BRZEN
Desenrola Brasil
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
O Programa Emergencial de Renegociação de Dívidas de Pessoas Físicas Inadimplentes - Desenrola Brasil é um programa implementado pelo Ministério da Fazenda do Brasil durante o governo Lula 3 que visa a renegociação de dívidas de natureza privada de pessoas físicas inscritas em cadastro de inadimplentes, bem como a redução do endividamento e facilitação de acesso ao mercado de crédito pelas mesmas. O programa é composto por quatro participantes: o governo federal, os devedores, os credores (instituições financeiras, serviços de utilidade pública, empresas varejistas, prestadores de serviços em geral, incluindo microempreendedores individuais e empresas de pequeno porte), e agentes financeiros, como bancos.[1] A primeira fase do programa esteve em operação entre julho de 2023 e maio de 2024, e em maio de 2026 foi instituída uma segunda fase ampliada, denominada Novo Desenrola Brasil ou Desenrola 2.0, com escopo estendido a estudantes, micro e pequenas empresas, agricultores familiares, aposentados e servidores públicos.
Requisitos da primeira fase
São requisitos para participar do programa:
- como devedor: ser pessoa física cuja(s) dívida(s) tenha(m) sido inscrita(s) como inadimplente(s) em cadastro até 31 de dezembro de 2022 e com registro ativo até 28 de junho de 2023, e que tenha renda mensal inferior a 2 salários mínimos (ou esteja inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal - CadÚnico).[1]
- como credor: ser pessoa júridica de direito privado responsável pela inscrição de inadimplentes em cadastro, como por exemplo instituições financeiras, além de serviços de utilidade pública (empresas distribuidoras de água e energia), empresas varejistas e prestadores de serviço em geral (inclusive microempreendores individuais e empresas de pequeno porte definidas por lei).[1]
- como agentes financeiros: ser instituição financeira criada por lei própria ou autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e que tenham autorização para realizar operações de crédito.[1]
Os devedores podem pagar suas dívidas em questão com recursos próprios ou, ainda, com novo empréstimo oferecido, com desconto, por agente financeiro habilitado no programa.[1]
O governo federal oferece aos agentes financeiros como garantia às operações de novo empréstimo os recursos do Fundo de Garantia de Operações (FGO). É de responsabilidade do Banco Central fiscalizar tantos os agentes financeiros quanto as instituições financeiras que atuarem como credoras.[1]
As instituições financeiras também devem instituir programas de educação financeira direcionados aos seus clientes visando a prevenção ao inadimplemento de operações e ao superendividamento de pessoas físicas.[1]
Além disso, o governo federal disponibiliza, de forma gratuita, a partir do site oficial do Desenrola Brasil a ferramenta Meu Bolso em Dia, desenvolvida pela Febraban, contendo cursos sobre educação financeira para os aderentes ao programa.[2][3]
Participantes do Desenrola Brasil são aconselhados a prestar atenção para identificar possíveis golpes financeiros utilizando o nome programa, inclusive com o uso de sites. O Ministério da Fazenda esclarece que para prevenir fraudes as comunicações do programa são feitas apenas por SMS e sem envio de qualquer link.[4]
Novo Desenrola Brasil (2026)
Em 1º de maio de 2026, em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão em alusão ao Dia do Trabalhador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma nova fase do programa, denominada Novo Desenrola Brasil ou Desenrola 2.0.[5][6][7] A medida foi formalizada em 4 de maio de 2026 pela Medida Provisória nº 1.355/2026, que institui o Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias, e regulamentada pela Portaria Normativa MF nº 1.243, de 5 de maio de 2026.[8]
A nova fase tem duração de 90 dias para famílias, estudantes e empresas, com prazo estendido até 20 de dezembro de 2026 para o eixo do produtor rural, e está estruturada em cinco frentes: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresas, Desenrola Rural e mudanças no crédito consignado.[8][9] Desde a primeira edição em 2023, o Desenrola já havia atendido cerca de 15 milhões de brasileiros, com aproximadament 53 bilhões de reais em dívidas renegociadas.[10]
Requisitos
São requisitos para participar do programa nesta fase, conforme o eixo de adesão:
- Desenrola Famílias: ser pessoa física com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105 em valores de 2026), com dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 nas modalidades cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal não consignado, e com atraso entre 90 e 720 dias.[8][7]
- Desenrola Fies: ser estudante com débitos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) vencidos há mais de 90 dias, com condições escalonadas conforme o tempo de atraso e a inscrição no CadÚnico.[6]
- Desenrola Empresas: ser microempresa ou empresa de pequeno porte elegível aos programas ProCred 360 (faturamento anual de até R$ 360 mil) ou Pronampe (faturamento anual de até R$ 4,8 milhões).[9]
- Desenrola Rural: ser agricultor familiar com dívidas inadimplentes elegíveis pelos programas de crédito rural, com prazo de adesão estendido até 20 de dezembro de 2026.[9]
Desenrola Famílias
O eixo Desenrola Famílias permite a renegociação de dívidas de pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105 em valores de 2026), contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos, nas modalidades cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado. As instituições financeiras participantes aplicam descontos entre 30% e 90% conforme o tipo de crédito e o tempo de atraso, e o novo crédito tem taxa máxima de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses, parcela mínima de R$ 50, limite de até R$ 15 mil por pessoa por instituição financeira e até 35 dias de carência para a primeira parcela.[8][6]
Como novidade em relação à fase de 2023, o programa permite o uso de 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou de até R$ 1 mil, o que for maior, para abatimento das dívidas após a adesão. O valor é transferido diretamente da Caixa Econômica Federal ao banco credor, sem passar pela conta do trabalhador.[8][10]
Outra novidade é o bloqueio, por 12 meses, do CPF dos beneficiários para participação em apostas online autorizadas no país, justificado pelo governo como medida de proteção à saúde financeira dos aderentes. O bloqueio inclui transferências por Pix e operações via cartão de crédito para plataformas de apostas durante a vigência da participação.[10][9]
Desenrola Fies
O eixo Desenrola Fies permite a renegociação de débitos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) com condições escalonadas conforme o tempo de atraso e o perfil socioeconômico do estudante. Para dívidas com atraso entre 90 e 360 dias há desconto integral sobre juros e multas, com possibilidade de parcelamento em até 150 vezes; para atrasos superiores a 360 dias, o desconto pode chegar a 77% para estudantes fora do CadÚnico e a 99% para estudantes inscritos no CadÚnico, na liquidação integral.[6][9]
Desenrola Empresas
O Desenrola Empresas é um eixo novo em relação à fase de 2023 e busca permitir a micro e pequenas empresas substituírem dívidas mais caras por linhas com melhores condições, por meio de melhorias nos programas ProCred 360 e Pronampe, com ampliação de prazos, aumento dos limites de crédito e maior tempo de carência.[9]
Desenrola Rural
O Desenrola Rural é o relançamento do eixo voltado a agricultores familiares, com ampliação do prazo de adesão até 20 de dezembro de 2026. Os descontos podem chegar a 90% do valor devido conforme o tipo da dívida e o tempo de atraso.[9]
Crédito consignado
A MP nº 1.355/2026 também alterou regras do crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS e para servidores públicos federais, com fim da reserva obrigatória de 10% da margem para cartão consignado e cartão de benefícios, redução do limite total de consignação de 45% para 40%, e ampliação dos prazos máximos das operações.[9]
Ver também
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 «LEI Nº 14.690, DE 3 DE OUTUBRO DE 2023». Presidência da República. 3 de outubro de 2023. Consultado em 6 de novembro de 2023
- ↑ «Desenrola: governo vai usar plataforma da Febraban para educação financeira dentro do programa de renegociação». extra. 10 de outubro de 2023. Consultado em 6 de novembro de 2023
- ↑ «Desenrola Brasil tem site de educação financeira; saiba como usar». Folha de S.Paulo. 10 de outubro de 2023. Consultado em 6 de novembro de 2023
- ↑ «Desenrola: governo alerta para golpe envolvendo programa de renegociação de dívidas». O Globo. 18 de outubro de 2023. Consultado em 6 de novembro de 2023
- ↑ «Novo Desenrola será lançado hoje com uso do FGTS e bloqueio de bets». CNN Brasil. 4 de maio de 2026. Consultado em 6 de maio de 2026
- 1 2 3 4 «'Novo Desenrola Brasil': saiba como será o programa de renegociação de dívidas». Agência O Globo. 1 de maio de 2026. Consultado em 6 de maio de 2026
- 1 2 «Entenda o novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal». Agência Brasil. 4 de maio de 2026. Consultado em 6 de maio de 2026
- 1 2 3 4 5 «Governo lança novo Desenrola e confirma uso do FGTS para pagar dívidas». CNN Brasil. 4 de maio de 2026. Consultado em 6 de maio de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «Novo Desenrola Brasil: veja quem poderá participar, descontos, taxa de juros e prazos». IstoÉ Dinheiro. 5 de maio de 2026. Consultado em 6 de maio de 2026
- 1 2 3 «Novo Desenrola permite usar FGTS para zerar dívidas e bloqueia acesso a sites de apostas». Perfil Brasil. 4 de maio de 2026. Consultado em 6 de maio de 2026
