de degradação, com a modernização da cidade e a transferência de atividades econômicas para outras regiões da capital baiana, o que transformou aquela região do Centro Histórico em uma zona pouco valorizada mas tornando-se moradia popular e palco da cultura negra da cidade. Esta mudança demográfica que transformou o entorno do Largo do Pelourinho em território negro ao decorrer do século XX deu origem aos grupos culturais e comunitários sediados no bairro que se transformaram nos anos 1980 e 1990 em atores políticos importantes para a redemocratização brasileira,[7] a exemplo do Olodum.
A partir do início da década de 1990,[1][8] a área do Largo foi o cerne do processo de revitalização do Centro Histórico, com a desapropriação dos moradores para a instalação de bares, lojas, pequenos comércios, escolas e recuperação de fachadas e prédios.[9]
Nesse período, o cantor estadunidense Michael Jackson gravou, no Largo em 1996, com a banda Olodum o clipe da canção They Don’t Care About Us, com direção do cineasta estadunidense Spike Lee.[10] Durante as gravações, o cantor subiu em um dos casarões, o qual foi posteriormente alugado pelo comerciante Carlos Alberto, ficou conhecido como "Casa de Michael Jackson" e teve sua varanda transformada em ponto de visitação turística com imagem de Jackson mantida no local até 2026, quando foi fechado o espaço.[10][11][12]

A partir do filme de 2007 Ó Paí, Ó, dois imóveis localizados na parte mais baixa do Largo ficaram conhecidos.[13] Um deles corresponde ao cortiço onde, segundo a ambientação cinematográfica, moravam boa parte dos personagens.[14][15] O outro, ao então Bar e Restaurante Ceará, que passou a ser conhecido pela personagem ficcional proprietária dele (Bar de Neusão) e foi cenário de uma das cenas clássicas do filme em que vários personagens dançam ao som de I miss her, do Olodum.[16][17]
Referências na cultura
- Menino do Pelô, canção de Daniela Mercury e Olodum.
- Protesto do Olodum, canção do Olodum.
- Ladeira do Pelô, canção do Banda Mel.
- Ó paí, ó, filme de Monique Gardenberg.
- Gravação do videoclipe da canção Me Gusta, de Anitta.
- Gravação, em 1996, do videoclipe da canção They Don't Care About Us, de Michael Jackson.[18]
- Gravação do videoclipe da canção Mal Acostumbrado, de Julio Iglesias.
- Gravação do videoclipe da canção The Obvious Child, de Paul Simon.
- Haiti, canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
- Ao Vivo no Pelourinho, álbum do Babado Novo.
- Gravação do videoclipe da canção Apaixonadinha, de Marília Mendonça com a participação de Léo Santana e Didá Banda Feminina para o álbum Todos os Cantos.[19]
Ver também
Referências
- 1 2 «Informações - bairro». Salvador Cultura Todo Dia. Cópia arquivada em 19 de março de 2023
- 1 2 «SALVADOR ESCRAVISTA - Largo do Pelourinho». www.salvadorescravista.com. Consultado em 28 de junho de 2026. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 5 Franco, Tasso (8 de novembro de 2017). «O LARGO DO PELOURINHO precisa mudar de nome. Conheça sua história». Bahia Já. Consultado em 28 de junho de 2026. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «De primeiro 'bairro' a foco do turismo: Há 470 anos, Salvador pulsa no Centro Histórico». G1. 25 de março de 2019. Consultado em 3 de junho de 2024. Cópia arquivada em 14 de novembro de 2024
- ↑ «Tomé de Sousa funda Salvador». educacao.uol.com.br. Consultado em 3 de junho de 2024
- ↑ «Largo do Pelourinho». Pelourinho Dia e Noite. Consultado em 28 de junho de 2026. Cópia arquivada em 10 de junho de 2024
- ↑ Collins, John (2008). «A razão barroca do patrimônio baiano». Revista de Antropologia 51 (1). Consultado em 4 de janeiro de 2018. Cópia arquivada em 23 de maio de 2025
- ↑ Urpi Montoya Uriarte. «Por trás das fachadas coloridas. Etnografias nos "novos" Bairro do Recife (Pernambuco) e Pelourinho (Bahia)». Ponto Urbe. Consultado em 8 de julho de 2014. Arquivado do original em 14 de julho de 2014
- ↑ Collins, John (2015). Revolt of the Saints: Memory and Redemption in the Twilight of Brazilian Racial Democracy. Durham, NC, USA: Duke University Press
- 1 2 Oliveira, Daniel (23 de junho de 2018). «Do bar da novela à sacada de Michael Jackson: conheça os efeitos das produções audiovisuais no cotidiano de Salvador». Jornal A Tarde. Consultado em 19 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2026
- ↑ «Casa de Michael Jackson – Pelourinho Dia e Noite». pelourinhodiaenoite.salvador.ba.gov.br. Consultado em 23 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 15 de junho de 2024
- ↑ «O 'sumiço' de Michael Jackson da fachada do Pelourinho que intriga turistas». VEJA. Consultado em 23 de agosto de 2026
- ↑ Oliveira, Daniel (23 de junho de 2018). «Do bar da novela à sacada de Michael Jackson: conheça os efeitos das produções audiovisuais no cotidiano de Salvador». Jornal A Tarde. Consultado em 19 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2026
- ↑ «'Ó paí, ó' conquista moradores do Pelourinho». O Globo. 24 de novembro de 2008. Consultado em 23 de agosto de 2026
- ↑ 𝐍𝐀𝐒𝐂𝐈𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎, 𝐕𝐈𝐍Í𝐂𝐈𝐔𝐒 (14 de outubro de 2022). «[Pra quem gosta de bastidores...]». Instagram. Consultado em 23 de agosto de 2026
- ↑ Dias, Surenã (18 de março de 2025). «Dira Paes visita 'Bar do Neuzão' no Pelourinho e relembra cena icônica de Ó Paí Ó; assista». Alô Alô Bahia. Consultado em 19 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ Galdea, João (10 de março de 2019). «Bar de Neuzão foi proibido de se chamar Bar de Neuzão; conheça a história». Correio. Consultado em 19 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2026
- ↑ «G1 > Música - NOTÍCIAS - Músico do Pelourinho fez arranjo de percussão para clipe de Michael Jackson». g1.globo.com. Consultado em 8 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2025
- ↑ Redação, Da (9 de abril de 2019). «Marília Mendonça lota Pelourinho com show gratuito; veja fotos». Jornal Correio. Consultado em 5 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2023
Ligações externas
- Pelourinho Cultural, página mantida pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) do Estado da Bahia.
- Seixas, Thaís (26 de março de 2015). «Salvador em bairros: Pelourinho é patrimônio da humanidade». Salvador. A Tarde. Cópia arquivada em 19 de junho de 2021



