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Ibne Abas
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Abedalá ibne Abas (em árabe: عَبْد ٱللَّٰه ٱبْن عَبَّاس; romaniz.: ʿAbd Allāh ibn ʿAbbās; ca. 619 - m. 687/8), também conhecido apenas como Ibne Abas e cognominado Alibre (الحِبْر, al-Ḥibr, "o Doutor") e Albar (البَحْر, al-Baḥr, lit. "Mar"),[1] foi um dos primos do profeta islâmico Maomé. Ele é considerado um dos maiores sábios — senão o maior — da primeira geração de muçulmanos e o fundador da exegese do Alcorão.[2] Nasceu em 619, três anos antes da Hégira, no período em que os haxemitas viviam reclusos no chamado “Desfiladeiro”. Era filho de Alabás e de Lubaba, cuja conversão ao Islã ocorreu logo após a Hégira. Ainda recém-nascido, foi levado a Maomé, que o abençoou com uma súplica. Permaneceu em Meca com a mãe, considerada entre os isentos da emigração, e há divergências quanto ao momento exato de sua ida a Medina. Desde jovem demonstrou grande inclinação ao saber, interrogando os companheiros do Profeta e reunindo informações sobre sua vida. Por ser sobrinho de Maimuna binte Alharite, esposa de Maomé, hospedava-se por vezes na casa profética, conquistando a estima do Profeta, que rogou para que Deus lhe concedesse conhecimento do Livro e compreensão da religião.
A atuação política e militar de Ibne Abas foi relevante, embora não deva ser superestimada. Participou de campanhas no Egito, na Ifríquia, na Hircânia e no Tabaristão. Em 656, durante o cerco que levou ao assassinato do califa Otomão, encontrava-se encarregado de conduzir o Haje a Meca. De volta, prestou homenagem a Ali e passou a desempenhar missões de confiança, sendo nomeado governador de Baçorá. Lutou nas Batalhas do Camelo e de Sifim, assinou a convenção de arbitragem e depois foi enviado para dialogar com os haruraítas (futuros carijitas), conseguindo que alguns abandonassem o movimento. As relações com Ali deterioraram-se, levando-o a deixar o governo e retirar-se para Meca, em meio a acusações controversas e disputas políticas mais amplas.
Após a morte de Ali, Ibne Abas manteve papel ativo nos acontecimentos posteriores: foi nomeado comandante por Haçane, entrou em contato com Moáuia e viveu longos anos no Hejaz, frequentando a corte de Damasco para defender os interesses dos haxemitas. Participou da campanha contra o Império Bizantino e advertiu Huceine sobre os riscos de ir a Cufa. Abalado pelo massacre de Carbala, voltou à cena política após a morte de Iázide I, recusando reconhecer Abedalá ibne Azobair como califa e sofrendo prisão temporária. Libertado com a ajuda de Almoquetar Atacafi, retirou-se para Taife, onde morreu em 687/8. Paralelamente, destacou-se como grande erudito do Islã primitivo: mestre em tafsīr, fiqh e hádice, transmissor prolífico de relatos, formador de importantes discípulos e orador respeitado, tornando-se uma das figuras intelectuais mais influentes de sua geração.
Vida
Abedalá ibne Abas nasceu em 619, três anos antes da Hégira, quando os haxemitas viviam reclusos no chamado "Desfiladeiro" (Axibe). Era filho de Alabás e Lubaba Sua mãe se converteu ao Islã logo após a Hégira (622). Ao nascer, foi levado por seu pai a Maomé, que o abençoou com uma súplica. Permaneceu em Meca com a mãe, que fazia parte dos isentos da emigração (mustaḍʿaf). Há uma tradição segundo a qual mais tarde emigrou para Medina com ela; outra afirma que emigrou apenas no ano da conquista (630), juntamente com seu pai. Desde jovem, demonstrou forte inclinação para a investigação erudita rigorosa, na medida em que tal concepção era possível naquele tempo, e reunia informações sobre Maomé interrogando seus companheiros. Como sua tia materna Maimuna binte Alharite era uma das esposas do profeta, algumas noites era hospedado na casa profética. Diz-se que pelo amor, devoção e serviço sincero que demonstrava a Maomé, conquistou sua estima e foi agraciado com a famosa súplica: "Ó Deus, ensina-lhe o Livro e torna-o versado na religião!" (Albucari, ʿIlm, 17; Wuḍūʾ, 10).[3]
A importância do papel desempenhado por Ibne Abas nos acontecimentos políticos e militares de seu tempo não deve ser exagerada, como tenderam a fazer seus biógrafos muçulmanos. Sabe-se que acompanhou os exércitos muçulmanos em várias campanhas expansionistas: ao Egito (639–41), à Ifríquia (647/8), à Hircânia e ao Tabaristão (650/1). Em 656, quando o califa Otomão (r. 644–656) foi sitiado em sua casa, em Medina, recebeu a missão de conduzir o Haje para Meca e, por isso, não se encontrava na capital no momento do assassinato de Otomão. Quando retornou alguns dias depois, Ibne Abas prestou homenagem a Ali (r. 656–661). A partir de então, passou a ser encarregado de missões importantes e, após a ocupação de Baçorá (656/7), foi nomeado governador dessa cidade. Nas Batalhas do Camelo (656) e de Sifim (657), comandou uma ala das tropas de Ali. Foi um dos signatários da convenção de Sifim, que confiou a dois árbitros a tarefa de resolver a disputa entre Ali e Moáuia.[1] Contudo, foi contra a destituição de Moáuia do governo da Síria e se opôs à escolha de Abu Muça Alaxari como representante de Ali no episódio da arbitragem.[4]
Posteriormente, Ali o encarregou de dialogar com os haruritas (futuros carijitas), defendendo a validade jurídica dessa arbitragem (taḥkīm). No encontro, procurou demonstrar, com base em versículos corânicos, que não deveriam declarar Ali incrédulo nem insurgir-se contra ele. Embora haja diferenças entre fontes carijitas-ibaditas e sunitas quanto ao desenrolar desse encontro, ambas concordam que as discussões foram intensas e que alguns carijitas acabaram por abandonar o próprio grupo.[4] Algum tempo depois, as relações entre Ibne Abas e o califa deterioraram-se subitamente, levando-o a retirar-se para Meca, abandonando o governo, e fazendo com que Ali deixasse de considerá-lo seu representante em Baçorá. Essa deserção foi datada de modo diverso pelas fontes em 658/9, 659/60 ou 660/1, sendo 658/9 a data mais plausível. Algumas fontes árabes afirmam que Ibne Abas se ofendeu porque Ali o censurara por supostos desfalques cometidos durante seu governo.[1] À primeira vista, tais alegações têm origem em disputas políticas e no conflito xiita-sunita. Com efeito, um dos transmissores dessa notícia na cadeia citada por Atabari, Abu Miquenafe Lute ibne Iáia, foi classificado por várias autoridades como "não confiável", "fraco", "sem valor algum" e "xiita extremado". Além disso, não se sabe ao certo quem transmitiu a notícia a partir dele, pois os demais narradores são pessoas de identidade desconhecida. Acrescente-se ainda que se afirma que Abu Alaçuade Aduali, apontado como denunciante da suposta corrupção, teria tido desavenças pessoais com Ibne Abas, a quem dirigiu palavras ofensivas; também se diz que os bens levados de Baçorá correspondiam apenas a direitos pessoais acumulados e à parte que lhe cabia do fai.[4]
Ao que parece, o verdadeiro motivo de sua renúncia ao cargo — que coincidiu com a de muitos outros partidários de Ali — deve ser relacionado a acontecimentos muito mais importantes do período: o massacre dos carijitas em Narauã (658), que Ibne Abas, segundo certas fontes, teria condenado, e a posição insustentável de Ali, que manteve sua pretensão ao califado quando, de acordo com o veredicto dos árbitros, já não era reconhecido como tal pela maioria dos muçulmanos.[1] Mais tarde, Ibne Abas apropriou-se dos fundos provinciais de Baçorá, provavelmente quando retornou à cidade algum tempo depois de sua deserção. Após a morte de Ali em 661, Haçane nomeou-o comandante de suas tropas; contudo, Ibne Abas entrou em contato com Moáuia. Não é claro se o fez por iniciativa própria ou a convite de Haçane; talvez tenha sido ele quem conseguiu levar a bom termo o acordo entre os dois pretendentes ao califado. Ibne Abas sustentava que, como recompensa por seus bons ofícios, Moáuia reconhecera seu direito de se apropriar do dinheiro que havia tomado, isto é, de parte do tesouro de Baçorá. Todas essas manobras pareceram a certos rauis incompatíveis com a dignidade de uma personagem tão eminente; por essa razão, transferiram-nas para seu irmão Ubaide Alá. Durante o longo reinado de Moáuia, Ibne Abas viveu no Hejaz e ia com bastante frequência à corte de Damasco, principalmente — ao que parece — para defender os interesses dos haxemitas, que eram também os seus próprios interesses.[5]
Em 670/1, participou da campanha conduzida por Iázide, filho do então califa Moáuia I (r. 661–680), contra o Império Bizantino, que culminou no cerco fracassado de Constantinopla, ao lado de Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe.[1] Em 680, após a morte de Moáuia, quando os partidários de Ali convidaram Huceine a ir a Cufa, Ibne Abas advertiu-o de que os cufanos não eram confiáveis e que não deveria aceitar o convite; sugeriu-lhe que, se insistisse em partir, escolhesse o Iêmem, caso contrário poderia enfrentar graves consequências. Diz-se que quando Ibne Abas soube do massacre em Carbala, entristeceu-se profundamente e, segundo a tradição, chorou a ponto de perder a visão.[4] Três anos depois, com a morte de Iázide I (r. 680–683), Ibne Abas voltou ao centro do cenário político. Embora as informações disponíveis sejam fragmentárias, delas se depreende que Abedalá ibne Azobair — após levantar o estandarte da revolta em Meca — irritou-se profundamente com Ibne Abas, que, juntamente com o filho de Ali, Maomé ibne Alanafia, recusou-se a reconhecê-lo como califa. Ambos foram banidos de Meca. Em 683, ano do cerco da cidade, retornaram, mas persistiram em sua oposição a Ibne Azobair, o que levou à prisão de ambos. Almoquetar Atacafi, informado da situação perigosa em que se encontravam, enviou de Cufa uma grande tropa de cavalaria, que os libertou por meio de um ataque surpresa. Foi graças a Ibne Abas que, nessa ocasião, se evitou o derramamento de sangue na cidade. Sob a proteção dessa tropa, os homens libertados dirigiram-se a Mina e depois a Taife, onde Ibne Abas morreu algum tempo mais tarde (687/8).[6] Sua oração fúnebre foi conduzida por Maomé ibne Alanafia.[4]
Erudição
Ainda jovem, Ibne Abas tornou-se um mestre em torno do qual se reuniam pessoas desejosas de aprender. Orgulhoso de seu saber — que não se baseava apenas na memória, mas também numa ampla coleção de anotações escritas —, ministrava palestras públicas segundo uma espécie de programa semanal, abordando temas diferentes a cada dia: a interpretação do Alcorão, questões judiciais, as expedições de Maomé, a história pré-islâmica e a poesia antiga. Foi devido ao seu hábito de citar versos em apoio às explicações de expressões ou palavras do Alcorão que a poesia árabe antiga adquiriu, para os estudiosos muçulmanos, a importância que lhe é reconhecida. Tendo sua competência sido reconhecida, Ibne Abas passou a ser consultado para a emissão de fátuas (é especialmente célebre sua autorização do casamento mutʿa, que mais tarde teve de defender). Suas explicações corânicas foram reunidas em coleções especiais, cujos isnades remontam a um de seus discípulos diretos (Ibne Anadim, Kitab al-Fihrist, 33); suas fátuas também foram compiladas. Atualmente existem numerosos manuscritos e várias edições de um tafsīr — ou de tafsīres — que lhe são atribuídos.[1]
Ibne Abas foi um dos companheiros que mais transmitiram hádices, totalizando 1660 relatos. Alguns ouviu diretamente de Maomé, e a maioria aprendeu com Omar, Ali, Muade ibne Jabal, seu pai Abas, Abederramão ibne Aufe, Abu Sufiane ibne Harbe, Abu Dar Alguifari, Ubai ibne Cabe, Zaíde ibne Tabite e outros companheiros. Os grandes estudiosos do hádice atribuíram grande importância às suas transmissões: 75 foram incluídos conjuntamente por Albucari e Muslim ibne Alhajaje, 120 apenas por Albucari e nove apenas por Muslim. Grande parte de seus hádices encontra-se também no Musnade (I, 214–374; V, 116–122). Por sua vez, 197 pessoas transmitiram hádices a partir dele. Além de transmitir muitos hádices, deu grande importância ao seu ensino e fez avaliações críticas (jarḥ) sobre alguns tabis. Reconhecia também a validade do método de ensino conhecido como ʿarḍ ou qirāʾa. Diz-se que certa vez, após ler hádices por algum tempo para os habitantes de Taife e começar a confundir os textos devido à idade e ao cansaço, disse: "Estou cansado agora. Leiam vocês, e eu escutarei. O fato de eu ouvir e aprovar o que vocês leem equivale a eu mesmo recitar" (Atirmidi, Kitāb al-ʿIlal, V.751–752).[4]
Ibne Abas transmitiu relatos provenientes de algumas pessoas oriundas do povo do livro que haviam aceitado o Islã é também um dos pontos sobre os quais se detiveram alguns orientalistas, como Goldziher e F. Buhl. Esses relatos, classificados como isrāʾīliyyāt, podem ser avaliados mediante sua divisão em três categorias: aqueles cuja veracidade é confirmada por provas islâmicas; aqueles cuja falsidade é conhecida; aqueles a respeito dos quais não existe informação islâmica. As objeções levantadas por alguns círculos contra esse tipo de relato atribuído a Ibne Abas não se devem, na realidade, às transmissões cuja autoria lhe é indubitavelmente atribuível, mas sobretudo a narrativas que lhe foram imputadas por razões políticas. Com efeito, o próprio Frants Peder William Buhl, ao mesmo tempo que o critica nesse aspecto, reconhece essa realidade ao afirmar que "alguns dos hádices citados em seu nome foram posteriormente atribuídos a ele por impostores".[7]
A superioridade de Ibne Abas no campo da exegese corânica (tafsīr) foi reconhecida quase unanimemente desde os primeiros tempos. Ele conhecia muito bem as causas da revelação dos versículos, bem como os casos de ab-rogação (nāsikh e mansūkh), e possuía um domínio excepcional da literatura árabe. Por essa razão, desde a época dos companheiros passou a ser designado pelos títulos de Alibre Aluma (al-Ḥibr al-Umma), "o douto da comunidade", e Tarjumã Alcurã (Tarjumān al-Qurʾān, "o intérprete do Alcorão". O califa Omar, por exemplo, incluía-o nos círculos de erudição frequentados pelos veteranos de Badre, apesar de sua pouca idade, e valorizava suas opiniões. As tradições exegéticas atribuídas a Ibne Abas são numerosas e apresentam diferentes graus de autenticidade. Para praticamente cada versículo do Alcorão, transmitiu-se dele uma ou mais interpretações. Em razão dessa multiplicidade e da confusão resultante, o imame Axafii sentiu-se compelido a afirmar que, no que diz respeito à exegese, apenas cerca de cem hádices provenientes de Ibne Abas podem ser considerados firmemente estabelecidos. Os estudiosos críticos analisaram minuciosamente as diferentes vias de transmissão (ṭuruq) do tafsīr atribuído a Ibne Abas, avaliando-as uma a uma quanto à sua atribuição, e identificaram quem as utilizou e em quais obras.[7]
Ibne Abas ocupa também um lugar de destaque na ciência do fiqh. Como um dos chamados "quatro Abedalá" (al-ʿabādila), foi reconhecido em sua época como a principal autoridade jurídica de Meca, sendo célebre pela abundância de suas fátuas. Abzeme considera-o o companheiro do profeta que mais emitiu pareceres jurídicos. Relata-se que essas fátuas teriam sido reunidas em vinte volumes por Abu Becre Maomé ibne Muça ibne Iacube (Ibne Alcaim, I.12), mas essa obra não sobreviveu. Seus pareceres foram especialmente tomados como referência no campo do direito sucessório islâmico (farāʾiḍ). Uma de suas opiniões jurídicas mais debatidas diz respeito ao casamento mutʿa, permitido pelo profeta por um período determinado e depois proibido. Em alguns relatos atribuídos a Ibne Abas, ele aparece permitindo o mutʿa; em outros, afirma que essa permissão pertenceu apenas aos primeiros anos do Islã e que, posteriormente, o mutʿa foi proibido. Ao que parece — como observa Atirmidi —, por desconhecer inicialmente a proibição, Ibne Abas declarou o mutʿa lícito; depois, ao tomar conhecimento do fato, retratou-se dessa opinião e afirmou tratar-se de algo ilícito (ḥarām).[7]
Entre os discípulos de Ibne Abas encontram-se muitos grandes juristas, como Icrima ibne Abedalá Albarbari, Mujaide ibne Jabre, Ata ibne Abi Raba, Saíde ibne Jubair, Taus ibne Caiçane Aliamani e Saíde ibne Almuçaíbe. Pode-se dizer ainda que ele exerceu influência indireta — tanto no fiqh quanto na exegese e na literatura — sobre o imame Axafii, que estudou durante algum tempo com juristas formados no meio intelectual de Meca. Além da exegese, do fiqh e do hádice, Ibne Abas possuía vasto conhecimento da literatura árabe e da ciência das linhagens (ansāb). Era também um orador poderoso: após as orações, proferia discursos impactantes e, quando havia entre os ouvintes pessoas que não dominavam o árabe, recorria a intérpretes para que suas palavras fossem compreendidas por todos.[7]
Obras
A Ibne Abas são atribuídas algumas obras:
- Tafsīr de Ibn ʿAbbās: textos a ele atribuídos e transmitidos em diversas obras de exegese e de hádice. O Dr. ʿAbd al-ʿAzīz b. ʿAbd Allāh reuniu, em dois volumes, os relatos exegéticos de Ibne Abas presentes em quinze coleções de hádices (os Kutub al-Sitta, o al-Muwaṭṭaʾ, os musnades de Amade ibne Hambal, Ataialici, Axafii e Alumaidi, o al-Muṣannaf de Abede Arrazaque, o Muntaqā de Ibne Jarude, bem como os Sunan de Adaracutni e Adarimi), sob o título Tafsīru Ibn ʿAbbās wa-marwiyyātuh. Nessa obra, ele submeteu à crítica os isnades dos relatos que não constam em Albucari e Muslim, avaliando-os quanto à sua solidez. O Tafsīr de Ibne Abas inclui também os textos exegéticos reunidos por Firuzabadi.[8]
- Ġarīb al-Qurʾān: fascículo, organizado por Ata ibne Abi Raba, encontra-se na Biblioteca da Mesquita de Solimão (Atıf Efendi, nº 2815/8, fólios 102a-107a). A obra esclarece os versículos do Alcorão indicando a qual dialeto tribal árabe pertencem as palavras consideradas "raras" (ġarīb).[8]
- Masāʾil Nāfiʿ b. al-Azraq: contém as respostas dadas por Ibne Abas às perguntas de Nafi ibne Alasraque, um dos chefes dos carijitas, sobre cerca de duzentas palavras de difícil compreensão no Alcorão. Existem manuscritos da obra nas bibliotecas Zairia (geral, nº 3849, fólios 108a-119b), Dar Alcutube (Mecmûa, nº 166, fólios 132a-143b) e Berlim (nº 683, 93-101, sob o título Ġarīb al-Qurʾān). Assuiuti reproduziu parte da obra literalmente em al-Itqān (II, 56-88), e Muhammad Fuad Abdul Baqi publicou essas palavras em ordem alfabética juntamente com o Muʿjam ġarīb al-Qurʾān (Cairo, 1950, p. 234-292). Aisha Abd al-Rahman republicou o texto em estudo mais amplo sob o título al-Iʿjāz al-bayānī li’l-Qurʾān wa-Masāʾil Ibn al-Azraq (Cairo, 1391/1971, p. 267-507).[8]
- al-Luġāt fī’l-Qurʾān: transmitida por Abedalá ibne Huceine ibne Hasnune Almucri, essa obra, cujo manuscrito se encontra na Biblioteca da Mesquita de Solimão (Esad Efendi, nº 91/3, fólios 104a-112b), foi publicada por Ṣalāḥ al-Dīn al-Munajjid com o título Luġāt al-Qurʾān (Cairo, 1946). İsmail Cerrahoğlu demonstrou, ao comparar Ġarīb al-Qurʾān, Luġāt al-Qurʾān e a obra Luġat qabāʾil al-ʿArab de Abu Ubaide Alcácime ibne Salame, que esses textos derivam de uma mesma fonte (AÜİFD, XXII, 17-104).[8]
- Qaṣīdat al-madḥ: poema panegírico sobre as virtudes dos quatro califas e de seu pai, Abais, que Ibne Abas recitou na presença do califa Moáuia.[8]
Além dessas obras, há ainda alguns opúsculos que lhe são atribuídos, como um musnade, Ḫawāṣṣ baʿḍ al-adʿiya e Ḥadīth al-Miʿrāj. Os hádices transmitidos por Ibne Abas no Tahdhīb al-Āthār de Atabari foram publicados em dois volumes por Maḥmūd Muḥammad Shākir, entre as publicações da Universidade Islâmica Imam Muhammad Ibn Saud (Atabari, Tahdhīb al-Āthār: Musnad ʿAbd Allāh b. ʿAbbās, Cairo, 1982).[8]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 Vaglieri 1960, p. 40.
- ↑ Adamec 2009, p. 134.
- ↑ Çakan & Eroğlu 1988, p. 76.
- 1 2 3 4 5 6 Çakan & Eroğlu 1988, p. 77.
- ↑ Vaglieri 1960, p. 40-41.
- ↑ Vaglieri 1960, p. 41.
- 1 2 3 4 Çakan & Eroğlu 1988, p. 78.
- 1 2 3 4 5 6 Çakan & Eroğlu 1988, p. 79.
Bibliografia
- Adamec, Ludwig W. (2009). Historical Dictionary of Islam. Lanham: Scarecrow Press. ISBN 0810861615
- Çakan, İsmail Lütfi; Eroğlu, Muhammed (1988). «Abdullah b. Abbas». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 1. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026
- Vaglieri, L. Veccia (1960). «ʿAbd Allāh ibn ʿAbbās». In: Gibb, H. A. R.; Kramers, J. H.; Lévi-Provençal, E.; Schacht, J.; Lewis, B.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume I: A–B. 1. Leida: Brill
