BRZEN
João Rodrigues de Macedo
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| João Rodrigues de Macedo | |
|---|---|
| Nascimento | 4 de março de 1739 Póvoa de Lanhoso |
| Morte | 6 de outubro de 1807 São Gonçalo do Sapucaí |
| Cidadania | Reino de Portugal |
| Ocupação | empresário |
João Rodrigues de Macedo (Campos, Póvoa de Lanhoso, 4 de março de 1739 — São Gonçalo do Sapucaí, 6 de outubro de 1807) foi um comerciante, contratador de impostos e negociante estabelecido na Capitania de Minas Gerais durante a segunda metade do século XVIII. Destacou-se como um dos principais arrematantes de contratos fiscais da capitania, especialmente os contratos das Entradas e dos Dízimos, tornando-se uma das figuras centrais das redes mercantis e financeiras do período colonial.[1][2]
Sua trajetória esteve ligada à economia mineradora, à administração fiscal portuguesa e às redes políticas da elite mineira do final do século XVIII. Proprietário da residência que posteriormente ficaria conhecida como Casa dos Contos, em Ouro Preto, também manteve relações comerciais e pessoais com diversos personagens associados à Inconfidência Mineira, embora não tenha figurado entre os réus do processo.[3][4]
Origem e formação
João Rodrigues de Macedo nasceu em 4 de março de 1739, na freguesia de São Martinho de Campos, no concelho de Póvoa de Lanhoso, na então Província do Minho, em Portugal.[5] Era filho de Bento Gomes de Macedo e Teresa Rodrigues do Vale, proprietários rurais na região.[6]

Em 15 de julho de 1757, ingressou na Ordem Terceira do Carmo de sua freguesia de origem.[7] Poucos anos depois, emigrou para a América Portuguesa, estabelecendo-se inicialmente na cidade do Rio de Janeiro, onde iniciou sua atuação no comércio. A inserção em redes mercantis luso-brasileiras favoreceu sua ascensão econômica e, posteriormente, sua transferência para Vila Rica, na Capitania de Minas Gerais, onde consolidaria sua carreira como negociante e contratador de tributos da Coroa portuguesa.[8]
Atuação econômica na Capitania de Minas Gerais
Por volta de 1775, João Rodrigues de Macedo estabeleceu-se em Vila Rica, onde passou a integrar o grupo dos principais homens de negócio da Capitania de Minas Gerais. Com apoio financeiro de outros negociantes, entre eles Domingos José Gomes e José Aires Gomes, arrematou importantes contratos de arrecadação de tributos da Coroa portuguesa.[9]
Entre 1776 e 1781, foi contratador das Entradas da Capitania de Minas Gerais e das capitanias de Mato Grosso, Goiás e São Paulo. Também administrou o contrato dos Dízimos entre 1777 e 1783, operações que movimentavam centenas de contos de réis e figuravam entre os maiores contratos fiscais da América portuguesa.[10]
Além da administração dos contratos régios, Macedo desenvolveu uma ampla rede comercial voltada ao abastecimento da capitania. Seu representante no Rio de Janeiro, Domingos José Gomes, era responsável pela aquisição de mercadorias, como sal, açúcar e outros gêneros de grande consumo, posteriormente distribuídos para revenda em diferentes vilas mineiras. A combinação entre atividades mercantis, crédito e administração fiscal fez de João Rodrigues de Macedo um dos mais influentes negociantes da economia mineradora no final do século XVIII.[11]
Casa dos Contos

Entre 1782 e 1784, João Rodrigues de Macedo construiu, em Vila Rica, uma ampla residência destinada a sediar tanto sua moradia quanto seus negócios. O edifício, posteriormente conhecido como Casa dos Contos, tornou-se um dos mais imponentes exemplares da arquitetura civil da capitania e simbolizou a posição econômica alcançada por Macedo como contratador da Coroa.[12]
No pavimento térreo funcionavam os escritórios e armazéns relacionados à administração de seus contratos e atividades comerciais, enquanto o piso superior era destinado à residência da família e à recepção de visitantes.[13]
A partir da década de 1790, em razão das elevadas dívidas acumuladas junto à Real Fazenda, parte do imóvel passou a ser utilizada pela administração colonial. Em 1797, a propriedade foi incorporada ao patrimônio da Coroa portuguesa, tornando-se sede da contadoria e da administração fazendária da Capitania de Minas Gerais, origem da denominação "Casa dos Contos".[14]
Após a incorporação do edifício ao patrimônio régio, a documentação produzida por João Rodrigues de Macedo foi, em grande parte, preservada no arquivo da instituição. Esse conjunto documental, atualmente conhecido como Arquivo da Casa dos Contos, constitui uma das principais fontes para o estudo da administração fiscal, das redes comerciais e da economia da Capitania de Minas Gerais no final do século XVIII.[15]
Relações com a Inconfidência Mineira

João Rodrigues de Macedo manteve relações comerciais, profissionais e pessoais com diversos integrantes da elite letrada e política de Minas Gerais que, posteriormente, seriam envolvidos na Inconfidência Mineira. Entre eles figuravam Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José de Alvarenga Peixoto, José Aires Gomes e o cônego Luís Vieira da Silva, além de outros membros das redes de sociabilidade de Vila Rica.[16][17]
Sua residência, posteriormente denominada Casa dos Contos, era frequentada por negociantes, magistrados, religiosos e intelectuais, constituindo um importante espaço de encontro da elite colonial na década de 1780. A historiografia reconhece que esse ambiente favoreceu a circulação de ideias e o fortalecimento das redes de relacionamento entre alguns dos futuros inconfidentes.[18]
Apesar de sua proximidade com diversos participantes da conspiração e de sua condição de grande devedor da Real Fazenda, João Rodrigues de Macedo não foi denunciado nem figurou entre os réus da Devassa. As razões para sua exclusão do processo permanecem objeto de debate entre os historiadores, não havendo consenso sobre seu eventual grau de participação no movimento.[19][20]
Após a condenação dos inconfidentes, Macedo manteve relações com algumas de suas famílias. Documenta-se, por exemplo, sua atuação na arrematação de parte da Fazenda Boa Vista, pertencente a Inácio José de Alvarenga Peixoto, passando a administrá-la em associação com sua viúva, Bárbara Heliodora.[21]
Declínio, últimos anos e morte
O encerramento dos contratos de arrecadação coincidiu com o agravamento da situação financeira de João Rodrigues de Macedo. Como outros grandes contratadores do período, acumulou expressivas dívidas junto à Real Fazenda, decorrentes da diferença entre os valores arrecadados e aqueles devidos à Coroa portuguesa.[22][23]
Em consequência desse endividamento, seu patrimônio foi progressivamente incorporado pela administração colonial. A Casa dos Contos passou à posse da Real Fazenda no final do século XVIII, tornando-se sede da contadoria e da administração fazendária da Capitania de Minas Gerais.[24]
Nos últimos anos de vida, Macedo estabeleceu-se na região de São Gonçalo do Sapucaí, onde manteve propriedades rurais e atividades ligadas à exploração aurífera. Faleceu naquela localidade em 6 de outubro de 1807.[25]

Documentos da Real Fazenda demonstram que, mesmo após sua morte, o espólio de João Rodrigues de Macedo permaneceu sujeito à cobrança das dívidas contraídas durante sua atuação como contratador. A documentação produzida nesse processo constitui importante fonte para o estudo da administração fiscal portuguesa e da economia mineradora no final do período colonial.[26]
Ver também
Referências
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». ANPUH. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Maxwell, Kenneth (1977). A Devassa da Devassa. [S.l.]: Paz e Terra
- ↑ Rodrigues, André Figueiredo (2008). Os sertões proibidos da Mantiqueira: ocupação da fronteira e consolidação do Estado no Sul de Minas (1765–1835). [S.l.]: USP
- ↑ Doria, Pedro (2013). 1789: A História de Tiradentes. [S.l.]: Nova Fronteira
- ↑ Lênio Luiz Richa. «Contratador João Rodrigues de Macedo – Ascendentes». Cópia arquivada em 3 de março de 2016
- ↑ Lênio Luiz Richa. «Contratador João Rodrigues de Macedo – Ascendentes». Cópia arquivada em 3 de março de 2016
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Rodrigues, André Figueiredo (2008). Os sertões proibidos da Mantiqueira: ocupação da fronteira e consolidação do Estado no Sul de Minas (1765–1835). [S.l.]: USP
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2005). Anais da Biblioteca Nacional. 125. [S.l.: s.n.]
- ↑ Maxwell, Kenneth (1977). A Devassa da Devassa. [S.l.]: Paz e Terra
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Maxwell, Kenneth (1977). A Devassa da Devassa. [S.l.]: Paz e Terra
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Doria, Pedro (2013). 1789: A História de Tiradentes. [S.l.]: Nova Fronteira
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Maxwell, Kenneth (1977). A Devassa da Devassa. [S.l.]: Paz e Terra
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- ↑ Rodrigues, André Figueiredo (2008). Os sertões proibidos da Mantiqueira: ocupação da fronteira e consolidação do Estado no Sul de Minas (1765–1835). [S.l.]: USP
Bibliografia
- Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2011). «João Rodrigues de Macedo: o contratador e sua espiral de poder no setecentos mineiro». ANPUH. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História
- Fonseca, Paulo Miguel Moreira da (2005). «O contratador João Rodrigues de Macedo: ações e transações através da prática epistolar no século XVIII». Anais da Biblioteca Nacional. 125: 29–56
- Rodrigues, André Figueiredo (2008). Os sertões proibidos da Mantiqueira: ocupação da fronteira e consolidação do Estado no Sul de Minas (1765–1835) (Tese). Universidade de São Paulo
- Maxwell, Kenneth (1977). A Devassa da Devassa. [S.l.]: Paz e Terra
- Doria, Pedro (2013). 1789: A História de Tiradentes. [S.l.]: Nova Fronteira
