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José Luis Azcona Hermoso
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José Luis Azcona Hermoso | |
|---|---|
| Bispo da Igreja Católica | |
| Prelado emérito de Marajó | |
| Atividade eclesiástica | |
| Ordem | Ordem dos Agostinianos Recoletos |
| Diocese | Prelazia de Marajó |
| Nomeação | 25 de fevereiro de 1987 |
| Entrada solene | 12 de abril de 1987 |
| Predecessor | Alquilio Álvarez Díez, OAR |
| Sucessor | Evaristo Pascoal Spengler, OFM |
| Mandato | 1987 - 2016 |
| Ordenação e nomeação | |
| Profissão Solene | 1961 |
| Ordenação presbiteral | 21 de dezembro de 1963 Arquibasílica de São João de Latrão por Giovanni Canestri |
| Nomeação episcopal | 16 de fevereiro de 1987 |
| Ordenação episcopal | 5 de abril de 1987 Belém por Alberto Gaudêncio Ramos |
| Lema episcopal | IN NOMINE DOMINI em nome do Senhor |
| Brasão episcopal | |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Pamplona, Navarra, Espanha 28 de março de 1940 |
| Morte | Belém, Pará, Brasil 20 de novembro de 2024 (84 anos) |
| Nacionalidade | espanhol |
| Progenitores | Mãe: Esperanza Hermoso Pai: Martín Azcona |
| dados em catholic-hierarchy.org Bispos Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Dom José Luis Azcona Hermoso, OAR (Pamplona, 28 de março de 1940 – Belém, 20 de novembro de 2024) foi um religioso e missionário da Ordem dos Agostinianos Recoletos, bispo católico, bispo-prelado emérito do Marajó, no estado do Pará.
Biografia
Filho de Martín Azcona e Esperanza Hermoso, sua vocação religiosa manifestou-se desde cedo. Foi para o Seminário Menor aos dez anos de idade na cidade de São Sebastião (Espanha). Professou os votos simples em 1958 e os votos solenes em 1961, sendo ordenado sacerdote em 21 de dezembro de 1963, por Dom Giovanni Canestri, bispo auxiliar de Roma, na Basílica de São João de Latrão, em Roma, em pleno Concílio Vaticano II. Em 1964, concluiu a teologia e foi enviado para cursar o doutorado em teologia moral no Instituto Alfonsiano dos padres redentoristas em Roma.[1]
Atividades antes do episcopado
Trabalhou na Alemanha entre 1966 e 1970 como capelão de imigrantes espanhóis. A seguir, trabalhou na Espanha e Colômbia: prior provincial da Província de São Tomás de Villanova (1975-1981), vice-mestre de noviços em Desierto de la Candelaria, Colômbia (1982) e mestre de noviços em Los Negrales, Madrid (1983). Enviado ao Brasil, chegou ao país em 1.º de junho de 1985.[1][2]
Episcopado
Foi nomeado prelado do Marajó em 16 de fevereiro de 1987, por João Paulo II. A sagração episcopal ocorreu em 5 de abril de 1987, na Igreja São José de Queluz, Belém do Pará, por D. Alberto Gaudêncio Ramos, arcebispo de Belém do Pará; os principais co-consagradores foram D. Florentino Zabalza Iturri, OAR, prelado de Lábrea, e D. Vicente Joaquim Zico, CM, arcebispo coadjutor de Belém do Pará.[3]
Tomou posse em 12 de abril daquele ano, em Soure, na Ilha de Marajó.[1]
Em sua atuação pastoral, denunciou a miséria da população do arquipélago, a devastação ambiental e a pesca predatória na região. Além disto, denunciou também a prostituição infantil e o tráfico de mulheres da Prelazia para a Guiana Francesa e para a Europa. Por estas denúncias, foi ameaçado de morte.[4][5][6][7][8][9] Em consequência de seus protestos, ele foi fundamental para a instalação da CPI da Pedofilia na Assembleia Legislativa do Pará e no Congresso Nacional, nos anos de 2009 e 2010.[4]
Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Azcona foi o pregador do retiro para o episcopado brasileiro reunido na 56ª Assembleia Geral, em 2018, e também participou de reuniões da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora.[10]
O Papa Francisco aceitou sua renúncia por idade em 1.º de junho de 2016.[11]
Ele criticou duramente o Instrumentum Laboris do Sínodo da Amazônia e condenou as cerimônias que incluíam as estatuetas da Pachamama, considerando-as "idolatria" e "escândalo".[12][13]
Em dezembro de 2023, a Nunciatura Apostólica no Brasil pediu ao bispo emérito para deixar o Marajó, mas não informou o motivo ou para onde ele seria deslocado.[14] A medida provocou reações dos moradores e outras instituições.[15][16][17] A Nunciatura recuou ainda no mesmo mês.[18] Porém, a decisão e a mobilização causaram o atraso da posse do novo prelado, D. José Ionilton Lisboa de Oliveira.[19]
Em decorrência de um câncer no pâncreas diagnosticado em junho de 2024, Dom Luis estava internado em cuidados paliativos no Hospital Porto Dias, em Belém, desde 28 de outubro. Ele faleceu em 20 de novembro.[10] Após ser velado na Paróquia São José de Queluz, no bairro Canudos, o corpo do bispo foi levado para Soure, onde foi sepultado.[4]
Nomeado em sua homenagem, o Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona fomenta ações em defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana.[5][20] Em 2026, a entidade foi renomeada Instituto Dom Azcona e Irmã Henriqueta de Direitos Humanos (IDAH).[21]
Prêmios
- 2021 - Prêmio Jaime Brunet para a Promoção dos Direitos Humanos, da Universidade Pública de Navarra, por ser um modelo de compromisso cristão, tendo promovido a justiça social e o cuidado com o meio ambiente[22]
- 2022 - Ordem do Mérito Princesa Isabel, em reconhecimento por seus serviços na promoção e defesa dos Direitos Humanos, concedida pelo então Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos[23]
Referências
- 1 2 3 «"Estamos nas mãos de Deus"». www.comunidadeshalom.org.br. Consultado em 6 de julho de 2026. Cópia arquivada em 27 de março de 2008
- ↑ «Bishop José Luis Azcona, a witness of service and evangelization, dies | Agustinos Recoletos» (em inglês). Consultado em 7 de julho de 2026
- ↑ «Bishop José Luís Azcona Hermoso [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 6 de julho de 2026
- 1 2 3 «Dom Luís Azcona, símbolo da luta contra tráfico humano e abuso infantil no Marajó, morre aos 84 anos». G1. 20 de novembro de 2024. Consultado em 6 de julho de 2026
- 1 2 «Dom Azcona deixa legado de luta contra a exploração sexual e tráfico de pessoas no Marajó». O Liberal. 20 de novembro de 2024. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «No Pará, criança de 12 anos tem bebê e diz que foi abusada pelo padrasto». Jornal Nacional. 26 de dezembro de 2016. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «Bispo denuncia exploração sexual de menores na Ilha do Marajó (PA)». Jornal Nacional. 18 de agosto de 2015. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «Bispo ameaçado de morte no Pará pede ajuda à polícia». g1.globo.com. Consultado em 7 de julho de 2026. Cópia arquivada em 28 de agosto de 2024
- ↑ «Dom Azcona diz não temer ameaças de morte». Notícias. 12 de maio de 2011. Consultado em 7 de julho de 2026
- 1 2 «Bispo emérito da prelazia do Marajó (PA), dom José Azcona morre em Belém aos 84 anos - CNBB». 20 de novembro de 2024. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «Rinuncia del Vescovo Prelato della Prelatura territoriale di Marajó (Brasile) e nomina del successore». press.vatican.va. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ Spuntoni, Nico (12 de dezembro de 2023). «La Santa Sede "sfratta" il vescovo 83enne amico di Medjugorje». ilGiornale.it (em italiano). Consultado em 7 de julho de 2026
- ↑ Digital, A. C. I. «Bispo denuncia idolatria e escândalo causados pelas imagens da Pachamama». ACI Digital. Consultado em 7 de julho de 2026
- ↑ «Liderança religiosa na luta contra pedofilia na Ilha do Marajó deve deixar região a pedido do Vaticano». G1. 9 de dezembro de 2023. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «Moradores de cidades na Ilha do Marajó protestam contra saída de liderança religiosa da região». G1. 12 de dezembro de 2023. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ Filho, Euro Mascarenhas (11 de dezembro de 2023). «AJD repudia a expulsão de Dom Azcona da Prelazia do Marajó». AJD Portal. Consultado em 7 de julho de 2026
- ↑ «Dom José Azcona manifesta confiança na permanência à frente da Prelazia do Marajó». O Liberal. 12 de dezembro de 2023. Consultado em 7 de julho de 2026
- ↑ «Após protestos, liderança religiosa na luta contra pedofilia deve permanecer no Marajó». G1. 26 de dezembro de 2023. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «Dom José Ionilton assume prelazia do Marajó em julho». ACI Digital. Consultado em 7 de julho de 2026
- ↑ «Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona». SoliVida. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «Após morte de irmã Henriqueta, Instituto Dom Azcona anuncia direção». G1. 23 de janeiro de 2026. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ Press, Europa (6 de maio de 2022). «José Luis Azcona recibe el Premio Internacional Jaime Brunet a la Promoción de los Derechos Humanos». www.europapress.es. Consultado em 7 de julho de 2026
- ↑ «Dom Azcona recebe Ordem do Mérito Princesa Isabel - Agostinianos Recoletos». Agostinianos Recoletos. 16 de dezembro de 2022. Cópia arquivada em 20 de abril de 2023



