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Giorgia Prates
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Giorgia Prates | |
|---|---|
| Vereadora de Curitiba | |
| Período | 1° de janeiro de 2025 até a atualidade |
| Legislatura | 19.ª legislatura (2025–2028) |
| Vereadora suplente de Curitiba | |
| Período | 1 de fevereiro de 2023 até 31 de dezembro de 2024 |
| Legislatura | 18ª legislatura - 2º Biênio (2023–2024) |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Giorgia Tais Xavier Prates |
| Nascimento | 23 de setembro de 1978 (47 anos) São Paulo, SP |
| Nacionalidade | brasileira |
| Alma mater | UFPR |
| Partido | PT |
| Religião | Umbanda |
| Ocupação | |
Giorgia Tais Xavier Prates (São Paulo, 23 de setembro de 1978) é uma política, fotojornalista, artista e ativista dos direitos humanos brasileira. É vereadora de Curitiba pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em seu segundo mandato, sendo a segunda mulher negra e primeira lésbica assumida a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Curitiba.[1]
Biografia
Giorgia Prates nasceu na Zona Leste de São Paulo e mudou-se para Curitiba em 2006.[2] Sua mãe, Yara Silveira Prates, viveu na capital paranaense na adolescência, onde trabalhou por anos como faxineira no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná. Yara nutria o desejo de retornar à cidade, mas faleceu antes de realizá-lo. Giorgia mudou-se da periferia de São Paulo para Curitiba, realizando o sonho que a mãe não pôde concretizar.[3]
Giorgia se autodeclara mulher cis, negra, lésbica, periférica, umbandista e ativista dos direitos humanos e defensora da causa animal.[2][4]
Graduou-se em Fotografia pela Universidade Tuiuti do Paraná e possui especialização em Jornalismo pela Faculdade Faveni. Cursou também Pedagogia na Universidade Federal do Paraná (UFPR).[2] Colunista do Brasil de Fato e Plural, integra o movimento nacional Mulheres Negras Decidem e a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) e é também voluntária nas ONGs Crazy Cat e Toca do Tatu, voltadas à causa animal.[2]
Carreira no fotojornalismo
Sua carreira no fotojornalismo inclui trabalhos com o Coletivo CWB Resiste, Terra sem Males[5] e o Brasil de Fato.[1][6] É fotógrafa oficial do Paraná no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD Brasil).[2] No campo audiovisual, venceu o prêmio Leão de Bronze em Glass no Festival de Cannes, com o case O Uniforme Que Nunca Existiu,[7] onde atuou como diretora de cena.[2][8][9]
Seu trabalho fotojornalístico abrange coberturas de ocupações de moradia, violência, denúncias de racismo e machismo, violência contra a população em situação de rua, registros da fome, enchentes e falta de infraestrutura em regiões periféricas de Curitiba.[1][10][11]
Carreira política
Giorgia ingressou na política motivada pelas realidades documentadas em sua atuação como fotojornalista, em especial as condições de famílias em situação de vulnerabilidade habitacional e sem acesso a serviços públicos básicos em Curitiba.[12]
Nas eleições municipais de 2020, candidatou-se pela "Mandata Preta", coletivo formado exclusivamente por mulheres majoritariamente negras, obtendo 3.582 votos pelo PT.[1][2]Assumiu a vereança em fevereiro de 2023 após a eleição de Carol Dartora para a Câmara Federal e de Renato Freitas e Ana Júlia Ribeiro para a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), ocupando a vaga deixada por Renato Freitas.[1]
Em seu discurso de posse, narrou a história de uma família que conheceu durante a pandemia de COVID-19 em uma ocupação de moradia em Curitiba, reafirmando seu compromisso com as populações marginalizadas e os movimentos sociais. Inovando na composição de seu gabinete, formou uma equipe inteiramente composta por mulheres de lideranças comunitárias, midiativistas, advogadas, jornalistas, pedagoga e cientista social.[1]
No primeiro mandato, presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal,[13] integrou a Frente Parlamentar pelos Direitos da População em Situação de Rua[2] e assumiu a Procuradoria da Mulher da Câmara em 2024.[14] Entre suas iniciativas legislativas destacam-se a Política Municipal Vini Jr. de Combate ao Racismo no Esporte (Lei nº 16.267/2023), o Dia da Marcha do Orgulho Crespo (Lei nº 16.255/2023)[2][15] e a aprovação unânime do projeto de criação do Centro de Referência Centro de Referência Afro Enedina Alves Marques (Creafro), voltado ao combate ao racismo e à intolerância religiosa, oferecendo atendimento psicológico e jurídico gratuitos e reforçando políticas de promoção da igualdade étnico-racial em Curitiba.[16]
Nas eleições municipais de 2024, foi reeleita com 6.070 votos, sob o lema "Sem preguiça, com coragem".[2] No segundo mandato, ocupa a 4ª Secretaria da Mesa Diretora da CMC, sendo a primeira mulher negra e LGBT a ocupar um posto na Mesa Diretora da Casa[17] e exerce a liderança da Oposição no Legislativo.[2][17]
Atualmente participa da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização e do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, além das frentes parlamentares de Proteção dos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista e em Defesa dos Taxistas.[2]
Violência política
Desde sua chegada à Câmara, tem sido alvo recorrente de ataques de parlamentares da direita e extrema-direita.[18][19][20] Um dos casos de maior repercussão ocorreu em abril de 2025, quando, ao rebater a fala do vereador Eder Borges (PL), que utilizou o grupo supremacista Ku Klux Klan como argumento a favor do projeto de lei que criou o Dia Municipal dos Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs), foi chamada de "louca", "mau caráter" e "mentirosa" na tribuna.[17]
| “ | A fala dele nessa casa utilizando a KKK para defender o uso de armas é uma ofensa direta a mim como mulher negra, à memória do meu povo e todas as pessoas que sentem o peso da violência racista. (...)
Ouvir aquilo me causou bastante espanto, esse vereador já vem fazendo isso recorrentemente, tendo posturas racistas em vários momentos, mas pelo fato de que não houve nenhuma manifestação da Casa, os vereadores até ficaram meio atônitos. Mas ninguém se pronunciou. |
” |
A parlamentar denunciou que sofre ataques coordenados constantes motivados por racismo, misoginia e LGBTfobia, relatando que seus projetos de lei têm sido barrados por uma articulação entre parlamentares da extrema-direita e a base do governo municipal. Na atual legislatura, protocolou três representações formais no Conselho de Ética contra Eder Borgesː a primeira relativa a uma publicação transfóbica em redes sociais ao questionar a inclusão de mulheres trans e travestis em material do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres;[22] a segunda pelo episódio da Ku Klux Klan, caracterizado por Giorgia como racismo; e a terceira por suspeita de nepotismo na contratação de familiar como chefe de gabinete.[23] As três foram arquivadas pelo Conselho de Ética, colegiado que atualmente é formado em sua maioria por parlamentares da extrema-direita e da base do governo municipal.[17]
Desempenho em eleições
| Ano | Eleição | Partido | Cargo | Votos | Resultado | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2020 | Municipal em Curitiba | PT | Não eleita | [24] | ||
| 2024 | Municipal em Curitiba | Eleita | [25] |
Prêmios
- 2022ː Leão de Bronze em Glass no Festival de Cannes pelo case "O Uniforme Que Nunca Existiu" [9]
- 2026ː Prêmio Aliadas da Cidadania LGBT+[26]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 Melo, Raissa (3 de fevereiro de 2023). «Primeira mulher negra e lésbica toma posse na Câmara de Curitiba». ANF - Agência de Notícias das Favelas. Consultado em 24 de junho de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Silva, Marcio. «Giorgia Prates — Portal da Câmara Municipal de Curitiba». www.curitiba.pr.leg.br. Consultado em 24 de junho de 2026
- ↑ Câmara Municipal de Curitiba (7 de fevereiro de 2024), Giorgia Prates: a filha de uma faxineira do Palácio Iguaçu que virou vereadora, consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ Portela, Guilherme Rafael; Heerdt, Bettina (12 de junho de 2026). «Crianças (im)possíveis: narrativas e memórias LGBTI da infância e da escola». Práxis Educativa. 21: 1–18. ISSN 1809-4309. doi:10.5212/PraxEduc.v.21.26262.027
- ↑ «Giorgia Prates, Autor em Intercept Brasil». Intercept Brasil. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «Colunista: Giorgia Prates». Brasil de Fato. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «O Uniforme que Nunca Existiu». Caio Gatti - Senior Art Director (em inglês). Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «Você precisa conhecer Aída dos Santos». ELLE Brasil. 23 de julho de 2021. Consultado em 24 de junho de 2026
- 1 2 Sacchitiello, Bárbara (24 de junho de 2022). «Com Bronzes em Glass e Film, Brasil encerra Cannes com 70 Leões». Meio e Mensagem - Marketing, Mídia e Comunicação. Consultado em 24 de junho de 2026
- ↑ «ENTREVISTA. Giorgia Prates: "Não há planejamento para a moradia na cidade"». Brasil de Fato. 8 de dezembro de 2023. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «Por vingança, PM incendiou barracos em Curitiba». Intercept Brasil. 20 de dezembro de 2018. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ Silva, Marcio. «Giorgia Prates - Mandata Preta — Portal da Câmara Municipal de Curitiba». www.curitiba.pr.leg.br. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «Comissão dos Direitos Humanos da Câmara de Curitiba será presidida por Giorgia Prates». Bem Paraná. Consultado em 24 de junho de 2026
- ↑ «Com punição a Maria Letícia, Giorgia Prates assume Procuradoria da Mulher». Plural (em pr). 27 de abril de 2024. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «LEI Nº 16.255. Institui o Dia da Marcha do Orgulho Crespo no Calendário Oficial de Eventos do Município, a ser realizado em 12 de novembro.». Legislação de Curitiba/PR. 14 de novembro de 2023. Consultado em 24 de junho de 2026
- ↑ «CURITIBA: Centro de Referência Afro Enedina Alves Marques é aprovado e fortalecerá políticas de combate ao racismo em Curitiba». Brasil de Fato. 7 de agosto de 2023. Consultado em 25 de junho de 2026
- 1 2 3 4 «Negra e lésbica, vereadora é alvo de 'ataques coordenados' na Câmara de Curitiba». ICL Notícias. 24 de abril de 2025. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ Marques, Pedritta Marihá Garcia | Revisão: Ricardo. «Rejeitado protesto à iluminação da CMC alusiva ao movimento LGBTQIA+ — Portal da Câmara Municipal de Curitiba». www.curitiba.pr.leg.br. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «Pressionada por vereadores de direita, vereadora já denunciou Eder Borges três vezes por conduta antiética». Plural (em pr). 6 de maio de 2025. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «Paraná: PT repudia ataques preconceituosos contra candidatas». Partido dos Trabalhadores. 9 de novembro de 2020. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ Pacifico, Ana Carolina (25 de abril de 2025). «SISMUC repudia racismo instutucional na Câmara Municipal de Curitiba: vereador defende Ku Klux Klan em sessão de votação - SISMUC». Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ Marques, José Lázaro Jr | Revisão: Ricardo. «Câmara de Curitiba arquiva queixa de transfobia contra Eder Borges — Portal da Câmara Municipal de Curitiba». www.curitiba.pr.leg.br. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «Conselho de Ética da Câmara de Curitiba arquiva processo contra vereador denunciado por nepotismo». G1. 7 de julho de 2025. Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ «Curitiba/PR: apuração em tempo real de prefeito e vereador.». Cópia arquivada em 27 de novembro de 2024
- ↑ «Curitiba (PR): Apuração e Resultados | Eleições 2024 | 1º turno». UOL. Consultado em 25 de junho de 2026. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2025
- ↑ Grupo Dignidade (27 de março de 2026). «O Prêmio Aliadas da Cidadania LGBTI+ 2026 foi marcado por reconhecimento e celebração de quem constrói, todos os dias, uma sociedade mais justa e inclusiva – PARTE 2». www.instagram.com. Consultado em 25 de junho de 2026

