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Henriqueta Lisboa
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| Henriqueta Lisboa | |
|---|---|
| Nascimento | 15 de julho de 1901 |
| Morte | 9 de outubro de 1985 (84 anos) |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Ocupação | Poetisa |
| Prémios | Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1976) Prémio Machado de Assis (1984) |
| Magnum opus | Azul profundo |
| Movimento estético | Neo-simbolismo |
Henriqueta Lisboa (Lambari, 15 de julho de 1901 — Belo Horizonte, 9 de outubro de 1985)[1] foi uma poetisa brasileira. Em 1963, foi a primeira mulher eleita membro da Academia Mineira de Letras.[2] Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Poeta sensível, dedicou sua vida à poesia. Considerada um dos grandes nomes da lírica modernista pela crítica especializada, Henriqueta manteve-se sempre atuante no diálogo com os escritores e intelectuais de sua geração e angariou muitos leitores ilustres durante sua vida, dentre eles Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e a chilena Gabriela Mistral.
É a tia materna do economista e membro da Academia Brasileira de Letras Edmar Bacha.[3]
Biografia
Henriqueta Lisboa foi a segunda filha do farmacêutico e deputado federal João de Almeida Lisboa, um dos políticos de maior expressão da Primeira República, e de sua esposa Maria de Vilhena. Diplomou-se normalista pelo Colégio Sion, da cidade de Campanha, ainda em Minas. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1926, onde o pai foi eleito deputado federal. Em 1935 mudou-se para Belo Horizonte, onde exerceu várias atividades profissionais, como inspetora federal de ensino secundário, professora de literatura hispano-americana e de literatura brasileira da Pontifícia Universidade Católica e professora de história da literatura da Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Seu primeiro livro, Fogo fátuo, foi publicado quando ela tinha apenas vinte e quatro anos, mas a poeta desconsidera o livro na sua carreira literária, e indica Enternecimento, publicado em 1929, de forte caráter simbolista, como sua estreia literária. Com ela, Henriqueta recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Aderiu ao Modernismo por volta de 1945, fortemente influenciada pela amizade com Mário de Andrade, com quem trocou rica correspondência entre os anos de 1940 e 1945. Essa correspondência, que abrange os últimos seis anos de vida de Mário, foi publicada na coleção Correspondência de Mário de Andrade e Henriqueta Lisboa, pela Edusp/IEB e a Editora Peirópolis.
Foi só na meia-idade que publicou seu livro mais conhecido, Flor da morte -- escrito sob a influência da morte de Mário de Andrade seu grande amigo e mentor.
Notabilizou-se como poeta, tradutora e ensaísta. Recebeu vários títulos honoríficos e prêmios, entre os quais, o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 1984, pelo conjunto da obra; ainda em 1984, o prêmio Pen Club do Brasil, pela obra Pousada do ser; o prêmio Poesia 76, conferido pela Associação Paulista de Críticos de Arte; o prêmio Brasília de Literatura, em 1971, pelo conjunto da obra, conferido pela Fundação Cultural do Distrito Federal. Do governo de Minas Gerais recebeu, além da Grande Medalha da Inconfidência, em 1980, e da Medalha Santos Dumont, em 1983, o diploma de mérito poético, por decreto do governador, em 1979, comemorativo dos cinquenta anos de poesia.
Publicou vários livros de poesia que, juntamente com suas traduções e ensaios críticos, estão reunidos em Henriqueta Lisboa: obra completa, publicado em 2020 pela Editora Peirópolis. Seus ensaios, antologias, objetos, correspondência com escritores da época, como Mário de Andrade, Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade e Gabriela Mistral podem ser encontrados no Acervo de Escritores Mineiros da Universidade Federal de Minas Gerais.
Diversos estudos sobre a obra de Henriqueta Lisboa têm sido divulgados em livros, teses, revistas, suplementos literários de jornais.
Henriqueta Lisboa na cultura
Henriqueta Lisboa recebeu diversos prêmios, entre eles o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Ela também foi inspetora de alunos, professora de literatura e tradutora — traduziu os Cantos de Dante Alighieri e poemas de Gabriela Mistral, estes publicados no livro Poemas escolhidos de Gabriela Mistral.[1] Ocupou a 26 cadeira da Academia Mineira de Letras.[2] Ao longo da vida, foi retratada diversas vezes por sua amiga Aurélia Rubião, tendo seu retrato[4] sido premiado pelo Terceiro Salão de Belas Artes da cidade de Belo Horizonte.
Foi homenageada com uma estátua em bronze, em tamanho natural, localizada na Praça da Savassi em Belo Horizonte.[5] A estátua foi restaurada e reinstalada em março de 2023.[6]
Obras
- Fogo-fátuo (1925);[7]
- Enternecimento (1929);[8]
- Velário (1936);[9]
- Prisioneira da noite (1941);[10]
- O menino poeta (1943);[11]
- A face lívida (1945), à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano;[12]
- Alphonsus de Guimaraens (1945);[13]
- Flor da morte (1949);[14]
- Madrinha Lua (1952);[15]
- Azul profundo (1955);[16]
- Lírica (1958);[17]
- Montanha viva (1959);[18]
- Além da imagem (1963);[19]
- Nova Lírica (1971);[20]
- Belo Horizonte bem querer (1972);[21]
- O alvo humano (1973), poesia;[22]
- Reverberações (1976);[23]
- Miradouro e outros poemas (1976);[24]
- Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977);[25]
- Pousada do ser (1982);[26]
- Poesia Geral (1985);[27]
Modernismo mineiro
Embora associada à segunda fase do modernismo brasileiro, Henriqueta Lisboa desenvolveu uma produção literária marcada por características próprias, como o lirismo intimista, a espiritualidade e a reflexão existencial.[28] Sua obra inseriu-se no contexto do modernismo mineiro, movimento intelectual que reuniu escritores e artistas em Minas Gerais ao longo do século XX, mantendo diálogo com tendências modernas da literatura brasileira sem romper completamente com tradições formais anteriores.[29]
A autora participou do ambiente intelectual mineiro ligado a escritores, críticos e instituições culturais de Belo Horizonte, contribuindo para a consolidação da literatura produzida em Minas Gerais durante o período modernista.[30]
Atuação intelectual
Além de poeta, Henriqueta Lisboa atuou como ensaísta, tradutora e professora, desenvolvendo intensa atividade intelectual ao longo do século XX. Trabalhou na área educacional em Minas Gerais e participou de círculos literários e culturais ligados à formação intelectual do estado.[31]
Sua produção intelectual também incluiu estudos sobre literatura e reflexões críticas acerca da poesia brasileira. Como tradutora, contribuiu para a circulação de obras estrangeiras no Brasil, ampliando o diálogo entre a literatura brasileira e outras tradições literárias.[32]
Recepção crítica
A obra de Henriqueta Lisboa recebeu atenção de importantes críticos literários brasileiros, sendo frequentemente associada à introspecção, ao simbolismo e à espiritualidade.[33] Sua poesia foi analisada como uma das expressões mais relevantes da literatura mineira do século XX.[34]
Estudos acadêmicos posteriores destacaram sua contribuição para a presença feminina na literatura brasileira e para a consolidação de uma tradição poética marcada pelo lirismo e pela subjetividade. Sua produção continua sendo objeto de pesquisas em universidades brasileiras, especialmente em estudos sobre literatura mineira e escrita feminina.
Relação com Belo Horizonte e Minas Gerais
Henriqueta Lisboa manteve forte ligação com Belo Horizonte e com a vida cultural mineira.[35] Sua trajetória intelectual esteve associada ao desenvolvimento cultural da capital mineira ao longo do século XX, participando de instituições, debates literários e atividades educacionais.[36][30]
A escritora é frequentemente identificada como uma das principais representantes da literatura produzida em Minas Gerais, sendo relacionada à tradição intelectual mineira que marcou a formação cultural do estado.[37]
Homenagens e legado
Após sua morte, Henriqueta Lisboa passou a ser homenageada por instituições culturais e acadêmicas brasileiras.[30] Seu nome foi atribuído a espaços culturais, bibliotecas e projetos educacionais em Minas Gerais.
Seu legado literário permanece relevante em estudos sobre poesia brasileira, modernismo mineiro e literatura produzida por mulheres no Brasil.[38]
Academia Mineira de Letras
Henriqueta Lisboa integrou a Academia Mineira de Letras, instituição voltada à promoção da literatura e da cultura em Minas Gerais.[30] Sua participação na entidade consolidou sua posição entre os principais nomes da intelectualidade mineira do século XX.[39]
A presença de Henriqueta Lisboa na Academia também é apontada como relevante para a ampliação da participação feminina em instituições literárias brasileiras durante o período.[40]
Referências
- 1 2 Marques, Reinaldo. «HENRIQUETA LISBOA: TRADUÇÃO E MEDIAÇÃO CULTURAL». www.ufmg.br. Consultado em 26 de maio de 2026. Arquivado do original em 8 de dezembro de 2017
- 1 2 «Cadeiras | Academia Mineira de Letras». academiamineiradeletras.org.br. Consultado em 8 de dezembro de 2017. Arquivado do original em 12 de agosto de 2018
- ↑ Academia Brasileira de Letras. «Perfil de Edmar Bacha». Consultado em 23 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 29 de novembro de 2023
- ↑ Rubião, Aurélia. «Duas imagens de Henriqueta Lisboa». www.auréliarubião.com. Consultado em 26 de maio de 2026. Arquivado do original em 11 de julho de 2019
- ↑ Minas, Estado de (7 de novembro de 2022). «PBH inicia hoje retirada de estátuas de escritores para restauração». Estado de Minas. Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 25 de janeiro de 2023
- ↑ Brito, Alice (11 de março de 2023). «Prefeitura devolve estátuas de escritores mineiros às ruas de Belo Horizonte | O TEMPO». Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 13 de março de 2023
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