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Emurchecimento
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O emurchecimento constitui um fenómeno biofísico e mecânico definido pela perda progressiva de turgidez, rigidez e elasticidade nos tecidos vegetais não lenhosos, tais como folhas, pecíolos e caules herbáceos, manifestando-se sempre que o volume de água perdido por transpiração estomática supera a capacidade de absorção e transporte do sistema radicular. Em condições de homeostase hídrica, as células vegetais mantêm-se geometricamente firmes devido à pressão de turgor, uma força hidrostática interna exercida pelo vacúolo expandido contra a parede celular celulósica; contudo, a escassez de água no substrato ou a exigência evaporativa extrema da atmosfera reduzem drasticamente o volume citoplasmático, desencadeando a plasmólise e a consequente flacidez macroscópica da planta. Na perspetiva da fisiologia vegetal, este processo evolui do emurchecimento incipiente, estritamente celular e impercetível a olho nu, para o emurchecimento temporário, que é revertido autonomamente com a diminuição da temperatura ou a reposição da humidade, culminando no ponto de emurchecimento permanente (PMP), um limiar termodinâmico crítico onde a energia de retenção da água nos microporos do solo excede o potencial de sucção das raízes, inviabilizando a recuperação e provocando a morte celular. Para além do stress puramente hídrico, o emurchecimento atua como um marcador fitopatológico fulcral, sendo frequentemente desencadeado por patogénios vasculares — incluindo fungos como o Fusarium e o Verticillium ou bactérias como a Ralstonia — que colonizam, secretam mucilagens e obstruem os vasos do xilema, ou por oomicetes radiculares como a Phytophthora, os quais destroem a arquitetura de absorção da planta e colapsam o fluxo hídrico ascendente, tornando o fenómeno um dos sintomas diagnósticos mais relevantes para a agronomia, a silvicultura e a ecologia global.[1][2][3][4][5][6]
Referências
- ↑ Vennam, Ranadheer Reddy; Chandel, Abhilash Kumar; Haak, David C.; Oakes, Joseph; Balota, Maria (30 de janeiro de 2026). «Leaf wilting as a phenotypic indicator of heat and drought stress in crops: an overview of physiological mechanisms and machine learning applications». Discover Agriculture (em inglês). 4 (1). ISSN 2731-9598. doi:10.1007/s44279-026-00506-6
- ↑ de Freitas, Elis Marina; Vital, Thayne Nárgyle Botelho; Guimarães, Gabriel Fernandes Costa; da Silveira, Fernando Augusto; Gomes, Carlos Nick; da Cunha, Fernando França (1 de agosto de 2023). «Determination of the Permanent Wilting Point of Physalis peruviana L.». Horticulturae (em inglês). 9 (8). 873 páginas. ISSN 2311-7524. doi:10.3390/horticulturae9080873
- ↑ Chagas Torres, Lorena; Keller, Thomas; Paiva de Lima, Renato; Antônio Tormena, Cássio; Veras de Lima, Herdjania; Fabíola Balazero Giarola, Neyde (fevereiro de 2021). «Impacts of soil type and crop species on permanent wilting of plants». Geoderma (em inglês). 384. 114798 páginas. doi:10.1016/j.geoderma.2020.114798
- ↑ Tjamos, E. C.; Beckman, C. H., eds. (1989). Vascular Wilt Diseases of Plants: Basic Studies and Control (em inglês). Berlin, Heidelberg: Springer Berlin Heidelberg. ISBN 978-3-642-73168-6. doi:10.1007/978-3-642-73166-2. Verifique
|doi=(ajuda). Consultado em 21 de julho de 2026 - ↑ Kowalska, Beata (novembro de 2021). «Management of the soil-borne fungal pathogen – Verticillium dahliae Kleb. causing vascular wilt diseases». Journal of Plant Pathology (em inglês). 103 (4): 1185–1194. ISSN 1125-4653. doi:10.1007/s42161-021-00937-8
- ↑ Inderbitzin, Patrik; Bostock, Richard M.; Davis, R. Michael; Usami, Toshiyuki; Platt, Harold W.; Subbarao, Krishna V. (2011). «Phylogenetics and taxonomy of the fungal vascular wilt pathogen Verticillium, with the descriptions of five new species». PloS One. 6 (12): e28341. ISSN 1932-6203. PMC 3233568
. PMID 22174791. doi:10.1371/journal.pone.0028341
