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Rio Geba
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| Rio Geba | |
|---|---|
Rio Geba, com o arquipélago dos Bijagós frente à sua foz, visto de satélite. | |
| Nascente | Prefeitura de Koundara, Região de Boqué, Guiné-Conacri |
| Foz | Estuário do Geba, Guiné-Bissau |
| País(es) | |
O Rio Geba é o maior rio da Guiné-Bissau. É um rio de planície, caudaloso na época das chuvas (de abril a outubro).[1]
Nasce a cerca de 40 km a nororeste da cidade de Koundara, na prefeitura homônima, região de Boqué, na Guiné-Conacri. Recebe inicialmente o nome de Caianga (ou Kayanga), correndo para o norte, adentrando no Senegal, fazendo uma longa curva para o sul, entrando em seguida em terras guinéu-bissauenses, quando logo recebe as águas do rio Bidigor, passando a chamar-se finalmente Geba. Seu mais importante afluente é o Rio Corubal.[1]
É uma extraordinária via de comunicação com o interior da Guiné-Bissau. Nos terrenos das suas margens, pratica-se activamente a agricultura, sobretudo a cultura do arroz. Deságua no estuário do Geba (ou Canal de Geba-Caió), um largo estuário que liga o rio ao Oceano Atlântico.[2]
Durante a Guerra de Independência da Guiné-Bissau, parte da Guerra Colonial Portuguesa, as zonas mais interiores do Rio Geba foram palco de diversas operações militares.
Geografia
Percurso
O Geba nasce na zona mais setentrional da Guiné, no planalto de Futa Jalom, atravessa o sul do Senegal e atinge o Oceano Atlântico na Guiné-Bissau. Tem cerca de 550 quilômetros (340 mi) de comprimento total.[3]
É, em grande parte, um rio de planície, com uma vazão mais elevada durante a estação chuvosa (de junho a outubro). As áreas ao redor do curso inferior do rio são planícies de inundação cercadas por savana e floresta, com uma elevada densidade populacional baseada na agricultura de subsistência.[4][5]:162
A foz do Geba é um largo estuário de maré partilhado com o Rio Corubal.[6] A amplitude das marés pode chegar a 7 metros (23 ft) dentro do estuário (também chamado de "Canal do Geba").[7]
Os seus afluentes incluem os rios Anambe, Gambiel e Campossa (ou Colufe). O Rio Colufe junta-se ao Geba em Bafatá. O Geba partilha um vasto estuário com o Rio Corubal (ao qual se une perto de Xime). Bissau, a capital da Guiné-Bissau, está localizada na margem norte deste estuário. O estuário alarga-se ainda mais à medida que o rio corre para o Atlântico em torno do arquipélago das Ilhas Bijagós.[8][9][10]
Bacia hidrográfica
A bacia hidrográfica do Geba abrange aproximadamente 12 000 quilômetros quadrados (4 600 sq mi). 65% da bacia está na Guiné-Bissau, 34% no Senegal e a pequena parte restante fica no extremo norte da Guiné.[4]

O Geba, juntamente com o Rio Corubal, drena o Planalto de Bafatá. Também drena a Planície de Gabú, juntamente com o Rio Farim (também conhecido como Rio Cacheu), e os seus afluentes.[11]
Economia
O Geba é há muito uma importante rota comercial de ligação ao interior; é acessível a navios de 2.000 toneladas até cerca de 140 quilômetros (87 mi) da foz, e a embarcações de baixo calado ainda mais para o interior.
A cidade de Geba, situada ao longo do trecho navegável do rio, serviu como um importante entreposto comercial. Conectava as rotas comerciais dos povos soninquês, mandês, de Cabu e biafadas. Geba esteve envolvida no tráfico atlântico de escravos. Nozes de cola, metais e marfim também eram comercializados no local.[12]
Referências
- 1 2 Affreixo, Jayme. Reconhecimento do rio Geba, desde a foz do Corubal até Geba: Provincia da Guiné - Costa Occidental dªAfrica. Commissão de Cartographia de Portugal, 1897.
- ↑ Correia Junior, Antonio.; Silva, Edson Vicente da.; Carvalho, Rodrigo Guimarães de.; Rabelo, Francisco Davy Braz.. Áreas Protegidas Para a Conservação dos Manguezais em Guiné-Bissau: Estudo Sobre a Importância do Parque Natural dos Tarrafes do Rio Cacheu. Florianópolis: Revista Gestão e Sustentabilidade Ambiental / Universidade do Sul de Santa Catarina. v. 8, n. 2, p.123-154, abr/jun. 2019.
- ↑ «Golden Sediments from Geba River, Guinea Bissau». Earth Snapshot. Chelys. Consultado em 8 de outubro de 2015. Cópia arquivada em 27 de setembro de 2020
- 1 2 Sambou, Saly; Dacosta, Honore; Deme, Abdoulaye; Diouf, Ibrahima (31 de março de 2018). «Contribution of TRMM 3B42 Data to Improve Knowledge on Rainfall in the Kayanga/Geba River Basin (Republic of Guinea, Senegal and Guinea-Bissau)» (PDF). European Scientific Journal, ESJ. 14 (9). 260 páginas. doi:10.19044/esj.2018.v14n9p260. Consultado em 3 de abril de 2026
- ↑ Zúquete, Sara Tudela; Coelho, João; Rosa, Fernanda; Vaz, Yolanda; Cassamá, Bernardo; Padre, Ludovina; Santos, Dulce; Basto, Afonso P.; Leitão, Alexandre (janeiro de 2017). «Tick (Acari: Ixodidae) infestations in cattle along Geba River basin in Guinea-Bissau» (PDF). Ticks and Tick-borne Diseases. 8 (1): 161–169. doi:10.1016/j.ttbdis.2016.10.013. Consultado em 3 de abril de 2026
- ↑ Sambou, Saly; Dacosta, Honore; Diouf, Rene Ndimag; Diouf, Ibrahima; Kane, Alioune (16 de setembro de 2020). «Hydropluviometric variability in non-Sahelian West Africa: case of the Koliba/Corubal River Basin (Guinea and Guinea-Bissau)». Copernicus GmbH. Proceedings of IAHS (em inglês). 383: 171–183. doi:10.5194/piahs-383-171-2020. Consultado em 3 de abril de 2026
- ↑ Dièye, Arame; Marchesiello, Patrick; Sow, Bamol Ali; Dieng, Habib Boubacar; Thuan, Duong Hai; Descroix, Luc (agosto de 2025). «Tidal amplification and distortion in Guinea-Bissau, West Africa». Estuarine, Coastal and Shelf Science. 320. doi:10.1016/j.ecss.2025.109318
- ↑ Patel, Kasha (18 de junho de 2018). «The Meandering Estuaries of Guinea–Bissau - NASA Science». NASA Science. Consultado em 3 de abril de 2026
- ↑ Campredon, Pierre; Catry, Paulo (2016). «Bijagos Archipelago (Guinea-Bissau)». The Wetland Book (em inglês). [S.l.]: Springer, Dordrecht. pp. 1–8. doi:10.1007/978-94-007-6173-5_158-1
- ↑ Brown, Ashley; Thieme, Michele. «Northern Upper Guinea». Freshwater Ecoregions of the World. Consultado em 3 de abril de 2026
- ↑ Pélissier, René. «Guinea-Bissau». Encyclopædia Britannica. Consultado em 8 de outubro de 2015
- ↑ Havik, Philip J. (2007). «The Port of Geba: at the crossroads of Afro-Atlantic trade and culture». Mande Studies. 9 (1): 21–50. doi:10.2979/mnd.2007.a873447. Consultado em 3 de abril de 2026
