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Hyperion (Hölderlin)
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| Hyperion | |
|---|---|
Edição alemã de 1911 | |
| Autor(es) | Friedrich Hölderlin |
| Idioma | Alemão |
| Páginas | 169 |
Hyperion, ou O Eremita na Grécia (em alemão: Hyperion; oder, Der Eremit in Griechenland) é um romance epistolar do poeta alemão Friedrich Hölderlin. Publicado originalmente em dois volumes, em 1797 (Volume 1) e 1799 (Volume 2), a obra é narrada sob a forma de cartas do protagonista Hyperion para seu amigo alemão Bellarmin, além de algumas cartas trocadas entre Hyperion e Diotima, por quem é apaixonado, no segundo volume. O romance é notável por seu classicismo filosófico e por suas imagens expressivas.
O nome Hyperion vem do grego antigo (῾Υπερίων, Hyperíon, com acento na antepenúltima sílaba no alemão) e significa "aquele que caminha nas alturas" ou "o que vai por cima".
Origem
Hölderlin começou a trabalhar no tema em 1792, quando era estudante de 22 anos na Tübinger Stift, e o revisou repetidamente ao longo dos anos seguintes. Em novembro de 1794, foi publicado na revista Neue Thalia o Fragment von Hyperion, versão preliminar da obra. A versão definitiva foi elaborada entre 1796 e 1798 na cidade de Frankfurt, na casa da família Gontard, onde Hölderlin trabalhava como preceptor. Ele também frequentou as aulas de Johann Gottlieb Fichte na Universidade de Jena durante esse período, influência que se reflete no idealismo filosófico da obra.
Enredo
A história se passa na Grécia e é narrada retrospectivamente: Hyperion escreve a seu amigo alemão Bellarmin recontando os eventos de sua vida. Criado em meados do século XVIII no sul da Grécia, em harmonia com a natureza, Hyperion é introduzido pelo sábio mestre Adamas ao mundo heroico de Plutarco e ao universo encantado dos deuses gregos, desenvolvendo profundo entusiasmo pelo passado clássico da Grécia. Seu amigo enérgico Alabanda o inicia nos planos de libertação da Grécia do domínio otomano.
Em Kalaurea, Hyperion conhece Diotima, que lhe dá força para agir. Em 1770, ele participa da guerra de libertação dos gregos contra os turcos, relacionada por Hölderlin em nota de rodapé à chegada de uma frota russa ao arquipélago naquele ano, enquadrando os eventos na Revolta de Orlov. A brutalidade da guerra, porém, o decepciona profundamente. Hyperion é gravemente ferido, Alabanda precisa fugir e Diotima morre de desgosto antes que possam se reencontrar. Hyperion vai para a Alemanha, mas a vida ali lhe torna insuportável. Ele retorna à Grécia e passa a viver como eremita. Na solidão, encontra na beleza da paisagem e da natureza um caminho de volta a si mesmo, superando a tragédia de seu isolamento. Ao longo de todas essas perdas, Hyperion também compreende os limites de seu conceito idealizado da Grécia.
Características

O romance é um documento de autoconfissão que, apesar de alguns traços juvenis e exaltados, expressa a visão de mundo e a vida interior de Hölderlin. Trata-se de um romance epistolar lírico em que a ação exterior tem importância secundária em relação às experiências internas do protagonista, e cuja riqueza emocional transbordante é contida em uma linguagem de intensa musicalidade.
A natureza, celebrada de forma hímnica nas cartas finais, é reverenciada como o espaço pleno do divino. Na descrição da Grécia, passado e futuro, sonho e promessa se interpenetram.
A figura de Diotima é inspirada na Diotima do Banquete de Platão. A partir de 1796, a personagem passou a ser modelada também em Susette Gontard, musa e amor de Hölderlin. Com esse romance, ele ergueu um monumento literário duradouro à sua paixão intensa e trágica por essa mulher casada, esposa de um banqueiro e mãe de quatro filhos. Hölderlin dedicou o segundo volume a Susette Gontard com as palavras: Wem sonst als Dir ("A quem mais, senão a ti").
O crítico Pierre Bertaux observou que o romance de Hölderlin não tem comparação com nenhuma outra obra da literatura mundial e não se enquadra em nenhuma categoria convencional, sendo o resultado cuidadosamente calculado de um trabalho longo que durou quase sete anos (1792-1799), e não fruto de uma improvisação exuberante como poderia parecer à primeira vista.[1]
Recepção
Musicalizações
O Schicksalslied (Canto do Destino) de Hyperion, presente no segundo volume do romance, foi musicalizado diversas vezes. A versão mais conhecida é a de Johannes Brahms (Schicksalslied, op. 54, para coro misto e orquestra, composto entre 1869 e 1871).
O final do romance foi musicalizado em 1912 por Richard Wetz como cantata (Hyperion, op. 32, para barítono, coro misto e orquestra).
Entre 1960 e 1969, o compositor e regente italiano Bruno Maderna compôs a ópera Hyperion a partir do romance de Hölderlin.
O compositor italiano Luigi Nono incluiu passagens de Hyperion em sua obra Fragmente-Stille, an Diotima, para quarteto de cordas, como parte da partitura a ser "cantada" silenciosamente pelos intérpretes durante a execução.
Cinema
No filme alemão Der Heilige Berg (1926), de Arnold Fanck, a personagem de Leni Riefenstahl recebe o nome de Diotima, em referência ao amor de Hyperion.
Artes visuais
Em 1983, a escultora alemã Angela Laich criou uma escultura intitulada Hyperion, inspirada no personagem principal do romance de Hölderlin.
Reconhecimento literário
Hyperion figura na obra de referência literária 1001 Books You Must Read Before You Die (2006).
Edições em língua portuguesa
No Brasil, o romance foi publicado pela editora Forense Universitária em sua 2ª edição em 9 de abril de 2012, com 228 páginas (ISBN 978-8530938697).
Bibliografia
- ENGEL, Manfred. Der Roman der Goethezeit. Band 1: Anfänge in Klassik und Frühromantik. Metzler, Stuttgart, 1993.
- BEYER, Uwe. Mythologie und Vernunft. Vier philosophische Studien zu Friedrich Hölderlin. Max Niemeyer, Tübingen, 1993.
- KNAUPP, Michael. Friedrich Hölderlin, Hyperion. Reclam, Stuttgart, 1997.
- FIRGES, Jean. Friedrich Hölderlin. Trauer um Diotima. Hölderlins Hyperion-Roman. Sonnenberg, Annweiler, 2002.
- HEINRICHS, Johannes. Revolution aus Geist und Liebe. Hölderlins "Hyperion" durchgehend kommentiert. Steno, München, 2007.
- FIRGES, Pascal. Eros im Hyperion. Platonisches und spinozistisches Gedankengut in Hölderlins Roman. Sonnenberg, Annweiler, 2010.
Referências
- ↑ Pierre Bertaux: Posfácio a Hyperion. Buchverlag Der Morgen, Berlin, 1982, p. 183.
