BRZEN
Etnônimo
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Parte de uma série sobre |
| Linguística |
|---|
Um etnônimo (do Greco Antigo ἔθνος (éthnos) 'nação' e ὄνομα (ónoma) 'nome') é um nome atribuído a um determinado grupo étnico. Os etnônimos podem ser divididos em duas categorias: exônimos (cujo nome do grupo étnico foi criado por outro grupo de pessoas) ou endônimos (cujo nome é criado e usado pelo próprio grupo étnico).
Por exemplo, o principal grupo étnico da Alemanha são os alemães. O etnônimo "Germans" (alemães) é um exônimo derivado do latim usado na língua inglesa, mas os alemães autodenominam-se Deutsche, um endônimo. O povo alemão é identificado por uma variedade de exônimos em toda a Europa, como Allemands (Francês), tedeschi (Italiano), tyskar (Sueco) e Niemcy (Polonês).
Como um subcampo da antroponímia, o estudo dos etnônimos é chamado de etnonímia.
Variações
Vários etnônimos podem ser aplicados ao mesmo grupo étnico ou racial, com diversos níveis de reconhecimento, aceitação e uso.
Mudanças ao longo do tempo
O significado social dos etnônimos não é fixo: o que num dado momento soa neutro ou respeitoso pode, com o tempo, passar a ser considerado ofensivo ou a tornar-se num insulto étnico. Por exemplo, o termo cigano tem sido usado para se referir aos romani. Outros exemplos incluem vândalo, bosquímano, bárbaro e filisteu.
No caso dos etnônimos aplicados aos afro-americanos, a trajetória dos nomes coletivos ilustra bem essa mudança; termos mais antigos, como "colored" (de cor), carregavam conotações negativas e foram substituídos por equivalentes modernos, como "Black" (negro) ou "Afro-americano". Outros etnônimos, como Negro, têm um estado diferente. O termo foi considerado aceitável em seu uso por ativistas como Martin Luther King Jr. na década de 1960,[1] mas outros ativistas adotaram uma posição diferente. Ao discutir um discurso de Elijah Muhammad em 1960, foi declarado que "para os muçulmanos, termos como Negro e de cor são rótulos criados por pessoas brancas para negar a grandeza passada da raça negra".[2]
Quatro décadas depois, uma divergência de opiniões semelhante persiste. Em 2006, um comentador sugeriu que o termo "negro" é antiquado ou ofensivo em muitos setores; da mesma forma, a palavra "colored" (de cor) ainda aparece no nome da NAACP, ou Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor.
Em tais contextos, os etnônimos são suscetíveis ao fenômeno do ciclo dos eufemismos.[3]
Morfologia e tipologia
Em português, em muitos casos, o nome da língua dominante de um grupo é idêntico ao seu etnônimo em português; os franceses falam francês, os alemães falam alemão. Isso às vezes é generalizado de forma incorreta; pode-se presumir que pessoas da Índia falam "indiano",[4] apesar de não haver nenhuma língua na Índia que seja chamada por esse nome.
Em geral, qualquer grupo de pessoas pode ter inúmeros etnônimos, associados à filiação política a um estado ou uma província, a um marco geográfico, ao idioma ou a qualquer outra característica distintiva.
Um topo-etnônimo refere-se ao etnônimo derivado de um topônimo (nome de uma localidade geográfica), como quando o termo polissêmico montenegrinos, originalmente usado para os habitantes da área geográfica da Montanha Negra (Montenegro), adquiriu um uso etnonímico adicional, designando os montenegrinos étnicos modernos, que possuem seus próprios endônimos distintos. Geógrafos clássicos frequentemente utilizavam topo-etnônimos como substitutos para etnônimos em descrições gerais ou para endônimos desconhecidos.
Termos relacionados
Nos estudos onomásticos, existem vários termos relacionados a etnônimos, como o termo etnotopônimo, que designa um topônimo específico (nome de lugar) formado a partir de um etnônimo. Muitos nomes de regiões e países são etnotopônimos.[5]
Veja também
Referências
- ↑ King, Martin Luther Jr.; Holloran, Peter; Luker, Ralph E.; Penny A. Russell (1 janeiro 2005). The Papers of Martin Luther King, Jr.: Threshold of a New Decade, January 1959 – December 1960. [S.l.]: University of California Press. p. 40. ISBN 978-0-520-24239-5. Consultado em 29 julho 2013. Cópia arquivada em 29 de julho de 2016
- ↑ Message from the Wilderness of North America. A Journal for MultiMedia History article Arquivado em 2007-12-24 no Wayback Machine.
- ↑ «The game of the name» (PDF). Baltimore Sun. 3 de abril de 1994. Consultado em 19 de janeiro de 2011. Arquivado do original (PDF) em 15 de maio de 2011
- ↑ Bourne, Jill; Pollard, Andrew (26 setembro 2002). Teaching and Learning in the Primary School. [S.l.]: Taylor & Francis. p. 34. ISBN 978-0-203-42511-4. Consultado em 29 julho 2013. Cópia arquivada em 24 de dezembro de 2019
- ↑ Room 1996, p. 39.
Fontes
- Coates, Richard (2021). «Some thoughts on the theoretical status of ethnonyms and demonyms». Onomastica. 65 (2): 5–19. doi:10.17651/ONOMAST.65.2.1
. Cópia arquivada em 5 de maio de 2025 - Roberts, Michael (2017). «The semantics of demonyms in English: Germans, Queenslanders, and Londoners». In: Zhengdao Ye. The Semantics of Nouns. Oxford: Oxford University Press. pp. 205–220. ISBN 978-0-19-873672-1. Cópia arquivada em 7 de janeiro de 2026
- Room, Adrian (1996). An Alphabetical Guide to the Language of Name Studies. Lanham and London: The Scarecrow Press. ISBN 0-8108-3169-4. Cópia arquivada em 6 de janeiro de 2026
- Tuite, Kevin (1995). «The declension of ethnonyms in English». Proceedings of the Berkeley Linguistics Society. 21: 491–502. doi:10.3765/bls.v21i1.1420
. Cópia arquivada em 2 de junho de 2026
Links externos
Media relacionados com Etnônimo no Wikimedia Commons
