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David Muir
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| David Muir | |
|---|---|
Muir em 2025 | |
| Nome completo | David Jason Muir |
| Nascimento | |
| Nacionalidade | Norte-americano |
| Ocupação | Jornalista, apresentador de noticiários, editor executivo |
David Jason Muir (Syracuse, 8 de novembro de 1973) é um jornalista norte-americano, apresentador do noticiário ABC World News Tonight e coapresentador da revista informativa 20/20, ambos integrados no departamento de informação da cadeia de televisão ABC, com sede em Nova Iorque. Anteriormente, Muir desempenhou as funções de apresentador da edição de fim de semana e de principal substituto do ABC World News Tonight, então apresentado por Diane Sawyer, a quem sucedeu a 1 de setembro de 2014.
Desde que ingressou na ABC News, em 2003, Muir realizou trabalho jornalístico em diversos países e territórios, entre os quais o Afeganistão, o Iraque, o Irão, a Ucrânia, o Egito, a Somália, Gaza, Guantánamo, o Japão, o Líbano, a Jordânia e a fronteira da Síria.[1] Ao serviço da ABC News, recebeu diversos prémios Emmy e prémios Edward R. Murrow pelo seu trabalho jornalístico de âmbito nacional e internacional. Em 2024, foi distinguido com o Prémio Walter Cronkite de Excelência em Jornalismo.[2] Em 2023 e em 2024, recebeu o prémio Emmy na categoria de Outstanding Live News Program e o prémio Edward R. Murrow na categoria de noticiário de cadeia de televisão.[3]
O seu trabalho jornalístico sobre alterações climáticas foi distinguido com o Prémio George Polk[4] e com o Prémio Alfred I. duPont–Universidade Columbia.[5][6]
Infância e educação
Muir nasceu numa família católica em Syracuse, no estado de Nova Iorque,[7] e cresceu na localidade de Onondaga Hill. Tem um irmão mais velho, dois meios-irmãos mais novos, seis sobrinhas e três sobrinhos.
Concluiu o ensino secundário na Onondaga Central Junior-Senior High School em maio de 1991.[8] Frequentou o Ithaca College, onde concluiu, em maio de 1995, a licenciatura em jornalismo com a classificação magna cum laude. Durante o ensino secundário, realizou um estágio na estação WTVH, em Syracuse.[9] No decurso da formação universitária, foi incentivado por um docente a seguir a carreira de jornalista de televisão. Frequentou ainda, durante um semestre, o Institute on Political Journalism do Fund for American Studies, na Universidade de Georgetown, e, noutro semestre, realizou mobilidade académica na Universidade de Salamanca, em Espanha, no âmbito do Institute for the International Education of Students.[10][11]
Carreira
WTVH
Entre 1994 e 2000, Muir exerceu funções de apresentador e de repórter na estação WTVH, em Syracuse, no estado de Nova Iorque.[9]
WCVB
Entre 2000 e 2003, Muir foi apresentador e repórter da estação WCVB, em Boston, onde recebeu o Prémio Edward R. Murrow regional na categoria de jornalismo de investigação, bem como o National Headliner Award e distinções da Associated Press pelo trabalho de reconstituição do percurso dos autores dos desvios de aeronaves associados aos ataques de 11 de setembro de 2001.[12] A Associated Press distinguiu igualmente o seu trabalho de apresentação e de reportagem.[13]
ABC News
Em agosto de 2003, Muir ingressou na ABC News como apresentador do programa informativo noturno World News Now. Assumiu igualmente a apresentação do noticiário matinal World News This Morning. Em 2006, e ocasionalmente em anos subsequentes, coapresentou a revista informativa Primetime. Em junho de 2007, passou a apresentar o World News Saturday. Em fevereiro de 2011, tornou-se apresentador de ambas as edições de fim de semana, tendo o noticiário passado a denominar-se World News with David Muir. O aumento das audiências das edições de fim de semana foi atribuído à sua presença.[14] Em março de 2013, foi promovido a coapresentador do programa 20/20, ao lado de Elizabeth Vargas.[15]
Primeiras funções como apresentador e repórter
Em setembro de 2005, Muir encontrava-se no interior do Superdome, em Nova Orleães, durante a passagem do furacão Katrina, tendo permanecido na cidade para acompanhar a crise humanitária subsequente. As suas reportagens documentaram a degradação das condições no centro de convenções e no Charity Hospital, tendo o jornalista percorrido zonas inundadas para localizar doentes retidos no interior do hospital.[16]
Em outubro de 2006, realizou reportagens na fronteira entre Israel e o Líbano, no contexto da guerra entre Israel e o Hezbollah. Em março de 2007, encontrava-se em Gaza para acompanhar a tomada de poder pelo Hamas, tendo emitido a partir do interior da Faixa de Gaza.[10] Em outubro de 2007, foi enviado ao Peru após o sismo de maior magnitude registado naquele país em mais de duas décadas.[17]
Em setembro de 2008, realizou reportagens na Ucrânia, mais de duas décadas após o acidente nuclear de Chernobil. Em abril de 2009, Muir e Diane Sawyer assinaram uma edição especial do 20/20 dedicada às armas de fogo nos Estados Unidos, cujos resultados foram descritos como preocupantes pelo New York Daily News.[18]
Em maio de 2009, uma reportagem sua no 20/20 documentou o aumento significativo do número de crianças em situação de sem-abrigo nos Estados Unidos.[19] Muir deslocou-se ainda várias vezes ao Golfo do México para acompanhar o derrame de petróleo da BP.[20]
Em janeiro de 2010, deslocou-se ao Haiti após o sismo que deixou órfãs dezenas de milhares de crianças e destruiu edifícios e serviços essenciais do país. Mais de 220 000 pessoas morreram e muitas outras ficaram feridas em consequência do sismo de magnitude 7,0.[21] Regressou ao país em várias ocasiões, tendo documentado agressões contra mulheres e a crise de saúde mental em Porto Príncipe.[22]
Em junho de 2011, realizou reportagens na Praça Tahrir, durante a revolução política no Egito,[23] e em Fukushima, no Japão, após o sismo e tsunami e o acidente na central nuclear.[24] Muir publicou no Daily Beast um texto sobre o seu trabalho em Mogadíscio, na Somália, intitulado Inside Somalia's Crippling Famine.[25]
Em novembro de 2012, foi um dos principais correspondentes da ABC na cobertura da eleição presidencial dos Estados Unidos.[26] As entrevistas que conduziu ao candidato republicano Mitt Romney tiveram repercussão nacional nas matérias de política económica e de imigração.[27]
Em dezembro de 2012, apresentou várias horas de emissão dedicadas ao ataque à Escola Primária de Sandy Hook e, posteriormente, realizou reportagens no local durante a visita do presidente Barack Obama à localidade.[28] Muir esteve também no ataque a um cinema em Aurora, no Colorado; em Joplin, no Missouri, após a passagem de um tornado destrutivo; e em Tucson, no Arizona, após o tiroteio em que foi atingida a congressista Gabrielle Giffords e no qual morreram seis pessoas.[10]
Em janeiro de 2013, realizou reportagens no interior do Irão, no período que antecedeu as negociações sobre o programa nuclear.[29] Foi o primeiro jornalista ocidental a noticiar a situação de fome a partir de Mogadíscio, na Somália.[30]
World News Tonight with David Muir
A 27 de junho de 2014, a ABC News anunciou que Muir sucederia a Diane Sawyer nas funções de apresentador e editor executivo do ABC World News. A sua primeira emissão ocorreu a 1 de setembro de 2014.[31]
Em abril de 2015, o World News Tonight with David Muir passou a ser o noticiário televisivo com mais audiência nos Estados Unidos, superando o NBC Nightly News pela primeira vez desde 7 de setembro de 2009.[32]
A rubrica Made in America, dedicada à economia norte-americana e nomeada para um prémio Emmy, constitui uma componente regular do noticiário.[33][34] A rubrica foi igualmente apresentada noutros programas da ABC, entre os quais The View, no qual Muir participou como coapresentador convidado.[35]
Em março de 2016, divulgou uma reportagem elaborada ao longo de um ano sobre o consumo de heroína nos Estados Unidos, distinguida com um CINE Golden Eagle Award.[36]
Muir moderou vários debates das primárias presidenciais do Partido Democrata e do Partido Republicano[37] e entrevistou candidatos presidenciais.

Numa entrevista concedida em 2015, a antiga secretária de estado Hillary Clinton reconheceu que a utilização de um servidor de correio eletrónico privado tinha constituído um erro, apresentando então o seu primeiro pedido de desculpas público sobre a matéria.[37]
A 25 de janeiro de 2017, Muir entrevistou o então presidente Donald Trump na Casa Branca. Tratou-se da primeira entrevista concedida por Trump enquanto presidente, cinco dias após a tomada de posse.[38]
Em 2020, as audiências do noticiário apresentado por Muir registaram um aumento acentuado no início da pandemia de COVID-19, em linha com a evolução dos restantes noticiários televisivos, tendo alcançado uma média aproximada de doze milhões de telespectadores e a posição de programa televisivo com maior audiência.[39][40] A 6 de maio de 2020, entrevistou o presidente Donald Trump a propósito da pandemia.[41]

Antes da eleição presidencial de 2020, Muir realizou a primeira entrevista conjunta ao candidato democrata Joe Biden e à sua candidata a vice-presidente, a então senadora Kamala Harris.[42] Entrevistou o presidente Biden em várias ocasiões. Na Casa Branca, em dezembro de 2021, questionou-o sobre o grau de preparação dos Estados Unidos para o aumento de casos de COVID-19.[43]

Em 2021, assumiu a função de principal apresentador da cobertura de última hora e de acontecimentos especiais da ABC News, anteriormente desempenhada por George Stephanopoulos entre 2014 e 2020.
Ainda em 2021, deslocou-se ao sul de Madagáscar para noticiar aquela que o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas classificou como a primeira situação de fome provocada por alterações climáticas. Após a emissão da reportagem, os telespectadores da ABC News efetuaram donativos superiores a três milhões de dólares em favor do Programa Alimentar Mundial. O trabalho foi distinguido com o Prémio George Polk na área do jornalismo ambiental e com dois prémios News & Documentary Emmy.[4]
Em 2022, Muir foi o primeiro apresentador de uma cadeia de televisão norte-americana a entrevistar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky após a invasão russa da Ucrânia. Entrevistou-o posteriormente em Kiev, no início da contraofensiva ucraniana.[44][45][46]
Em fevereiro de 2023, realizou duas entrevistas ao presidente Biden, uma das quais em Varsóvia, sobre o apoio norte-americano à Ucrânia. Entrevistou-o igualmente na Normandia, durante as comemorações do 80.º aniversário do desembarque.[47]
Ainda em 2023, deslocou-se ao Sudão do Sul para noticiar as cheias históricas que destruíram comunidades e conduziram a situações graves de subnutrição, num contexto de conflito armado no Sudão. A reportagem South Sudan: Isolated by Water and War recebeu um prémio News & Documentary Emmy, integrando a cobertura da ABC News sobre alterações climáticas distinguida com o Prémio Alfred I. duPont–Universidade Columbia.[48][49]
Debate presidencial de 2024

A 10 de setembro de 2024, Muir e Linsey Davis moderaram, na ABC News, um debate presidencial entre o antigo presidente Donald Trump e a vice-presidente Kamala Harris, seguido por cerca de setenta milhões de telespectadores nos Estados Unidos. Durante o debate, Muir procedeu à verificação factual, em direto, de várias afirmações de Trump, incluindo a alegação de que imigrantes haitianos residentes em Springfield, no Ohio, consumiriam animais de companhia.[50][51][52] Muir questionou Harris sobre a eventual responsabilidade que lhe seria imputável pela retirada do Afeganistão e, em matéria económica, sobre a situação dos cidadãos norte-americanos em comparação com quatro anos antes.[53][54][55] As intervenções de Muir e de Davis foram objeto de críticas de parcialidade por parte de Trump e suscitaram debate público quanto ao papel dos moderadores nos debates presidenciais, tendo sido analisadas, entre outras publicações, pelo The New York Times e pela Columbia Journalism Review.[56][57][58]
A 6 de junho de 2024, Muir entrevistou o presidente Joe Biden na Normandia. No decurso da entrevista, questionou-o sobre a possibilidade de conceder um perdão ao seu filho, Hunter Biden, tendo Biden respondido negativamente.[59][60] A 1 de dezembro de 2024, Biden alterou essa posição e concedeu o perdão ao filho. Diversos órgãos de comunicação social remeteram para a referida entrevista e para o compromisso então assumido por Biden.[61][62]
Distinções e reconhecimentos
Muir recebeu vários prémios News & Documentary Emmy e prémios Edward R. Murrow pelo seu trabalho jornalístico. Em 2022, a reportagem sobre a situação de fome associada às alterações climáticas em Madagáscar foi distinguida com o Prémio George Polk e com um prémio News & Documentary Emmy na área do jornalismo ambiental, tendo igualmente integrado o conjunto de trabalhos do ABC World News Tonight reconhecido na categoria de cobertura continuada sobre a crise climática.[63][64][65]
A 27 de setembro de 2023, foi distinguido com um prémio News & Documentary Emmy na categoria de Outstanding Live News Program e com um Prémio Edward R. Murrow da RTDNA na categoria de noticiário de cadeia de televisão; em 2024, o ABC World News Tonight with David Muir recebeu ambas as distinções pelo segundo ano consecutivo.[66]
A 25 de janeiro de 2024, Muir e a ABC News foram distinguidos com o Prémio Alfred I. duPont–Universidade Columbia (Silver Baton) na área do jornalismo ambiental.[67]
Em 2025, foi incluído na lista TIME100 das pessoas mais influentes do ano, publicada pela revista Time.[68][69][70]
Referências
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