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Movimento dos Focolares
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Obra de Maria
| Fundação |
|---|
| Tipo |
Associação de Fiéis de Direito Pontifício |
|---|---|
| Coordenadas |
| Fundador |
Chiara Lubich |
|---|---|
| Presidente |
Margaret Karram (d) |
| Website |
Obra de Maria, também conhecido como Movimento Focolare,[1] é um movimento católico fundado por Chiara Lubich em 1943 na cidade de Trento, norte da Itália.[2] É considerado um movimento fundamentalista,[2][3] totalitário[4][5][6] e conservador,[7] ligado moral, teológica e politicamente à direita.[8]
O Movimento se insere na chamada Espiritualidade da Comunhão,[9] que também se faz presente em vários outros movimentos e segmentos da Igreja Católica,[9] enraizado no que chamam de Carisma da Unidade.[10]
Apesar de ser uma organização oficialmente católica, afirmam permitir a participação de membros outras religiões, desde que estes se liguem ao movimento no sentido religioso.[11] O Movimento alega operar em 182 países, com mais de 2 milhões de aderentes, onde membros de outras religiões correspondem a 0,5% do total de membros.[12] Esses números permanecem inalterados há mais de meio século e incluem centenas de milhares de pessoas que já não fazem mais parte do movimento.[13]
Etimologia
O termo focolares vem do italiano focolari, plural de focolare, que significa "lareira" como sinédoque de "casa" ou mais propriamente "lar". O termo focolare tem sua origem no latim tardio focularis, derivado de focŭlus, diminutivo de focus, «fogo».[14]
Início
Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, a professora Chiara Lubich, então com 23 anos, criou o Movimento Focolares junto com seus amigos mais próximos.[2] Na compreensão de que “tudo o que é material pode desmoronar, mas não Deus, entendido como Amor”, rapidamente a ajuda constante aos pobres, por meio da comunhão de bens, começou a atrair os cidadãos de Trento para auxiliar os bairros mais abandonados. Em 7 de dezembro de 1943, data que convencionalmente marca a gênese do movimento que posteriormente se desenvolveria, Chiara entrega-se a Deus, consagrando-se, sem, no entanto, ingressar em nenhuma ordem.[15]

Ao final dessa mesma década com a guerra terminada, já contava com um número de seguidores suficiente para ocupar um acampamento de verão nas montanhas Dolomitas.[2] Entre o fim da guerra e a reconstrução, o Movimento cresceu muito rapidamente, saindo de Trento, depois do Trentino e alcançando toda a Itália, caracterizado por sua peculiaridade de ser um novo estilo de vida, marcadamente comunitário.[16] No período após a Segunda Guerra Mundial, críticas, mal-entendidos e acusações começaram a se espalhar contra essa nova comunidade em Trento. Viver o Evangelho, comunicar experiências, compartilhar seus poucos bens e fazer da unidade seu ideal despertaram suspeitas de protestantismo ou de uma nova forma de comunismo.[17] Sua maneira radical de viver o Evangelho, proposta por Chiara, atraiu a acusação de “fanatismo”, e a palavra “amor”, não costumeiramente usada no ambiente católico naquela época, também foi mal interpretada.[18]

Em 1948, o político e jornalista italiano Igino Giordani, membro do Parlamento Italiano e pioneiro do ecumenismo, juntou-se ao grupo.[19]
Somente 19 anos depois, em 1962, obteve a aprovação papal do Papa João XXIII, recebendo deste o nome de Obra de Maria, durante o Concílio Vaticano II.[7] Com os desenvolvimentos posteriores, novos Estatutos internos ao Focolare foram elaborados e aprovados em 1990, sendo particularmente valorizados pelo pontífice por sua vocação ao diálogo.[20] O papa João Paulo II, em 1998, reconheceu os Focolares e outros movimentos e novas comunidades eclesiais como “originados de um carisma”, isto é, de “um dom do Espírito Santo concedido à pessoa do fundador [...] para responder às expectativas da humanidade”.[21] Nos anos anteriores e posteriores a esses acontecimentos, floresceram obras, iniciativas, projetos e, sobretudo, renovação espiritual, conversões e vocações.[22]
Desenvolvimento
John L. Allen Jr. observou que é difícil “brigar com um focolarino. Eles tendem a ser abertos, sem ego e persistentemente gentis.”[23]
A presidente do Movimento dos Focolares, que é sempre uma mulher leiga católica,[24] é Margaret Karram, que sucedeu a segunda presidente (após Chiara Lubich), Maria Voce, em 2021.[25][26]
Pensamento e Carisma
Chiara disse que “este é um Movimento cujos principais objetivos são: Deus escolhido como Ideal; o amor escolhido como estilo de vida; a unidade que se torna prática ligando cada pessoa a Deus e as pessoas entre si”.[27] Com o passar dos anos, essa marca da unidade passou a ser reconhecida como a ação de um carisma específico, um carisma de unidade.[28] No 80º aniversário do Movimento, em 7 de dezembro de 2023, o cardeal Kevin Joseph Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, afirmou que o Movimento “contém um essencial ‘carisma mariano’”.[29]
Diálogo inter-religioso

Chiara Lubich possuía “uma capacidade quase profética de intuir e concretizar antecipadamente o pensamento do Papa”, disse o Papa Bento XVI em uma carta lida pelo Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, na missa de funeral de Chiara Lubich em 2008.[30] O Papa João Paulo II destacou um exemplo ao reconhecer “o radicalismo do amor de Chiara, dos focolarinos” — um “radicalismo evangélico do amor” — como resposta a um mundo dominado pelo ódio.[31] Mas, além do cristianismo, a experiência espiritual de kenosis de Chiara Lubich levou-a a abrir-se à presença de Deus em outras religiões e a promover o diálogo. Isso levou pessoas de outras religiões a encontrar um lar no Movimento dos Focolares.[32]
Esse diálogo se tornaria o objetivo específico do Movimento, como via privilegiada para conduzir à unidade da família humana.[33]
- “Primeiro Diálogo – com outras realidades dentro da Igreja Católica” – Um desenvolvimento importante ocorreu a partir do encontro na Praça São Pedro, no Vaticano, promovido pelo papa João Paulo II na vigília de Pentecostes de 1998, com líderes e membros dos Movimentos e novas comunidades eclesiais.[34]
- “Segundo Diálogo – com Igrejas e comunidades eclesiais não católicas” – Promove cursos de ecumenismo e encontros ecumênicos internacionais, como os encontros anuais do “Juntos pela Europa”.[35] Em Ottmaring, próximo a Augsburgo (Alemanha), funciona um “Centro ecumênico de vida”, onde vivem cerca de 140 pessoas pertencentes ao Movimento dos Focolares e à Fraternidade de vida comunitária (Bruderschaft vom gemeinsamen Leben), de origem evangélica.[36] Há também experiências semelhantes em Welwyn Garden City, na Inglaterra (com católicos e anglicanos), e em Baar, na Suíça (com reformados e católicos).[37]
- “Terceiro Diálogo – com pessoas de outras religiões” – Desenvolveu-se tanto em nível individual quanto entre líderes e movimentos, também — mas não apenas — graças à participação na Conferência Mundial das Religiões pela Paz (WCRP), posteriormente denominada Religions for Peace, da qual o Movimento é membro desde 1984, e cuja presidência honorária foi assumida por Chiara Lubich, em 1994. O diálogo está ativo com judeus (especialmente na Terra Santa, na Argentina com membros da B’nai B’rith, e também nos Estados Unidos e na Europa);[38] com milhares de budistas no Japão, junto à associação leiga Rissho Kosei-kai, e na Tailândia com monges e monjas do budismo Theravada;[39] com muçulmanos na Argélia, na Europa e nos Estados Unidos (incluindo comunidades afro-americanas);[40] com hindus em Mumbai e no Tamil Nadu, na Índia, além de sikh, animistas e bahá’ís. Em Tagaytay (Filipinas), há uma escola de diálogo inter-religioso voltada para todo o continente asiático.[41]
- “Quarto Diálogo – com ateus e agnósticos” – baseado na primazia dos ideais humanos de solidariedade, justiça e paz, como destacou o presidente da República Italiana Giorgio Napolitano por ocasião da morte de Chiara Lubich.[42]
- “Quinto Diálogo – com a cultura contemporânea”.
Renovação
Em 14 de março de 2008, em sua casa em Rocca di Papa, aos 88 anos, Chiara Lubich faleceu. As exéquias foram celebradas em Roma, em 18 de março, na Basílica de São Paulo Extramuros, presididas pelo cardeal secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, com uma nova mensagem do papa Bento XVI.[43]

Em uma reunião de reorganização em 2014, os membros recém-eleitos tinham, em média, 16 anos a menos que o conselho anterior, e os 30 membros vinham de 20 países. Em discurso nessa reunião, o Papa Francisco disse: “A Obra de Maria, conhecida como Movimento dos Focolares, foi uma pequena semente no seio da Igreja Católica que, ao longo dos anos, deu origem a uma árvore cujos ramos se estendem por todas as expressões da família cristã e também entre membros de diferentes religiões e entre muitos que buscam justiça e solidariedade juntamente com a busca da verdade.” Ele destacou elementos como contemplação, diálogo e formação dos jovens. Sobre a contemplação, afirmou: “Precisamos contemplar Deus e a beleza de seu amor”, lembrando que contemplar significa viver com os irmãos e irmãs, partilhando a comunhão e a fraternidade, pois “uma contemplação que exclui as pessoas é mentira, é narcisismo.”[44]
Em mensagem dirigida aos sete cardeais e 137 bispos amigos do Movimento dos Focolares, provenientes de 50 países, reunidos em Trento por ocasião do centenário de nascimento de Chiara Lubich, o Papa Francisco afirmou que o carisma da unidade, defendido por ela, “é uma dessas graças do nosso tempo, que experimenta uma mudança histórica e pede uma reforma espiritual e pastoral simples e radical, que leve a Igreja à fonte sempre nova e atual do Evangelho de Jesus".[45]
Abusos
Em 2020 vieram à tona uma série de denúncias de abusos sexuais dentro do movimento na Europa com, pelo menos, 30 vítimas crianças, além de alguns jovens. Os abusos foram cometidos a partir de 1970 por um membro leigo consagrado chamado Jean-Michel M. Isso motivou a renúncia de três líderes do movimento, Bernard Bréchet e Claude Goffinet, líderes do movimento na França, e Henri-Louis Roche, líder do movimento para a Europa Ocidental.[46] A denúncia também motivou uma investigação interna que encontrou pelo menos mais 61 denúncias de abuso entre 2014 e 2022, num total de 66 abusadores, sendo 53 membros leigos (32 com votos professados), cinco padres, quatro menores de idade e quatro não membros, mas que cometeram o abuso dentro do Movimento.[47] A investigação identificou ainda 22 denúncias de “abusos sexuais, de consciência, espirituais e de autoridade relativamente a adultos”, entre 2018 e 2022.[48] Apesar disso, as autoridades do movimento se negam a revelar os nomes dos abusadores.[49]
Focolares no Brasil
O Movimento alega que o primeiro brasileiro a ter contato com o Movimento foi o Pe. João Batista Zattera, de Pelotas, que passou a ter um relacionamento profundo com Chiara Lubich.[50] Em 1958, chegam ao Brasil um grupo de vários focolarinos vindos da Itália, inluindo Lia Brunet, Marco Tecilla, Fiore Ungaro, Ginetta Calliari, Volo Morandi e outros, que se estabeleceram em Recife e depois em São Paulo. Dez anos depois, um grupo adere ao convite de Dom Helder Câmara e se estabelecem na Ilha de Santa Teresinha.[51]
Em 25 de março de 2014, Maria Voce, então presidente do Movimento dos Focolares, esteve no Brasil para a inauguração da "Cátedra Chiara Lubich de Fraternidade e Humanismo" na Universidade Católica do Recife.[52]
Economia de Comunhão (EdC)
Parte empresarial do movimento dos Focolares,[53] que "visa atrair a intervenção divina para o mundo dos negócios" a partir da visão de que a busca do lucro é atitude divina, apresentando o empresário como modelo de ética e principal protagonista social e na exploração dos trabalhadores através da manipulação psicológica.[54] Ele reúne empresas que se comprometem a empregar o seu lucro em favor de três causas: o sustento daqueles que se encontram em necessidade, projetos de formação cultural e de incentivo ao empreendedorismo e o incremento da própria empresa. O projeto tem um objetivo claro: produzir riquezas em prol de quem se encontra em dificuldade e fomentar uma nova cultura em que a economia não esteja atrelada ao individualismo e ao crescimento das desigualdades.[55]
No Brasil, a Economia de Comunhão está presente em 177 empresas de 12 estados. No mundo todo, são mais de 800 empresas.[55]
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