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Pinheiro Machado
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José Gomes Pinheiro Machado | |
|---|---|
José Gomes Pinheiro Machado | |
| Vice-presidente do Senado Federal | |
| Período | 22 de julho de 1912 a 8 de setembro de 1915 |
| Presidente | Venceslau Brás (1912–1914) Urbano Santos (1914–1915) |
| Antecessor(a) | Quintino Bocaiúva |
| Sucessor(a) | Antônio Azeredo |
| Período | 5 de maio de 1902 a 21 de novembro de 1905 |
| Presidente | Rosa e Silva (1902) Nenhum (1902–1903) Afonso Pena (1903–1905) |
| Antecessor(a) | Manuel Queirós |
| Sucessor(a) | Joaquim Murtinho |
| Senador pelo Rio Grande do Sul | |
| Período | 15 de novembro de 1890 a 8 de setembro de 1915 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 8 de maio de 1851 Cruz Alta, Rio Grande do Sul, Império do Brasil |
| Morte | 8 de setembro de 1915 (64 anos) Rio de Janeiro, Distrito Federal, Brasil |
| Partido | Partido Republicano Rio-Grandense (1882–1910) Partido Republicano Conservador (1910–1915) |
| Profissão | Advogado, pecuarista |

José Gomes Pinheiro Machado (Cruz Alta, 8 de maio de 1851 — Rio de Janeiro, 8 de setembro de 1915) foi um político brasileiro, tendo sido um dos mais influentes da República Velha (1889-1930).[1] Era conhecido como "o condestável da República" e símbolo da "política dos governadores".[2]
Formação
Filho de Antônio Gomes Pinheiro Machado e Maria Manoela de Oliveira Ayres, Pinheiro Machado estudou na Escola Militar e aos quinze anos abandonou o curso para lutar, como voluntário e contra a vontade paterna, na Guerra do Paraguai. Deixou o exército em 1868 e permaneceu durante algum tempo na fazenda de seu pai, no Rio Grande do Sul, para se recuperar do desgaste físico sofrido em batalha.[3]
Após esse período, viajou para São Paulo, onde se formaria em 1878 pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.[4]
Propaganda republicana
Ainda estudante, formou com alguns colegas o Clube Republicano Acadêmico e fundou o jornal A República. Após a sua formatura, casou-se, ainda em São Paulo, com Benedita Brazilina da Silva Moniz e voltou para o Rio Grande do Sul, onde passou a exercer a advocacia na cidade de São Luís das Missões, atual São Luiz Gonzaga, e ainda fundou o primeiro partido republicano daquela província.[4]
Ardoroso defensor do estabelecimento da República no Brasil, lançou-se à propaganda com republicanos como Venâncio Aires, Demétrio Ribeiro, Apolinário Porto Alegre, Ramiro Barcelos, Joaquim Francisco de Assis Brasil e Júlio Prates de Castilhos, de quem ficou amigo.[4]
Política

Logo depois da proclamação da república brasileira (1889), foi eleito senador, participando a seguir da constituinte (1890/1891), na cidade do Rio de Janeiro. Com a eclosão da Revolução Federalista (1893-1895) no seu estado natal, em 1893, deixou a sua cadeira no Senado Federal do Brasil, para combater o movimento armado no comando da Divisão Norte, por ele organizada.[4] A licença para comandar tal divisão foi motivo de alguma controvérsia no Senado, mas por fim foi-lhe dada a autorização, lembrando que já possuía experiência de combate na Guerra do Paraguai.[5]
Derrotou os revolucionários comandados por Gumercindo Saraiva na Batalha de Passo Fundo (1894), fato esse que lhe valeu a patente de general de brigada honorário.[6] Retornou ao senado, onde permaneceu até a sua morte.
Em 1897 foi acusado de ordenar — em conluio com Francisco Glicério e outros políticos — o atentado contra o então presidente Prudente de Morais, na entrada do Arsenal de Marinha, em que morreu o general Carlos Machado de Bittencourt. A acusação lhe custou alguns dias de prisão, mas diante da falta de provas, foi libertado.[4]
Os partidos da República Velha eram constituídos em âmbito regional, como o Partido Republicano Paulista, o Partido Republicano Rio-grandense e outros. Pinheiro Machado, com a sua ampla visão política, adiantou-se no seu tempo ao fundar um partido político nacional, o Partido Republicano Conservador – PRC.[4]
Em 1902 tornou-se vice-presidente do senado brasileiro, onde passou a controlar a Comissão de Verificação de Poderes, cuja função era a de definir quais candidatos eleitos pelo voto poderiam tomar posse, poder de julgamento da regularidade e licitude das eleições, hoje, da competência da justiça eleitoral. Com este poder em mãos, eliminou no nascedouro diversos mandatos parlamentares.[quais?][4]
Pinheiro Machado atingiu a sua máxima influência quando Nilo Peçanha assumiu a presidência, após a morte de Afonso Pena, em 1909. Apoiou a candidatura do marechal Hermes da Fonseca à presidência da República em oposição a Rui Barbosa, apoiado pelos estados de São Paulo e Bahia. O resultado das eleições foi de 403 800 votos para Hermes contra 222 800 para Rui.[7] Na época, o normal era que um candidato de oposição recebesse de 20 a 30 mil votos. No mandato de Hermes, o poder de Pinheiro Machado atingiu o seu ápice, onde teve papel predominante na política das salvações, movimento que visava apaziguar as disputas entre as oligarquias regionais.[8] Uma piada publicada pela revista "O Gato", em 1913, resumia bem o poder de Pinheiro Machado. Segundo a piada, no dia em que deixava o Palácio do Catete, Hermes da Fonseca teria dito a Venceslau Brás, seu sucessor na presidência da república: "Olha Venceslau, o Pinheiro é tão bom amigo que chega a governar pela gente".[9]
Pretendia se candidatar à sucessão presidencial em 1914, mas articulações de seus oponentes impediram seu intento. Voltou então aos bastidores, de onde pretendia continuar manipulando à distância os jogos parlamentares e a política dos estados. Tinha imenso prestígio no Rio Grande do Sul e na região Nordeste, mas já colecionava um imenso número de desafetos noutras regiões. Em janeiro de 1915, enfrentou o clamor das ruas da Capital Federal, quando foi apupado por partidários de Nilo Peçanha, cuja eleição para a presidência do estado do Rio de Janeiro quase fora impedida por vontade de Pinheiro Machado.[10] Milhares de "nilistas" pediam por sua cabeça. Meses mais tarde, ao impor o nome de Hermes da Fonseca como Senador pelo Rio Grande do Sul, quase foi linchado por uma multidão feroz que o aguardava na porta do Senado. Foi nesta ocasião que Pinheiro Machado disse uma de suas mais célebres frases, ao ordenar ao cocheiro que o apanhara na porta do Palácio do Conde dos Arcos e que lhe perguntara como deveriam sair dali: "Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo!".[11]
O assassinato
Pinheiro Machado foi assassinado com uma punhalada pelas costas por Manço de Paiva, às 16h30 de 8 de setembro de 1915. O senador foi atacado no saguão do Hotel dos Estrangeiros, no Flamengo, onde visitaria Rubião Júnior, político do Partido Republicano Paulista. Vinha do Senado e estava em companhia dos deputados federais paulistas Cardoso de Almeida e Bueno de Andrade.[4] Suas últimas palavras teriam sido: "Ah, canalha! Apunhalaram-me!". Manço de Paiva entregou o punhal sujo de sangue a Cardoso de Almeida e calmamente esperou que a polícia chegasse ao hotel para prendê-lo. Pelo resto de sua vida, Manço de Paiva insistiria que agiu por conta própria.[12]
Meses antes, Pinheiro Machado previra sua própria morte em entrevista ao jornalista João do Rio: "Morro na luta. Matam-me pelas costas, são uns 'pernas finas'. Pena que não seja no Senado, como César...".[13]
O crime gerou uma enorme comoção nacional. Com a sua morte, o Partido Republicano Conservador, do qual era presidente, praticamente desapareceu.[4]
Galdino Siqueira foi o Promotor Público do caso.[14]
Vida pessoal
José Gomes Pinheiro Machado era casado com Benedita Brazilina Pinheiro Machado, mais conhecida como "Dona Nha-Nhã", desde 5 de agosto de 1876. No Rio de Janeiro, o casal residia numa das mais belas e famosas residências da então Capital Federal: o Palacete do Morro da Graça, em Laranjeiras, comprado em 1897, e ainda existente.
Galeria de imagens
- Com familiares
- Recepção no solar do Morro da Graça
- Aos 45 anos de idade
Ver também
Referências
- ↑ «museu». Portal Institucional do Senado Federal. Consultado em 16 de fevereiro de 2026
- ↑ Enciclopédia Delta de História do Brasil. [S.l.]: Editora Delta S/A. 1969. p. 1814
- ↑ Descendentes do Cap. José Gomes Pinheiro Vellozo e Anna Florisbella Machado de Oliveira e Vasconcellos
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9
- Silva, Cyro - Pinheiro Machado, Livraria Tupã Editora, Rio, 1951
- ↑ «Na Revolução Federalista, em 1893, senadores chegaram a pegar em armas». Senado Federal. 3 de agosto de 2015
- ↑ «Pinheiro Machado - República». Consultado em 20 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 18 de fevereiro de 2012
- ↑ SANTOS, Marcelo (2005). «Rui Barbosa e Pinheiro Machado: Disputa política em torno da candidatura e do governo do Marechal Hermes da Fonseca.» (PDF). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Consultado em 17 de fevereiro de 2026
- ↑ José Gomes Pinheiro Machado, pag. 1289 - Grande Enciclopédia Universal - edição de 1980 - ed. Amazonas
- ↑ "Pinheiro Machado governa o Governo, entre as 'salvações' e os 'coronéis'", pag. 25 - Nosso Século 1910/1930 - Anos de crise e de criação - 1980 - ed. Abril
- ↑ LACOMBE, Lourenço Luiz. Os chefes do Executivo Fluminense. Petrópolis, RJ : Museu Imperial, 1973.
- ↑ "Ascensão e queda de um caudilho gaúcho: 25 anos sob o império de Pinheiro Machado.", pag. 36 - Nosso Século 1910/1930 - Anos de crise e de criação - 1980 - ed. Abril
- ↑ O Rio de Janeiro através dos jornais - 1915, J.M. Weguelin
- ↑ "No Hotel dos Estrangeiros, uma punhalada nas costas", pag. 37 - Nosso Século 1910/1930 - Anos de crise e de criação - 1980 - ed. Abril
- ↑ PAIXÃO, Daniel Pugliese da, Cem anos do Código que nunca existiu: os passos e traços de Galdino Siqueira, apresentação de Bolívar Iglesias, 1ª ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2014.
Bibliografia
- Silva, Cyro - Pinheiro Machado, Livraria Tupã Editora, Rio, 1951
