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Do the Right Thing
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| Do the Right Thing | |
|---|---|
Pôster Promocional | |
| No Brasil | Faça a Coisa Certa |
| Em Portugal | Não Dês Bronca |
| Estados Unidos 1989 • cor • 120 min | |
| Gênero | comédia drama |
| Direção | Spike Lee |
| Produção | Spike Lee |
| Roteiro | Spike Lee |
| Elenco | Spike Lee Danny Aiello Ossie Davis Ruby Dee Martin Lawrence Giancarlo Esposito |
| Música | Bill Lee |
| Cinematografia | Ernest Dickerson |
| Edição | Barry Alexander Brown |
| Companhias produtoras | 40 Acres & A Mule Filmworks |
| Distribuição | Universal Pictures |
| Lançamento | |
| Idioma | inglês |
| Orçamento | US$ 6 milhões[1] |
| Receita | US$ 37.3 milhões |
Do the Right Thing (Brasil: Faça a Coisa Certa / Portugal: Não Dês Bronca) é um filme de comédia e drama norte-americano de 1989 produzido, escrito, dirigido e protagonizado por Spike Lee. Outros membros do elenco incluem Danny Aiello, Ossie Davis, Ruby Dee, Richard Edson, Giancarlo Esposito, Bill Nunn, John Turturro e Samuel L. Jackson. Também é notável a estreia de longa-metragem de Martin Lawrence e Rosie Perez.
O filme conta a história da tensão racial no distrito de Brooklyn (Nova York), que vem à tona num dia quente de verão e culmina em uma tragédia.[2][3] O filme foi um sucesso de crítica e bilheteria, recebendo inúmeros elogios e prêmios, incluindo uma indicação ao Oscar para Lee na categoria Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante pela interpretação de Aiello.
Em muitas ocasiões é listado entre os melhores filmes de todos os tempos. Em 1999, o filme foi considerado "cultural, histórico e esteticamente significativo" pela Biblioteca do Congresso, sendo selecionado para preservação pela National Film Registry.
Sinopse
O filme acompanha um bairro de Nova York durante seu sábado mais quente. A comunidade predominantemente negra, interseccionada por um mercadinho de imigrantes coreanos e a pizzaria de Sal, um italiano, experimenta tensões raciais crescentes conforme o dia progride. Vislumbramos o cotidiano de todos seus personagens, as relações de amizade e conflito que constroem em pequenas ações, discussões, encontros e desencontros.
Elenco
- Spike Lee como Mookie.
- Danny Aiello como Sal.
- Ossie Davis como o Prefeito.
- Ruby Dee como a Mãe.
- Richard Edson como Vito.
- Giancarlo Esposito como Buggin 'Out.
- Bill Nunn como Radio Raheem.
- John Turturro como Pino.
- Richard Edson como Vito
- Roger Guenveur Smith como Smiley
- Rosie Perez como Tina
- Joie Lee como Jade
- Steve White como Ahmad
- Martin Lawrence como Cee
- Leonard L. Thomas como Punchy
- Christa Rivers como Ella
- Robin Harris como Sweet Dick Willie
- Paul Benjamin como ML
- Frankie Faison com Sid
- Samuel L. Jackson como Mister Señor Love Daddy (creditado como Sam Jackson)
- Steve Park como Sonny
- Rick Aiello como Officer Gary Long
- Miguel Sandoval como Officer Mark Ponte
- Luis Antonio Ramos como Stevie
- John Savage como Clifton
- Frank Vincent como Charlie
- Richard Parnell Habersham como Eddie Lovell
- Ginny Yang como Kim
Produção
Desenvolvimento
O escritor, diretor e ator Spike Lee concebeu a ideia para Do the Right Thing depois de discutir um incidente de 1986 em Howard Beach, no Queens, com o ator Robert De Niro. Esse incidente envolveu um ataque a homens afro-americanos em um bairro predominantemente ítalo-americano, resultando em uma vítima sendo atropelada e morta.[4] Lee também foi influenciado pelo episódio "Shopping for Death" de Alfred Hitchcock Presents, no qual os personagens principais discutem sua teoria de que o clima quente aumenta as tendências violentas, e pelo assassinato de Eleanor Bumpurs pela polícia.[5] Ele escreveu o roteiro em duas semanas.[6]
O roteiro original de Do the Right Thing terminava com uma reconciliação mais forte entre Mookie e Sal do que a usada por Lee no filme.[7] Nesta versão, os comentários de Sal para Mookie são semelhantes aos comentários anteriores do Prefeito no filme e sugerem algum ponto em comum e talvez a compreensão de Sal sobre por que Mookie tentou destruir seu restaurante. Lee não explicou explicitamente por que mudou o final, mas suas anotações contemporâneas compiladas no livro que acompanha o filme indicam que Lisa Jones expressou a reação de Sal como "boa demais" na versão original.[8]
Escolha do elenco
Inicialmente considerando De Niro para o papel de "Sal", Lee acabou escalando Danny Aiello por sugestão do próprio De Niro.[4] O filho de Aiello, Rick, interpretou Gary Long, o policial que mata Radio Raheem. Roger Guenveur Smith, que insistia com Lee para conseguir um papel no filme, criou o personagem Smiley, que não estava no roteiro original.[9] Quatro membros do elenco eram comediantes de stand-up: Martin Lawrence, Steve Park, Steve White e Robin Harris. Samuel L. Jackson foi escolhido para o papel de Mister Señor Love Daddy. Jackson revelou mais tarde que passou grande parte do tempo no set dormindo, já que não tinha cenas externas.[5] Lee originalmente queria Bill Nunn para o papel de Mister Señor Love Daddy, mas depois o escalou como Radio Raheem. O casal de atores Ossie Davis e Ruby Dee, amigos do pai de Lee, Bill, foram escalados como Da Mayor e Mother Sister.[5] Perez foi escalada como Tina, o interesse amoroso de Mookie, depois que Lee a viu dançando em uma boate de Los Angeles. Perez decidiu aceitar o papel porque sua irmã morava a quatro quarteirões do set. Ela nunca havia estado em um filme antes e ficou chateada durante a filmagem da cena da morte de Radio Raheem.[5]
Filmagem
As filmagens começaram em 18 de julho de 1988, em um único quarteirão do Brooklyn, em Nova Iorque. A equipe de filmagem transformou a degradada Avenida Stuyvesant, entre as ruas Quincy e Lexington, no bairro de Bedford-Stuyvesant, criando novas estruturas, como o mercado coreano, uma pizzaria funcional representando a famosa Sal's Pizzeria e uma estação de rádio no lugar de um prédio incendiado. As residências de alguns personagens foram instaladas em uma antiga boca de fumo fechada pela produção, e o Brownstone, que servia de lar para o único morador branco, "Clifton", estava vazio antes das filmagens. Lee organizou uma festa de rua antes do início das filmagens para fomentar uma relação positiva entre os moradores do bairro e os cineastas. O diretor de arte Wynn Thomas alterou a paleta de cores da rua, usando muita tinta vermelha e laranja para transmitir a sensação de uma onda de calor. Durante as filmagens, os traficantes de crack do bairro ameaçaram a equipe de filmagem por perturbar seus negócios, o que levou Lee a contratar membros da organização Fruit of Islam para fornecer segurança.[5] As filmagens terminaram em 14 de setembro de 1988, com um orçamento de 6,2 milhões de dólares.[4]
Durante o confronto final entre o personagem de Danny Aiello, "Sal", e o personagem de Giancarlo Esposito, "Buggin' Out", Lee permitiu que os atores improvisassem comentários racistas. Esposito, que era descendente de italianos e afro-americanos, achou a cena catártica.[4]
Rádio Raheem

O personagem de Radio Raheem (Nunn) foi alvo de muita análise.[11] No filme, Raheem recita um solilóquio sobre amor e ódio, uma ode a um monólogo semelhante proferido por Robert Mitchum em The Night of the Hunter (1955).[12] Nessa cena, ele usa anéis de soco inglês com a palavra "ódio" na mão esquerda e "amor" na direita. Lee filma essa cena substituindo a posição de Mookie pela câmera, em frente a Raheem. Assim, Raheem quebra a quarta parede e fala diretamente com a câmera e o público. Essa cinematografia deliberada enquadra o monólogo de Raheem como um momento de sinceridade e importância, resultando no efeito de Raheem comentando sobre a história negra e a luta contra o racismo no mundo real, do outro lado da câmera.[13] Raheem articula poeticamente o fascínio tanto do amor quanto do ódio e a constante oscilação que ocorre entre essas duas forças opostas. Seu monólogo pode ser visto como revelador de que a solução para uma questão histórica tão complexa como o racismo reside no esforço conjunto e na oscilação de ambas as forças. Em The Night of the Hunter, um assassino em série disfarçado de pregador (Mitchum) fala de amor e ódio como uma luta interna. A performance de Raheem sobre o mesmo tema, no entanto, é retratada como uma luta externa contra o mundo exterior.[14]
O crítico Ted Kulczycky comenta o uso do discurso direto por Spike Lee no solilóquio de Radio Raheem sobre amor e ódio como uma "ruptura com o realismo", criando assim um "efeito atípico". Kulczycky cita a influência do filme Week End, de Jean-Luc Godard. Kulczycky descreve o discurso direto de Raheem como tendo o duplo efeito de lembrar os espectadores da natureza construída do filme, mas também de "alimentar seu envolvimento".[15] O aparelho de som portátil usado no filme está em exibição na mostra A Changing America: 1968 and Beyond, no Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana.[16]
Recepção e legado
Recepção crítica
Na época do lançamento do filme, tanto Gene Siskel quanto Roger Ebert o classificaram como o melhor de 1989, e posteriormente cada um o classificou como um dos 10 melhores filmes da década (6º lugar para Siskel e 4º para Ebert).[17] Siskel descreveu o filme como "um documentário espiritual que mostra alegria, ódio e confusão racial a cada instante",[18] enquanto Ebert o elogiou por "refletir o estado atual das relações raciais na América melhor do que qualquer outro filme de nossa época".[19] Ebert posteriormente adicionou o filme à sua lista de The Great Movies.[20] Em uma retrospectiva de 2019, Kambole Campbell, da revista britânica Little White Lies, observou a relevância duradoura do filme e o chamou de "uma expressão ousada de amor, frustração, cuidado e raiva, tão vívida e expressiva que parece existir no aqui e agora".[21] O crítico de cinema do The New York Times, Wesley Morris, chamou Do the Right Thing de seu filme favorito.[22]
Alguns críticos foram menos favoráveis em suas resenhas. Dave Kehr, do Chicago Tribune, deu ao filme duas estrelas de quatro; embora o tenha chamado de "amigável", ele se ressentiu por empregar a culpa branca e "ver a violência como um símbolo libertador em vez de uma realidade degradante".[23] Ralph Novak, escrevendo para a People, criticou o filme como incoerente, com uma mensagem confusa e sem personagens simpáticos: "Se Lee está dizendo que o racismo é profundamente doloroso, frustrante e confuso, ninguém vai discordar. Mas este filme apresenta o argumento sem oferecer qualquer reflexão."[24]
No Rotten Tomatoes, o filme tem uma classificação de 92%, com base em 151 críticas, com uma classificação média de 9,1/10. O consenso crítico do site afirma: "Inteligente, vibrante e urgente sem ser didático, Do the Right Thing é um dos trabalhos mais completos de Spike Lee – e um dos filmes mais importantes da década de 1980."[25] No Metacritic, o filme tem uma pontuação de 93 em 100, com base em 26 críticas, indicando "aclamação universal" e colocando-o como o 68º filme mais bem avaliado de todos os tempos no site.[26]
Em 2006, o Writers Guild of America West classificou o roteiro do filme em 93º lugar na lista dos 101 Maiores Roteiros da WGA[27]
Controvérsias
Após o lançamento, muitos críticos protestaram contra o seu conteúdo. Alguns colunistas opinaram que o filme poderia incitar o público negro a tumultos.[28] Lee, por sua vez, criticou os críticos brancos por sugerirem que o público negro era incapaz de se conter enquanto assistia a um filme de ficção.[29] Numa entrevista de 2014, Lee disse: "Isso ainda me irrita profundamente", chamando os comentários de "ultrajantes, flagrantes e, eu acho, racistas". Ele disse: "Não me lembro de ninguém dizendo que as pessoas iriam sair dos cinemas matando outras depois de assistirem a filmes de Arnold Schwarzenegger".[30]
Uma questão em aberto perto do final do filme é se Mookie "faz a coisa certa" ao atirar a lata de lixo pela janela, incitando o motim que destrói a pizzaria de Sal. Alguns críticos interpretaram a ação de Mookie como uma que salva a vida de Sal, redirecionando a raiva da multidão de Sal para sua propriedade, enquanto outros dizem que foi um "incentivo irresponsável à violência".[31] As citações de dois importantes líderes negros usadas no final do filme não fornecem respostas: um defende a não violência, o outro defende a autodefesa armada em resposta à opressão.[31]
Lee observou que apenas os telespectadores brancos lhe perguntam se Mookie fez a coisa certa; os telespectadores negros não lhe fazem essa pergunta.[32] Lee acredita que o ponto crucial é que Mookie estava com raiva da morte injusta de Radio Raheem, afirmando que os telespectadores que questionam o motim estão explicitamente deixando de ver a diferença entre danos à propriedade e a morte de um homem negro.[29]
Lee foi criticado pela forma como tratou as mulheres em seus filmes. bell hooks disse que ele escreveu mulheres negras da mesma maneira objetificadora que cineastas brancos escrevem personagens femininas brancas.[33] Rosie Perez, que fez sua estreia como atriz interpretando Tina no filme, disse mais tarde que se sentiu muito desconfortável ao fazer a cena de nudez no filme:
- Minha primeira experiência [com cenas de nudez] foi em Do the Right Thing. E eu tive um grande problema com isso, principalmente porque eu tinha medo do que minha família pensaria — era isso que realmente me incomodava. Não era exatamente sobre tirar a roupa. Mas eu também não me sentia bem porque o clima não era o ideal. E quando Spike Lee coloca cubos de gelo nos meus mamilos, o motivo de você não ver meu rosto é porque eu estou chorando. Eu pensei: não quero fazer isso.[34]
Posteriormente, Perez afirmou que Lee ofereceu um pedido de desculpas e que os dois permaneceram amigos.[35]
Em junho de 2006, a Entertainment Weekly colocou Do the Right Thing em 22º lugar na sua lista dos 25 filmes mais polêmicos de todos os tempos.[36]
Na cerimônia de premiação do Festival de Cannes de 2021, Chaz Ebert, esposa do falecido crítico de cinema Roger Ebert, observou que seu marido ficou horrorizado com o fato de o filme não ter recebido nenhum prêmio do júri de Cannes em 1989, e que ele chegou a ameaçar boicotar o festival por causa disso.[37] Lee observou que a imprensa americana da época achava que o filme "iniciaria tumultos raciais por toda a América". Recebendo aplausos estrondosos da imprensa presente, ele apontou para a relevância contínua da história do filme, mais de três décadas depois, dizendo: "Você pensaria e esperaria que, mais de 30 anos depois, os negros tivessem parado de ser caçados como animais."[38]
O cineasta afro-americano de vanguarda Tony Cokes considerou a justaposição das citações de Martin Luther King Jr. e Malcolm X "politicamente confusa", da mesma forma que o motim iniciado por Mookie era "absurdo como expressão/resposta aos acontecimentos que afligiam pessoas negras em toda a região metropolitana de Nova York durante o período". Ele também criticou a narrativa por "produzir uma identificação estranhamente forte com a pizzaria Sal and Sons como 'vítimas' de 'violência negra irracional' para muitos críticos e espectadores brancos", que acabaram acreditando que Radio Raheem mereceu o que recebeu da polícia, e afirmou que a construção do filme deturpou casos como o de Michael Stewart.[39]
Também liderou a lista de filmes superestimados de 1989 do Orlando Sentinel, chamando-o de "uma combinação cansativa de sitcom e filme com mensagem" que é "cheio de raiva honesta, mas expressa pouco mais". O artigo também afirmou que:[40]
- É difícil se opor a um filme que se opõe ao racismo sem soar racista – ou pelo menos preconceituoso em termos raciais – mesmo que o filme seja superficial em sua abordagem do tema.
Referências
- ↑ «The Numbers Do The Right Thing». Entertainment Weekly (em inglês). Consultado em 5 de julho de 2020
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- ↑ Palis, Eleni (2018). «The Economics and Politics of Auteurism: Spike Lee and Do The Right Thing». Cinema Journal. 2 (57): 20
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Ligações externas
- Do the Right Thing no IMDb
- Do the Right Thing no FilmAffinity (em espanhol)
